30/12/2015

Memórias de 2015

2015 foi um ano que começou da pior forma possível, e, por causa disso, achei que tinha tudo para ser um péssimo ano. Também graças a isso, tive que aprender - ou habituar-me - a viver sem a presença de uma das pessoas mais importantes da minha vida. No entanto, o ano acabou por me surpreender pela positiva, e, apesar de ter começado tão mal, deu-me vários motivos para sorrir.
2015 foi o ano de deixar a "casa de estudante" e a faculdade, para regressar a casa. Com isto, também deixei o Porto, a cidade que tão bem me acolheu e que se tornou na minha segunda casa, mas tive várias oportunidades de lá regressar, com as quais matei todas as saudades e me apaixonei ainda mais pela cidade. Algumas destas oportunidades foram inesperadas, com as quais fiz uma formação na faculdade - onde nunca pensei voltar a entrar - que me fez aprender imenso. Por falar na faculdade, 2015 foi o ano em que me licenciei e passei pelo stress de escrever e de defender uma tese. Foi o ano em que fiz um estágio pela primeira vez, o que me fez ganhar gosto pela minha futura profissão, descobrir áreas de interesse e crescer a nível pessoal.
2015 foi o ano em que risquei mais desejos da minha wishlist. Conheci Coimbra e Amesterdão. Regressei à prática do melhor desporto do mundo. Assisti a um dos melhores concertos da minha vida. Ganhei gosto pelos passeios na natureza, armada em turista. Entrei tanto na água fresca de uma cascata, como nas águas quentes de uma piscina termal. Li, finalmente, a trilogia d'O Senhor dos Anéis, bem como outras que queria ler ou terminar há já algum tempo. Continuei a dedicar-me aos meus hobbies de alma e coração, acabando por encontrar o meu estilo no que toca ao desenho - em relação à escrita, ainda me falta um bom bocado para acabar o segundo volume da minha trilogia sem nome...e acho que, afinal, não vou chegar às duzentas e cinquenta páginas antes do ano terminar, como tinha proposto a mim mesma. E continuei a apreciar as coisas simples e a ver a vida com positivismo; continuei a gostar de passear e de explorar uma cidade, mesmo sozinha e na minha própria companhia, a adorar os cafés e as esplanadas, as gordices, a água do mar no calor do Verão. Voltei a ter um sorriso metálico, o que não é propriamente bom, mas ao menos sei que estou a "caminhar" para cumprir mais um desejo que tenho. Ouvi álbuns de tirar o fôlego, lançados este ano e não só. Comprei o meu primeiro carro e voltei a conduzir passado tanto tempo. Conheci uma blogger pessoalmente, e foi incrível a empatia que sentimos uma pela outra logo no primeiro instante, como se já nos conhecêssemos - e, apesar dos quilómetros que nos separam, espero que voltemos a encontrar-nos e que possamos manter esta amizade inesperada.
Em 2016, espera-me uma nova etapa. Finalmente, a expressão Ano novo, vida nova vai fazer algum sentido. Espero que traga tudo de bom e mais razões para sorrir, não só a mim, mas também a vocês.

29/12/2015

Facto #35

Estar-se ligado às redes sociais em plena noite de Natal é uma das coisas que me custa a compreender e que me faz um bocado de confusão. Melhor dizendo, não é bem o facto de se estar ligado, mas sim a "necessidade" de se publicar uma foto de família tirada nessa mesma noite. É óbvio que, aqui, também tiramos fotografias de família, mas não com o único intuito de publicá-las. Não sei como há quem tenha paciência para isso, para andar com tentativas de fotos e para adiar a hora de se começar a comer só mesmo para dizer a toda a gente que se está a celebrar o Natal com a família toda - e isto bem que pode ser aplicado a outras datas festivas... Gente, toda ou quase toda a gente celebra o Natal com a família, acho que é escusado mostrá-lo. Já cansa, todo esse exibicionismo...

Prometo que não falo mais sobre o Natal, pronto.

28/12/2015

Natal 2015

O meu Natal foi bom. Diferente, por vários motivos, mas bom. A comida estava óptima, o bolo estava melhor do que nunca, a companhia foi ainda melhor e este deve ter sido o Natal cujo serão se prolongou durante mais tempo. Em relação aos presentes, não tive quase nada daquilo que pedi, o que não quer dizer que não tenha tido coisas boas. Mas, hey, recebi uma camisa axadrezada. E dois pijamas! Ambos muito giros e fofos. Um deles com umas calças com motivos de Hogwarts, que eu, claro, adorei. Os dias a seguir ao Natal continuaram a ser passados em família, ora na casa de um, ora na casa de outro, como já é hábito. A almoçar ou a jantar em conjunto, e, por vezes, a fazer estas duas coisas. E a ver filmes também. Honestamente, pensei que este Natal viesse a ser pior, dadas as circunstâncias, mas fui surpreendida. Talvez por não ter grandes expectativas.
E ainda fiz alguém feliz com uma "prendinha de Natal" inesperada. Saber que a pessoa ficou feliz deixou-me feliz também.

22/12/2015

Mais de 1000 razões para ser feliz #17




Fotografias da minha autoria.

Gosto tanto de montar e enfeitar a árvore de Natal e de decorar a casa a rigor, mas gosto ainda mais de ver a casa assim, toda enfeitada. Fica tão bonita, tão alegre. Este ano, resolvemos colocar os presentes debaixo da árvore, o que deu um ar mais giro e querido à coisa, como se os embrulhos também fizessem parte da decoração. Passei alguns dias sem ver um único presente com o meu nome, mas, de repente, apareceram logo três debaixo da árvore, e estou deveras curiosa quanto ao seu conteúdo. Nestes dias, sabe-me bem ficar por casa, especialmente quando o tempo está tão mau lá fora, como aconteceu na semana passada. Passar uma tarde a escrever ou à volta de um desenho, com boa música como companhia. Ou estar no sofá, coberta por uma manta, a ler um livro ou a ver os episódios de uma série acompanhada por um chá ou por chocolates. Sempre com as luzes da árvore a piscar ao fundo. Sabe bem ouvir músicas de Natal em todo o lado: na rádio, nas ruas, nas lojas...e até no balneário da natação. Nesta altura do ano, sinto-me, ainda, como se fosse uma criança de novo. É a altura em que mais vontade tenho de ver filmes de animação - o Big Hero 6 é um dos filmes mais giros de sempre, e a ideia do Inside Out é espectacular - e de voltar a dar uso à minha N64, a minha relíquia, a melhor prenda de Natal que já recebi - e na qual já não sei jogar tão bem como quando era miúda. Ontem, fizemos o nosso bolo de Natal, típico daqui dos Açores e tão delicioso, que deixou a casa a "cheirar a Natal". Depois, vai começar o frenesim no que respeita a fazer a comida e as restantes sobremesas e preparar a casa para o jantar da noite de Natal. Mas eu até gosto disso.
Este ano, o meu Natal vai ser mais triste, mas vou fazer os possíveis para aproveitá-lo ao máximo e da melhor maneira.
Se entretanto não publicar mais nada até ao dia - que é o que, muito provavelmente, vai acontecer -, aproveito para desejar um feliz Natal a todos  

21/12/2015

Ainda vou a tempo de alterar a minha lista de Natal?

Saiu recentemente um novo trailer da continuação do meu jogo favorito - do qual já falei aqui. Vê-lo deixou-me tão nostálgica e tão cheia de vontade de jogar e de voltar àquele mundo, àquelas personagens, àquela história tão estranha, tão complexa e tão interessante. Quero tanto jogar esses novos jogos. Aliás, não é só uma questão de querer; eu tenho que jogar esses novos jogos, e sei que poucas pessoas o compreenderão. É que eu estou à espera desta continuação há quase dez anos! Como é que hei-de sequer pensar em não ligar a algo que me é tão querido, que me acompanhou durante a adolescência e do qual estou à espera há tanto tempo?
E será que ainda vou a tempo de alterar a minha lista de Natal? É que afinal quero uma PS4...

19/12/2015

Série Shadowfell - Juliet Marillier

Sinopse (Shadowfell): Na terra de Alban, onde o jugo tirânico de Keldec reduziu o mundo a cinzas e terror, a esperança tem um nome que só os mais corajosos se atrevem a murmurar: Shadowfell. Diz a lenda que aí se refugia uma força rebelde que lutará para libertar o povo das trevas e da opressão. E é para lá que se dirige Neryn, uma jovem de dezasseis anos que detém um perigoso Dom Iluminado: o poder de comunicar com os Boa Gente e com as criaturas que vivem nas profundezas do Outro Mundo. Será Neryn forçada a fazer esta perigosa viagem sozinha? Ou deverá antes confiar na ajuda de um misterioso desconhecido cujos verdadeiros desígnios permanecem por esclarecer? Perseguida por um império decidido a esmagá-la e sem saber em quem pode confiar, Neryn acabará por descobrir que a sua viagem é um teste e que a chave para a salvação do reino de Alban pode estar nas suas próprias mãos.

Foi a primeira vez que li algo desta autora, e tornei-me sua fã logo após o primeiro volume da trilogia. Quem já leu outros livros dela costuma dizer que esta série não é grande coisa. Mas eu, que nunca tinha lido nada dela antes, fiquei completamente encantada, tanto com a história, como com a forma como está escrita.
Quando se abrem os livros, deparamo-nos com um mapa. Regra geral, fico sempre ansiosa por ler um livro que tenha um mapa, pois significa que a história tratar-se-á de uma viagem ao longo de um mundo novo, que com certeza nos dará a conhecer lugares tão diferentes e durante a qual surgirão diversos obstáculos a superar. E costumam ser histórias com magia. Este é um dos meus tipos favoritos de livros. Neste caso, há uma viagem num mundo perigoso. Alban é um reino onde cada palavra tem que ser cuidadosamente pensada antes de ser proferida, onde muito dificilmente se pode confiar em alguém, onde os inimigos são muitos e os amigos são escassos, onde as pessoas com dons são forçadas a escondê-los. À primeira vista, a viagem da protagonista em busca de Shadowfell pode parecer monótona e solitária, mas revela-se o contrário, graças às diversas personagens - humanas e não só - que cruzam o seu caminho e que a obrigam a dar o melhor de si para superar os variados obstáculos e desafios.
A escrita de Juliet Marillier é rica, mágica e encantadora. Tem muitos aspectos positivos a salientar. Em primeiro lugar, apesar de os livros estarem escritos na primeira pessoa e de a protagonista ser uma adolescente, a linguagem não é nada acriançada, como tantas vezes acontece. Todos os diálogos, aliás, são bastante maduros e bem construídos, remetendo-nos para épocas mais antigas em que se utilizava um outro tipo de discurso. A forma como tudo estava escrito fez com que me transportasse directamente para o mundo da história, como se eu fosse uma espécie de fantasma a perseguir a protagonista para todo o lado. É tão fácil imaginar, na nossa cabeça, tudo quanto lemos, como se de um filme se tratasse, com esta autora. É como se, até, conseguíssemos "sentir" os próprios ambientes - a chuva, o cheiro a papas de aveia, o calor de uma fogueira -, de tão bem que tudo estava descrito. E, para além de tudo isto, os nomes de alguns dos personagens são bastante característicos e cheios de personalidade. Tanto de personagens humanas - gostei, especialmente, dos nomes Rohan Death-Blade e Tallis Pathfinder -, como de, e principalmente, Boa Gente, seres mágicos, dignos de contos de fadas, que adquirem as mais variadas formas, com os quais quem tem um dom especial pode comunicar e fazer proezas ainda mais espantosas. Os nomes destes últimos foram traduzidos para português, e achei que foi uma decisão que fez todo o sentido, pois assim o leitor apercebe-se melhor do facto de os seus nomes serem tão característicos - felizmente, não traduziram os nomes dos lugares, bem como Death-Blade e Pathfinder, pois isso seria realmente estúpido e ficaria muito mal.
Outros aspectos que também adorei, e que têm agora a ver com o enredo em si, foram as diversas situações que me fizeram pensar em coisas do tipo Oh não, e agora?, que me aguçavam sempre mais o apetite para a leitura; o facto de os romances se desenvolverem de forma tímida, cautelosa e um tanto ou quanto secreta, o que tornava tudo muito mais fofinho, na minha opinião; e, ainda, o modo como Neryn, a protagonista, usava o seu dom. Uma das suas demandas tem a ver com a procura dos chamados Guardiães de Alban, com o objectivo de lhe ensinarem mais sobre o seu dom. São seres representativos dos quatro elementos: água, terra, ar e fogo. Neryn não possui magia própria, mas os ensinamentos dos Guardiães ajudam-na a usar o seu dom através da magia dos elementos. E a autora descreveu esta questão de uma forma verdadeiramente fantástica. 
Adorei, ainda, aquele que se tornou no meu personagem favorito, Flint. É difícil gostar, ou, pelo menos, sentir empatia por um personagem logo no momento em que aparece, mas foi o que aconteceu com Flint. Muito misterioso e de poucas palavras no início; quis tanto saber mais sobre ele e fiquei logo triste por ter desaparecido tão depressa quanto apareceu, o que me fez desejar que voltasse a surgir mais à frente ou que tivesse ficado por mais algum tempo. Ao longo dos livros, surgem passagens que são narradas do seu ponto de vista, em vez do de Neryn, e em terceira pessoa, tal qual como eu tanto gosto. E estas passagens fizeram-me gostar ainda mais desta personagem, pois finalmente entramos na sua cabeça, percebemos o que está a pensar e conhecemo-lo melhor. Até agora, foi uma das minhas personagens favoritas de todos os livros que já li.
Os únicos pontos negativos que tenho a apontar são: o facto de os capítulos serem grandes demais - alguns deles com mais de trinta páginas, que podiam perfeitamente ter sido divididos - e o facto de me sentir algo desiludida com o final. Não, não foi só porque a série acabou - ainda sinto esse "vazio" e mal me sinto "preparada" para iniciar uma nova leitura. Foi o facto de não se ter sabido o que aconteceu a determinadas personagens. Cheguei a pensar que faltavam páginas ao meu exemplar. Gostava mesmo de saber o que teria acontecido, mas pronto.
Recordarei esta série com imenso carinho, uma vez que foi uma das melhores que já li até hoje. Adorei o enredo, a história está escrita de uma forma, a meu ver, espectacular e a autora é uma enorme inspiração. Para mim, uma leitura obrigatória para amantes do romance fantástico.

16/12/2015

Afinal, já não vai ser este ano

Falei algures por aqui, há uns tempos, o quanto estava ansiosa por enviar o meu romance a editoras. Aliás, tinha dito que não ia passar deste ano, pois é algo que já quero fazer há muito tempo, mas nunca tinha oportunidade. Já andei a fazer o "trabalho de casa", contudo. A procurar a melhor forma de abordá-las, a procurar contactos, a escrever uma sinopse minimamente atractiva e com poucas palavras - com a qual ainda não estou cem por cento confiante e sei que vou ter que pedir opiniões em relação a ela. No entanto, ainda não dei o passo seguinte. O "temível" passo seguinte. Já me tinham dito que a altura do Natal não era boa para isso, pelo que vou esperar. Mas, para além disso, a coisa vai ser mais trabalhosa do que tinha pensado. Isto porque vou ter que voltar a "perder tempo" com o livro, a lê-lo novamente - e com a cabeça no lugar - e a melhorá-lo e aperfeiçoá-lo no que for necessário. E eu ando demasiado empolgada a escrever a continuação, que não me apetece nada deixá-la parada para andar com revisões. Agora que tenho tempo livre de sobra, só quero aproveitá-lo para escrever o mais que puder. Por falar nisso, um objectivo que propus a mim própria foi o de, até ao final do ano, chegar, pelo menos, às duzentas e cinquenta páginas. E acho que o vou cumprir, pois não me faltam muitas.
Não gosto nada de ter que continuar a adiar um sonho tão antigo, mas acho que vai ser melhor assim. Em 2016 é que vai ser - é que vou tentar, pelo menos...o resto já não vai depender de mim. Ou eu não me chamo Ice.

13/12/2015

Coisas que não me importava de receber este Natal #2

À semelhança da lista que fiz no ano passado, aqui vão as coisas que, este ano, não me importaria de ter. Acabei por receber/comprar algumas das coisas que aqui postei no ano passado, não só no Natal, como também ao longo de todo este ano, pelo que pode ser que volte a ter a mesma sorte.


10/12/2015

A tentar ultrapassar o trauma da condução...

Já aqui tinha dito o quanto detestava conduzir. Nunca gostei daquele joguinho de pés constante, de ter que estar sempre com os olhos bem abertos, de não me sentir nada segura. Passei, por isso, anos sem pegar num carro, apesar de tanta insistência por parte de tanta gente - para ser sincera, essas insistências tornavam a coisa ainda pior. Comecei a pensar que os carros Smart é que seriam os ideais para mim, por me parecerem ser os mais fáceis de conduzir, e isto por terem apenas dois pedais. O problema era serem muito caros.
Não me importava muito com o facto de não conduzir, sinceramente. No entanto, agora que vou trabalhar, pensei que estava na altura de ultrapassar o meu trauma. Eu teria que conduzir para ir para o trabalho e voltar para casa, já que isto aqui é um bocado pobre em termos de transportes públicos, para além de que teria que ficar dependente dos mesmos. Teria que ter o meu próprio carro. Não podia depender das boleias da minha mãe para sempre, até porque dar-me boleia todos os dias não lhe daria jeito nenhum. E porque não quero ser assim tão dependente.
Posto isto, para ultrapassar o trauma devido à necessidade de conduzir, pensei em ter algumas aulas numa escola de condução, para me relembrar das coisas e para ver se me sentia segura de uma vez por todas. Seria um suplício, contudo. Pelo que voltei a ficar com os carros Smart na cabeça.
Por mero acaso, encontrei um Smart em segunda mão a um preço que considerei bastante acessível. Não hesitei. Depois de o experimentar, fiquei radiante e ainda mais convencida de que era o carro ideal para mim. Porque aquilo é um sonho para conduzir. Só tem dois pedais, não é necessário meter mudanças e nunca vai abaixo. Para além de ser pequenino, fofinho e muito giro. Nem quis procurar outro carro. Pensei que já não teria necessidade de ter mais aulas de condução. E tinha dinheiro no banco.
Sim, comprei-o. As pessoas podem dizer que fiz mal, que vou ficar mal habituada e que vou continuar sem conseguir conduzir um carro "normal". Mas quem o vai conduzir sou eu, pelo que quem tem que se sentir segura sou eu. E, quando precisar de mudar de carro, posso muito bem comprar outro carro automático, ou outro Smart, e posso conduzir esse tipo de carros durante toda a vida - como se eu me importasse!
Mas, apesar de ser a coisa mais fácil do mundo para conduzir, continuo uma medricas de primeira. Toda a gente diz que é uma questão de prática. É por isso que tenho tentado andar com ele todos os dias, para ver se me habituo, se perco o medo e se ultrapasso o trauma. Tenho que conseguir fazer isto antes de começar o estágio, porque, a partir daí, terei que me deslocar sozinha até lá.
Apesar de tudo, ainda me custa acreditar que tenho um carro. Parece uma coisa tão...adulta. É estranho.
Encontro-me, agora, a aceitar CDs como prenda de Natal, já que deve ser muito mais agradável ouvir músicas do nosso agrado a caminho do trabalho e no regresso a casa - e, de preferência, a um volume bem alto. Se bem que, nestes primeiros dias, tenho andado tão nervosa enquanto conduzo, que nem ouço o que está a dar na rádio.

07/12/2015

Isto dos estágios...está resolvido!

Consegui um estágio na minha área e na minha ilha. Mesmo como queria. Mas, se vos contasse como o arranjei...

04/12/2015

Mais de 1000 razões para ser feliz #16

É sempre bom receber livros novos. E isto torna-se ainda melhor quando são adquiridos em promoções que fazem com que compremos dois livros pelo preço de um (obrigada, Wook!). Já tenho mais uma trilogia completa...apesar de o primeiro volume da mesma ainda estar em lista de espera para ser lido. Não me faltam livros para ler, portanto. 

03/12/2015

Today's mood

Fui colocar o aparelho nos dentes inferiores e estou que nem posso.
Não tenho votade para nada e, quanto menos falarem e mexerem comigo, melhor.
Mas sem dúvida que o que mais me chateia é não poder comer como deve ser.

O que uma pessoa tem que sofrer... A genética devia ter sido mais minha amiga, é o que é... 

02/12/2015

Terminei Novembro em beleza

Passei estes últimos dias no Porto. Tive, este fim-de-semana, a última sessão do curso que andei a fazer, e aproveitei para ficar por lá mais uns dias.
A cidade parece ter algo inexplicável que me faz gostar tanto dela. Gosto tanto de andar pelas ruas, sem destino, mesmo que já tenha passado por elas várias vezes; de passear pelos jardins; de explorar lugares novos; de observar os monumentos e de admirar as paisagens; de passar tempo num café acolhedor a comer coisas boas. E torna-se tudo melhor quando, mesmo com frio, o céu está limpo durante todo o dia e o sol brilha, como se nos aquecesse o coração. E, claro, quando se está em boa companhia.
Não tenho planos para lá regressar, mas espero poder fazê-lo um dia, seja lá quando for. O Porto tornou-se como que na minha segunda casa. Vou ter saudades.

24/11/2015

Isto dos estágios anda a dar cabo de mim...

Às vezes, a minha atitude positiva desaparece, por me sentir como que esmagada e sufocada pela realidade.
Decidi que tenho que ficar cá e que não vai dar jeito nenhum ir para outra ilha. Por causa das consultas do dentista devido ao aparelho e porque, vendo bem as coisas, não iria poupar dinheiro nenhum, já que teria que gastar grande parte dele na renda de uma casa ou de um quarto.
Assim sendo, candidatei-me a alguns estágios da minha ilha, e apenas aos da minha área de formação, mas, sinceramente, não estou com grandes esperanças. Até já fui rejeitada por um deles.
Em contrapartida, já me telefonaram a "oferecer-me" um estágio na minha área. Num ginásio, o que é mesmo apelativo. Mas que tem o grande inconveniente de ser noutra ilha.
Ou seja, na minha ilha, ninguém quer dar-me uma oportunidade e age como se eu fosse invisível, ao passo que, nas outras, têm falta de gente e estão interessados em mim. Isto não podia ser mais injusto.
Nem sei o que poderá acontecer caso não seja aceite em nenhum dos estágios a que me candidatei. Não sei se poderei concorrer novamente na próxima fase. Não sei se me atribuirão um estágio "ao calhas", cuja vaga esteja por preencher, mesmo que não seja da minha área. Tentei saber, mas ninguém me atendeu.
Seja como for, tudo isto me coloca num dilema, sem saber o que será preferível. Fazer um estágio na minha área, com a possibilidade de pertencer à Ordem, independentemente do local e acabando por não poupar nada do salário por causa de rendas, contas para pagar e compras para a casa? Ou estagiar noutra área qualquer na minha ilha, estágio esse que servirá apenas para estar a fazer alguma coisa e a receber um salário?
O ideal seria combinar as duas coisas, mas, como já disse, não tenho grandes esperanças.
Acho que vou esquecer a ideia de ir para outra ilha, embora tivesse ficado contente que tenham vindo atrás de mim. Não iria importar-me de viver sozinha, até porque seria uma forma de me ver livre dos stresses que às vezes surgem aqui em casa. Mas iria acabar por gastar o salário quase todo.
Por outro lado, ficar aqui e acabar a estagiar numa área que nada tenha a ver com a minha parece-me demasiado estúpido e digno de um enorme facepalm. Porque serviria apenas para passar o tempo e para ganhar dinheiro. Não me serviria de nada. Mas, quando começo a pensar melhor, penso que, pelo menos, será alguma coisa. Há quem não tenha nada. E eu acabaria por receber alguma coisa, finalmente.
Não sei porquê, mas sinto que desiludirei toda a gente se acabar num estágio que nada tenha a ver com a minha área. Ou se, pior ainda, não acabar em lado nenhum. Terei ficado tanto tempo à espera, sem fazer nada em termos profissionais, para nada. Se bem que não posso fazer grande coisa, não é...não posso apontar uma arma à cabeça das pessoas e obrigá-las a darem-me um estágio...
Por vezes, até, começo a ficar um bocado triste por estar em casa. Mas, depois, lembro-me que posso passar algumas horas a escrever, e isso anima-me. Oh, seria tudo tão fácil se eu fosse uma escritora rica e famosa...

21/11/2015

Talvez seja uma possibilidade, afinal

Com o curso que estou a fazer agora - que, infelizmente, já está prestes a acabar, e com isto acabam também as minhas viagens à Invicta -, descobri como pode ser bom continuar a estudar. Ou melhor, como é bom aprender mais acerca de uma área do nosso interesse. As sessões têm sido bastante interessantes; vou para lá com vontade, farto-me de tirar notas e saio de lá satisfeita com aquilo que aprendi. Não senti tudo isto na licenciatura, talvez por a coisa ser muito mais "pesada" em termos de frequência de aulas, tempo dispensado dentro do edifício da faculdade e quantidade exagerada de matéria e de trabalhos, coisas que deixavam uma pessoa muito mais exausta e sem paciência para nada. Já as sessões deste pequeno curso são apenas uma vez por semana e durante pouco tempo. Muito mais suportável e mais "leve", para além de ser tudo muito interessante, pelo menos para mim - se não me interessasse pela área, nunca me teria inscrito.
Os mestrados também são assim, duas vezes por semana, embora mais tempo. Pelo menos, aqueles que estive a ver. Nem sei bem por que estive a ver alguns, uma vez que estou há anos a dizer que não quero meter-me nisso. Talvez por ter visto, realmente, que aprender e estudar algo do nosso interesse acaba por ser bom. 
Seja como for, pensava que seriam como uma licenciatura, com aulas de segunda a sexta. Mas saber o contrário deixou-me algo empolgada. O mais chato é que os mestrados trazem consigo as chatices das teses e das defesas, e eu não tenho a mínima paciência para passar por isso de novo, principalmente porque estas seriam de um nível muito mais exigente e rigoroso do que as de licenciatura. Por isso, as pós-graduações parecem ser o ideal para mim, por não terem estas chatices.
Tem graça que, quando terminei o secundário, não sabia para onde me virar, por achar que nada me interessava. Agora, parece que cada vez encontro mais coisas que me despertam interesse. Haja tempo e possibilidade para aprender acerca de todas...
Por isso, de momento, não excluí completamente a possibilidade de continuar a estudar, ainda que os mestrados continuem de parte. Parece que continuo a gostar de aprender. Só não gosto de ser forçada a decorar tudo aquilo que aprendo para que avaliem os meus conhecimentos depois, mas isto parece ser algo ao qual não se pode fugir. Pois, continuo a gostar de aprender, mas continuo a não gostar de estudar, no verdadeiro sentido da palavra - isto é, marrar e decorar. Apercebi-me, até, que já não tenho grande cabeça para isso. Isto porque no tal curso vamos ser submetidos a um pequeno teste, e eu canso-me rapidamente de ler as apresentações de Powerpoint das sessões. Os professores universitários deviam tirar um curso de "como fazer uma apresentação sucinta e apelativa sem repetir informações que nos obriguem a andar para trás e para a frente e com esquemas simples e bonitos que nos expliquem tudo de uma vez".

19/11/2015

Mais de 1000 razões para ser feliz #15

Saber que daqui a exactamente uma semana vou estar novamente no Porto.
(E, desta vez, vai ser um pouquinho mais do que um simples fim-de-semana! Só espero que faça bom tempo...)

16/11/2015

Série Divergente - Veronica Roth

Sinopse (Divergente): Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família... e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.
Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se enamora por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo, que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama... ou acabar por destruí-la.

Estava ansiosa por ler esta trilogia, em especial devido à história das fações em que a sociedade está dividida. Pareceu-me algo diferente, e, de facto, gostei bastante da ideia. Achei muito interessante a ideia, ou melhor, o facto de se cultivar uma virtude específica, cada uma delas oposta aos "defeitos" da humanidade. Foi igualmente interessante ver que as pessoas de cada fação são treinadas a cultivar a sua virtude, e que esses treinos são específicos e diferentes consoante as fações. No entanto, as pessoas pertencentes a cada uma eram demasiado estereotipadas, não sei se por vontade da autora ou não. De qualquer forma, a verdade é que, na realidade, as pessoas têm, de facto, a tendência de rotular e de estereotipar toda a gente que pensa ou que age de determinada maneira. Talvez a autora tenha querido criticar a sociedade actual, não só neste sentido, mas também no que diz respeito a determinadas atitudes e práticas, que são feitas ou para alcançar um objectivo maior, ou apenas porque assim é exigido, porque é o que é certo e o que tem que ser feito.
Houve várias coisas que gostei nestes livros. Gostei do facto de acontecerem muitas coisas num só, em vez de todo o livro se focar apenas num único acontecimento. Tornou tudo muito mais empolgante e entusiasmante. Gostei dos finais em aberto, que pediam logo a leitura do próximo livro, como se fossem os finais de temporada das séries. Gostei que, a cada livro e quanto mais se avançava na história, se descobria mais acerca do que significava ser-se Divergente. Foi muito interessante verificar que tal era muito mais do que a breve definição que surgia no primeiro livro, e o facto de a autora meter a genética ao barulho tornou tudo mais delicioso. Gostei que a história não se focasse assim tanto no romance entre os protagonistas, como acontece em vários livros do género, e que tivesse mais cenas de acção e mais mistérios do que partes melosas e lamechas - embora existam, mas em quantidade q.b.. Houve cenas muito giras, como as paisagens dos medos e as brincadeiras dos membros da fação que Tris escolhe, com especial destaque para a descida, através de um cabo, do alto de um edifício. Algumas destas "cenas giras" parecem não ter o seu propósito ou servir apenas "para encher", mas, depois, à medida que se avança na história, acabámos por perceber que incluí-las fez todo o sentido. E gostei da Tris logo no início, por não ser a típica protagonista desajeitada e com medo de tudo, que, só mais tarde, se torna forte e corajosa. Ela é corajosa desde o princípio, e isso agradou-me.
Em relação à escrita, não a achei nada de extraordinário, sem nada que diferenciasse a autora de outros nomes do género. Aliás, no que diz respeito a isto, estes livros têm uma coisa muito má: estão escritos no presente. É certo que uma pessoa acaba por se habituar, mas eu detesto livros escritos no presente; mesmo passado algum tempo, volta a fazer um bocadinho de confusão.
Gostei que, no terceiro livro, a autora alternasse o narrador. A história é contada ora do ponto de vista de Tris, ora no de Quatro, o protagonista masculino (não vou dizer o seu nome verdadeiro, porque isto tira a piada toda a quem não leu os livros). Já estou habituada a ler livros em que as perspectivas são alternadas, de tal maneira que, agora, prefiro ler livros assim, que me ofereçam diferentes pontos de vista, de forma a conhecer melhor as personagens e para que a própria leitura não se torne aborrecida por estarmos a seguir sempre a mesma personagem. No entanto, desagradou-me que as partes narradas por Quatro fossem escritas igualmente na primeira pessoa. Na minha opinião, teria tido mais lógica se tivessem sido escritas na terceira. A certas alturas, eu já não sabia se estava a ler algo visto da perspectiva de Tris ou de Quatro. Se um estivesse escrito na primeira pessoa e o outro na terceira, aí já não teria tido dúvidas. Pareceu-me, até, que os próprios tradutores se confundiram de vez em quando, pois surgiram alguns erros de tradução no que diz respeito a adjectivos, que deviam estar no masculino, em vez de no feminino.
Outra coisa que me desiludiu foi a previsibilidade. Há cenas muito, muito previsíveis. Especialmente porque a autora acaba por nos habituar a tal, dada a quantidade de acontecimentos tristes com as mais diversas personagens, que nos levam, automaticamente, a adivinhar o seu desfecho. Em contrapartida, surgiram cenas das quais não estava nada à espera. E tem graça constatar que estas cenas acontecem em momentos opostos da história: logo no princípio, quando Caleb, o irmão de Tris, escolhe a sua fação - nunca desconfiei - e no final. O final surpreendeu-me.
Na minha opinião, algumas cenas necessitavam de mais alguns detalhes, para que o leitor percebesse melhor o que se estava a passar. Para a autora, faziam sentido, pois ela é que sabe o que se passa e o que quer que se passe. Mas os leitores não estão dentro da sua cabeça. Enfim, é só um pormenor, e, obviamente, não se aplica à história toda.
Em suma, estava ansiosa por ler e não fiquei desiludida. Gostei muito, e, agora, resta-me ver os filmes.

13/11/2015

Do estágio (ou da falta dele)


Isto da procura de um estágio não tem sido fácil. Inscrevi-me num programa e já estive a ver que entidades estão a recrutar estagiários. Há muito pouca coisa na minha área, e algumas delas são noutras ilhas. As candidaturas aos estágios deste programa terminam no final deste mês, pelo que ainda vou esperar mais algum tempo, a ver se aparece mais qualquer coisa. Caso contrário, terei que me aventurar e candidatar-me a um estágio noutra ilha.
Já discuti, com a minha mãe e por uns breves minutinhos, a possibilidade de não encontrar nada ou de não ser aceite em nada da minha área. E ambas concordámos que, caso isso acontecesse, eu poderia arranjar um trabalho, numa área que nada tivesse a ver com a minha e que serviria apenas para eu fazer alguma coisa até à próxima fase de candidaturas a esse programa onde estou inscrita, ou tentar a minha sorte em Portugal continental. É bom sentir este tipo de apoio. Isto é, não estar a ser constantemente pressionada no que diz respeito a procurar alguma coisa dentro da minha área para poder pertencer à Ordem e, consequentemente, exercer a profissão. Sempre fui da opinião que não é um curso que vai ditar o futuro de uma pessoa. Ou seja, lá por se ter um curso, não quer dizer que se vá obrigatoriamente trabalhar naquela área. Por isso, se eu não encontrar nada, não terei problema nenhum em trabalhar no McDonald's, num hipermercado, num café, na biblioteca pública (confesso que esta não me parece má ideia), ou onde quer que seja. Se tiver que ser, seja. Parada é que não vou ficar, até porque, se o fizesse, sentiria a consciência bem pesada. Se não trabalhar, há também a hipótese de continuar a estudar. Afinal de contas, não estou sob pressão e não há nenhum prazo no que diz respeito a fazer parte da Ordem. Não preciso que isto aconteça o quanto antes; aliás, tenho todo o tempo do mundo para ingressar nela, e isto será feito quando puder. Ela não foge.

10/11/2015

Ter um apelido estrangeiro...

Para a Rádio Comercial, cada dia é o dia de alguma coisa, e ontem quiseram que fosse o Dia das Pessoas com Apelido Estrangeiro.
Eu tenho um apelido estrangeiro. De origens americanas, para ser mais precisa.
Mas quem tem um apelido estrangeiro "sofre". As pessoas raramente percebem o meu apelido à primeira e, muitas das vezes, confundem-no com outro apelido qualquer (que seja português, claro está). Para além disso, por vezes, não sabem pronunciá-lo e fazem-no de forma errada - embora eu considere que não haja dificuldade nenhuma em pronunciar-se o meu apelido, mas enfim, as pessoas parecem gostar de complicar. E, ainda, não sabem como se escreve. Às vezes acabo a soletrá-lo, mas as pessoas chegam ao cúmulo de ficarem a olhar para mim com caras de parvas, como se pensassem que estou a inventar. Já aprendi, contudo, a ultrapassar estes obstáculos quando preciso que escrevam o meu nome (como no caso de recibos de farmácia e afins): mostro o meu cartão de cidadão ou o cartão multibanco e digo algo do género É este nome.
Lembro-me de que, quando andava na escola, detestava o meu apelido. A partir do quinto ano, os meus colegas de turma - aqueles idiotazinhos com a mania que são bons e engraçados que existem nas turmas todas - faziam como que troça por causa do meu apelido, e isto prolongou-se até ao décimo-segundo ano, mesmo tendo eu passado por turmas diferentes e conhecido colegas diferentes. Eles serviam-se do meu apelido para se referirem a mim ou para me chamarem, em vez de usarem o meu primeiro nome, como é suposto, e isso irritava-me. Principalmente porque parecia que o pronunciavam em tom de troça ou de desprezo. Detestava ser chamada assim, e só pensava que, se ao menos tivesse um apelido português, isso não acontecia.
Quando fui estudar para o Porto, contudo, as coisas foram completamente diferentes, tanto que algumas das pessoas com as quais me cruzei - colegas e afins - acharam o meu apelido giro e chique. Graças a isso, passei a olhá-lo de outra maneira.
E, agora, gosto dele. Especialmente porque, em Portugal, não existe mais ninguém com um nome (primeiro nome + apelido) igual ao meu, ao passo que, se tivesse um apelido português, iria encontrar tantas raparigas com o mesmo nome (primeiro nome + apelido) que eu. E esta é uma das razões pelas quais vou manter o meu apelido no caso de me casar.

06/11/2015

Já falam no Natal?

Na minha cidade, já há luzes de Natal. No outro dia, vi que também já havia a característica árvore, disposta no mesmo local de sempre. Pensei que só quisessem ter o trabalho adiantado e que só acenderiam as luzes no início de Dezembro, como é habitual. Mas ouvi dizer que a iluminação de Natal será inaugurada esta noite. E que até músicas de Natal começaram a passar hoje nas ruas. Para além disso, esta semana apanhei anúncios de Natal na televisão. Fiquei parva. Qualquer dia começam a passar anúncios e a inaugurar iluminações no dia das bruxas, por este andar.
Eu adoro o Natal. É uma das minhas alturas favoritas do ano. Mas, este ano, nem me lembro que está a aproximar-se. Melhor dizendo, eu este ano mal sei a quantas ando - ainda no outro dia tive que escrever a data para assinar um papel e quase escrevi Outubro. Custa a crer que o Natal esteja próximo e que o ano esteja quase no fim, se bem que acho que ainda é demasiado cedo para se andar a espalhar espírito natalício.
Quer dizer, sinceramente nem sei se será demasiado cedo ou se sou eu que não sei se vou ter grande espírito natalício este ano, dadas as circunstâncias. Penso que, se fosse noutro ano qualquer, já estaria a vibrar com tudo isto, ansiosa que o Natal chegasse. Este ano, não me sinto assim. Até tenho "medo" de como o Natal vai ser. "Medo" no sentido de ter as expectativas muito baixas e de mal me sentir feliz e tranquila quando chegar a altura, contrariamente ao que acontecia nos outros anos todos.

03/11/2015

Mais de 1000 razões para ser feliz #14

Desde pequena que desenho e que escrevo. São coisas que me acompanham desde essa altura até hoje porque me divertem e, mais do que me entreterem, fazem-me feliz. Continuo a fazê-las por mim, porque gosto, para que me sinta bem comigo própria, e não para agradar aos outros ou para provar-lhes alguma coisa. Deposito, nelas, imenso amor e dedicação, sempre. Mesmo que ninguém vá compreender ou gostar, é por mim que as faço. Mas é claro que gosto que apreciem o meu trabalho e me dêem um feedback positivo. Se não quisesse que dissessem nada acerca daquilo que faço, então não mostraria nada a ninguém e guardava tudo para mim.
E este feedback deixa-me feliz. Seja através de simples likes no Facebook, seja por adicionarem os meus trabalhos aos favoritos no DeviantART e/ou por descobrirem milagrosamente alguns desenhos meus e pedirem-me que os adicionem a determinados grupos - ainda estou parva com a quantidade de gente que gostou da minha Kim Possible, e continuo parva quando entro no site e vejo que tenho várias feedback messages, que é algo que muito raramente me acontecia -, seja através de comentários aqui no blog aos meus textos, seja através de uma forma mais "pessoal" - e com isto refiro-me às mensagens acerca do meu "livro", de quem já o leu. Tudo isto é motivo para ficar satisfeita com aquilo que faço. Significa que fiz algo de jeito. E que esse algo, para além de ser do meu agrado e de eu ter gostado tanto de o fazer, consegue, também, ser do agrado de outros. E tudo isto motiva-me a continuar, a evoluir constantemente, a fazer mais e melhor.

02/11/2015

Do final de Outubro e "expectativas" para Novembro

Outubro passou depressa demais para meu gosto. Provavelmente por ter sido um mês mais agitado. Mas não queria que tivesse passado tão rápido, pois estava a habituar-me à sua tranquilidade, e agora, em Novembro, já não estarei assim tão tranquila. E acabei de usar duas palavras contrárias para descrever o mês passado: agitado e tranquilo. Mas foi exactamente assim. Agitado, por causa de todas as viagens entre cá e lá. Tranquilo, por estar livre de obrigações.
Foi no Porto que me despedi de Outubro. A passear, tanto pela baixa como por jardins, a pisar as folhas secas. Passear sozinha já não me é tão estranho; pelo contrário, sabe-me bem, deixa-me satisfeita comigo mesma, pois impede-me de pensar em preocupações e em coisas tristes. A Spirito estava com um ambiente de Halloween mesmo giro, e deliciei-me com um cupcake e com uma bebida quente. Para mim, que gosto de doces e de cafés mais "inovadores", com conceitos diferentes do habitual, o Porto é uma cidade cheia de tentações, pelo que, de todas as vezes que lá vou, tenho que aproveitar e comer um lanchinho deste género - até porque, em casa, é raríssimo comer doces. Passei a noite das bruxas no quarto, a (re)ver o Corpse Bride, o que, para mim, é o tipo de programa ideal. E já não me lembrava bem do quanto aquele filme é fofinho - e acho que vou desenhar algumas personagens.
Só lá regresso no final deste mês. Por um lado, vou poder descansar depois de várias semanas sempre em viagem, se bem que tenho várias coisas para fazer ao longo do mês - obrigações e não só. Algumas delas têm a ver com o curso. Estou a gostar muito e tenho aprendido coisas muito interessantes, mas não vou desenvolver muito o assunto por agora, especialmente porque o que podia vir a dizer dava para uma nova publicação.
Mas, por outro lado, vou ter saudades e já sei que vou andar desejosa de lá voltar, até porque soube de novos lugares, que não conheço, para visitar, e espero ter a oportunidade de explorá-los a todos da próxima vez. Espero, também, conseguir voltar a alguns dos meus lugares favoritos, porque, depois desta última viagem no final do mês, não sei quando voltarei lá.
O que é triste. E estranho, e estúpido. Porque, enquanto estudei lá, estava constantemente ansiosa por voltar para casa, para aquele conforto característico. E agora, que estou em casa, dou por mim a querer estar noutro sítio. Qualquer sítio, longe daqui.

29/10/2015

Mais de 1000 razões para ser feliz #13

Tenho andado a descobrir mais do Porto.
Descobri a Amarelo Torrada, um espaço acolhedor com uma decoração amorosa. Na montra, lê-se algo do género Aqui vai comer a melhor torrada da baixa, e isto não é exagero algum. Para além de as torradas serem muito bem servidas, ainda podemos escolher o tipo de pão. E, quando digo bem servidas, não me refiro apenas ao tamanho. A torrada vem, como é habitual, barrada com manteiga, mas traz também duas compotas diferentes e mel, com os quais também podemos barrar a torrada, se quisermos. E o contraste entre o doce das compotas e o salgado da manteiga é simplesmente divinal. Está aprovadíssimo, e espero lá voltar mais uma vez.

Descobri a biblioteca municipal. Pois, passei três anos e meio a estudar no Porto e nunca me tinha dignado a estudar numa biblioteca que não a da minha faculdade. Meti-me lá por estar a chover, e gostei muito do espaço. O edifício é antigo, mas gostei dele no interior. E gostei, especialmente, do claustro. Gosto de claustros; acho-os fofinhos. E, lá, tinha umas mesas e cadeiras, o que me fez pensar que deve ser bem agradável estar ali fora quando o tempo está bom.

Descobri o Traveller Caffé, mais um espaço acolhedor e um excelente refúgio para dias de chuva, como foi o caso. Passei por lá depois de sair da biblioteca, onde bebi um delicioso chocolate quente que me soube pela vida. Aliás, só o facto de estar lá soube-me bem. Adorei o ambiente, muito calmo e descontraído, com uma música de fundo bastante agradável, e ver a chuva a cair lá fora tornou tudo ainda mais aconchegante. Só faltou uma boa companhia, mas, havendo falta disso, entretenho-me com outras coisas. Ultimamente, tenho levado o meu bloco de notas para todo o lado, com o qual me tenho divertido a escrever ideias para posts para o blog, a escrever a ordem dos acontecimentos da história que estou a escrever agora - que acabam por me deixar sempre confusa, com a quantidade de coisas que quero (e tenho que) incluir para que tudo faça sentido - ou a tentar escrever uma sinopse decente da minha história anterior.  


27/10/2015

Facto #34

Admiro a coragem de conhecidos meus (na sua maioria, antigos colegas de turma) em "atirarem-se" para o estrangeiro, seja para estudar, para fazer um estágio ou mesmo para trabalhar. Às vezes, gostava de ser corajosa como eles.

24/10/2015

Escrito por mim #6

Era, contudo, um som agradável de se ouvir. Bonito, mágico e suave. Uma melodia, tocada por algum instrumento que parecia estar demasiado perto de mim. Senti-me como se estivesse num filme e que aquela melodia fizesse parte da sua banda sonora, tocando inesperadamente e em qualquer lugar apenas para embelezar uma cena sem palavras. Subitamente, dei por mim embalada por ela e a sorrir face à sua beleza, sem saber, sequer, se estaria a imaginá-la. Parada junto a uma árvore, olhei em redor, não alarmada, mas simplesmente curiosa em relação a quem estaria a produzi-la e de onde poderia vir. Não via ninguém, e, no ar, não corria a mínima brisa que pudesse transportar o som até mim. No entanto, a canção prosseguia, e, a cada segundo que passava, sentia-me melhor e mais tranquila, como se, de repente, a vida deixasse de ter preocupações.
Por alguma razão, toquei no tronco da árvore que se encontrava junto a mim. Mantive a mão em contacto com aquela armadura robusta e rugosa, como se, do seu interior, brotasse uma força que me atraía. Como se, naquele tronco, fluísse magia. A própria melodia, aliás, trazia magia ao ar a cada nota que era tocada. Fez-me pensar em lugares cujo solo eu tinha pisado e que já não existiam mais, lugares onde se sentia a magia no ar e em tudo o que a vista alcançava. Lugares onde viviam todo o tipo de criaturas em harmonia, onde a magia e os rituais eram praticados livremente e sem medo. Lugares, pessoas e momentos (...) que eu nunca iria esquecer e que preservava com um carinho tal, que muitas vezes desejava, ingenuamente, que aqueles dias simples, risonhos e gloriosos regressassem ao mundo. Que a magia regressasse ao mundo; que regressasse em pleno, dominando-o novamente, como nunca devia ter deixado de fazer.
Tal era a força da árvore e da canção, que me tentou a descobrir o que ali se escondia; a descobrir a origem e o tipo daquela magia, o porquê de ali estar e de se manter em segredo. E, como se fluísse num sentido ascendente e eu fosse capaz de a ver, a energia da árvore fez-me olhar para cima, para os seus próprios ramos e para a sua folhagem, como se, simples e inexplicavelmente, estivesse apenas a seguir a trajectória da sua seiva mágica no seu interior.
Foi então que a vi. A rapariga do autocarro. Confortavelmente encostada ao tronco da árvore, como se estivesse a relaxar numa espreguiçadeira, em vez de num ramo frágil e estreito e a vários metros do solo. Tinha um alaúde ao colo, a fonte da canção que povoava o ar e que o enchia de magia, de romance e de História, proporcionando-me lembranças e cenários de sonho. E tocava-o de olhos fechados, com uma completa serenidade estampada no rosto e com os lábios finos curvados num sorriso sonhador, como se a sua própria melodia a transportasse para um outro mundo, só seu. Fora o instrumento, a sua aparência era a mesma de sempre. Porém, ao contrário de todas as outras vezes em que a vira, não estava com o habitual ar de quem estava perdida e à margem da sociedade, como que perseguida pela sensação de não pertencer a lugar algum. Ali, no alto do ramo, tranquila, sorridente e aparentemente feliz, parecia estar no seu elemento. E, por algum motivo que não compreendi, olhar para ela, ao mesmo tempo que ouvia a sua canção e reconhecia que, de facto, se encaixava na perfeição com aquele ambiente, fez-me sorrir. Lembrava-me um bardo, personagem relativamente comum no início do mundo, que se fazia sempre acompanhar pelo seu instrumento e pela sua voz, pronta a cantar histórias. Olhar para ela e relembrar os tempos em que a magia reinava no mundo acendia em mim uma antiga esperança, a esperança de tudo voltar a ser como era.

21/10/2015

Um escape

A minha casa tornou-se mais triste desde que a minha avó partiu. Ela era uma das "almas" das festas de família, gostava de organizar estas coisas. Vinha até minha casa para conversar, e nós passávamos pela dela antes de subirmos para a nossa, também para conversar e trocar novidades.
Chorei a poucas horas do jantar do meu aniversário. Vejo o meu avô a tornar-se cada vez mais dependente e a "definhar-se" cada vez mais. A família está como que dividida entre aqueles que se importam com ele e que cuidam dele e entre os que pouco se importam e que vivem as suas vidinhas como se nada fosse. Nem os almoços de família, que continuamos a fazer todos os domingos, têm sido a mesma coisa - pelo contrário. Entristece-me pensar em como será o Natal daqui para a frente, já que ela vibrava com aquilo e fazíamos o jantar no dia vinte e cinco na casa dela, sempre. Estava toda contente no final do ano passado, por saber que aquele seria o último Natal que passaria a estudar para exames e que os próximos já seriam melhores. Melhores...o tanas.
Para além de contribuírem para a minha formação, as idas ao Porto tornam-se num escape a tudo isto. Muitas das vezes, o que me apetece fazer é mesmo isto: fugir, sair daqui, esquecer como tudo isto se tornou tão triste e em como poderá vir a ser. Sei que não posso fugir para sempre. Mas, sinceramente, já são poucas as coisas que me prendem aqui. É por isso que não me importo de ir ao Porto aos fins-de-semana e que acho que não me importaria de fazer um estágio noutra ilha ou de viver noutro lugar. Esta nova rotina daqui de casa e este novo ambiente cansam-me e sufocam-me, por vezes, de tão tristes.

20/10/2015

"Refill grátis"

Já algumas cadeias de fast-food estão a adaptar, em Portugal, a política do refill, ou seja, permitir que se volte a encher o copo de refrigerante. Lembro-me que isto já existia nos Estados Unidos quando lá estive, em 2009. Demorou a chegar cá, mas chegou. E, ao que parece, vai espalhar-se. O que eu não percebo é qual o sentido que isto faz. Porque aquilo é grátis. Ou seja, os restaurantes não ganham nada com isso.
As pessoas também não ganham. "Ganham" um novo copo de sumo, que seria perfeitamente dispensável. "Ganham" mais porcarias para o seu organismo, o que, no final de contas, não lhes dá nada; pelo contrário, tira-lhes. As pessoas acabam por perder saúde e anos de vida, a longo prazo.
Depois admiram-se de ver cada vez mais gente gorda, de a obesidade infantil aumentar mais a cada ano que passa e de as doenças aparecerem cada vez mais cedo. Infelizmente, ainda há muita gente que não tem noção do mal que fazem os sumos e refrigerantes - ou do quanto estes podem contribuir para o aumento de peso. É claro que as cadeias de fast-food se estão a marimbar para a saúde dos consumidores, mas, se isto de voltar a encher o copo não lhes dá lucro nenhum e se não contribui para a felicidade deles, então qual é o propósito? Chateia-me, isto. Isto e o facto de ver as pessoas tão cegas, tão contentes por poderem ir buscar mais sumo sem pagarem mais por ele. Que vontade de lhes abrir os olhos...

19/10/2015

Estar numa fila já é mau o suficiente...

...mas torna-se ainda pior quando a pessoa que está a seguir a nós cola-se tanto, mas tanto a nós, até chegar ao ponto em que passa a estar ao nosso lado, em vez de atrás, como era suposto. Ao nosso lado. E, mesmo que ande um milímetro para a frente para ver se me afasto um bocadinho, para a pessoa perceber que eu estou à frente dela e para as restantes perceberem que eu estou na fila sozinha, ela anda também, e continua colada a mim. Levei com três pessoas destas durante o fim-de-semana. Que irritação. Uma delas foi no aeroporto, na fila para o controlo de segurança. Acho que passei com a minha mala por cima dos pés dela. Foi sem querer, mas foi bem feita.

13/10/2015

Em modo repeat #28

Regra geral, depois de sair de um concerto, para além de passar a gostar ainda mais e de ganhar uma maior admiração pelos artistas em questão, passo os dias seguintes a ouvir as músicas que lá tocaram. É o que chamo de "depressão pós-concerto".
O último concerto a que fui, o do (grande!) Steven Wilson, foi há praticamente um mês atrás. E, até agora, tornou-se na "depressão" mais difícil de curar.
Primeiro, porque tive uma enorme vontade de explorar a sua discografia, não só do seu projecto a solo, mas, também, dos Porcupine Tree, banda que fundou e da qual faz parte, e que já conheço há anos - e há tanto por explorar... Depois, porque, volta e meia, dou por mim com músicas dele na cabeça, e lá tenho que as ouvir. E, aí, fico com uma nostalgia tão, tão grande... Tive, inclusive, uns dias em que só me apetecia ouvir Steven Wilson e/ou Porcupine Tree. Mais nada, mesmo.
E, agora, parece que ando nisto outra vez. É que as músicas são tão, mas tão boas, que, enfim. Não dá para parar de ouvir, simplesmente não dá.
Se, antes do concerto, estava completamente rendida ao seu novo álbum, Hand. Cannot. Erase - que foi o que me convenceu a comprar o bilhete, porque, se nunca o tivesse ouvido, nunca teria ido ao concerto (e não estaria com esta "depressão" agora!) -, agora estou apaixonada pelo seu antecessor, The Raven That Refused To Sing (And Other Stories), do qual faz parte a música que aqui deixo. Podia ter colocado outra, como a fantástica The Watchmaker - a única da setlist do concerto que eu não conhecia, mas que adorei logo no início - ou a lindíssima Drive Home, que tem um dos melhores solos que já ouvi. Mas deixo a que dá o título ao álbum, por se ter tornado especial.
De todas as vezes que a ouvi, não gostei dela. Achei-a chata, sem graça. Meia deprimente, até. Mas, de facto, acho que as músicas dele, não só as do projecto a solo como as dos Porcupine Tree, não agradam a qualquer pessoa e não são "fáceis" de gostar.
Ouvi-la ao vivo foi completamente diferente. Penso que devido ao ambiente. Estava um silêncio na sala, como se toda a gente estivesse hipnotizada pela música. O videoclip passou atrás. E eu estava tão feliz...
Depois disso, passei a adorar esta música. Tanto! Há algo de bonito na poesia triste e melancólica. Steven disse precisamente isto no concerto, e eu não hesitei em concordar. Foi o final perfeito para uma noite perfeita.

12/10/2015

Do fim-de-semana

Foi este fim-de-semana que começou o tal curso em que me inscrevi. Estava entusiasmada, porque, recentemente, comecei a adquirir gosto por esta área, e isto graças ao tema da minha tese, que vem a ser relacionado com isso. E, de facto, o primeiro dia do curso foi muito bom e gostei bastante. Falaram, inclusive, acerca de conceitos que eu abordei na minha tese, pelo que não era algo totalmente novo para mim e senti-me inteligente naquela sala por causa disso.
Foi, no entanto, estranho despedir-me da minha mãe na noite de quinta-feira. Comecei a sentir-me um pouco mal por ir passar aquele e os próximos fins-de-semana longe dela, logo nos dias em que ela não trabalha e em que podíamos passar mais tempo juntas. Mas depois pensei que teremos imensos fins-de-semana para estarmos juntas, não só quando o curso acabar, mas também quando eu própria trabalhar também. Senti-me igualmente mal por fazê-la gastar tanto dinheiro comigo por causa de tudo isto - o curso, o alojamento e etc. Ela diz que isto é para a minha formação e não para estar a brincar e que, por isso mesmo, não devia sentir-me mal. Eu cá continuo a achar que lhe vou "oferecer" o meu primeiro ordenado, só para ajustarmos contas. Falei-lhe sobre isso. Ela disse que eu não estava boa da cabeça.
Houve outras coisas estranhas neste fim-de-semana. Regressar à faculdade, por exemplo, depois de ter terminado a licenciatura. Voltar a ter uma espécie de aulas. Nunca pensei que tais coisas viessem a acontecer. Estava quase a chegar à faculdade e a pensar Quem diria que ia voltar cá. E quem diria que ia encontrar áreas de interesse e que me entusiasmassem dentro da nutrição. Quem diria que acabaria por ganhar gosto por isto.
Durante a viagem de regresso a casa, ouvi música e senti-me feliz. Feliz por ter tido esta oportunidade, feliz com as escolhas que fiz, feliz com a vida que levo, feliz por ter novos planos, feliz com a pessoa que sou. Foi algo que também não deixou de ser estranho.

08/10/2015

Facto #33

O número de visitas que o blog recebe diariamente não reflecte, de todo, o número de comentários que recebo. Costumo ter mais de quarenta visualizações por dia - por vezes, até ultrapasso as cem -, vai-se lá saber como ou porquê, ao passo que só recebo uma meia-dúzia de comentários nas publicações. Das duas, uma: ou existem muitos stalkers por aí, ou não escrevo nada de jeito. Ou, talvez, aconteçam ambas as coisas.
Claro que não faço as publicações a pensar nos outros, naquilo que vão dizer ou no número de comentários que posso vir a receber, mas também não gosto nada de escrever para o boneco.

05/10/2015

Dentes, aparelhos e afins #5

No sábado, fui submetida à cirurgia - que sabia que tinha que ser feita, algum dia - para extrair um estúpido dente que resolveu nascer onde não devia. O anormal estava praticamente incluso e não conseguia sair mais por causa do outro que está ao lado. No entanto, nunca me incomodou, nem nunca me deu dores. Mas eu sabia que, de qualquer forma, ele teria que sair dali, pois a situação não era nada normal.
Correu bastante bem. A minha mãe estava numa pilha de nervos e nem sequer quis entrar no consultório para assistir - tss, devia ser comigo... Já eu, estava na boa, super calma. A meu ver, não havia razões para estar nervosa. Sabia que aquilo teria que ser feito; achara o cirurgião simpático e que ele devia saber o que estava a fazer; sabia que seria completamente indolor; e, por último, não era uma situação de risco, isto é, eu não iria morrer por causa de uma cirurgia deste género. Só não gostei de toda aquela audiência: contando com o cirurgião, estavam quatro pessoas debruçadas sobre mim, a olhar-me como se eu fosse um projecto científico demasiado interessante. De facto, o caso era muito estranho, e acredito que tenha sido alvo de grande estudo. Mas correu tudo bem. O dente até teve que ser cortado ao meio para ser extraído, mas só me apercebi disso no final, quando o vi. Era nojento, e já estava a começar a criar cárie - pudera, estava praticamente incluso e era quase impossível lavá-lo. Se não tivesse sido extraído agora, começaria a dar problemas. Por isso, ainda bem que este já se foi. Foi o quinto dente que extraí, embora os outros não tenham passado de extracções normais, em que não precisei de levar pontos, ao contrário de neste caso. Ainda tenho outros para tirar - os sisos, pois claro -, mas cada um a seu tempo.
O dia foi passado a comer gelados. Foi a única coisa que me permitiram comer. Podia ser pior...mas acho que comecei a ficar enjoada de gelados. Ainda para mais, tive um jantar de aniversário, e só pude comer gelados atrás de gelados. Entretanto, a dor intensificou-se - fiquei sob o efeito da anestesia durante horas -, e cheguei ao ponto de já não conseguir ouvir vozes, ou mesmo ver pessoas à minha frente.
Agora, começo a retomar a alimentação normal aos poucos, começando com alimentos mais moles. Mas hoje já estive para morrer por causa de um pão de leite. Acordei com dores, abrir muito a boca dá-me dores, mastigar dá-me dores. De vez em quando, mesmo sem fazer nada, sinto dores, pelo que tenho que colocar gelo ou continuar a fazer medicação. O gelo alivia um pouco, ao passo que a medicação consegue ser extremamente eficaz. Pensei que, hoje, não conseguisse ir à piscina por mal conseguir abrir a boca, mas acabei por ir, graças ao anti-inflamatório, que me tirou as dores de uma forma quase instantânea, que não deixa de ser estranho.
Portanto, cá estou em modo de recuperação. Continuo sem dores - benditos comprimidos! -, mas, amanhã, voltarei ao consultório, desta vez para trocar os elásticos do aparelho. E já sei que, nos primeiros dias depois dessas consultas, fico sempre com dores e a sentir uma pressão enorme sobre os dentes. Só espero estar totalmente recuperada para o fim-de-semana.

02/10/2015

Mais de 1000 razões para ser feliz #12

Hoje foi dia de regressar à prática do melhor desporto do mundo. Estou tão cansada, que acho que amanhã não me mexo, mas, ao mesmo tempo, sinto-me tão bem. Que saudades que tinha de dar umas braçadas...!

01/10/2015

Perguntinhas #13 - Certified Bookaholics

*Nightwish* nomeou-me para esta TAG, que foi criada por ela e em conjunto com a C. e o Tio. Como bookaholic que sou, fiquei toda contente por ter sido nomeada, se bem que, mesmo que não fosse, tê-la-ia "roubado" de qualquer maneira, pois achei-a muito gira e muito interessante. Basicamente, e como qualquer outra TAG, as regras consistem em responder às perguntas. Aos bookaholics que por aqui passarem, dou permissão de a levarem para os vossos blogs e de responderem ao desafio, já que é sempre interessante ler sobre os gostos literários dos outros.

30/09/2015

A "excitante" vida de recém-licenciada

Tenho acordado cedo. Acordo com o barulho da porta, quando a minha mãe sai para o trabalho. Mas não me queixo; até prefiro que seja assim. Não sou pessoa de gostar de passar a manhã inteira a dormir. Pelo contrário, considero-me uma morning person. Só não gosto muito de estar em casa numa altura em que toda a gente está a trabalhar. Faz com que me sinta um bocado inútil, e é por isso que tento manter-me ocupada. Ocupo-me de simples tarefas do dia-a-dia, para que a minha mãe não tenha que se preocupar com elas quando chegar a casa, tais como lavar a loiça do pequeno-almoço ou varrer a casa de banho. Acho que sentir-me-ia ainda mais inútil se não ajudasse com o mínimo em casa. Um dia destes, talvez faça o jantar antes de ela chegar a casa, para também não ter que se preocupar. Tenho almoçado sozinha, e aí aproveito para pôr um dos álbuns da minha biblioteca musical a tocar alto e bom som, que é algo que já sentia falta há algum tempo. Faz-me alguma companhia e dá-me outro ânimo, embora tenha dias em que só me apetece deitar-me na cama e ouvir o dito álbum bem alto até me fartar, sem fazer mais nada. Tenho várias coisas com que me distrair, apesar de tudo. Isto é, quando não estou a tratar de coisas que digam respeito ao estágio que terei que arranjar. Aproveito o facto de estar sozinha em casa para escrever, e ainda tirarei um dia para arranjar contactos de editoras e para escrever um e-mail perfeito, de modo a convencê-las a ler o meu livro. Vou voltar a praticar natação, que é algo que quero muito desde há algum tempo e que agora já o posso fazer, por ter uma piscina mesmo perto de casa e por estar a viver temporariamente sem horários. Foi um desporto que sempre me fez bem e que tenho a certeza de que ajudará a distrair-me. Para além disso, encontrei uma área na nutrição que me desperta imenso interesse. Tenho um livro sobre o assunto para ler, e qual não foi o meu entusiasmo ao saber que, na minha faculdade, vão abrir um curso de cinco sessões acerca do mesmo. Inscrevi-me, e ninguém colocou qualquer entrave em relação a isso. Vou ganhar novos conhecimentos, vou enriquecer o currículo e, ainda, vou distrair-me um pouco e mudar de ambiente. Isto porque o curso vai ser dado na faculdade, o que implicará algumas deslocações ao Porto - olha que chatice...
Não é assim tão mau. Só não quero que alguma vez me atirem à cara que não estou a fazer nada. Na verdade, não posso fazer grande coisa. Tenho coisas com que me distrair, até; não estou propriamente todo o dia deitada no sofá em frente à televisão, que é só a coisa mais inútil que uma pessoa pode fazer, na minha opinião. Vou, pelo contrário, estar a praticar desporto, a ajudar em casa, a fazer algo de útil em relação ao meu futuro e a tentar investir num dos meus hobbies para que dê alguns frutos. Por enquanto. Não quer dizer que vá fazer isso durante toda a minha vida. E é por isso que não devia ficar com a consciência pesada por me sentir de férias quando mais ninguém está de férias e está a fazer algo da sua vida. Não devia ficar com a consciência pesada por me dar ao luxo de descansar de vez em quando, até porque andei a "matar-me" ao longo dos últimos anos para tirar um curso. Agora que o tirei, acho que, realmente, mereço uma pausa. E não devia haver mal nenhum nisso.
Este ano vou poder apreciar o Outono da melhor maneira, a fazer as típicas ronhas no sofá com as mantas, as bebidas quentes e as séries ou os livros enquanto chove lá fora, sem o peso da consciência e das responsabilidades da faculdade. E vou poder viver o Natal como este merece ser vivido, sem o stress dos exames. No fundo, sinto-me bem por já não ser estudante. Parece que a vida se tornou mais despreocupada, pelo menos por enquanto. Só espero que a questão do estágio se resolva. Mas, de qualquer das formas, candidatando-me em Novembro ao programa de estágios que já referi por aqui, só começo a trabalhar em Janeiro. Até lá, continuarei nesta vidinha. Que, no fundo, não é assim tão má. É uma pausa. A meu ver, merecida. E que ninguém me estrague este conceito.

28/09/2015

Facto #32

Eu devia deixar de entrar em livrarias, já que, sempre que o faço, encontro coisas interessantes e acrescento novos títulos à minha lista mental de livros para ler. O que é mau, por duas razões: os livros não são propriamente baratos e aqueles que me cativam fazem quase sempre parte de uma trilogia, o que quer dizer que, para além do investimento inicial, ainda tenho que investir nos volumes seguintes.
E os que entraram recentemente na minha lista mental foram:
O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss;
O Império Final, de Brandon Sanderson;
Mago - Aprendiz, de Raymond E. Feist;
A Espada de Shannara, de Terry Brooks.
Vai-se lá saber porquê, voltei a virar-me para a fantasia.
Da última vez em que estive na Fnac, ainda pensei em pegar num deles e sentar-me num dos banquinhos a ler as primeiras páginas, mas depois achei que tal não seria muito boa ideia, pois poderia ficar com o livro na cabeça e não iria descansar enquanto não o comprasse.
Mas o que é certo é que não vou deixar de entrar em livrarias. Se calhar devia, mas não vou. Nada consegue substituir aquele ambiente. A minha lista mental de livros para ler é que vai continuar a crescer com isso, mas enfim.

26/09/2015

Escrito por mim #5

Ephice perdera-o de vista, mas considerava que o perigo já tinha passado. Ainda com o bastão na mão, correu a toda a velocidade para Daron e agachou-se ao seu lado. Não estava inconsciente, nem dava mostras de ter sido atingido pelo feitiço mortal que lhe roubaria a vida aos poucos.
- Estás bem? – perguntou-lhe ela.
- Sim – Daron sentou-se lentamente, com algum esforço. – Foram feitiços inofensivos. Não fui atingido.
Agora que estava ao nível dos seus olhos, Ephice pôde reparar no seu rosto. Por baixo do seu farto cabelo castanho e desgrenhado, que quase lhe alcançava os ombros, viu um longo corte, que começava na sua sobrancelha esquerda, passava-lhe sobre a pálpebra e descia na diagonal até terminar no canto da boca.
- Estás ferido – observou, com a preocupação patente na voz.
Daron encolheu os ombros, sem dar importância ao assunto.
- É só um arranhão.
- Não é – discordou Ephice. – Fica quieto; eu trato disso.
- Não te preocupes com isso; vai ajudar os outros – pediu Daron.
- É rápido – insistiu ela, aproximando os dedos da ferida.
- Ephice…
Mas dos seus dedos já emergia a ténue luz curativa, um brilho esverdeado que funcionava como um suave e refrescante bálsamo em quem o recebia. Foi devido a esta sensação de conforto que Daron deixou a frase no ar, como que hipnotizado pelo tratamento. Enquanto percorria o corte com os dedos, sem sequer lhe tocar, Ephice elevou ligeiramente o olhar, encontrando os olhos quase negros de Daron.
Não deixou de experienciar a sensação de estranheza que Daron passara a despertar nela desde há poucos meses atrás. Eram grandes amigos desde que se haviam conhecido e nunca lhe acontecera algo semelhante. Era por isso que a sensação estranha conseguia ser ainda mais estranha. Por um lado, sentiu-se intimidada por vê-lo a olhar para si tão fixamente, como se, de certo modo, estivesse fascinado. Mas, por outro, Ephice só desejava poder olhar para aqueles olhos para sempre, àquela distância e com aquele sentimento de amizade e de companheirismo que se estabelecia entre eles, ligando-os como se de um fio invisível se tratasse. Porque aquele instante pareceu-lhe congelado no tempo; um momento em que Ephice se esqueceu de quem era, do que estava a fazer e do porquê de estar naquele lugar. As suas preocupações e pensamentos desapareceram da sua mente, e ela gostou de se sentir assim. Era como se, de repente, aquele se tivesse transformado no mundo maravilhoso pelo qual ela, Daron e todos os outros lutavam – o mundo em que não havia trevas, nem batalhas, nem morte.
De súbito, o olhar de Daron desviou-se para se fixar num ponto para além dela, e toda a magia do momento foi quebrada. O tempo retomou a sua passada, os sons em redor tornaram-se novamente audíveis e Ephice voltou a concentrar-se em sarar a ferida do companheiro. A pele de cada um dos lados do corte continuou a aproximar-se lentamente, até formar uma linha rosada.
- Ephice – chamou Daron, em tom de aviso, mantendo o olhar no mesmo ponto.
Ela deixou o feitiço a meio para rodar a cabeça.


Queria partilhar mais, mas assim daria muitas informações sobre o enredo, personagens e etc. E já disse por aqui que tenho medo de partilhar demasiado, não vá alguém aproveitar-se das minhas ideias.