11/08/2015

"Lá fora é que é"

O meu pai adora empurrar-nos para o estrangeiro. Enquanto estive na faculdade, falou várias vezes sobre o Eramus, mas isso foi algo no qual nunca tive grande interesse. Quer dizer, mais ou menos. Quando ouvia as pessoas a falarem sobre a sua experiência, ficava, às vezes, com um certo bichinho. Mas, passado um bocado, já tinha esquecido o assunto e pensava Nah, deixa-me estar aqui quietinha. É que uma das coisas que fez com que não quisesse fazer Erasmus foi o facto de ir para outro país por minha conta, sozinha. Nunca me senti completamente integrada num sítio, e pensava que, se não me integrara na minha faculdade, também não me iria integrar noutro país, ainda para mais tendo em conta que o pessoal de Erasmus parece viver para as festas e para a bebedeira, coisa que faria com que me sentisse uma outsider, como habitualmente. Depois ainda havia a questão do procurar casa, da língua e das despesas - nunca percebi se davam bolsa, mas, mesmo que o fizessem, a bolsa não dura para sempre, e eu já estava a dar demasiada despesa à minha mãe (especialmente) por estar longe de casa. Para além disso, eu até considerava que estava a fazer uma espécie de Erasmus, já que saíra de uma ilha para ir para o Porto e só ia a casa e via a família quando estava de férias.
Hoje, o meu pai voltou a puxar o assunto Erasmus, desta vez direccionado à minha irmã, já que agora foi ela começou a faculdade e é agora ela que o pode fazer. Lá mandou a boquinha de me ter dito isso imensas vezes e de que eu nunca tinha concorrido, como se tal fosse uma experiência imperdível que certamente me enriqueceria enquanto estudante, mas a verdade é que, se fosse algo que eu quisesse mesmo ter feito, então teria feito, e não deixaria que a barreira do ir-sozinha-e-não-me-integrar me travasse.
Mas lá por eu estar prestes a acabar a licenciatura e a deixar de ser estudante, não quer dizer que ele não possa continuar a empurrar-me. O facto de eu ter dupla nacionalidade faz com que ele insista imenso nesse assunto: que vá para fora, que faça uma especialização ou pós-graduação ou lá como se chama, ou mesmo que faça um estágio. É claro que eu, quando começar a trabalhar, quero marcar pela diferença e destacar-me dos meus colegas de profissão por fazer algo inovador. Acho que é o que qualquer um quer, aliás. O meu pai falou-me, hoje, sobre isso, tal como outras pessoas já mo disseram. De tal maneira que a coisa já me entrou na cabeça. A questão é sempre como o hei-de conseguir.
Pois o meu pai lá me deu uma boa ideia - e ele raramente tem boas ideias. Mas só o facto de ir para fora completamente sozinha - aproveitando a dupla nacionalidade, claro, que ele tanto gosta - é demasiado assustador para mim.
Não deixo de reconhecer que poderia ser uma experiência fantástica, tal como foi a minha experiência enquanto estudante deslocada no Porto, para o qual também fui sozinha e no qual não precisei de me sentir integrada para o adorar. Mas, mesmo assim, não deixa de ser assustador. Seria como ir para outro mundo. Dar-me-ia conhecimentos tão diferentes e regressaria com uma nova visão acerca das coisas, mas não deixa de ser assustador.
Seja como for, por enquanto só consigo pensar em ter a minha licenciatura e em fazer parte da Ordem. As pessoas adoram pôr as carroças à frente dos bois, mas eu nunca gostei de pensar no futuro mais distante, nem nunca fui boa a fazer planos a longo prazo.

7 comentários:

  1. Se não é indiscrição, qual é a tua segunda nacionalidade? :p
    Também me é difícil integrar-me, mas fui viver para fora e estive uns meses em Paris sozinha, não me arrependo nada, deu-me um perspectiva da vida muito diferente, permitiu-me amadurecer e ter experiências que agora - até em entrevistas de emprego - são muito valorizadas. Ir para fora é sempre um mais. E eu sempre fui muito 'desapegada', se hoje me dissessem "faz as malas, vamos para Londres ver no que da", eu ia. Isso tornou a minha experiência muito mais fácil. Nunca tive receios nem 'pés frios'... No entanto, acho que para irmos para fora temos de querer, senão estamos sempre a pensar em como seria e em quanto mais felizes estaríamos se estivéssemos em nossa casa, no nosso pais. Conheço quem tenha ido para fora, por pressão ou mesmo por necessidade e embora estejam bem e as coisas se tenham resolvido, nunca se conseguiram livrar do descontentamento... Ou se quer, ou não se quer, na verdade é assim simples. Mas tu estas numa fase em que te tens de focar no agora, e é isso que deves fazer. O estrangeiro não foge, leva o teu tempo, e não deixes que te pressionem.

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    1. Não é indiscrição nenhuma xP É americana :P

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  2. Eu gostava de ter feito Erasmus, mas o meu pai é o oposto do teu: gaiola. Por isso ainda não desisti de, eventualmente, fazer qualquer coisa no estrangeiro, não por poder ter mais oportunidades de emprego (em Direito isso é difícil), mas porque iria aprender outras coisas, e talvez pudesse trabalhar numa "filial" do escritório ou até com empresas. E ter alguma coisa no currículo que evidencie que andaste por outros países a fazer seja o que for, é sempre uma vais valia (apesar da cunha ser mais importante que o cv). Eu gostava de poder ir para outro pais, quanto mais não fosse para conhecer uma realidade diferente e, talvez, não ser julgada pela minha aparência =)
    ****

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  3. Eu cheguei a inscrever-me para ir de Erasmus para Helsínquia na Finlândia no meu segundo ano de Universidade :D Era uma experiência engraçada mas assim como tu não teria estômago para tanta coisa nova ao mesmo tempo. E dependendo da área em que se estuda, justifica-se ou não fazer Erasmus, no teu caso acho que compensaria mais do que no meu.

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  4. Acho que não deves pôr a hipótese completamente de lado (independentemente dos receios que possas ter), mas acho que tens razão em não "pôr a carroça à frente dos bois"

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  5. Tens de seguir o teu coração e ser fiel a ele. Ouve a opinião dos que te são importantes mas nunca deixes de pensar por ti :) eu quis muito fazer erasmus mas quando falei na ideia à minha mãe ela fez-me um bocado de chantagem emocional - que eu só mais tarde percebi - e eu acabei por deixar passar a oportunidade. Hoje arrependo-me mas não desisto, posso não ir de erasmus pois já não sou estudante mas emigrar é uma hipótese bem no topo dos meus objectivos (até porque em portugal não há saída na minha área)

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  6. Eu nunca me interessei muito em fazer Erasmus. Primeiro sou muito tímida e ainda tenho dificuldades a inglês logo não ia correr bem. Depois na minha área ia ser muito difícil conseguir alguma coisa que me interessasse realmente!
    -Alexandra

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