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24/08/2017

Escrever sem parar

Costumava escrever sem parar.
Escrevia sem parar quando ligava o computador e acedia ao Blogger. Escrevia no meu blog e escrevia quando comentava as publicações de outros bloggers, cujos blogs gostava de acompanhar porque o seu conteúdo me agradava, porque gostava mesmo de os ler. Ler essas publicações, deixar um comentário nalgumas delas e escrever as minhas próprias publicações era das coisas que mais gostava de fazer depois de chegar a casa da faculdade.
Também escrevia sem parar fora do Blogger. Escrevia as minhas histórias, aquilo a que chamava de "os meus livros". Era o meu passatempo preferido, e, atrevo-me a dizer, uma das minhas paixões. Publicar essas histórias em formato de livro e ser escritora a tempo inteiro era aquilo que mais queria. Era o meu maior sonho, por mais absurdo, ridículo, infantil e impossível que possa parecer. Estava disposta a tanto para o conseguir.
Agora, o meu blog está ao abandono e não toco nas minhas histórias há quase um ano.
Já não me reconheço. Já nem sei se gosto de escrever. Acho que já não tenho esse sonho, sequer. Parece, aliás, que nunca o tive. Aquela parte de mim que era apaixonada pela escrita, que a ela dedicava tanto do seu tempo de alma e coração e que tanto sonhava em fazer disto a sua vida, parece ter desaparecido. Parece ter morrido. Às vezes, num brevíssimo momento de um dia melhor, dou por mim a querer fazê-la regressar. Pois até, talvez assim, eu consiga regressar a mim mesma. Mas, outras vezes, pergunto-me se valerá a pena. E a resposta é sempre a mesma. Não. Para quê? Mais do que morta, essa parte de mim parece estar bem enterrada. O trabalho tirou-me tudo isto. A depressão tirou-me tudo isto. 
Já não consigo escrever, quanto mais escrever sem parar.

05/11/2016

Escrito por mim #8

A noite estava repleta de estrelas, e apenas algumas nuvens dispersas cruzavam o céu negro. Uma grande meia-lua observava-nos, como um olho branco semicerrado, e conferia um brilho prateado a tudo o que era capaz de alcançar. O vento de Inverno não se fazia sentir, tornando a noite numa das mais agradáveis até então, mas o ar não deixava de estar gelado. O meu rosto e as mãos estavam frios e nuvens de vapor formavam-se de todas as vezes que expirava o ar. No entanto, a felicidade de estar a voar, sobretudo ao lado dele, e a sensação de liberdade que aquele acto me conferia deixavam-me num estado de leveza tal, que era como se nada me pudesse preocupar. Na verdade, qualquer outro pensamento que pudesse ter não chegava sequer a formar-se na minha mente, desvanecendo-se como pó.
Lentamente, deixámos o campus e sobrevoámos a cidade. Estava coberta de branco e envolta numa anormal quietude. As ruas estavam iluminadas pelos candeeiros que funcionavam por meio de magia, mas não se via ninguém a pé. A cidade ocupava-se de tarefas do quotidiano ou repousava no mundo dos sonhos, refugiada num lar de calor e de conforto e protegida do frio do Inverno e da escuridão da noite, completamente alheia às duas almas que a sobrevoavam, fascinadas com o que viam, como se pertencessem a uma outra realidade e estivessem naquela apenas por passagem, a observá-la pela primeira vez. Flutuámos sobre a cidade junto aos edifícios mais altos, tão silenciosos que nos convencemos de que ninguém daria por nós. E tal parecia confirmar-se a cada segundo que passava, como se sentíssemos a própria cidade a dormir debaixo de nós enquanto voávamos. Era como se, debaixo de nós e a envolver toda a cidade, estivesse um manto invisível, a cobri-la com silêncio e com sossego, a impregná-la com um tipo de magia que a fazia dormir e evitar que olhasse para o céu e se deparasse com aquelas duas almas. Senti-me como uma espectadora, uma viajante, alguém que não tinha acesso àquele lugar. Como se, mais do que um manto invisível, existisse também uma espécie de redoma a cobrir a cidade e a separá-la de mim, a impedir que eu e ela, entidades pertencentes a dois mundos diferentes, tivéssemos qualquer contacto.
Durante todo o passeio, eu e ele não trocámos uma palavra, de tão absortos e deslumbrados com o que se estendia por baixo de nós e com a incrível sensação de voar, especialmente em boa companhia. Depois da cidade, sobrevoámos os seus limites. As colinas e as pequenas vilas que se espalhavam sobre elas, também adormecidas e cobertas de branco. Os bosques e as estradas que as separavam e as florestas mais densas e com as árvores mais altas, pelas quais deixei a minha mão aberta perpassar e sentir as suas folhas, que persistiam em pleno Inverno. Os ribeiros que as cruzavam aqui e ali e os sopés de gigantescas e imponentes montanhas rochosas que se erguiam em direcção ao céu. Tudo tão silencioso, que parecia inacessível e quase irreal, mas que, ao mesmo tempo, me deixava a imaginar uma vida de aventuras a percorrer tais cenários.
Elevámo-nos de encontro às nuvens antes de descermos a pique para o oceano banhado a prata pela lua, e aí apercebi-me do quão alto era capaz de voar e de como isso não me assustava ou preocupava, desde que o quisesse e estivesse confiante. Tal como tudo o resto, o mar encontrava-se calmo, e a canção imparável causada pela suave ondulação tranquilizava-me ainda mais. Aproximei-me o suficiente para inspirar aquele odor salgado e característico e para passar as pontas dos dedos ao de leve pela água, que rapidamente recolhi devido à diferença de temperatura. Quando as luzes da cidade, ao fundo, se tornaram demasiado próximas, tornámos a ascender.
Atravessámos as nuvens, uma e outra vez, subindo e descendo no ar somente para passarmos, uma vez mais, por aquela camada de vapor de água que se assemelhava ao mais fofo algodão. Por vezes, enquanto subia, dava meia-volta, ficando de olhos postos no céu com as suas inúmeras estrelas e vendo-as depois a afastarem-se assim que descia e a serem-me retiradas do campo de visão quando atravessava uma nuvem. Quando me cansei de as furar, permiti-me rodopiar no ar ou flutuar de barriga para cima, como tanto gostava de fazer quando me encontrava no oceano. Observava o céu estrelado ou a paisagem lá do alto, ao mesmo tempo que, dentro de mim, sentia a felicidade pura de uma criança.
A certa altura, senti-o atrás de mim, e deixei-me cair ao seu encontro, de costas e lentamente. Sentei-me, de costas para ele, na parte dianteira da vassoura, que ele me cedeu assim que me vira a aproximar-se. Não o fizera devido ao cansaço; o misto de sensações – felicidade, alegria, divertimento, leveza, liberdade – que crescia a cada segundo dentro de mim impedia que qualquer forma de cansaço se manifestasse. Fizera-o para estar mais próxima dele, como que para partilhar, com ele, aquelas sensações. Mesmo que tal não fizesse sentido algum.
Uma das suas mãos continuava a segurar o cabo da vassoura, para poder conduzi-la. Agora com o peso de dois corpos, optou por conduzir a vassoura num voo lento e em frente, sem um destino em particular. Continuávamos sobre o oceano, qual manto de veludo negro ondulante, com a cidade à nossa frente, cujas construções subiam no espaço como uma escadaria e eram intercaladas por minúsculos pontos de luz quente e suave, que faziam lembrar pirilampos. O outro braço dele rodeou-me o ombro e a parte da frente do meu corpo, ficando a sua mão pousada no meu ombro contrário. Assentou o queixo nesse meu mesmo ombro, ao mesmo tempo que me puxava mais para perto de si, lenta e gentilmente. As minhas costas ficaram contra o seu peito. Senti o seu calor, suave e reconfortante, a ser-me transferido, bem como a sua respiração junto ao meu pescoço. O coração martelava-se-me fortemente no peito, mas um sorriso de felicidade e de deleite desenhou-se sem esforço no meu rosto, como que num gesto involuntário. Naquele momento, senti-me feliz, protegida e invencível, como se não houvesse mal algum no mundo capaz de me magoar, como se tudo fosse possível. E só quis que tudo aquilo – eu e ele abraçados em pleno ar, sobre o oceano, com a cidade iluminada à nossa frente, envolvidos por uma bolha de felicidade e alheios ao resto do mundo – durasse para sempre.

Obs.: a música Walking in the Air, dos Nightwish, para além de absolutamente linda, foi uma grande fonte de inspiração para este texto.

14/10/2016

Mais de 1000 razões para ser feliz #23

Depois de ter estado tanto tempo - semanas, meses - parada no que toca à escrita do meu livro, voltei a fazê-lo. E voltei em força. Estou novamente tão entusiasmada em relação a isto. Senti tanto a falta de escrever.

31/01/2016

Escrito por mim #7

Ele não sabia ao certo por que ali estava, nem tão-pouco como ali tinha ido parar. Reconhecera o lugar desde que o avistara, ao longe, mas tal não o instigara a mover-se noutra direcção. Pelo contrário. Parecia que uma brisa, gerada no coração daquela selva, se movia por entre as árvores para ir ao seu encontro, para o chamar e atrair assim que lhe bafejasse o rosto. E ele, inebriado por uma voz imaginária que o convidava a percorrer, uma vez mais, os caminhos que conhecia tão bem, decidira-se por aquele percurso.
Ele não sabia ao certo por que ali estava, mas, agora que pensava no assunto, nunca sabia por que estava em determinado sítio. Era um pensamento que lhe ocorria sempre. Não tinha um destino, ou um lugar específico para encontrar. Tinha, apenas, que seguir pistas, comprovar teorias, procurar novas hipóteses, e tudo o mais que o ajudasse a cumprir a missão para que tinha sido destacado. Eram tarefas que o conduziam aos mais variados e inesperados lugares, mesmo àqueles que adorava e que já lhe eram demasiado familiares.
E isto teria respondido à sua pergunta interior, à pergunta que o acompanhava e assaltava a sua mente sempre que se via envolvido por um novo ambiente. Teria respondido, se ele, de facto, estivesse a meio de alguma tarefa importante que não pudesse esperar. Mas, na realidade, já não sabia há quanto tempo não tinha algo assim, que o movesse enérgica e incansavelmente de lugar em lugar, em perseguição de uma resposta. Por isso, já há algum tempo que se limitava a deambular pelo mundo, à espera que as tão esperadas respostas que procurava se atravessassem no seu caminho.
Talvez precisasse de fazer uma pausa. De descansar, de encontrar um amigo. A baía proporcionava-lhe aquilo e muito mais. Provavelmente, fora esta a razão que o levara até lá. A selva atraíra-o e encantara-o assim que ele a avistara, porque era capaz de lhe oferecer aquilo de que ele precisava no momento. Não uma resposta, uma pista ou uma teoria, mas antes o extremo do espectro. Embora fosse destemido ao ponto de viajar sozinho, numa louca demanda sem destino em que lhe parecia tão improvável encontrar o que quer que fosse, sabia que não era feito de ferro e que precisava de se render e de cair por momentos, antes de se reerguer com a mesma força e persistência – reservas limitadas que tinham que ser repostas de tempos a tempos – que o acompanhavam desde o início.

16/12/2015

Afinal, já não vai ser este ano

Falei algures por aqui, há uns tempos, o quanto estava ansiosa por enviar o meu romance a editoras. Aliás, tinha dito que não ia passar deste ano, pois é algo que já quero fazer há muito tempo, mas nunca tinha oportunidade. Já andei a fazer o "trabalho de casa", contudo. A procurar a melhor forma de abordá-las, a procurar contactos, a escrever uma sinopse minimamente atractiva e com poucas palavras - com a qual ainda não estou cem por cento confiante e sei que vou ter que pedir opiniões em relação a ela. No entanto, ainda não dei o passo seguinte. O "temível" passo seguinte. Já me tinham dito que a altura do Natal não era boa para isso, pelo que vou esperar. Mas, para além disso, a coisa vai ser mais trabalhosa do que tinha pensado. Isto porque vou ter que voltar a "perder tempo" com o livro, a lê-lo novamente - e com a cabeça no lugar - e a melhorá-lo e aperfeiçoá-lo no que for necessário. E eu ando demasiado empolgada a escrever a continuação, que não me apetece nada deixá-la parada para andar com revisões. Agora que tenho tempo livre de sobra, só quero aproveitá-lo para escrever o mais que puder. Por falar nisso, um objectivo que propus a mim própria foi o de, até ao final do ano, chegar, pelo menos, às duzentas e cinquenta páginas. E acho que o vou cumprir, pois não me faltam muitas.
Não gosto nada de ter que continuar a adiar um sonho tão antigo, mas acho que vai ser melhor assim. Em 2016 é que vai ser - é que vou tentar, pelo menos...o resto já não vai depender de mim. Ou eu não me chamo Ice.

03/11/2015

Mais de 1000 razões para ser feliz #14

Desde pequena que desenho e que escrevo. São coisas que me acompanham desde essa altura até hoje porque me divertem e, mais do que me entreterem, fazem-me feliz. Continuo a fazê-las por mim, porque gosto, para que me sinta bem comigo própria, e não para agradar aos outros ou para provar-lhes alguma coisa. Deposito, nelas, imenso amor e dedicação, sempre. Mesmo que ninguém vá compreender ou gostar, é por mim que as faço. Mas é claro que gosto que apreciem o meu trabalho e me dêem um feedback positivo. Se não quisesse que dissessem nada acerca daquilo que faço, então não mostraria nada a ninguém e guardava tudo para mim.
E este feedback deixa-me feliz. Seja através de simples likes no Facebook, seja por adicionarem os meus trabalhos aos favoritos no DeviantART e/ou por descobrirem milagrosamente alguns desenhos meus e pedirem-me que os adicionem a determinados grupos - ainda estou parva com a quantidade de gente que gostou da minha Kim Possible, e continuo parva quando entro no site e vejo que tenho várias feedback messages, que é algo que muito raramente me acontecia -, seja através de comentários aqui no blog aos meus textos, seja através de uma forma mais "pessoal" - e com isto refiro-me às mensagens acerca do meu "livro", de quem já o leu. Tudo isto é motivo para ficar satisfeita com aquilo que faço. Significa que fiz algo de jeito. E que esse algo, para além de ser do meu agrado e de eu ter gostado tanto de o fazer, consegue, também, ser do agrado de outros. E tudo isto motiva-me a continuar, a evoluir constantemente, a fazer mais e melhor.

24/10/2015

Escrito por mim #6

Era, contudo, um som agradável de se ouvir. Bonito, mágico e suave. Uma melodia, tocada por algum instrumento que parecia estar demasiado perto de mim. Senti-me como se estivesse num filme e que aquela melodia fizesse parte da sua banda sonora, tocando inesperadamente e em qualquer lugar apenas para embelezar uma cena sem palavras. Subitamente, dei por mim embalada por ela e a sorrir face à sua beleza, sem saber, sequer, se estaria a imaginá-la. Parada junto a uma árvore, olhei em redor, não alarmada, mas simplesmente curiosa em relação a quem estaria a produzi-la e de onde poderia vir. Não via ninguém, e, no ar, não corria a mínima brisa que pudesse transportar o som até mim. No entanto, a canção prosseguia, e, a cada segundo que passava, sentia-me melhor e mais tranquila, como se, de repente, a vida deixasse de ter preocupações.
Por alguma razão, toquei no tronco da árvore que se encontrava junto a mim. Mantive a mão em contacto com aquela armadura robusta e rugosa, como se, do seu interior, brotasse uma força que me atraía. Como se, naquele tronco, fluísse magia. A própria melodia, aliás, trazia magia ao ar a cada nota que era tocada. Fez-me pensar em lugares cujo solo eu tinha pisado e que já não existiam mais, lugares onde se sentia a magia no ar e em tudo o que a vista alcançava. Lugares onde viviam todo o tipo de criaturas em harmonia, onde a magia e os rituais eram praticados livremente e sem medo. Lugares, pessoas e momentos (...) que eu nunca iria esquecer e que preservava com um carinho tal, que muitas vezes desejava, ingenuamente, que aqueles dias simples, risonhos e gloriosos regressassem ao mundo. Que a magia regressasse ao mundo; que regressasse em pleno, dominando-o novamente, como nunca devia ter deixado de fazer.
Tal era a força da árvore e da canção, que me tentou a descobrir o que ali se escondia; a descobrir a origem e o tipo daquela magia, o porquê de ali estar e de se manter em segredo. E, como se fluísse num sentido ascendente e eu fosse capaz de a ver, a energia da árvore fez-me olhar para cima, para os seus próprios ramos e para a sua folhagem, como se, simples e inexplicavelmente, estivesse apenas a seguir a trajectória da sua seiva mágica no seu interior.
Foi então que a vi. A rapariga do autocarro. Confortavelmente encostada ao tronco da árvore, como se estivesse a relaxar numa espreguiçadeira, em vez de num ramo frágil e estreito e a vários metros do solo. Tinha um alaúde ao colo, a fonte da canção que povoava o ar e que o enchia de magia, de romance e de História, proporcionando-me lembranças e cenários de sonho. E tocava-o de olhos fechados, com uma completa serenidade estampada no rosto e com os lábios finos curvados num sorriso sonhador, como se a sua própria melodia a transportasse para um outro mundo, só seu. Fora o instrumento, a sua aparência era a mesma de sempre. Porém, ao contrário de todas as outras vezes em que a vira, não estava com o habitual ar de quem estava perdida e à margem da sociedade, como que perseguida pela sensação de não pertencer a lugar algum. Ali, no alto do ramo, tranquila, sorridente e aparentemente feliz, parecia estar no seu elemento. E, por algum motivo que não compreendi, olhar para ela, ao mesmo tempo que ouvia a sua canção e reconhecia que, de facto, se encaixava na perfeição com aquele ambiente, fez-me sorrir. Lembrava-me um bardo, personagem relativamente comum no início do mundo, que se fazia sempre acompanhar pelo seu instrumento e pela sua voz, pronta a cantar histórias. Olhar para ela e relembrar os tempos em que a magia reinava no mundo acendia em mim uma antiga esperança, a esperança de tudo voltar a ser como era.

26/09/2015

Escrito por mim #5

Ephice perdera-o de vista, mas considerava que o perigo já tinha passado. Ainda com o bastão na mão, correu a toda a velocidade para Daron e agachou-se ao seu lado. Não estava inconsciente, nem dava mostras de ter sido atingido pelo feitiço mortal que lhe roubaria a vida aos poucos.
- Estás bem? – perguntou-lhe ela.
- Sim – Daron sentou-se lentamente, com algum esforço. – Foram feitiços inofensivos. Não fui atingido.
Agora que estava ao nível dos seus olhos, Ephice pôde reparar no seu rosto. Por baixo do seu farto cabelo castanho e desgrenhado, que quase lhe alcançava os ombros, viu um longo corte, que começava na sua sobrancelha esquerda, passava-lhe sobre a pálpebra e descia na diagonal até terminar no canto da boca.
- Estás ferido – observou, com a preocupação patente na voz.
Daron encolheu os ombros, sem dar importância ao assunto.
- É só um arranhão.
- Não é – discordou Ephice. – Fica quieto; eu trato disso.
- Não te preocupes com isso; vai ajudar os outros – pediu Daron.
- É rápido – insistiu ela, aproximando os dedos da ferida.
- Ephice…
Mas dos seus dedos já emergia a ténue luz curativa, um brilho esverdeado que funcionava como um suave e refrescante bálsamo em quem o recebia. Foi devido a esta sensação de conforto que Daron deixou a frase no ar, como que hipnotizado pelo tratamento. Enquanto percorria o corte com os dedos, sem sequer lhe tocar, Ephice elevou ligeiramente o olhar, encontrando os olhos quase negros de Daron.
Não deixou de experienciar a sensação de estranheza que Daron passara a despertar nela desde há poucos meses atrás. Eram grandes amigos desde que se haviam conhecido e nunca lhe acontecera algo semelhante. Era por isso que a sensação estranha conseguia ser ainda mais estranha. Por um lado, sentiu-se intimidada por vê-lo a olhar para si tão fixamente, como se, de certo modo, estivesse fascinado. Mas, por outro, Ephice só desejava poder olhar para aqueles olhos para sempre, àquela distância e com aquele sentimento de amizade e de companheirismo que se estabelecia entre eles, ligando-os como se de um fio invisível se tratasse. Porque aquele instante pareceu-lhe congelado no tempo; um momento em que Ephice se esqueceu de quem era, do que estava a fazer e do porquê de estar naquele lugar. As suas preocupações e pensamentos desapareceram da sua mente, e ela gostou de se sentir assim. Era como se, de repente, aquele se tivesse transformado no mundo maravilhoso pelo qual ela, Daron e todos os outros lutavam – o mundo em que não havia trevas, nem batalhas, nem morte.
De súbito, o olhar de Daron desviou-se para se fixar num ponto para além dela, e toda a magia do momento foi quebrada. O tempo retomou a sua passada, os sons em redor tornaram-se novamente audíveis e Ephice voltou a concentrar-se em sarar a ferida do companheiro. A pele de cada um dos lados do corte continuou a aproximar-se lentamente, até formar uma linha rosada.
- Ephice – chamou Daron, em tom de aviso, mantendo o olhar no mesmo ponto.
Ela deixou o feitiço a meio para rodar a cabeça.


Queria partilhar mais, mas assim daria muitas informações sobre o enredo, personagens e etc. E já disse por aqui que tenho medo de partilhar demasiado, não vá alguém aproveitar-se das minhas ideias.

26/08/2015

Escrito por mim #4

Assim que o céu e o mar se tornaram negros e a sua cauda se tornou na única fonte de luz de que dispunha, Nae constatou que era hora de regressar a casa. Agarrou no seu pote de barro, e, antes de ir, perdeu algum tempo a observar a praia, na qual, como em tantas outras noites, reluzia uma fogueira, e diversos seres que habitavam aquele lugar estavam reunidos à sua volta. Chegaram-lhe aos ouvidos algumas vozes a entoar uma canção que lhe era desconhecida, assim como alguns risos e aplausos. Depois, Nae acabou por despertar, decidida a focar-se naquilo que tinha que fazer. Mergulhou num mar escuro e silencioso e nadou para longe da praia, próxima dos recifes de coral adormecidos e sem sinais de vida, com a luz esverdeada, emanada pela sua própria cauda, como companhia.
Após passar o campo de recifes, Nae chegou à planície arenosa que se estendia por quilómetros infindáveis até chegar a qualquer lugar sobre o qual não tinha conhecimento algum. Ao ver-se totalmente sozinha, sem nada em seu redor para além de areia e de água e sem ouvir um único som, como se o tempo, subitamente, tivesse parado, Nae fechou os olhos, pensou em casa e sussurrou as palavras mágicas.
A areia agitou-se, como se, naquele lugar líquido e inóspito, fosse possível haver vento, o mesmo vento que Nae gostava de sentir quando ia à superfície, fresco e revigorante. Abriu os olhos, vendo o próprio cabelo igualmente agitado à sua volta e a areia a movimentar-se, como que sujeita a uma tempestade, para revelar uma passagem em forma circular. Quando esta adquiriu dimensões suficientes para que Nae pudesse passar através dela, nadou ao seu encontro, ignorando o vento ilusório e a areia que se agitava, e entrou. Imediatamente, de forma demasiado rápida, a passagem fechou-se sobre a sua cabeça.
Percorreu a nova planície de areia branca que se alastrava por poucos metros, limite do mundo subaquático onde vivia. Todas as noites, era recebida pelas gigantes anémonas luminosas que ali se haviam fixado e que a ajudavam a iluminar o caminho até casa. Assim que a planície chegou ao fim, Nae meteu-se no buraco na parede rochosa que lhe barrou o caminho, e encontrou-se num lugar com mais vida e mais luz. O lugar a que chamava casa, onde viviam tantos outros seres como ela, com os seus navios naufragados a servirem de locais de convívio, os seus templos limpos e elegantes que encerravam mistérios, as torres com os seus contornos definidos, as grutas que conduziam a outros lugares e a chamavam constantemente para a aventura. Mas Nae ignorou-os a todos e dirigiu-se à pequena aldeia, povoada por casas de pedra, em direcção à qual outras sereias nadavam, prontas a dar o dia por terminado.
A grande concha que lhe servia de cama abriu-se assim que entrou em casa, convidando-a a descansar e a usufruir do seu conforto. Nae deitou-se, rendida, sem saber bem por que se sentia cansada e a necessitar de limpar a sua mente. Foi quando pousou o pote de barro ao seu lado que se lembrou do que teria que fazer no dia seguinte; que se lembrou de que o que teria que fazer no dia seguinte era aquilo que queria esquecer por mais algum tempo.

10/08/2015

Mais de 1000 razões para ser feliz #4

Via We Heart It.
Ficar a escrever até às duas da manhã, no silêncio do meu quarto, sem incómodos e sem grandes bloqueios.

07/08/2015

Escrito por mim #3 - parte 5 (última)

 Parte 4 AQUI.

Dez aflitivos minutos mais tarde, Lu entrou no seu prédio e lançou-se pelas escadas acima até ao segundo andar. Entrou no seu apartamento, e só se sentiu absolutamente aliviada quando acendeu a luz, fechou a porta atrás de si e viu tudo tal como havia deixado. Aquele pequeno cantinho tornara-se no seu porto seguro, um lugar onde sentia que nada nem ninguém a podia magoar, nem mesmo os perigos que chegavam com a noite.
Lu pousou a mala no sofá, e, imediatamente, todo o seu receio se dissipou, dando, de novo, lugar às memórias daquela que se tornara numa das melhores noites da sua vida. Sentindo uma ligeira pontinha de fome – e nem uma de cansaço –, dirigiu-se à cozinha. Preparou uma taça de cereais e sentou-se descontraidamente numa das cadeiras, com os joelhos contra o peito e a tigela entre as mãos. Demorou-se a comer, apreciando cada colherada até ao último floco de cereal. E, a cada nova colherada, ao mesmo tempo que o delicioso sabor do chocolate se instalava lentamente, Lu dava por si a sorrir de um modo sonhador assim que as lembranças voltavam à tona. Sentiu-se como uma adolescente apaixonada, a reviver o mesmo momento na sua cabeça vezes sem conta com sorrisos parvos que surgiam inesperadamente, porque o rapaz por quem tinha uma paixoneta secreta reparara nela por fim. Mas Lu tinha perfeita noção de que já não era uma adolescente, e de que aquela era apenas uma paixoneta platónica e inocente que toda e qualquer pessoa podia ter por uma celebridade. E, também, de que nunca mais voltaria a ver Spencer, ainda que a canção que ambos haviam partilhado dissesse o contrário – uma promessa de que voltariam a encontrar-se, algum dia.
Lu perdeu a noção do tempo, mas, fosse como fosse, não tinha nada para fazer e, no dia seguinte, não tinha uma hora exacta para acordar. Ainda com a tigela de cereais entre as mãos, bocejou depois de engolir a última colherada, sinal de que o seu corpo esperava por algum descanso. Levantou-se, colocou a tigela no lava-loiça e encaminhou-se para o quarto.
Ao abrir a porta, deparou-se com o quarto escuro e com o namorado já deitado, a dormir tão profundamente, que nem reagiu à sua presença. A sua primeira reacção foi de um leve sobressalto, que, depois de passar e de Lu se lembrar a si mesma que não viva naquele apartamento sozinha, fez com que ela suspirasse e fechasse a porta com todo o cuidado atrás de si. Devido ao facto de estar tão habituada a viver a sua vida sem lhe dar grandes satisfações e sem ter a sua companhia muitas das vezes, Lu esquecera-se completamente de Diogo. Contudo, não sentia qualquer vestígio de arrependimento daquilo que fizera – ou mesmo pensara –, e estava determinada a não deixar que ele, alguém que parecia já não lhe dar o devido valor, estragasse o que lhe restava da noite e apagasse as maravilhosas recordações que esta lhe proporcionara. Como tal, Lu optou por ignorá-lo, e contornou a cama para se deitar no lado que lhe estava reservado, agindo como se Diogo não estivesse ali. Pousou o telemóvel na sua mesa-de-cabeceira e usou-o para servir de lanterna enquanto vestia os pijamas. Depois, deitou-se, dando-se por satisfeita por Diogo não estar a ocupar mais de metade da cama e por ela conseguir ter algum espaço.
Para sua felicidade, Diogo não acordou. Aquilo que Lu menos queria naquele momento era sentir os seus braços à sua volta ou responder a perguntas. Naquela noite, Lu só queria adormecer a pensar em Spencer.

Assim termino o texto que, há uns meses atrás, me senti tão inspirada a escrever. O texto que servirá como prólogo ou como primeiro capítulo de algo maior, se resolver andar com esta história para a frente. Apesar de a ter delineado totalmente na minha cabeça - como faço sempre, antes de começar a escrever qualquer coisa -, ainda não sei se, de facto, irei continuar com ela ou não. Seja como for, tenho outra pendente.
Queria agradecer a todas as meninas que leram e comentaram as diferentes partes deste pequeno texto. Não estava nada à espera de um feedback tão positivo e que me pedissem para publicar mais. Significou muito para mim.
Novos textos irão surgir ocasionalmente. Não acerca da Lu e do Spencer, porque disto não tenho mais nada para mostrar, mas sim passagens de histórias que já tenha terminado ou que ainda estão a ser escritas.

25/07/2015

Escrito por mim #3 - parte 4 (sem lamechices)

Parte 3 AQUI.
Quando o concerto chegou ao fim, Lu vestiu a sua camisa axadrezada para se proteger da diferença de temperatura e seguiu a multidão que se dirigia à estação de metro mais próxima, dando-se por satisfeita por não ser a única a tomar aquele meio de transporte. A noite estava calma, embora algum frio se fizesse sentir, como habitualmente. Lu abraçou-se a si própria numa tentativa de se aquecer um pouco, mas caminhou a um passo leve, sem parar de sorrir e de pensar na noite incrível que acabara de ter.
Estava prestes a chegar à estação quando uma luz de tonalidade rosada, vinda de cima, captou a sua atenção. Lu ergueu a cabeça, ao mesmo tempo que os seus passos abrandavam e ela própria começava a paralisar de terror. Estava mesmo ali, por cima da sua e de tantas outras cabeças, e ouviu reacções de espanto, de curiosidade e, tal como ela se sentia, de medo, de pânico. A grande massa cor-de-rosa brilhante, que se assemelhava a uma nuvem feita de estrelas e que parecia tão irreal a ponto de não fazer parte daquele universo, começou a desabrochar numa suave explosão como fogo-de-artifício, dando origem a uma lenta chuva de estrelas, pronta a atingir quem quer que estivesse no seu caminho. Era sempre um espectáculo lindíssimo de se ver, mas Lu não sabia se ficava petrificada devido à sua beleza, ou se devido ao pânico, por saber o que aquele fenómeno, aparentemente inofensivo e sem explicação, significava. Lu manteve-se imóvel, sentindo o coração a bater com força, e só conseguiu reagir quando ouviu gritos de horror e viu pessoas apavoradas a passar bruscamente por ela.
Correu o mais depressa que pôde em direcção à estação, em conjunto com outras quantas pessoas, qual manada de animais indefesos a fugir de um predador para o esconderijo mais próximo. Ignorou os gritos e as próprias estrelas que caíam e que já estavam tão próximas. Quando já se sentia segura, parou a meio das escadas da estação para recuperar o fôlego e ter um pequeno vislumbre do que se passava na superfície. O cenário era, agora, totalmente cor-de-rosa, e Lu conseguiu ver uns quantos ignorantes que não faziam ideia do que estava a acontecer. Observou-os a pegarem nos telemóveis para captar a fotografia perfeita do maldito fenómeno celeste, ou a esperarem, de braços abertos, que uma estrela cor-de-rosa os tocasse, só para saberem qual era a sensação. Lu abanou a cabeça e chamou-os, mentalmente, de idiotas, de irresponsáveis, e de tudo mais que se conseguiu lembrar. Aquele acto imprudente e aparentemente inocente iria afogá-los em arrependimentos para o resto das suas vidas.
Acabou por virar costas, concentrando-se em apanhar o próximo metro, juntamente com todas as outras pessoas que se haviam encaminhado para a estação após o concerto, antes que se visse forçada a apanhar outro sozinha. O veículo onde Lu entrou ficou imediatamente recheado de jovens vestidos de preto, muitos deles com o seu próprio estilo excêntrico e fora do comum, mas todos com um misto de boa-disposição e de cansaço nos seus rostos. Iam todos aos pares ou em pequenos grupos, trocando, animadamente, impressões sobre o concerto a que haviam acabado de assistir. Lu manteve-se de pé no interior do comboio, apanhando parte de uma conversa aqui e ali e observando, discretamente, tudo em seu redor. Sentiu-se só durante a viagem, por ser a única, de entre os jovens que acabavam de sair de um concerto, que não estava com um amigo e que não tinha uma pessoa com quem trocar opiniões daquela mesma forma entusiástica. Só, mas segura. Sabia que ali, debaixo da terra, a chuva cor-de-rosa não era capaz de a magoar, e, enquanto se mantivesse ao lado de outros seres humanos, mesmo que desconhecidos, não tinha razão para recear a noite.
O metro estava praticamente vazio quando Lu chegou ao seu destino. Apenas ela e duas outras pessoas saíram naquela estação, mas aquelas tomaram um caminho oposto ao seu, deixando Lu sozinha na rua, à mercê de qualquer perigo que se escondia nas sombras da noite. A chuva parara, mas muito mais podia acontecer. Apoderou-se de Lu um enorme desejo de já estar em casa, mas, do lugar onde estava, precisaria, ainda, de andar durante dez minutos para conseguir lá chegar. Dez minutos de angústia, que Lu sabia que seriam demasiado longos.
Sem ter outra opção, Lu pôs-se a caminho. Caminhar durante o dia não lhe trazia qualquer tipo de medo, como se a luz solar fosse capaz de afugentar o perigo e de lhe proporcionar conforto. No entanto, a noite era completamente diferente. Deixava-a desprotegida, receosa. Como se qualquer sombra albergasse uma ameaça, ou um olhar invisível que incidia nela. Se Lu tivesse alguém ao seu lado, sabia que, certamente, se sentiria melhor. Nem que fosse um grupo de desconhecidos à sua frente, que fosse para o mesmo lugar que ela. Mas Lu estava por sua própria conta, e não se via ninguém a pé. Apenas alguns carros passavam, ocasionalmente.
Assim que começou a andar, dizendo a si mesma para ter calma, que não ia acontecer nada e que estaria em casa em breve, tirou o telemóvel da mala que usava a tiracolo e protegeu-a. Colocou-o ao ouvido e fingiu que falava com alguém, numa tentativa de disfarçar o seu receio. Tentou ser discreta, mas o instinto levava-a a olhar para trás frequentemente, com medo de que estivesse a ser seguida. Mesmo ao deparar-se com uma rua deserta, Lu acelerava o passo, ansiosa por chegar a casa e sentir-se segura.
Continua...

11/07/2015

Escrito por mim #3 - parte 3

Parte 2 AQUI.

Cantaram como se tivessem ensaiado. Como se se conhecessem desde sempre, quais amigos de infância que acabavam de se reencontrar após anos de separação devido à distância. Spencer cantou os primeiros versos, e, depois da curta pausa marcada pelo som da guitarra acústica, Lu entoou os que se seguiam. Sabia a letra daquela canção de cor e salteado, tal haviam sido as vezes que a ouvira desde o seu lançamento, que já contava com uma meia dúzia de anos. Cantaram o refrão em uníssono, as suas vozes a conjugarem-se naturalmente numa delicada harmonia, entre sorrisos, trocando olhares cúmplices nos momentos certos.
A princípio, a voz de Lu soara algo trémula, e ela própria nem a reconhecera ao microfone. Achara-a péssima como sempre e que entrara mal e que estava desafinada, ao mesmo tempo que sentia os olhares atentos – alguns dos quais invejosos e prontos a julgarem-na – do público cravados em si e notava um ou outro flash ocasional de câmaras. Mas, aos poucos, como se a presença de Spencer e a sua aparente cumplicidade para com ela a fizessem sentir confortável e descontraída, Lu deixou-se relaxar e fazer o que prometera a si própria quando transpusera a entrada daquele recinto: não se importar com as opiniões de quem a observava. Aos poucos, Lu esqueceu-se do público, fixando-se somente em Spencer, na canção e naquele momento mágico e completamente inesperado que estava a viver. Concentrou-se naquilo que Spencer dissera anteriormente. Diversão. Era só o que lhe importava naquela noite; era o que tinha dito que ia fazer assim que se pusera a caminho do concerto: divertir-se, sem pensar em mais nada. E, desta forma, sentiu-se rodeada por uma bolha, uma bolha que os abarcava a ambos, colocando-os num mundo onde não existia mais nada para além deles.
Quando a canção terminou, o retorno da euforia por parte do público rebentou a pequena bolha de felicidade que se formara. Spencer, após um último olhar, pousou a guitarra e levantou-se, levando Lu a fazer o mesmo, quase que inconscientemente. Apontou para ela, como se desse a entender que era a Lu que o público tinha que agradecer, já que, caso contrário, a canção não teria aquele mesmo impacto, aquela mesma magia. Lu, contagiada pelo ambiente – embora ainda com a sensação de ter sido mesmo má –, sorriu abertamente e fez uma pequena vénia, só mesmo por diversão. E riu-se com vontade, totalmente feliz e livre, enquanto rodava a cabeça na direcção de Spencer, como se quisesse procurar alguma pista no seu rosto que lhe dissesse o que devia fazer a seguir.
Lu surpreendeu-se por vê-lo ainda ao seu lado e a fitá-la, mas surpreendeu-se ainda mais quando este abriu os braços e a abraçou em pleno palco, como que em jeito de agradecimento por ter aceite o seu desafio e por ter sido a óptima parceira que ela tentava acreditar ter sido. Apesar da surpresa, porém, Lu não tardou a reagir e a abraçá-lo de volta, enquanto sorria com os olhos fechados, sentindo-se como se estivesse num sonho. Foi um abraço doce e sincero, que os transportou de novo para a bolha que os isolava do mundo, e que Lu gostava que tivesse durado para sempre.
Pouco depois, Spencer, ainda com um dos braços sobre os seus ombros, colocou-se ao lado de Lu e apontou para o fotógrafo oficial da banda, sobre o palco a poucos metros de distância deles e com a câmara em punho. Lu sorriu automática e abertamente, sem sequer saber se Spencer estava a fazer o mesmo. Amanhã, vai estar tudo online, pensou, sentindo-se privilegiada por vir a ser conhecida como a primeira fã que subira a um palco para cantar ao lado de Spencer Anderson.
Continua...

30/06/2015

Deste ano, não passa

Uma das coisas que quero fazer estas férias é reunir contactos de editoras, fazer uma boa pesquisa acerca daquilo que devo dizer e que devo enviar para tentar cativá-las para a leitura do meu livro, escrever um e-mail todo janota baseado na informação que recolhi, enviá-lo e (des)esperar que alguma me responda. Enquanto isso, terei ainda que "descobrir" qual o género literário do meu próprio livro, e, talvez, fazer uma nova revisão ao mesmo.
Talvez esta não seja a melhor altura para pensar nestas coisas, mas, se for a ver bem, nunca vai existir uma boa altura, já que vão sempre existir outras coisas, prioridades que merecem logo a minha atenção e que estão mesmo à minha frente. Mas eu quero tanto isto...

24/06/2015

Escrito por mim #3 - parte 2

Parte 1 AQUI.

- Tu – disse, a apontar para ela.
Acto contínuo, Lu virou-se para trás, juntamente com as desconhecidas que se encontravam à sua volta, para tentar perceber quem fora a feliz contemplada.
- Não, tu – ouviu Spencer dizer, mas só pensou que, daquela forma, seria complicado tentar perceber a quem se referia.
Até que uma das adolescentes que a cercava falou directamente para ela:
- Acho que és tu!
Lu franziu o sobrolho e virou-se, dando de caras com um Spencer imóvel, a sorrir para ela a poucos metros de distância.
- Tu aí – voltou a apontar para Lu.
Ela, por sua vez, apontou para si própria, só para se certificar que era mesmo consigo.
- Sim, tu! – exclamou Spencer, ansioso por se rir com a situação. – Anda daí.
Lu não se conseguiu mexer. O seu ritmo cardíaco disparou, e as pernas, embora trémulas, pareciam feitas de chumbo, prendendo-lhe ao chão.
- Se não subires, vou aí buscar-te – ameaçou Spencer, num tom afável e divertido ao mesmo tempo.
Ouviu as desconhecidas, atrás de si, a encorajá-la, ao passo que outras gritavam que podiam ir no seu lugar. No palco, Spencer continuava a aguardá-la, estático, com o seu sorriso magnífico. Nos poucos segundos em que se manteve paralisada, Lu não conseguiu deixar de achar incrível – de uma forma estranha – que, no meio de tanta rapariga histérica e extravagante, que combinava melhor com Spencer do que ela própria, ele a tivesse escolhido a si. Ou, até, que tivesse reparado nela, na rapariga que, embora se sentisse invisível e vulgar, estava a divertir-se como se o amanhã nunca fosse chegar. Instigada pelo encorajamento das fãs desconhecidas e pela expressão de Spencer, Lu pôs de lado a (bastante provável) hipótese de vir a ser um completo desastre em palco e de assassinar uma das suas canções favoritas. Qualquer fã que ali se encontrava desejaria estar no seu lugar naquele momento, e Lu agarrou-se àquela sorte e à oportunidade que lhe fora dada para caminhar em direcção ao palco. O ruído da multidão tornou-se mais vibrante, e o sorriso do vocalista abriu-se mais.
Spencer ajudou-a a subir e encaminhou-a para um dos bancos que ali haviam sido colocados. As pernas de Lu tremeram demasiado ao longo daquela meia dúzia de passos. Não conseguiu olhar para o público durante as passadas, e achou que teria desmaiado se não se tivesse sentado. Spencer sentou-se no banco ao lado – demasiado próximo do seu –, e encaixou o microfone no suporte que se encontrava à sua frente. Naquele curto instante, Lu olhou-o discretamente, apanhando alguns pormenores das tatuagens que lhe cobriam os braços e notando com maior clareza a argola que usava no lábio inferior. Depois, Spencer passou-lhe um microfone, que Lu nem soube de onde tinha vindo.
- Nervosa? – perguntou-lhe Spencer amavelmente. Falara para o microfone, para que ela própria o ouvisse melhor, mas não desviara os olhos azuis dos dela.
- Muito! – respondeu Lu, de um modo instantâneo.
O público riu-se, assim como Spencer. Lu sentiu-se corar. Não conseguia acreditar que estava ali, tão perto de Spencer Anderson, a ver os seus olhos e o seu sorriso em grande plano, a ser alvo da sua atenção.
- Não estejas. Vamos só divertir-nos – disse ele, numa tentativa quase vã de a acalmar e de a fazer ver que ninguém a julgaria caso fizesse a figura de parva que ela sabia estar para vir. – Como te chamas?
- Lu.
Desde que passara a viver fora do seu país de origem, Lu deixara de se apresentar como Luana. Aquele era um nome fácil de ser compreendido à primeira onde quer que estivesse. Além disso, Lu achava que um diminutivo era capaz de criar uma certa empatia e proximidade, e ela nunca fora boa a criar aquele tipo de laços.
- Muito bem, Lu – Spencer pegou numa guitarra acústica. – Espero que conheças esta canção, ou vou arrepender-me de te ter escolhido! – brincou, fazendo-a rir-se, juntamente com o público.
As luzes do palco apagaram-se por um breve instante, para darem lugar a uma iluminação mais suave e intimista, propícia à canção iminente. Naquele mísero segundo de escuridão, Lu ouviu a voz de Spencer ao seu ouvido. Segredou-lhe o nome da canção que se seguiria, e um arrepio percorreu-lhe a espinha.
- É uma das minhas favoritas – comentou ela, sem sequer pensar, precisamente no momento em que se acenderam as novas luzes. Spencer ainda teve tempo de lhe presentear com um sorriso rápido, antes de dedilhar os primeiros acordes.
Continua...

11/06/2015

Escrito por mim #3 - parte 1

Como tinha dito há uns posts atrás, senti-me mesmo inspirada durante aqueles dias em que fiquei sem computador. Assim que me vi com o antigo portátil do meu namorado, e ainda com as ideias todas na cabeça, não resisti em começar a escrever. Trata-se de uma ideia que tive há uns tempos atrás, mas que ainda não tinha desenvolvido porque estava a meio de outra história, e não gosto de ter duas coisas diferentes inacabadas. No entanto, sim, acabei por desenvolvê-la, já que a inspiração bateu à porta. Mas acho que vou deixar a coisa parada por enquanto, até porque quero voltar ao meu livro, que, coitado, não é modificado desde o início de Abril (!). Para além disso, e apesar de ter toda uma história já na cabeça, não sei se irei com ela para a frente. Acho que não sou grande coisa em romances. Este texto, aliás, é tão diferente daquilo que normalmente escrevo...mas gostei de o escrever. Diverti-me. Já tinha saudades disto.
Resolvi partilhá-lo na íntegra, porque não é grande e porque, lá está, não sei se vou fazer alguma coisa com ele. Mas vou dividi-lo em partes, e só publicarei as restantes se fizerem muita questão e/ou se gostarem muito, muito. Ah, as personagens são fictícias, claro. Sem mais delongas...

20/05/2015

Acho que a arte irá sempre fazer parte de mim

Ando a precisar de tempo para mim, de tempo para estar sozinha. Uma das razões pelas quais estou ansiosa por terminar o curso é esta. E é, também, uma das razões que me faz não querer tirar um mestrado. Com "ter tempo para mim" não quero dizer apenas descansar e não fazer nenhum o dia todo. Eu tenho hobbies, aliás, sempre tive, e o que agora se passa é que não tenho tempo - e, se o tenho, a cabeça não é muita - para me dedicar a eles. São coisas que me fazem sentir bem e que me fazem esquecer o mundo e os problemas, caso hajam. Mesmo que ninguém ou pouca gente aprecie o que faço, dedico-me a eles de qualquer maneira. Não desenho nem escrevo para os outros; apenas para me agradar a mim mesma, para me sentir bem, para deixar a minha imaginação voar - porque imaginar coisas diferentes sempre me divertiu. Gosto de fazer estas coisas, e gosto de olhar para aquilo que fiz e de me sentir orgulhosa por tê-las feito; de olhar para o que já fiz há uns anos atrás, compará-los com as coisas mais actuais que fiz, aperceber-me da minha evolução e orgulhar-me dela. Desenhar e escrever são coisas que me divertem e que me libertam. Adoro a sensação de usar as minhas mãos para criar coisas. Quem tem hobbies deve compreender. Quem não tem, pode achar que são criancices. Whatever.
A questão é que estas coisas fazem parte de mim desde pequena, e acho que não seria a mesma pessoa se não as tivesse, ou se as deixasse de lado de um momento para o outro só porque cresci e porque passei a ter uma vida profissional (que ainda não tenho). No que depender de mim, estarão sempre presentes na minha vida, mesmo com todas as responsabilidades, todas as obrigações e todos os afazeres do dia-a-dia. Se não, acho que me vou sentir como se faltasse qualquer coisa.
O secundário nunca me impediu de as ter; a universidade também não. Esta fase em que me encontro agora é que, pela primeira vez, anda a impedir-me. Demasiado.
Tenho mesmo tantas saudades de escrever. De desenhar também, mas, principalmente, de escrever. O meu pobre livro não é modificado há mais de um mês, e tudo por culpa da tese e do estágio. Ando cansada, pelo que o tempo livre que tenho é frequentemente passado a ver séries, algo que me faz relaxar e deixar o cérebro em pausa, por um momento. Porque, por mais que eu goste dos meus hobbies, eles obrigam-me a pensar - e isso é óptimo, mas, neste caso... -, e eu, após um dia de trabalho, seja no local de estágio, seja em casa, em torno da tese, quero tudo, excepto voltar a pensar e puxar pela cabeça. Posso vir ao blog de vez em quando escrever qualquer coisa, mas escrever num blog é completamente diferente de escrever uma história, e isto, por esta razão, é incapaz de saciar a minha vontade de escrever. Escrever no blog nem me obriga a pensar muito, na verdade.
Não vejo, por isso, a hora de ter a minha tese e o meu relatório prontos, para que depois, livre de trabalhos de casa e livre de prazos para cumprir, possa, finalmente, dar-me ao luxo de perder horas no meio de palavras, mundos imaginários, traços de lápis e misturas de cores. Só espero poder ter isso: um tempinho para estar sozinha, sem interrupções, sem planos. Sim, há alturas em que preciso mesmo disto. Mesmo que muita gente não compreenda. 

07/05/2015

Escrito por mim #2

Começando a sentir uma súbita pontinha de desespero, Razz olhou para os lados, para cima e para baixo. Não conseguia distinguir o que quer que fosse; era tudo opaco e de cor clara, como se estivesse presa numa pequena caixa de vidro e gelo. A sua suspeita confirmou-se quando, ao esticar os braços em todas as direcções, na esperança vã de encontrar algum caminho, sentia sempre aquela superfície impenetrável sob as mãos. Subitamente, começou a ter dificuldade em respirar por não ter possibilidade de se mexer naquele espaço. Sentiu uma gota de suor a emergir da sua testa, que depois lhe escorreu lentamente ao longo do rosto, enquanto o coração mantinha o seu ritmo alarmado, tornando-se no único som que Razz era capaz de ouvir naquele vazio.
Retornou às suas inúteis tentativas de socar e pontapear as paredes de vidro que a cercavam. Ver o seu corpo repleto de pontos cintilantes deixou-a enervada, devido à velocidade com que piscavam e ao facto de não pararem por um segundo. Suspirou, gritou com os dentes cerrados, atirou-se com toda a sua força contra as paredes. Mordeu o lábio, teve vontade de arrancar os cabelos e aquela camada de escamas brilhantes que lhe cobria o corpo, quis ver algum sangue a escorrer-lhe das mãos de tanto bater nas paredes de vidro; queria somente sentir alguma coisa para ter a certeza de que continuava a existir. No entanto, a cada nova tentativa, o seu desespero só aumentava, agitando-se no seu interior como o centro de uma furiosa tempestade. Sentiu-se fraca e impotente, uma pequena alma frágil que fora sugada por uma força malévola para aquele espaço entre dois mundos.
Completamente desnorteada, dominada pelo desespero, Razz começou a andar em círculos, a tactear tudo, futilmente, em seu redor e a olhar em todas as direcções. Sentia-se à beira de um abismo de loucura, para o qual caminhava cada vez mais sempre que pensava na hipótese de vir a ser uma alma perdida, naquela prisão de vidro, para toda a eternidade. Contudo, ao olhar para o próprio corpo pela enésima vez, para as irritantes lantejoulas que brilhavam incansavelmente, notou uma saliência no bolso da bata.
De olhos arregalados, tirou o pequeno comando que lhe fora dado e carregou no botão vermelho. Ao ver que tudo se mantinha da mesma forma, carregou outra vez, e mais outra, e todas as que lhe foram possíveis, de um modo cada vez mais rápido e violento, tal era a sua urgência. O ar tornara-se demasiado pesado, turvando-lhe o pensamento e o raciocínio e dificultando-lhe, cada vez mais, a respiração. Cada novo suspiro doloroso parecia-lhe ser mais um passo em direcção ao abismo.
A raiva que depositava no comando a cada novo toque acabou por se esgotar, levando-a a atirá-lo para o chão com toda a força que tinha. Acabou por se encostar à parede de onde viera, ao mesmo tempo que deixava escapar os seus últimos suspiros. Fechou os olhos, pronta a render-se à atmosfera tóxica que se abatia sobre a prisão claustrofóbica.

20/04/2015

Escrito por mim #1

O lápis deslizava sobre o papel como se tivesse vida própria. Fugindo ao meu controlo, dava forma ao que se escondia nas profundezas do meu subconsciente, libertando-o, trazendo-o para a realidade. Com ele, vinha um misto de sentimentos, que me fazia sempre questionar se tudo não teria passado de um sonho ou se acontecera de facto. Dada a criatividade que começara a adquirir, não me admirava se tudo tivesse sido produto da imaginação.
Dava agora os retoques finais, indício de que o meu momento de prazer e diversão estava a chegar ao fim. Mas não os sentimentos e as perguntas. Estes surgiriam de todas as vezes que olhasse para aquele desenho. Para aquele e para outros.
Relaxei o braço e admirei o resultado final, ignorando as constantes sombras dos miúdos que por ali passavam. Não me importava que olhassem ou tecessem comentários, até porque nem os estava a ouvir. Importava-me, sim, que me interrompessem o estado de transe provocado pelo simples acto de pegar num lápis e de o usar para sujar uma folha imaculadamente nova com um único ponto. O que, felizmente, não era algo que acontecesse. Continuava protegida pela armadura que tinha vindo a construir com o passar das vidas, a armadura que nunca me deixava ficar mal. Parecia irradiar uma energia tão forte, que repelia quem ousasse aproximar-se. E parecia que essa energia se propagava, formando um círculo à minha volta que incluía também a árvore à qual estava encostada, fechando-me num mundo à parte, povoado pela música que me ecoava nos ouvidos.
Estava, então, sentada na base de uma árvore, contra o seu tronco, acolhida pela sombra fresca que me proporcionava e que me conferia uma estranha sensação de paz. Sem me importar se as minhas calças de ganga estreitas ficassem verdes devido à relva, ou se a minha mochila e roupa fossem invadidas por insectos. Tinha as pernas flectidas, e, sobre elas, o meu bloco de desenho, um dos meus companheiros do dia-a-dia. O outro era o leitor mp3 completamente ultrapassado – mas do qual não me iria livrar tão cedo –, recheado de canções que me faziam relaxar, esquecer os problemas, fugir à realidade ou inspirar-me para um novo desenho. Algumas delas eram capazes de me fornecer tudo isto ao mesmo tempo.
E, na página onde o bloco estava aberto, aquilo que acabara de desenhar. O retrato de Mormak, mais um entre tantos. Mas um retrato pouco realista. Mais virado para uma versão cartoon. Um retrato negro e sedutor com um toque de arrogância e mistério, o seu rosto ligeiramente de lado e com um olhar extraordinariamente atraente pelo canto do olho, que me dava a sensação de me estar a chamar para descobrir outra realidade; a sua realidade. Um olhar que dizia que ir com ele era perigoso e podia ser a minha sentença de morte, mas que era quase impossível de resistir. A sua boca não sorria, e os seus cabelos, finos e tornados mais compridos do que aquilo que eram, caíam-lhe pelo rosto como fios de prata e agitavam-se com uma leve brisa. Um rosto duro, algo tenso, pele lisa e sem a característica barba. Talvez aquele não fosse Mormak, como o meu subconsciente quisera transmitir. Parecia, antes, uma personagem de uma série de animação não dirigida a crianças, o vilão encantador que arrebata os corações das rapariguinhas puras e inocentes.

18/01/2015

Mixórdia #3

Houve dias em que acordei com dores nas pernas e nos joelhos, e quase que aposto que isto se deve ao facto de, ultimamente, ser obrigada a passar grande parte do tempo sentada. Houve, igualmente, dias em que mal conseguia estudar porque começava a pensar na tese, mais propriamente a ficar preocupada por ainda não ter um tema definido, mas já me ando a preocupar menos com isso, uma vez que já fui falar com a orientadora e um dos temas que me sugeriu parece-me bastante interessante. Agora que estou quase a ir-me embora daqui de vez é que resolve acabar tudo: é o champô, é a pasta de dentes, é o café solúvel, enfim, e lá tenho eu que comprar estas coisas só para usar uma meia dúzia de vezes até me ir embora. Já não tenho episódios do Once Upon A Time para ver, e não ando com paciência para começar a ver uma série nova, pelo que tenho andado pelos filmes e estou aberta a sugestões. Acho que, afinal, vou manter o meu username. Esta está a ser a época de exames mais rápida de sempre. Estou ansiosa pela sexta-feira, pois é o dia do último exame e cheira-me que vou lanchar à Spirito com uma colega. Os meus dias resumem-se a acordar cedo com o despertador e a passar horas num estudo intensivo. Apetece-me escrever; aliás, apetecia-me mesmo tirar um dia inteiro só para ficar a escrever. Acabei uma cadeira com quinze e duas com dezassete, nada mau. Ultimamente tenho perdido tempo a procurar imagens para desenhar e a ver tutoriais de pintura digital, mas tenho o pressentimento de que vou acabar por não pôr nada em prática e que, da próxima vez que pegar num lápis, vai sair tudo torto. Não vejo a hora de me ir embora desta casa de vez, pois já ando farta de chatices. Mas, por outro lado, não me quero despedir do Porto. E é isto que se conta destes últimos dias.