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02/12/2015

Terminei Novembro em beleza

Passei estes últimos dias no Porto. Tive, este fim-de-semana, a última sessão do curso que andei a fazer, e aproveitei para ficar por lá mais uns dias.
A cidade parece ter algo inexplicável que me faz gostar tanto dela. Gosto tanto de andar pelas ruas, sem destino, mesmo que já tenha passado por elas várias vezes; de passear pelos jardins; de explorar lugares novos; de observar os monumentos e de admirar as paisagens; de passar tempo num café acolhedor a comer coisas boas. E torna-se tudo melhor quando, mesmo com frio, o céu está limpo durante todo o dia e o sol brilha, como se nos aquecesse o coração. E, claro, quando se está em boa companhia.
Não tenho planos para lá regressar, mas espero poder fazê-lo um dia, seja lá quando for. O Porto tornou-se como que na minha segunda casa. Vou ter saudades.

19/11/2015

Mais de 1000 razões para ser feliz #15

Saber que daqui a exactamente uma semana vou estar novamente no Porto.
(E, desta vez, vai ser um pouquinho mais do que um simples fim-de-semana! Só espero que faça bom tempo...)

02/11/2015

Do final de Outubro e "expectativas" para Novembro

Outubro passou depressa demais para meu gosto. Provavelmente por ter sido um mês mais agitado. Mas não queria que tivesse passado tão rápido, pois estava a habituar-me à sua tranquilidade, e agora, em Novembro, já não estarei assim tão tranquila. E acabei de usar duas palavras contrárias para descrever o mês passado: agitado e tranquilo. Mas foi exactamente assim. Agitado, por causa de todas as viagens entre cá e lá. Tranquilo, por estar livre de obrigações.
Foi no Porto que me despedi de Outubro. A passear, tanto pela baixa como por jardins, a pisar as folhas secas. Passear sozinha já não me é tão estranho; pelo contrário, sabe-me bem, deixa-me satisfeita comigo mesma, pois impede-me de pensar em preocupações e em coisas tristes. A Spirito estava com um ambiente de Halloween mesmo giro, e deliciei-me com um cupcake e com uma bebida quente. Para mim, que gosto de doces e de cafés mais "inovadores", com conceitos diferentes do habitual, o Porto é uma cidade cheia de tentações, pelo que, de todas as vezes que lá vou, tenho que aproveitar e comer um lanchinho deste género - até porque, em casa, é raríssimo comer doces. Passei a noite das bruxas no quarto, a (re)ver o Corpse Bride, o que, para mim, é o tipo de programa ideal. E já não me lembrava bem do quanto aquele filme é fofinho - e acho que vou desenhar algumas personagens.
Só lá regresso no final deste mês. Por um lado, vou poder descansar depois de várias semanas sempre em viagem, se bem que tenho várias coisas para fazer ao longo do mês - obrigações e não só. Algumas delas têm a ver com o curso. Estou a gostar muito e tenho aprendido coisas muito interessantes, mas não vou desenvolver muito o assunto por agora, especialmente porque o que podia vir a dizer dava para uma nova publicação.
Mas, por outro lado, vou ter saudades e já sei que vou andar desejosa de lá voltar, até porque soube de novos lugares, que não conheço, para visitar, e espero ter a oportunidade de explorá-los a todos da próxima vez. Espero, também, conseguir voltar a alguns dos meus lugares favoritos, porque, depois desta última viagem no final do mês, não sei quando voltarei lá.
O que é triste. E estranho, e estúpido. Porque, enquanto estudei lá, estava constantemente ansiosa por voltar para casa, para aquele conforto característico. E agora, que estou em casa, dou por mim a querer estar noutro sítio. Qualquer sítio, longe daqui.

29/10/2015

Mais de 1000 razões para ser feliz #13

Tenho andado a descobrir mais do Porto.
Descobri a Amarelo Torrada, um espaço acolhedor com uma decoração amorosa. Na montra, lê-se algo do género Aqui vai comer a melhor torrada da baixa, e isto não é exagero algum. Para além de as torradas serem muito bem servidas, ainda podemos escolher o tipo de pão. E, quando digo bem servidas, não me refiro apenas ao tamanho. A torrada vem, como é habitual, barrada com manteiga, mas traz também duas compotas diferentes e mel, com os quais também podemos barrar a torrada, se quisermos. E o contraste entre o doce das compotas e o salgado da manteiga é simplesmente divinal. Está aprovadíssimo, e espero lá voltar mais uma vez.

Descobri a biblioteca municipal. Pois, passei três anos e meio a estudar no Porto e nunca me tinha dignado a estudar numa biblioteca que não a da minha faculdade. Meti-me lá por estar a chover, e gostei muito do espaço. O edifício é antigo, mas gostei dele no interior. E gostei, especialmente, do claustro. Gosto de claustros; acho-os fofinhos. E, lá, tinha umas mesas e cadeiras, o que me fez pensar que deve ser bem agradável estar ali fora quando o tempo está bom.

Descobri o Traveller Caffé, mais um espaço acolhedor e um excelente refúgio para dias de chuva, como foi o caso. Passei por lá depois de sair da biblioteca, onde bebi um delicioso chocolate quente que me soube pela vida. Aliás, só o facto de estar lá soube-me bem. Adorei o ambiente, muito calmo e descontraído, com uma música de fundo bastante agradável, e ver a chuva a cair lá fora tornou tudo ainda mais aconchegante. Só faltou uma boa companhia, mas, havendo falta disso, entretenho-me com outras coisas. Ultimamente, tenho levado o meu bloco de notas para todo o lado, com o qual me tenho divertido a escrever ideias para posts para o blog, a escrever a ordem dos acontecimentos da história que estou a escrever agora - que acabam por me deixar sempre confusa, com a quantidade de coisas que quero (e tenho que) incluir para que tudo faça sentido - ou a tentar escrever uma sinopse decente da minha história anterior.  


14/09/2015

Mais de 1000 razões para ser feliz #10

Fotografia da minha autoria.
Hoje tive um dia feliz.
Conheci uma blogger pessoalmente. Estava com um certo receio de a coisa se tornar um bocado awkward por não sabermos o que dizer uma à outra e de não correr muito bem por causa disso, mas foi precisamente o contrário. Ela é mesmo muito simpática, e eu senti-me imediatamente à vontade com ela, coisa que, comigo, não é muito normal acontecer. Falei com ela como se já a conhecesse há algum tempo e como se já nos tivéssemos encontrado antes. Foi estranho, mas no bom sentido. Só foi pena não termos tido muito tempo, mas espero que nos voltemos a encontrar numa próxima. Gostei muito daquele bocadinho.
Para além da companhia dela, fui feliz a comer um éclair muito, muito delicioso.
Segui, depois, para a foz. O dia ficou espectacular, com sol e céu azul, e só isso já é motivo para sorrir. Mas, para além disso, senti-me feliz a caminhar lentamente por aquela avenida e a parar para observar o mar. Sentei-me, de vez em quando, numas rochas, a olhar para o mar durante tanto tempo, a ver as ondas formarem-se e destruírem-se logo de seguida. Enquanto isso, recebia o calor do sol e sentia o cheiro a mar, que estava tão intenso e, por isso, tão bom. Numa dessas vezes, perdi um bocado a noção do tempo e nem sei quantos minutos ali passei, sentada numa rocha a olhar para o mar feita "parva".
E, claro, não pude ir-me embora sem tomar qualquer coisa numa esplanada à beira-mar, especialmente com um tempo tão convidativo. Bebi o melhor cappuccino da minha vida até hoje, que, para além de bem servido, vinha com um toque de chocolate fantástico. Levei um livro comigo e deixei-me ficar ali a ler, ao sol e com o som da rebentação como pano de fundo.
Fui igualmente feliz a ouvir música nos transportes públicos e enquanto caminhava de regresso à residencial onde estou hospedada. Como é óbvio. E, entretanto, começou a tocar a Good To Be Alive dos Skillet, que é uma das músicas que mais ânimo me dá, dada a mensagem que transmite. É-me impossível ouvi-la sem ficar de bem com a vida.

13/09/2015

Mais de 1000 razões para ser feliz #9

 O Porto. O Porto faz-me feliz. Especialmente agora, que já não estou na condição de estudante.
Acordar cedo e ver o dia a render bastante por causa deste simples gesto. Ouvir música enquanto ando na rua ou nos transportes públicos e ter vontade de cantar. Andar nas compras feita louca e encontrar coisas fofinhas para o frio que se aproxima. Apaixonar-me ainda mais por feiras do livro. Lanchar nos cafés com as melhores gordices. Caminhar e caminhar até ficar cheia de dores, a absorver todos os pormenores circundantes e com a máquina fotográfica em punho, qual turista. Admirar-me com a quantidade de locais que ainda desconheço. Encontrar colegas por mero acaso e passar um excelente bocado pelo NOS D'Bandada, andando feitos parvos de um lado para o outro à procura do concerto perfeito, mas acabando por ficar apenas cinco minutos em cada um. E terminar com figuras meias tristes num bar com música dos anos oitenta. Ser capaz de passar horas a admirar uma paisagem. As ruas com música. Os edifícios e os monumentos carregados de História. As esplanadas e os jardins. A descontracção que sinto ao passear por tudo quanto é sítio, e a fantástica sensação de ser uma anónima numa grande cidade e de não ter preocupações. 
Estes últimos dias têm sido assim, e têm-me sabido pela vida.

26/06/2015

Presa na ilha

As pessoas parecem pensar que estou a gozar quando digo que gostava de ir ao Porto quando acabar o estágio. Dizem que posso enviar a tese e o relatório por correio e perguntam-me onde é que ia passar as noites - e eu digo que fico numa pensão qualquer. Sim, realmente posso enviar as coisas por correio, mas isto de entregar as coisas é apenas um pretexto, porque o que eu preciso mesmo é de sair daqui por um bocadinho. Gosto de aqui estar, como é óbvio, mas passei três anos e meio entre cá e lá. E três anos e meio é algum tempo. Habituei-me a ter o meu espaço e a sair de casa para onde bem me apetecesse, sem dar satisfações a ninguém. É disso que sinto falta. Mudar de ares é quase uma necessidade, devido a ter-me habituado tanto a estar longe. Mas, por outro lado, tenho noção de que a nossa situação financeira não é a melhor, neste momento.
E não vou ao Vagos. Por causa do estúpido casamento. Resta-me rezar para que a próxima edição tenha um melhor cartaz, com mais bandas de que gosto.
Não vou ao Vagos, nem, muito provavelmente, ao Porto. Não vou fazer férias para lado nenhum. Vou passar mais meses aqui, no mesmo pedaço de terra, com o eterno clima incerto, os péssimos festivais de Verão e os lugares que já conheço de trás para a frente e que estou farta de visitar. Salva-se a viagem a Amesterdão no início de Setembro. O que, verdade seja dita, pode vir a ser um grande inconveniente, e isto por causa do exame de licenciatura, também conhecido como dia da defesa. 
A minha data ainda não está marcada, mas nem sei o que seria pior: se defender só para finais de Setembro ou inícios de Outubro, deixando-me algum tempinho para descansar, ou se logo no final de Agosto, de forma a seguir para os Países Baixos completamente descansadinha da vida e felicíssima por ter terminado o curso. Nem sequer sei se o final de Agosto é uma altura possível, uma vez que corresponde a férias para muita gente, embora a orientadora tenha dito que sim, que era possível, caso entregasse os trabalhos na época normal, em vez de na de recurso. Mas o meu primeiro pensamento teve a ver com o facto de finais de Agosto ser demasiado cedo, o que obrigar-me-ia a pôr mãos à obra o quanto antes. Ainda assim, a ideia de ir viajar sem aquela preocupação é demasiado tentadora. Estou a contar entregar tudo na época normal, uma vez que as coisas estão praticamente prontas. E, independentemente da minha data de defesa, o certo é que terei mesmo que ir ao Porto por causa disso, e aí sim, poderei aproveitar para passar lá uns dias. Aí, já ninguém me poderá impedir, porque terá mesmo que ser. Que chatice.
Mas, até lá, ficarei prisioneira da ilha. Acho que vou reservar a praia e os banhos de mar para manhãs esporádicas em que o tempo esteja óptimo, já que passei a preferir ir à praia de manhã, de modo a aproveitar as tardes para outras coisas. Acho que vou voltar a sair de casa só para ler debaixo das árvores num jardim ou para ir comer um gelado a uma esplanada. Espero fazer muitos piqueniques e churrascadas em família. Vou apostar em passeios pela natureza, não com o intuito estúpido de fazer exercício e andar rapidamente, mas sim para demorar-me a apreciar a paisagem, mesmo que isso implique ficar para trás. E deliciar-me com longas sessões de escrita debaixo do guarda-sol. Se vierem dias maus, nem vou reclamar, pois até no Verão sabe bem um dia no sofá com um filme giro ou com um bom livro como companhia. Posso ficar prisioneira da ilha, mas não vou deixar que isto me estrague as férias. Até porque tenho que passar parte delas a trabalhar na maldita defesa...

05/05/2015

Chega-te, Julho

O lado bom de quererem que a minha tese e relatório de estágio fiquem prontos no fim de Junho, é poder entrar em "modo férias" mais cedo. Mesmo que, depois disso, ainda me restem uns diazinhos como estagiária, já não vou precisar de pensar nestes trabalhos de casa, que tanto tempo me têm roubado. Vão estar despachados bem cedo, pelo que vou poder entregá-los igualmente cedo, assim que o estágio terminar. E entregá-los significa ir ao Porto - okay, não exactamente, pois podia enviá-los por correio -, algo pelo qual estou ansiosa, uma vez que, durante os últimos dias em que lá estive, nem consegui aproveitá-los bem por terem sido tão atribulados e por ter estado naquela obrigação de arrumar todas as minhas coisas e entregar o apartamento. E, sejamos sinceros, entregando as coisas pessoalmente, tenho logo a garantia de que foram mesmo entregues - desculpa esfarrapada... E estar de férias e passear naquela cidade, sem pensar em nada, é das melhores coisas que há. Estou mesmo a precisar de algo deste género, e é por isso que estou inquieta pelo mês de Julho. O estágio acaba, já vou ter as minhas coisinhas feitas e prontas a serem entregues - quando a maioria dos meus colegas vai andar stressada à volta das suas - e vou, se tudo correr bem, respirar novos ares. A tese continua a dar-me algumas dores de cabeça - especialmente agora, em que sei que vou ultrapassar o número máximo de páginas e vou ter que andar a cortar coisas -, já ando cansada de passar os fins-de-semana a trabalhar nela e entristece-me saber que os próximos vão ser passados da mesma forma, mas, ver as coisas pela outra perspectiva de vir a dar férias tão cedo tem-me dado bastante motivação.

20/10/2014

Uma questão de hábito

Hoje, umas colegas comentaram que, ultimamente, quando vão passar uns dias a casa, costumam fartar-se com facilidade e desejar rapidamente o seu espaço, por já se terem habituado a viver sozinhas. Eu sinto o mesmo. Por muito bom que seja voltar a casa, passados uns dias já começo a desesperar pelo meu espaço e por um tempinho sozinha. Começo a cansar-me das vozes e do barulho - especialmente se são discussões parvas entre a minha mãe e a minha irmã -, do facto de a minha avó aparecer várias vezes por dia na minha casa, das perguntas da minha mãe acerca do que será o jantar para o dia seguinte, do ter que limpar a casa-de-banho todos os dias porque o gato suja-a todos os dias, das insistências do meu pai em querer combinar os típicos jantares da treta comigo e com a minha irmã, entre outras coisas. Mas, seja como for, há dias em que algumas destas coisas dão saudades, especialmente naqueles dias horrorosos em que fico condenada a ficar em casa sem ver um único ser humano ao vivo e a cores. Felizmente, as saudades ainda não bateram à porta este semestre. Por enquanto sinto-me bem.
Sim, quando não existem saudades, sinto-me bem. Distraio-me com a rotina, e gosto de ter o meu espaço, as minhas coisas, de me sentir responsável. Sabe-me bem não ter horários - exceptuando os das aulas, obviamente - e poder fazer o que me apetecer, quando me apetecer. É uma questão de hábito. Quando se tem isto, uma pessoa já não quer outra coisa - pelo menos falo por mim.
Mas às vezes tenho uma espécie de receio de me habituar demasiado a isto, a estar longe de toda a gente. Especialmente em relação ao meu namorado. Nós já andámos nestas andanças - de estarmos longe um do outro por estudarmos em cidades diferentes, separadas por quase trezentos quilómetros - há uns quatro anos, pelo que, sim, já estamos habituados a que assim seja. Mas parece-me que este ano vai ser mais complicado que os anteriores. É o último ano de ambos. Só nesta pequena frase dá para perceber a dificuldade: a faculdade vai sufocar-nos. Para além de que não vamos ter férias coincidentes, à excepção das do Natal - que são sempre umas férias de m*rda, no meu caso - e das do Verão, que ainda vão muito, muito longe. Já não nos vemos há mais de um mês devido às coisas que temos tido que fazer, e mais coisas virão nos próximos tempos, como não podia deixar de ser.
Mais uma vez, o facto de estar distraída com a rotina, ter coisas para fazer e seminários a que assistir nas próximas semanas faz com que esteja bem. E ele também parece estar bem, também lá ocupado com as suas coisas. Mas lá está...às vezes, tenho medo que fiquemos demasiado habituados a estarmos longe um do outro. Tão habituados que, enfim, acabemos por perder aquela vontade de estarmos juntos. Que acabemos por nos conformar com isto. É estúpido, porque já estamos nisto há tanto tempo e eu não duvido do que ele sente por mim, mas às vezes penso nisso, especialmente naqueles dias em que não acontece nada e não temos nada de novo para contar um ao outro, o que resulta em conversas demasiado curtas, que me fazem pensar em parvoíces do género Se agora já falamos tão pouco, como será daqui a uns anos?.
Claro que, quando estamos juntos, tudo muda. Nestas alturas, não me vêm estes pensamentos estúpidos, e aproveitamos todo o tempo que temos para estarmos juntos. Mesmo que não façamos nada.
Nem sei bem por que escrevi isto. Parece parvo. Talvez porque, enfim, vejo tanta gente com os seus namorados, a passar tempo com eles e a combinarem coisas juntos, enquanto eu estou para aqui, sozinha. Mas estou bem. Só que, às vezes, gostava de poder estar com ele todos os dias, nem que fosse só por cinco minutos.

23/09/2014

Do Outono

Tinha pensado em publicar, hoje, algo que nada tem a ver com a entrada na nova estação, mas, dada a quantidade de posts acerca do Outono que estão a invadir a minha lista de leitura, não quero deixar, também, de dar a minha opinião sobre ele. Isto porque toda a gente fala maravilhas sobre ele, e eu, como sou quase sempre do contra, sinto-me no direito de manchar a bonita imagem que toda a gente parece ter desta altura do ano. 
O Outono é irritante. É solitário. As publicações que leio, nesta altura do Outono/Inverno, chegam a ser como que tóxicas, e é por causa desta toxicidade da blogosfera que eu, muitas vezes, fico sem a mínima vontade de cá pôr os pés. Sei perfeitamente que cada um escreve o que bem lhe apetece, mas quem escreve não tem noção do quanto as suas palavras são capazes de magoar seja quem for - nem eu própria tenho noção disso, é verdade. Magoar não me parece ser a palavra certa, mas...enfim, a ver se me faço entender - e que ninguém leve isto a peito; era o que mais faltava.
O Outono e o Inverno são épocas horríveis para mim devido à quantidade de obrigações e de responsabilidades que trazem consigo e à solidão e à tristeza inevitáveis que despertam em mim. Os meus dias resumem-se a ir às aulas, chegar a uma casa onde ninguém está à minha espera e onde se estão nas tintas para mim, estudar, fazer trabalhos ou qualquer outra coisa que seja necessária, ter frio, ficar toda encharcada por andar à chuva, morrer de saudades de casa à medida que o Natal se aproxima, falar com as pessoas que deixei para trás apenas através do telefone e ficar totalmente entregue a mim mesma. Já me habituei a isto - quer dizer, mais ou menos...no fundo, acho que nunca vou chegar a habituar-me completamente -, mas é irritante, por vezes, chegar à blogo e ler aqueles posts fofinhos e típicos do Outono/Inverno. As tardes no sofá a ver séries, os miminhos do namorado numa noite fria, as compras de Natal com a mãe, e tudo o mais que se possa imaginar. Chamem-lhe inveja, não quero saber. Só gostava de ter tudo isto também; ter todas estas coisas de volta. Mas, por enquanto, não posso. Estou por minha conta. E é por isso que não gosto desta altura do ano. Demasiado solitária - uma solidão que dói -, para além de tão trabalhosa, que chega a sufocar-me e a levar-me a extremos.
Salvam-se as roupas giras desta época, os chás e as duas/três horas antes de ir dormir em que posso, finalmente, recostar-me e perder-me no mundo das séries ou dos livros. Estas horinhas conseguem ser a melhor parte dos meus dias de Outono/Inverno, porque, de resto, é sempre a mesma rotina - sufocante, solitária, doentia. Que, infelizmente, só pode ser quebrada muito, muito esporadicamente.
É por isso que a minha estação favorita é o Verão, pois é com ele que tudo isto desaparece.

13/09/2014

Facto #22

O que mais me chateia em relação a regressar à cidade académica é saber que tenho que voltar a viver com aquelas duas gajas. Estava tudo tão bem antes de a segunda ter aparecido. Pelo menos é só durante mais um semestre - daí não valer a pena andar a procurar um apartamento novo. Ando ansiosa por me ver livre delas. Enervam-me. Provavelmente por não terem nada a ver comigo ou com as pessoas com quem mais convivo. Não estou nada habituada a lidar e a viver com gente assim.

25/02/2014

Precisa-se: espaço


Quando volto para cá e começo a desfazer a mala, a primeira coisa em que reparo é que cada vez tenho menos espaço para guardar as minhas roupas. Vir de tão longe para aqui ficar meses seguidos sem ir a casa obriga-me a ter aqui roupa para todas as estações, e isto sem contar com o calçado, os lenços, os cachecóis, os pijamas, os casacos e tudo o resto. O roupeiro que aqui tenho já não dá para nada. Já ando a dizer que, quando tiver a minha própria casa, vou ter que ter um quarto de vestir. É uma coisa mesmo gira e que deixa a roupa toda organizadinha... Mas, antes disso, se calhar devia começar a pensar em vender peças de roupa que já não uso. Só não sei quem é que poderia querer peças tão desactualizadas e um tanto ou quanto infantis...

21/02/2014

Da culinária


Os meus professores e muitos dos meus colegas dão imensa importância ao acto de cozinhar, mais concretamente à relação entre o curso e o acto de cozinhar. Fico um pouco a apanhar moscas quando falam nisso, inclusive a pensar onde raio me fui meter. Para além de não estarmos num curso de cozinha, achei que o facto de se saber cozinhar fosse somente uma mais-valia acessória, e não algo tão importante assim. Ontem, numa aula, a professora dizia que quem tem mais aptidões culinárias controla melhor aquilo que come, ou seja, faz melhores escolhas alimentares, e, como tal, uma melhor alimentação, o que, como sabemos, se traduz num índice de massa corporal dentro do normal e uma menor incidência de problemas que podem advir de uma alimentação desequilibrada. Mas não creio que a relação seja assim tão linear. Por exemplo, há quem faça excelentes cozinhados mas que opta sempre por pão branco em vez de integral. Assim como há quem não cozinhe e prefira o pão integral, como é o meu caso.
Mas isto das aptidões culinárias levanta uma outra questão, que a professora também focou. Afinal, o que é "ter aptidão"? Melhor dizendo, o que é "saber cozinhar"? A pergunta Sabes cozinhar? é uma às quais não sei responder ao certo, pois isso do "saber" dá muito pano para mangas. Será saber fazer pratos todos xpto? Inventar novos pratos? Saber conjugar alimentos? Limitarmo-nos a seguir uma receita à letra? Ou simplesmente transformar um produto cru em algo comestível, nem que seja uma coisa tão simples como estrelar um ovo?
Só comecei a pegar em tachos e a ligar um fogão quando entrei para a universidade. Antes disso, tinha quem cozinhasse por mim. Nunca tive interesse em aprender, e as pessoas não chegavam ao pé de mim a perguntar-me se queria lições de cozinha. Tive apenas uma pequena fase em que comecei a interessar-me, mas foi passageira e não cheguei a aprender nada. Como, na altura, cozinhar não era algo imprescindível, pois faziam-no por mim, deixei o assunto de parte.
Mas nem agora ganhei interesse. Não tenho tempo para isso, nem paciência. Sim, estudo fora de casa e não cozinho, grande coisa. Trago sempre uma grande mala térmica com comida da mamã já congelada. Apenas cozo arroz ou massa para acompanhar. Às vezes frito uns bifes ou faço uns ovos mexidos. E pronto, nada mais. Quando o congelador fica vazio, passo a ir buscar o jantar ao take-away, ou adopto uma "dieta" à base de douradinhos, massa com atum, tostas com ovos mexidos ou o que quer que seja, desde que seja rápido, fácil, cómodo e que não me obrigue a comprar muita coisa.
Uma das razões para não ter paciência para cozinhados é precisamente esta parte do comprar os ingredientes. Não estou para ir quase todos os dias às compras, ir buscar dezenas de ingredientes para uma só refeição, cozinhar apenas para mim e deixar aquilo que sobrou dos ingredientes a apodrecer. Para além de que não tenho assim tanto espaço para poder arrumar tudo, nem tempo para isso - okay, por vezes posso até ter tempo, mas prefiro gastá-lo noutras coisas, ora. Mas isto é apenas por agora, enquanto estudo. Tenho a certeza de que, quando acabar o curso, as coisas vão mudar. Não em termos de interesse pela culinária, mas em termos de refeições. No entanto, continuo a dizer que quero uma Bimby. Tenho colegas que abominam a Bimby, vai-se lá perceber porquê. Aquilo faz comida na mesma, não faz? Então, pronto. E ainda poupa tempo e esforço. É mesmo uma das melhores coisas que poderiam ter inventado para quem não tem paciência nenhuma para passar horas numa cozinha. Até porque eu só gosto do que vem a seguir, que é a parte do comer. Vá, às vezes ajudo a minha mãe com o jantar, mas isso não é algo propriamente divertido.
Quanto à parte do saber cozinhar ser importante para o nosso futuro profissional, bem, temos pena. Hei-de ter (espero eu) um trabalho onde não seja preciso aplicar os pouquíssimos conhecimentos culinários que possuo.

17/01/2014

Wanderlust


Viver numa ilha é como viver num mundo à parte. No Verão, tem as suas vantagens - como referi *neste post* -, e é por isso que passei a considerar que a minha terra natal só é boa para se passar férias. Já estou tão habituada àquilo, que uma semana dá para ir a praticamente todos os lugares de maior interesse e dá para fazer diversas coisas. Passada essa semana, já se tornou tudo igual. Já não há mais nada para fazer.
Digo que parece um mundo à parte porque, uma vez tudo visto, está feito, não há mais nada para ver nem mais lugares para onde ir. Se quisermos ir a outro lugar, é ver-nos a pagar mais de cem euros por uma viagem de avião, mesmo que seja para outra ilha. E sim, isto de se pagar um preço tão absurdo para sair de uma ilha é também coisa de outro mundo e só contribui mais para o nosso isolamento.
É por estas razões que adoro o continente. Há sempre lugares para descobrir; há sempre uma cidade ou uma terriola que não conhecemos e que, mesmo parecendo não ter interesse nenhum, pode vir a surpreender-nos. E podemos sair daqui e ir para outro país com grande facilidade. Seja de carro, de comboio ou até numa viagem de avião baratíssima (a comparar com aquilo que eu tenho sempre que pagar para sair daquela ilha).
Só tenho imensa pena de não o poder fazer. Ora por falta de tempo, ora por falta de dinheiro, ora por falta de companhia.
Como acabei de entrar de férias, não me importaria mesmo nada de ficar aqui mais uns dias antes de me enfiar novamente naquele pedaço de terra rodeado por mar. Ficaria por aqui a conhecer cidades das redondezas e a passear mais um pouco aqui pelo Porto, armada em turista. Mas lá está: apesar de já estar habituadíssima a fazer mil e uma coisas sozinha, ir para uma cidade desconhecida por minha conta é algo para o qual ainda não adquiri coragem suficiente. Porque, quer dizer, não tem nada a ver com ir até à baixa ou ir a um concerto sozinha. Aqui no Porto eu desenrasco-me, mas, numa cidade onde nunca pus os pés, aí já é complicado.
Acho que não tiro partido nenhum da minha estadia aqui no continente por causa disso, por, mal entrar de férias, ir logo para casa fazer mais do mesmo e ver o que já estou farta de ver, seja por falta de dinheiro para andar a fazer viagens a partir daqui, seja por falta de companhia. Não sei de onde apareceu de repente esta minha ânsia de viajar e de conhecer novos lugares, mas penso que isso surgiu porque sempre vivi num lugar isolado, que não me dava oportunidade de ir mais longe. Agora que estou num lugar a partir do qual posso ir para tantos outros, a minha vontade é só a de aproveitar a oportunidade. Porque isto pode acabar. Não falta muito para terminar o curso...e, se ficar a trabalhar na minha terra natal, puff, adeus passeios para os arredores e aventuras a baixo preço, olá terrinha isolada que não passa do mesmo e bilhetes de avião acima de cem euros. Mas, aqui entre nós, estou a fazer figas para que isto não aconteça. Não me interpretem mal; adoro a minha terra. Mas já passei dezanove anos confinada àquele lugar. O mundo é demasiado grande para ser reduzido a um pedaço de terra em pleno Atlântico.

10/01/2014

Logo agora que já me estava a habituar


Em princípio, vou ter mais uma colega de casa. Não gosto disto. A cozinha vai ficar com ainda mais falta de espaço, e, sendo ela uma conhecida da outra que já aqui vive, só posso esperar ainda mais barulheira. Estou a ver que o bendito "estágio" das duas não tem fim, ou que já acabou e as gajas estão a trabalhar, pelo que agora nunca mais me livro da que já cá está. Que seca. Não era nada disto que tinha em mente quando me falavam em partilhar casa na faculdade. Realmente, só deve ser divertido quando se divide casa com pessoas conhecidas. Porque, assim, são só chatices, faltas de respeito e cada uma no seu canto - o que às vezes acaba por ser bom, pois também gosto do meu canto, mas, se é para isto, preferia viver sozinha do que com raparigas que nem conheço e que têm os comportamentos que têm, mesmo sabendo que partilham casa com outras pessoas. Para além de só me sentir verdadeiramente à vontade quando estou fechada no quarto ou quando tenho a casa só para mim aos fins-de-semana, não consigo ser eu própria com pessoas que não conheço e fico sem vontade nenhuma de criar laços. Adoro morar aqui porque tenho um quarto espectacular e estou numa zona que tem tudo à porta, mas, às vezes, penso em como teria sido melhor se tivesse encontrado outro lugar, com melhores pessoas, ou se eu e umas colegas tivéssemos conseguido arranjar uma casa para todas, como pensámos algumas vezes no primeiro ano.
Ou em como teria sido melhor se a gaja que aqui vive nunca tivesse aparecido.

08/12/2013

Facto #11


Detesto quando alguém fica com a cara toda franzida quando começo a falar, como quem diz Ai que não percebo nada do que esta gaja está a dizer. Sei que tenho um sotaque diferente, mas, caraças, não é nada imperceptível - até faço um esforço para falar mais devagar, de modo a que me entendam melhor. E ver a pessoa com a cara toda franzida, como se visse mal e estivesse a tentar focar algum objecto, ou como se não ouvisse bem, ou até como se eu estivesse a falar num dialecto que ninguém percebe, dá-me logo vontade de dizer Esquece e virar costas. Nem sei se essas pessoas se apercebem de que o fazem, mas passam logo a imagem de ser uma daquelas do tipo não-me-toques e com uma certa mania de superioridade porque elas é que sabem falar "bem". E, para pessoas dessas, não tenho paciência.

22/10/2013

Palavra-chave: sobrevivência


Esta é a minha rotina. Sobreviver é a palavra-chave. Aturar as aulas, interagir com os colegas quando a situação o exige, passar as tardes livres e os fins-de-semana a fazer os trabalhos que são pedidos ou a resumir a matéria para ser mais fácil estudar para os exames... Enfim, todos os dias giram em torno da faculdade. Da sobrevivência à faculdade. A noite passou a tornar-se na minha altura favorita, pois são aquelas poucas horas que me permitem desligar o cérebro e fazer o que bem me apetece para espairecer e descansar depois de mais um dia de sobrevivência e de obrigações.
E isto, de estar apenas a sobreviver, a ver os dias a passar e a ocupá-los com coisas da faculdade, sem poder aproveitar a minha estadia aqui e sem poder fazer praticamente nada daquilo que quero, acaba por me cansar. É nestas alturas que me dá vontade de dizer um grande Que se f*da à faculdade.
Gostava de não levar isto tão a sério. De me descontrair mais, de passear mais. De pensar menos nestas coisas e de ser um bocadinho menos responsável. Gostava de viver mais. Será tão difícil assim? A faculdade parece sugar-me a vida e impedir-me de me desligar um bocado destes assuntos. Quase não tenho tempo para mim e nem aos fins-de-semana descanso. Há tantos sítios por descobrir e tantas cidades aqui perto por explorar, e eu fico sempre confinada ao mesmo lugar. Tudo isto me entristece, por vezes. Deixa-me a pensar que não estou a aproveitar o facto de estar longe de casa e que não estou a criar memórias quase nenhumas. Não me quero lembrar destes quatro anos como os mais penosos de sempre em que não fazia muito mais para além de estar focada na faculdade. Mas a verdade é que é mesmo isto que acontece: estes anos estão a ser penosos, apesar de já me terem proporcionado algumas memórias inesquecíveis. E são penosos porque pouco faço para além de sobreviver, porque saio poucas vezes da rotina e porque raramente deixo o coração ganhar à razão.
Entrei numa fase de Que se lixe. A vida é muito mais do que uma porcaria de um curso. Vou ausentar-me por uns dias, e, nesses dias, vou fugir da rotina, encher a cabeça com outras coisas, explorar, conhecer, viver um pouco. Conto tudo quando regressar. Até lá, esperem por mim.

26/09/2013

Setembro tem de bom...

...o regresso de séries.
Em breve, voltam os meus serões a ver Glee, Grey's Anatomy e Once Upon a Time
E não há nada melhor para descomprimir.

16/09/2013

Primeiro dia


Ainda nem estou cá há vinte e quatro horas e tenho passado o tempo com uma vontade quase incontrolável de me esvair em lágrimas. Quando é que isto se tornou tão difícil? Parece que voltei aos primeiros dias da faculdade, em que ainda estava no curso antigo do qual acabei por desistir. Acho que não me sentia tão triste e sozinha desde essa altura. Detesto isto. Odeio a faculdade.

Despedidas


Despedir-me custa sempre tanto. Principalmente despedir-me dele, pois despeço-me com incerteza, sem saber quando o voltarei a ver. Mas não é só. Despedir-me dele significa despedir-me dos abraços apertados, dos carinhos que me fazem sentir tão valorizada, das conversas cara-a-cara, dos programas a dois. Na maior parte das vezes, é-me difícil conter uma lágrima. Custa-me tanto estar aqui sem ninguém assim tão especial, sem ninguém que se mostre interessado em estar na minha companhia, sem ninguém com quem partilhar os fins-de-semana, sem ninguém à minha espera quando chego a casa, para conversar ou desabafar depois de um dia mau.
Os primeiros dias custam sempre tanto. E já vou nisto há mais de dois anos. Devia estar habituada, mas não dá. Há dias que se passam bem, mas outros que são totalmente horríveis e solitários. Não me apetece mesmo nada passar por tudo isto outra vez. Estou tão farta, e acabei de chegar, à espera de começar um novo ano, mais um doloroso ano. Quando é que a porcaria desta faculdade acaba?