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23/12/2016

Christmas? Not really in the mood...

Já gostei mais do Natal. Pela primeira vez, nem me parece que é Natal e nem vontade tenho de celebrar. E isto por estar tudo tão diferente, por tudo ter mudado para pior. Mudou tudo desde a perda da minha avó. Desde aí, parece que todas as festas de família se tornaram vazias, sem graça e, até, parece que são um sacrifício para mim. E o Natal é como se fosse "a gota de água". Porque, enfim, é aquela festa de família. E, ultimamente, estar com a minha família tem sido algo sufocante. Ando cansada, farta de tudo e de todos. Com vontade de desaparecer e de estar o mínimo de tempo possível com esta gente.
O Natal, antes, significava matar saudades de casa e da família. Voltar para casa e voltar a ver a família eram coisas que me deixavam tão feliz... Até mesmo antes disso já me sentia feliz. Quando começava a ver os anúncios de Natal na televisão ou algumas decorações natalícias aqui e ali, já começava a ficar feliz. Significava que já não faltava muito para voltar a casa e àquele conforto e para voltar a ver e a estar com as pessoas de quem mais gostava...
Agora, já não há nada para o que voltar. Já não há saudades. Só há uma família que pareceu tornar-se irritante com o passar do tempo e uma casa para a qual não me dá vontade de voltar depois de um dia de trabalho e na qual não me apetece estar quando não estou a trabalhar. Tudo mudou desde que a minha avó deixou de estar entre nós. Tudo mudou desde que eu regressei a este lugar...
É o segundo Natal que passo nestas condições, mas não deixa de ser menos penoso que o Natal passado. Este ano, o meu espírito natalício andou abaixo de zero e não tenho qualquer vontade de celebrar. Mal podia, sequer, ouvir falar em Natal. Pela primeira vez, o Natal bem que podia passar-me ao lado.

06/11/2015

Já falam no Natal?

Na minha cidade, já há luzes de Natal. No outro dia, vi que também já havia a característica árvore, disposta no mesmo local de sempre. Pensei que só quisessem ter o trabalho adiantado e que só acenderiam as luzes no início de Dezembro, como é habitual. Mas ouvi dizer que a iluminação de Natal será inaugurada esta noite. E que até músicas de Natal começaram a passar hoje nas ruas. Para além disso, esta semana apanhei anúncios de Natal na televisão. Fiquei parva. Qualquer dia começam a passar anúncios e a inaugurar iluminações no dia das bruxas, por este andar.
Eu adoro o Natal. É uma das minhas alturas favoritas do ano. Mas, este ano, nem me lembro que está a aproximar-se. Melhor dizendo, eu este ano mal sei a quantas ando - ainda no outro dia tive que escrever a data para assinar um papel e quase escrevi Outubro. Custa a crer que o Natal esteja próximo e que o ano esteja quase no fim, se bem que acho que ainda é demasiado cedo para se andar a espalhar espírito natalício.
Quer dizer, sinceramente nem sei se será demasiado cedo ou se sou eu que não sei se vou ter grande espírito natalício este ano, dadas as circunstâncias. Penso que, se fosse noutro ano qualquer, já estaria a vibrar com tudo isto, ansiosa que o Natal chegasse. Este ano, não me sinto assim. Até tenho "medo" de como o Natal vai ser. "Medo" no sentido de ter as expectativas muito baixas e de mal me sentir feliz e tranquila quando chegar a altura, contrariamente ao que acontecia nos outros anos todos.

21/10/2015

Um escape

A minha casa tornou-se mais triste desde que a minha avó partiu. Ela era uma das "almas" das festas de família, gostava de organizar estas coisas. Vinha até minha casa para conversar, e nós passávamos pela dela antes de subirmos para a nossa, também para conversar e trocar novidades.
Chorei a poucas horas do jantar do meu aniversário. Vejo o meu avô a tornar-se cada vez mais dependente e a "definhar-se" cada vez mais. A família está como que dividida entre aqueles que se importam com ele e que cuidam dele e entre os que pouco se importam e que vivem as suas vidinhas como se nada fosse. Nem os almoços de família, que continuamos a fazer todos os domingos, têm sido a mesma coisa - pelo contrário. Entristece-me pensar em como será o Natal daqui para a frente, já que ela vibrava com aquilo e fazíamos o jantar no dia vinte e cinco na casa dela, sempre. Estava toda contente no final do ano passado, por saber que aquele seria o último Natal que passaria a estudar para exames e que os próximos já seriam melhores. Melhores...o tanas.
Para além de contribuírem para a minha formação, as idas ao Porto tornam-se num escape a tudo isto. Muitas das vezes, o que me apetece fazer é mesmo isto: fugir, sair daqui, esquecer como tudo isto se tornou tão triste e em como poderá vir a ser. Sei que não posso fugir para sempre. Mas, sinceramente, já são poucas as coisas que me prendem aqui. É por isso que não me importo de ir ao Porto aos fins-de-semana e que acho que não me importaria de fazer um estágio noutra ilha ou de viver noutro lugar. Esta nova rotina daqui de casa e este novo ambiente cansam-me e sufocam-me, por vezes, de tão tristes.

12/10/2015

Do fim-de-semana

Foi este fim-de-semana que começou o tal curso em que me inscrevi. Estava entusiasmada, porque, recentemente, comecei a adquirir gosto por esta área, e isto graças ao tema da minha tese, que vem a ser relacionado com isso. E, de facto, o primeiro dia do curso foi muito bom e gostei bastante. Falaram, inclusive, acerca de conceitos que eu abordei na minha tese, pelo que não era algo totalmente novo para mim e senti-me inteligente naquela sala por causa disso.
Foi, no entanto, estranho despedir-me da minha mãe na noite de quinta-feira. Comecei a sentir-me um pouco mal por ir passar aquele e os próximos fins-de-semana longe dela, logo nos dias em que ela não trabalha e em que podíamos passar mais tempo juntas. Mas depois pensei que teremos imensos fins-de-semana para estarmos juntas, não só quando o curso acabar, mas também quando eu própria trabalhar também. Senti-me igualmente mal por fazê-la gastar tanto dinheiro comigo por causa de tudo isto - o curso, o alojamento e etc. Ela diz que isto é para a minha formação e não para estar a brincar e que, por isso mesmo, não devia sentir-me mal. Eu cá continuo a achar que lhe vou "oferecer" o meu primeiro ordenado, só para ajustarmos contas. Falei-lhe sobre isso. Ela disse que eu não estava boa da cabeça.
Houve outras coisas estranhas neste fim-de-semana. Regressar à faculdade, por exemplo, depois de ter terminado a licenciatura. Voltar a ter uma espécie de aulas. Nunca pensei que tais coisas viessem a acontecer. Estava quase a chegar à faculdade e a pensar Quem diria que ia voltar cá. E quem diria que ia encontrar áreas de interesse e que me entusiasmassem dentro da nutrição. Quem diria que acabaria por ganhar gosto por isto.
Durante a viagem de regresso a casa, ouvi música e senti-me feliz. Feliz por ter tido esta oportunidade, feliz com as escolhas que fiz, feliz com a vida que levo, feliz por ter novos planos, feliz com a pessoa que sou. Foi algo que também não deixou de ser estranho.

11/09/2015

Onze de Setembro: o dia D

A data de hoje remete, imediatamente, para o acontecimento trágico de há catorze anos atrás. No entanto, para mim, o onze de Setembro sempre teve mais um significado: o aniversário de casamento dos meus avós. Por isso, quando marcaram a minha defesa para o onze de Setembro, não pensei no facto de ser uma data que marca um terrível acontecimento. Pensei, pelo contrário, que tinha tudo para correr bem. Mesmo que a minha avó já não esteja entre nós, por vezes continuo a referir-me a ela no presente, e disse mesmo que o onze de Setembro é o dia em que fazem anos de casados, e não era. Para além disso, uma vez que Setembro é o nono mês do ano, a soma de onze com nove é vinte - vinte valores. Por isso, sim, achei que tinham escolhido uma boa data.
Não terminei com vinte valores, até porque isto seria pedir muito, mas sim com dois valores a menos. De hoje em diante, esta data passará, ainda, a ter um terceiro significado: o dia em que me licenciei em Ciências da Nutrição pela mui nobre Universidade do Porto, com dezoito valores. Parece que foi ontem que entrei naquela faculdade pela primeira vez, e é tão estranho constatar como estes quatro anos passaram tão rápido.
Sempre pensei que, quando este dia chegasse, iria telefonar à minha avó logo depois de saber a nota, com a certeza de que ela faria uma festa ainda maior do que aquela que fazia habitualmente quando sabia alguma nota de um exame meu. Feliz ou infelizmente - neste caso é um claro infelizmente -, o futuro nunca é como esperamos.
Ainda há pouco tempo, a minha mãe reparou numa pulseira vermelha que eu estava a usar, e disse-me que a minha avó costumava dizer que devíamos, todos os dias, usar qualquer coisa vermelha. Não me soube dizer o porquê; talvez nem a minha avó lho tivesse dito. Mas lembrei-me disso e usei essa mesma pulseira hoje durante a defesa. Não sei bem se acredito em amuletos da sorte, mas que deu sorte, deu. E tenho a certeza de que a minha avó passou toda a minha defesa a olhar por mim.
Não, não me esqueci de falar da viagem a Amesterdão! Farei isso quando puder.

15/08/2015

So there's this bitch...

Ainda há pouco tempo vi uma fotografia antiga dos meus pais. Achei que estavam tão giros naquela foto. E felizes. Pensei em como teria sido bom se as coisas se tivessem mantido assim. Isto é, se não tivesse aparecido uma cabra para estragar tudo. Já lá vão uns dez anos, talvez, mas é-me praticamente impossível não pensar nisto - em como tudo seria melhor se ela não existisse - de vez em quando.
A parte boa é que é raríssimo o dia em que a vejo, tanto que, às vezes, chego a esquecer-me de que existe. No entanto, quando acontece encontrá-la, ver a sua cara de sonsa é suficiente para me estragar o dia. E pior do que ver a sua cara de sonsa é ter que a aturar quando decide abrir a boca. É que a cabra não tem moral alguma para falar, e muito menos tem o direito de falar daquilo que não sabe ou como se fosse a dona de tudo. Eu ignoro-a sempre, e a atitude dela costuma ser tão baixa e tão reles, que nem me dou ao trabalho de lhe responder, já que isso seria descer ao seu nível. Nunca tive qualquer interesse em conhecê-la, e não é agora que o vou ter, até porque, quanto mais tempo passa, mais a detesto. Porque, quer dizer, ela destruiu a minha família. Vou ser simpática com esse tipo de gente? Só para agradar ao meu pai? Nunca. Eu nunca o consegui perdoar até hoje - é claro que ele continua a ser meu pai e que continuamos a falar um com o outro e a fazer coisas juntos, mas nunca lhe perdoarei o facto de ter deixado a minha mãe por causa de uma cabra reles -, daí que nunca simpatizarei com a causadora de tudo isto. Ela pode chamar-nos, a mim e à minha irmã, de tudo o que quiser e dizer, nas nossas costas ou mesmo à nossa frente, tudo o que quiser, que nós estamos a borrifar-nos completamente.
Nunca irei perceber que raio passou pela cabeça do meu pai para trair-nos desta maneira. Nem consigo perceber como é que o amor entre duas pessoas pode desaparecer assim de repente. Compreendo que a rotina pode ser capaz de "apagar a chama", mas essas duas pessoas, ao verem que tal está a acontecer, não deviam fazer alguma coisa para dar a volta à situação e voltar a "reacender a chama"? E a amizade entre elas não devia permanecer, mantê-las unidas e manter as coisas minimamente estáveis?
Não percebo. E tudo isto revolta-me. 
Tenho tentado manter as energias negativas longe daqui, mas, ontem, passei-me um pouco e tive que vir aqui despejar.

11/08/2015

"Lá fora é que é"

O meu pai adora empurrar-nos para o estrangeiro. Enquanto estive na faculdade, falou várias vezes sobre o Eramus, mas isso foi algo no qual nunca tive grande interesse. Quer dizer, mais ou menos. Quando ouvia as pessoas a falarem sobre a sua experiência, ficava, às vezes, com um certo bichinho. Mas, passado um bocado, já tinha esquecido o assunto e pensava Nah, deixa-me estar aqui quietinha. É que uma das coisas que fez com que não quisesse fazer Erasmus foi o facto de ir para outro país por minha conta, sozinha. Nunca me senti completamente integrada num sítio, e pensava que, se não me integrara na minha faculdade, também não me iria integrar noutro país, ainda para mais tendo em conta que o pessoal de Erasmus parece viver para as festas e para a bebedeira, coisa que faria com que me sentisse uma outsider, como habitualmente. Depois ainda havia a questão do procurar casa, da língua e das despesas - nunca percebi se davam bolsa, mas, mesmo que o fizessem, a bolsa não dura para sempre, e eu já estava a dar demasiada despesa à minha mãe (especialmente) por estar longe de casa. Para além disso, eu até considerava que estava a fazer uma espécie de Erasmus, já que saíra de uma ilha para ir para o Porto e só ia a casa e via a família quando estava de férias.
Hoje, o meu pai voltou a puxar o assunto Erasmus, desta vez direccionado à minha irmã, já que agora foi ela começou a faculdade e é agora ela que o pode fazer. Lá mandou a boquinha de me ter dito isso imensas vezes e de que eu nunca tinha concorrido, como se tal fosse uma experiência imperdível que certamente me enriqueceria enquanto estudante, mas a verdade é que, se fosse algo que eu quisesse mesmo ter feito, então teria feito, e não deixaria que a barreira do ir-sozinha-e-não-me-integrar me travasse.
Mas lá por eu estar prestes a acabar a licenciatura e a deixar de ser estudante, não quer dizer que ele não possa continuar a empurrar-me. O facto de eu ter dupla nacionalidade faz com que ele insista imenso nesse assunto: que vá para fora, que faça uma especialização ou pós-graduação ou lá como se chama, ou mesmo que faça um estágio. É claro que eu, quando começar a trabalhar, quero marcar pela diferença e destacar-me dos meus colegas de profissão por fazer algo inovador. Acho que é o que qualquer um quer, aliás. O meu pai falou-me, hoje, sobre isso, tal como outras pessoas já mo disseram. De tal maneira que a coisa já me entrou na cabeça. A questão é sempre como o hei-de conseguir.
Pois o meu pai lá me deu uma boa ideia - e ele raramente tem boas ideias. Mas só o facto de ir para fora completamente sozinha - aproveitando a dupla nacionalidade, claro, que ele tanto gosta - é demasiado assustador para mim.
Não deixo de reconhecer que poderia ser uma experiência fantástica, tal como foi a minha experiência enquanto estudante deslocada no Porto, para o qual também fui sozinha e no qual não precisei de me sentir integrada para o adorar. Mas, mesmo assim, não deixa de ser assustador. Seria como ir para outro mundo. Dar-me-ia conhecimentos tão diferentes e regressaria com uma nova visão acerca das coisas, mas não deixa de ser assustador.
Seja como for, por enquanto só consigo pensar em ter a minha licenciatura e em fazer parte da Ordem. As pessoas adoram pôr as carroças à frente dos bois, mas eu nunca gostei de pensar no futuro mais distante, nem nunca fui boa a fazer planos a longo prazo.

04/05/2015

Precisávamos de ir todos à bruxa...

Primeiro, perco a minha avó. Depois, uma das minhas tias começa como que a entrar em depressão por causa disso. Depois, outra das minhas tias fica com o seu problema de coluna agravado e mal se consegue mexer devido às dores. Depois, foi a minha irmã que apanhou uma boa gripe. Depois, foi a tão desejada viagem que foi cancelada. Agora, é a minha mãe que anda com umas tonturas estranhas, com falta de apetite há mais de um mês e sem se sentir em condições de ir trabalhar. Se isto não é mau olhado, então juro que não sei o que é. É que nada corre bem, e, caraças, estou tão farta de só ver m*rdas a acontecerem connosco.

25/02/2015

Avó

Há algumas coisas que é melhor iniciar do que recusar, mesmo que o fim possa ser triste.
in O Senhor dos Anéis: As Duas Torres

Eu vivo num primeiro andar. E ela vivia no rés-do-chão, numa casa mesmo por baixo da minha. Eu não tinha aquela coisa do dia de fazer a visita à avó. Ela estava mesmo ali, e eu via-a todos os dias. Bastava descer as escadas, que ela estava sempre disponível para o que quer que fosse, só para nos ver felizes, nos fazer sentir bem e garantir que não nos faltava nada. E, mesmo que não descesse as escadas, ela acabava por subi-las. Subia-as a cantarolar sempre a mesma canção, vinha trazer o pão e o jornal e ficava um pouco para dois dedos de conversa.
Quando eu não estava cá, ela telefonava-me de vez em quando e ficava sempre toda contente depois de cada telefonema, mesmo que não falássemos sobre nada de especial. Ficava igualmente contente quando lhe dizia as minhas notas dos exames. Orgulhava-se. Parecia contar os dias para o meu próximo regresso, pois, de todas as vezes que falávamos ao telefone, dizia-me quantas semanas faltavam para eu voltar. E, sempre que voltava, fosse a que horas fosse, lá estava ela, acordada à minha espera atrás da janela, enrolada no seu robe vermelho. Todos os domingos, almoçávamos lá em casa, e ela tinha o cuidado de preparar pratos que eu não costumava comer lá fora e que ela sabia que eu adorava: o seu arroz de marisco divinal e as melhores cavalas assadas do mundo.
Enchia-me de orgulho ver que, a um passo dos oitenta, ela continuava a fazer a sua vida normal e que não era como tantas outras da sua idade. Andava sempre bem-disposta, cheia de vida, disposta a viver por muito mais tempo. Não era uma senhora doente, a arrastar-se pelos cantos sem forças para nada e à espera de morrer. Era precisamente o contrário. Ela só queria mais anos de vida, e foi por isso que se submeteu a uma operação ao coração, para a qual foi cheia de confiança e felicíssima. Porque pensava que tudo ia correr bem e que ia ficar a "chatear-nos" durante mais anos. Todos nós pensávamos que tudo ia correr bem.
Não me lembro de alguma vez ter chorado tanto. Tinha tido um mau pressentimento devido ao facto de a operação ter sido adiada tantas vezes; parecia um mau sinal. Achei que lhe devia ter dito que saísse daquele hospital enquanto pudesse, por causa daquele meu mau pressentimento. Senti-me tão triste por ter sido logo agora; logo agora que estava prestes a voltar para casa de vez, prestes a passar mais tempo com ela depois de tantos meses entre cá e lá. Senti tanta repulsa pelos médicos, que, em vez de salvarem vidas, parece que só são capazes de as destruir, por gostarem de brincar ao "corte e costura". Senti repulsa pelo Deus a quem ela tanto rezava e no qual depositava tanta fé e tanta esperança, por não lhe ter dado a força que ela tanto queria e por ter decidido que o melhor seria levá-la. Se é que este Deus realmente existe. Seja como for, não deixou de ser irónico. Ela só queria mais anos de vida. E isso levou-a. Muita gente é da opinião de que, se ela não tivesse sido operada, as coisas podiam ter corrido mal de qualquer maneira, e ela acabaria por nos deixar na mesma. Mas eu sei lá. Eu pensava que, agora que estava prestes a regressar, iríamos continuar com os nossos almoços aos domingos e que eu iria parar em casa dela todos os dias depois do estágio, para lhe contar como tinha sido o meu dia. Pensava que lhe ia telefonar logo a seguir à defesa da tese, para lhe dizer qual tinha sido a minha nota. Ou que estaria lá em qualquer outro momento importante, ou mesmo em simples reuniões de família. Pensava que ela iria continuar presente por mais tempo e que tudo permanecesse igual. Mas nada vai ser como era. A sua presença era qualquer coisa, e é tão difícil traduzir, por palavras, a ligação que estabelecia com todos nós. Agora, sempre que vou a sua casa, acho-a demasiado vazia, mas, mesmo passado um mês desde que nos deixou, fico sempre com a estranha (e estúpida) sensação de que ela ainda vai voltar, como se se tivesse, simplesmente, ausentado. Às vezes, ainda penso que vai subir as escadas, a cantarolar a mesma canção de sempre, para vir conversar um pouco. Faz tanta falta, demasiada falta.
Orgulhava-me olhar para ela. Ver que a idade pouco lhe afectava; que continuava a conduzir, a ir fazer as suas compras, a organizar jantares de família, a arranjar-se. Era das senhoras mais vaidosas e bem arranjadas que conheci. Proporcionou-me muito, muito boas recordações. Andava sempre alegre e a irradiar boa-disposição, cheia de vontade de viver. Mostrou-me que o verdadeiro amor existe, por ter passado quase uma vida inteira ao lado da mesma pessoa. Admirava a sua garra, a sua força e o modo como abraçava a vida. E é assim que vou sempre recordar a minha avó 

PS: Obrigada a quem me deixou mensagens de força. Força foi algo do qual precisei bastante.

24/01/2015

Resiliência

re·si·li·ên·ci·a
substantivo feminino

1. [Física] Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.

2. [Figurado] Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Costumo reerguer-me ou curar-me das situações por mim mesma. Basta-me um tempo, em que a solidão e o silêncio são aliados fulcrais. Basta-me distrair-me com o que quer que seja depois desse tempo; pensar noutras coisas que me façam esquecer o assunto. Basta-me estar sozinha, portanto. Prefiro estar sozinha. Não sou grande fã de grupos. Costumam meter ainda mais o dedo na ferida; indo um elemento abaixo, arrastam todos os outros consigo.
Mas toda a gente parece achar que é fundamental estar-se acompanhado numa situação em que é necessário ser-se resiliente. Eu cá acho que só piora tudo. Mas o tempo o dirá.
PS: Vou afastar-me daqui por uns dias. 

11/11/2014

E que ninguém me tire a boa disposição

Vou ter a companhia da mãe e da mana durante os próximos dias. 
Já não estamos juntas desde o final do Verão. Vai ser mesmo bom.
Até daqui a uns dias, blogo.

31/10/2014

Do dia das bruxas: o antes e o agora

Não sei se aqui no continente - forma como o pessoal das ilhas se refere a Portugal continental - existe alguma tradição para este dia, mas, no meu bairro - ou melhor, no bairro em que sempre vivi e no qual agora só vivo em períodos de férias -, há, desde que me lembro, o costume de se ir bater às portas dos vizinhos para pedir doces. Toda a gente naquele bairro sabe que a história se repete todos os anos, pelo que já têm uns rebuçados ou uns chocolates separados para quando lhes baterem à porta, embora alguns - poucos deles - optassem sempre por não abrir a porta. Eu fazia isso quando era miúda, o ir de porta em porta com algum adereço típico do dia das bruxas - normalmente um chapéu de bruxa. Tinha a sua piada, e até o facto de, alguns anos mais tarde, acompanhar os meus primos mais novos, juntamente com a minha irmã e o meu primo mais velho, teve, igualmente, a sua piada. Acho que isto, até, teve ainda mais piada do que quando éramos nós três a pedir doces.
Antes disso, contudo, havia sempre jantar de família, uma vez que celebrávamos um aniversário, e éramos constantemente interrompidos por grupos de miúdos que batiam à nossa porta a pedir doces. Ficámos habituados a isso. Mas, com o passar dos anos, não pude deixar de reparar que os grupos de miúdos eram cada vez mais pequenos e que cada vez vinham menos miúdos. Hoje, penso que isto ainda se mantém, mas devem ser muito poucos os que o fazem.
Durante todos estes anos, os meus dias das bruxas foram sempre passados desta forma. Nunca fui a uma festa de Halloween ou assim, mas não me queixo, apesar de tudo. Era um dia normal, um dia em que mais uma pessoa da família fazia anos e em que havia mais um jantar com comidinha boa, mas que tinha a parte engraçada de se percorrer o bairro na calmaria da noite, em que era raro o ano em que não acontecia um episódio mais caricato para me rir e mais tarde recordar.
É por estar tão habituada a passar o dia das bruxas desta maneira, que não me vejo a passá-lo de outra. Agora, não estando em casa nesta altura do ano, teria liberdade para ir a festas de Halloween e outras coisas que tais, mas, verdade seja dita, eu não sou pessoa de festas, pelo que passo um dia ainda mais normal do que aquele que passaria na minha terra. Se bem que um jantar de família até calhava bem, agora...
Tinha pensado em (re)ver a fofura de filme que é o The Nightmare Before Christmas, mas, uma vez que estou com uma ligeira dor de cabeça e que tive uma semana de doidos em que acordei todos os dias antes das sete - excepto na quarta-feira -, sinto-me tentada a embrulhar-me num sono longo e reparador.

20/10/2014

Uma questão de hábito

Hoje, umas colegas comentaram que, ultimamente, quando vão passar uns dias a casa, costumam fartar-se com facilidade e desejar rapidamente o seu espaço, por já se terem habituado a viver sozinhas. Eu sinto o mesmo. Por muito bom que seja voltar a casa, passados uns dias já começo a desesperar pelo meu espaço e por um tempinho sozinha. Começo a cansar-me das vozes e do barulho - especialmente se são discussões parvas entre a minha mãe e a minha irmã -, do facto de a minha avó aparecer várias vezes por dia na minha casa, das perguntas da minha mãe acerca do que será o jantar para o dia seguinte, do ter que limpar a casa-de-banho todos os dias porque o gato suja-a todos os dias, das insistências do meu pai em querer combinar os típicos jantares da treta comigo e com a minha irmã, entre outras coisas. Mas, seja como for, há dias em que algumas destas coisas dão saudades, especialmente naqueles dias horrorosos em que fico condenada a ficar em casa sem ver um único ser humano ao vivo e a cores. Felizmente, as saudades ainda não bateram à porta este semestre. Por enquanto sinto-me bem.
Sim, quando não existem saudades, sinto-me bem. Distraio-me com a rotina, e gosto de ter o meu espaço, as minhas coisas, de me sentir responsável. Sabe-me bem não ter horários - exceptuando os das aulas, obviamente - e poder fazer o que me apetecer, quando me apetecer. É uma questão de hábito. Quando se tem isto, uma pessoa já não quer outra coisa - pelo menos falo por mim.
Mas às vezes tenho uma espécie de receio de me habituar demasiado a isto, a estar longe de toda a gente. Especialmente em relação ao meu namorado. Nós já andámos nestas andanças - de estarmos longe um do outro por estudarmos em cidades diferentes, separadas por quase trezentos quilómetros - há uns quatro anos, pelo que, sim, já estamos habituados a que assim seja. Mas parece-me que este ano vai ser mais complicado que os anteriores. É o último ano de ambos. Só nesta pequena frase dá para perceber a dificuldade: a faculdade vai sufocar-nos. Para além de que não vamos ter férias coincidentes, à excepção das do Natal - que são sempre umas férias de m*rda, no meu caso - e das do Verão, que ainda vão muito, muito longe. Já não nos vemos há mais de um mês devido às coisas que temos tido que fazer, e mais coisas virão nos próximos tempos, como não podia deixar de ser.
Mais uma vez, o facto de estar distraída com a rotina, ter coisas para fazer e seminários a que assistir nas próximas semanas faz com que esteja bem. E ele também parece estar bem, também lá ocupado com as suas coisas. Mas lá está...às vezes, tenho medo que fiquemos demasiado habituados a estarmos longe um do outro. Tão habituados que, enfim, acabemos por perder aquela vontade de estarmos juntos. Que acabemos por nos conformar com isto. É estúpido, porque já estamos nisto há tanto tempo e eu não duvido do que ele sente por mim, mas às vezes penso nisso, especialmente naqueles dias em que não acontece nada e não temos nada de novo para contar um ao outro, o que resulta em conversas demasiado curtas, que me fazem pensar em parvoíces do género Se agora já falamos tão pouco, como será daqui a uns anos?.
Claro que, quando estamos juntos, tudo muda. Nestas alturas, não me vêm estes pensamentos estúpidos, e aproveitamos todo o tempo que temos para estarmos juntos. Mesmo que não façamos nada.
Nem sei bem por que escrevi isto. Parece parvo. Talvez porque, enfim, vejo tanta gente com os seus namorados, a passar tempo com eles e a combinarem coisas juntos, enquanto eu estou para aqui, sozinha. Mas estou bem. Só que, às vezes, gostava de poder estar com ele todos os dias, nem que fosse só por cinco minutos.

24/09/2014

O passo seguinte

Uma pessoa ainda nem acabou a licenciatura e já tem que ouvir toda a gente a insistir na ideia do mestrado.
Já tinha manifestado *aqui* o meu desinteresse pelo segundo ciclo de estudos. Já dei estas razões a toda a gente que resolve chatear-me por causa disso. Mas parece que é sempre o mesmo que nada. Porque não se cansam de me dizer que, hoje, uma licenciatura é o básico e não chega e não serve para nada. Também não se cansam de me dizer que, sem o mestrado, vou ser ultrapassada pelos outros e que eu devia tirá-lo logo depois da licenciatura, porque já estou com a "pedalada" e, se ficar parada por uns tempos, vai ser muito pior recuperar o ritmo. E, claro, não se cansam de me dar exemplos, como a fulana que vai ser obrigada a tirar o mestrado à força para poder manter o emprego ou coisa assim. Inclusive, as minhas razões para não querer fazer um mestrado não parecem ser nada válidas, pois aquilo que me dizem a seguir é sempre o mesmo: São só mais dois anos. Vais ter uma vida inteira para trabalharSim, está bem. E, até lá, hei-de continuar a levar esta vidinha de que tanto gosto. Quem disse que a vida de estudante era boa deve ter batido com a cabeça nalgum lado.
É fácil falar, claro; não são eles que vão ter que passar por isto. Enerva-me toda esta insistência, principalmente por não haver uma única alma a dar-me razão e por eu própria saber que não se vão calar até que eu anuncie que vou tirar um mestrado. Só sabem dizer que é o melhor e que é necessário. Mas então e eu? Não conseguem perceber o quanto isto é desgastante, o quanto já estou cansada? Ou o quanto estou inquieta por começar a ganhar o meu próprio dinheiro, ter uma casa minha, viajar, não ter aquela obrigação de estudar assim que chego a casa? Não, claro que não. Não percebo quando é que os meus familiares passaram a exigir tanto de toda a gente. Parece que toda a gente tem que ser perfeita.
Sei perfeitamente que vão continuar a martelar-me a cabeça, e não sei se foi por causa desta espécie de pressão que comecei a ponderar outra hipótese.
A hipótese de tirar outro curso foi algo que descartei já há uns tempos, mas que, agora, não pára de surgir. Aliás, o que surge não é a hipótese de tirar outro curso qualquer, mas sim a de tentar tirar aquele que quis, aquele que era a minha primeira opção. Se o fizesse, bem que podia esquecer, finalmente, o mestrado - e sei que ia parar de ouvir toda a gente a dizer que o devia fazer. Mas, por outro lado, duvido muito que tenha "pedalada" para isso.
Acho que tudo vai depender do estágio. Se gostar, óptimo. Se não, tento a minha sorte - ou conformo-me, que é o que faço sempre. Quer dizer, eu nem sei se o passo seguinte vai realmente depender do estágio. Acho que, no fundo, o facto de não ter entrado na minha primeira opção vai ficar-me sempre atravessado.

20/05/2014

Mestrado? Não me parece

Não sei o que deu de repente à minha mãe para começar a dizer-me que eu devia tirar um mestrado.
Estou, neste momento, no terceiro ano de uma licenciatura de quatro anos, e nunca pus a hipótese de ir para mestrado a seguir. Simplesmente por não ter vontade.
Já quando estava no secundário, nunca houve aquela enorme vontade de ir para a universidade. Há imensa gente - até quem está a ler isto pode, muito provavelmente, fazer parte deste grupo - que diz/dizia que adorava ir para a universidade tirar determinado curso e tal, mas eu, que, até, sempre fui das melhores alunas de todas as minhas turmas, nunca tive esse desejo. Meti-me na universidade "porque sim", porque era assim que devia ser, porque, depois da escola, vai-se para a universidade e não se fala mais nisso.
Depois da universidade, vem o emprego, e, se antes achava que isto seria uma dor de cabeça e o fim da boa vida, nos últimos tempos tenho vindo a achar o contrário. Estar a trabalhar é que me parece ser "a boa vida". É que só o facto de não ter que ouvir palestras - a.k.a. aulas - e de não ter que estudar dias a fio para os malditos exames é simplesmente maravilhoso. Libertador.
Por isso, cada vez mais vejo-me inquieta por acabar de estudar, arranjar um emprego, começar a ganhar o meu dinheiro e ser, finalmente, independente.
Mas os meus familiares parecem decididos a arruinar a minha fantasia. Por causa do raio do mestrado.
E dizem Mas são só mais dois anos a estudar. Falar é muito fácil, quando não são eles que passam pela situação. Cada ano traz consigo as infernais épocas de exames, as "férias" de Natal mais horríveis de sempre, passadas quase inteiramente a estudar de pijama enquanto toda a gente está feliz e relaxada por ser Natal, os fins-de-semana desperdiçados à volta de estudo e/ou de trabalhos, enfim. A vida de um estudante pode ser considerada boa porque tem imensos períodos de férias, mas é só isto. De resto, é uma treta. Ainda para mais, ouço dizer que os mestrados têm muitos trabalhos de investigação, e eu, para isso, tenho pouca ou nenhuma paciência.
Encaminharam-me para a universidade porque assim teve que ser, não por inteira vontade minha. Agora, querem manter-me presa na universidade porque também assim tem que ser. Quer dizer, parece que querem que passe a vida a fazer aquilo que eles querem.
Para além de que um mestrado, na minha opinião, é mais útil para quem gosta mesmo da coisa, para quem é tipo apaixonado pela coisa e só quer saber mais e mais sobre aquilo. Eu nem sequer entrei na minha primeira opção, e, mesmo que isto tenha o seu quê de interessante, acho que seria preciso um milagre ou fazer um estágio do qual venha a gostar mesmo, mesmo, meeeesmo muito para depois dizer Sim! Eu adoro isto e quero adquirir todos os conhecimentos que puder sobre isto!.
Não estou interessada num mestrado por um motivo muito simples: estou f-a-r-t-a de estudar. Já lá vão muitos anos nisto, e acho que já chega. Quero poder ser independente e passar algum tempo de qualidade sem pensar que tenho que estudar ou fazer um trabalho, ao invés de ver o tempo a passar e ver-me sem nada meu - sem dinheiro meu e sem uma casa minha, por exemplo. Sempre considerei que os vintes fossem uma espécie de auge na vida humana, e desperdiçar este auge com a universidade parece-me terrivelmente errado.
Não me parece que tudo isto seja difícil de entender, mas ninguém percebe. Para além do argumento do Mas são só mais dois anos a estudar, a minha mãe ainda acha que eu não quero fazer o mestrado para poder acabar a licenciatura ao mesmo tempo que o meu namorado acaba o seu mestrado. Quando, na verdade, isto nem sequer se coloca. Quer dizer, nós até já estamos habituados a estar longe um do outro durante os tempos de aulas... E, quando lhe digo que não é nada disso, ela, simplesmente, não acredita em mim. Vai-se lá perceber porquê, a minha mãe não acredita no que lhe digo. Eu percebo que ela esteja a fazer o seu papel de me tentar orientar e dizer o que é melhor, mas, às vezes, o melhor para uma pessoa não é aquilo que seria melhor para as outras.

24/04/2014

Mais umas férias à porta...


Esta semana já acabou; a próxima é também curtinha, e, na outra a seguir, posso dizer que estou novamente de férias - não há aulas por causa da Queima das Fitas, evento de cujo género não sou propriamente fã. Como tal, tinha pensado em ir a casa nessa semana, já que, nas férias da Páscoa, não fui para lá para poder ir a Lisboa. E ainda bem que o fiz, porque ir a casa é sempre mais do mesmo.
Sim, é verdade. Voltar a casa é algo que já perdeu a piada toda. Apenas na altura do Natal fico com maior vontade de regressar, uma vez que o primeiro semestre é sempre muito comprido e sem interrupções, e também porque é Natal, ou seja, tempo em que as saudades da família apertam mais. Fora isso, o desejo de voltar já não é tão forte - okay, não é nada forte. Aqui, tenho a minha rotina e o meu espaço, enquanto, lá, sinto-me, às vezes, um bocado a leste. A minha mãe e irmã passam os dias nas suas próprias rotinas, enquanto eu sinto que estou ali a mais, por já não estar habituada àquele tipo de rotina. Por exemplo, por causa do nosso gato, tanto uma como a outra ficaram com o hábito de limpar a casa-de-banho - que o gato faz questão de sujar todos os santos dias - assim que chegam a casa. Depois, lá ouço a minha irmã dizer que limpou isto, isto e aquilo, enquanto eu não fiz nada o dia todo. Se eu aqui só limpo a casa-de-banho de duas em duas semanas, como é que vou mudar este hábito tão drasticamente a ponto de começar a limpar uma casa-de-banho todos os dias? T-o-d-o-s os dias? Não estou habituada a fazer isso; é normal que não o faça quando regresso a casa. Também estou habituada, por exemplo, a estender a roupa dentro de casa, enquanto, lá na minha terra natal, esta é estendida lá fora...e, quando chove e eu estou em casa completamente na boa, a minha mãe manda a boca de eu não ter ido buscar a roupa. Como é que é suposto lembrar-me que havia roupa estendida lá fora, quando eu, aqui, deixo a minha roupa estendida faça chuva ou faça sol?
É esse género de coisas que torna o regresso a casa tão estranho; é como se já não encaixasse ali, por ter acabado por criar outros hábitos. Para além de que parece que há uma certa "obrigação" de ter que rever algumas das pessoas que deixei para trás, embora nem sempre me apeteça. A isto, acresce ainda o facto de aquele lugar não passar do mesmo. Há pouquíssima escolha em termos de programas e de sítios para onde ir. E eu habituei-me a uma cidade onde há muito por onde escolher. De tal forma que fico espantada com as pessoas que vivem naquela ilha há décadas e décadas, algumas delas a sair apenas para umas férias...e dou por mim a perguntar: Como é que aguentam?.
Por outro lado, não conseguiria ficar aqui naquela semana. Ando mais farta das minhas colegas de casa a cada dia que passa, e delas só quero distância. Desde que todos os quartos ficaram ocupados, têm sido só chatices. Se tivesse um apartamento só para mim (quem me dera), penso que ficaria aqui na boa.
Portanto, não me apetece ficar aqui, mas também não tenho grande vontade de ir para casa. Sinceramente, não me importava de ir a Lisboa de novo, mas tenho que descartar essa hipótese. Irei a casa, nem que seja para mudar de ares novamente. Só não estou aos saltinhos de alegria. E nem sei o que vou fazer para lá. Mas pronto. Pode ser que, nos próximos dias, comece a ganhar algum entusiasmo. Nem que seja apenas no dia da partida. O aeroporto tem qualquer coisa de mágico lá dentro, pois só o facto de passar por aquelas portas faz com que me sinta instantaneamente contente.

07/04/2014

Click Click - directamente do coração


Para alguns bloggers, a rubrica Click Click dispensa apresentações. Mas, para quem não sabe, é algo que consiste em partilhar uma fotografia acerca de um determinado tema. Até agora, nunca participei, e a razão foi o facto de não ter nenhuma foto minimamente interessante acerca dos temas anteriores. O tema desta semana é Directamente do coração, e, portanto, algo relacionado com o amor, seja ele entre um casal, entre amigos, entre familiares ou o que quer que seja.

19/03/2014

Do dia do pai


Eu podia vir aqui escrever um texto todo sentimentalista sobre o meu pai e dizer, no fim, que é o melhor pai do mundo. Mas não o posso fazer, pois o meu pai está longe de ser o melhor. O meu pai sempre foi ausente, casado com o trabalho, chegando a haver dias em que nem sequer o via. Ausência esta que começou a ser cada vez mais frequente, a partir do momento em que passou a viajar em trabalho aos fins-de-semana, o que acabou por me deixar habituada ao facto de ele raramente estar por perto. O meu pai praticamente não me conhece, e, com ele, não tenho a mesma confiança e à-vontade que tenho com a minha mãe. O meu pai é uma pessoa com a qual não dá para contar, e depois quer que eu esteja sempre disponível para qualquer coisa. O meu pai parece que só se apercebeu que eu existia quando saiu de casa - "convenientemente", quando eu já estava crescidinha -, e parece agora achar que pode recuperar o tempo perdido. O meu pai parece esquecer-se que, embora eu viva com a minha mãe, não é só ela que tem que fazer tudo por mim - não tem que ser sempre ela a pagar todas as consultas às quais eu tenha que ir, não tem que ser apenas ela a pagar a renda do apartamento da cidade académica e a dar-me dinheiro para eu poder comer, nem tão-pouco devia ser ela a pagar as minhas propinas e as viagens de avião na íntegra, que antes eram a dividir pelos dois, mas que, de há uns tempos para cá e por um motivo que eu ainda não consegui entender, tem sido assim. E, apesar disso, está sempre pronto a ligar-me a mim ou à minha irmã para irmos comer fora. Parece que é apenas para isso que nos sabe telefonar, como se não tivesse grande responsabilidade sobre nós.
O pior de tudo é saber que sempre será assim. Que nunca terei uma família dita "normal", com uma figura paterna por perto, e que, mesmo quando já tiver a minha independência, terei que pensar em coisas do tipo Hoje vou estar com a minha mãe e amanhã com o meu pai, revezando-me como um objecto e sendo obrigada a estar com um em detrimento do outro, ou obrigada a cancelar determinados planos, passando sempre dois Natais diferentes e etc., em vez de apenas um, um com a família inteira. Gostava mesmo que ele tivesse sido diferente e que as coisas tivessem seguido outro rumo.

05/02/2014

Um aniversário diferente


Faço anos daqui a precisamente um mês, e, muito provavelmente, será a primeira vez que passo um aniversário sem a minha mãe. No meu vigésimo aniversário, ela e a minha irmã foram ter comigo ao Porto e passámos uns dias bem divertidos por lá; no ano passado, vim eu a casa. Havia sempre a hipótese de eu, este ano, fazer o mesmo, mas, caraças, pensem um bocadinho em mim: ando cada vez mais cansada destas viagens de avião, e estas tornam-se ainda mais cansativas quando sei que só vou ficar uns quatro ou cinco dias em casa, ainda para mais sabendo que é em altura de aulas e que, apesar de o aniversário ser meu, eu e a minha mãe teremos que cozinhar tudo para o jantar de anos e pôr a casa em condições para a família cá vir.
A minha mãe gostava de voltar ao Porto, mas isto é sempre complicado, não só por ela ter que faltar ao trabalho, como também por causa do preço das viagens - é absolutamente ridículo haverem viagens a diversos preços, sendo que as mais baratas são muito difíceis de encontrar, a não ser que sejam compradas com meses de antecedência. E eu gostava, claro, de ter a companhia dela e da minha irmã, principalmente para podermos passar vários dias a passear e para eu desanuviar das aulas. Mas, por causa do raio do preço das viagens, não estou a contar muito com isso. Vai ser tão estranho passar um aniversário sem a minha mãe, que sempre esteve presente neste dia... Até fiquei um bocadinho em baixo quando ela me disse Vai ser a primeira vez que não vou passar os teus anos contigo...se calhar vai ser a primeira vez de muitas. Custa tanto deixar pessoas que já estou tão habituada a ter por perto... Bem, pelo menos tenho o namorado para estar comigo no dia. Se não fosse isso, se calhar até me esquecia de que fazia anos, ou então aquele seria apenas um dia normalíssimo e não lhe daria importância nenhuma.
Apesar de tudo, já não acho muita piada ao meu aniversário. Faz-me ver que o tempo não pára, que passa depressa demais para o meu gosto.

10/11/2013

Lá se vai a surpresa


Quando falei com a minha mãe ontem, disse-lhe que estava a pensar em comprar uma máquina fotográfica. Pois, acho que me decidi. É uma coisa que dá sempre jeito e que fica quase para a vida, pelo que acho que será um bom investimento - apesar de continuar a pensar que podia comprar muita coisa com o dinheiro que vou dar por ela, mas pronto. E aí a minha mãe disse Não compres! Pode ser que o Pai Natal traga uma.
Obrigadinha, mãe. Assim já sei que vou receber uma máquina. Não estava nada à espera, já que ela, ainda no dia anterior, queixou-se do preço das roupas, do facto de simples camisolas de Inverno custarem sempre mais de vinte euros. E agora diz que pode ser que o Pai Natal traga uma máquina cujo preço equivale a umas três ou quatro camisolas. Uma coisa de que gosto do Natal é o factor surpresa, mas, assim, não tem graça. Enfim, vamos ver se, até lá, esqueço o assunto - muito improvável - e começo a pensar que vou ter surpresas na mesma, pois não faço a menor ideia daquilo que o meu namorado e restantes familiares me vão oferecer.
Bem, estava com a ideia de ir amanhã ver lojas durante a minha tarde livre - já não aguento estar fechada em casa; ninguém merece isto... -, com vista a procurar a câmara ideal. Sendo assim, parece que vou apenas dedicar-me a ver que roupas fofinhas este Inverno tem reservadas para nós.