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21/02/2016

Estudar vs Aprender

Quando vi esta imagem no 9GAG há umas semanas atrás, concordei logo com ela. Há uma diferença tão grande entre estudar e aprender, mas passei anos sem compreender isso. Só me apercebi disso no último semestre da licenciatura, quando andei a pesquisar e a ler artigos científicos para a tese. Foi algo que me deixou entusiasmada e fascinada. Não só por, ao lê-los, ter aprendido coisas novas e conceitos novos, mas também por ter conseguido estabelecer certas relações, por ter percebido como determinadas coisas funcionam. Depois disso, aventurei-me em duas formações, das quais fiquei apenas com impressões bastante positivas. Não sei se por terem sido temas que me agradassem, se por os temas serem-nos expostos de uma maneira tão apelativa e tão clara, se por não haver aquela típica pressão de ser obrigada a meter tudo aquilo na cabeça para posteriormente despejá-la num exame, ou se por todos estes motivos. O facto é que passei a adorar aprender, mas aprender desta forma. É tão diferente da faculdade; o ambiente parece bem mais descontraído e os formadores parecem fazer o que fazem por gosto. Na faculdade, era raro o professor que falava com o mesmo entusiasmo e que expunha a matéria de um modo tão apelativo. Era tudo tão maçador, e estudar era um sacrifício, não só devido às toneladas de matéria, mas também - e principalmente - devido à pressão de ter que enfiar estas mesmas toneladas na cabeça num curtíssimo período de tempo. Somente para espetá-las no exame e passar à cadeira. Para, no fim, quando se saísse da sala do exame, esquecermo-nos de praticamente tudo, já que a cabeça tinha que estar livre para as toneladas de matéria do exame seguinte. Um sistema de ensino fantástico, portanto - uma das razões pelas quais não me imagino a tirar um mestrado.
Percebi, ainda, que a faculdade dá-nos apenas as bases, e que há tanto por aprender e tanto por explorar para além dela, pelo menos na minha área. Com as formações que fiz, aprendi coisas que nunca abordara na faculdade e foram-me transmitidas ideias tão diferentes. Compreendi, também, a importância de estar sempre actualizada, de forma a fazer o melhor trabalho possível. Tudo está em constante mudança; hoje, posso ter uma determinada opinião acerca de um determinado alimento ou grupos de alimentos, mas, amanhã, posso já ter a opinião contrária. É algo que pode ser um tanto ou quanto assustador e que irá obrigar-me a estar sempre a par da evidência actual, mas não deixa de ser fascinante.
Só tenho pena de não poder fazer todas as formações nem assistir a todos os seminários que surgem e que me despertam interesse, uma vez que, para tal, teria sempre que me deslocar ao continente. É em alturas como estas que viver nas ilhas não dá jeitinho nenhum...

21/11/2015

Talvez seja uma possibilidade, afinal

Com o curso que estou a fazer agora - que, infelizmente, já está prestes a acabar, e com isto acabam também as minhas viagens à Invicta -, descobri como pode ser bom continuar a estudar. Ou melhor, como é bom aprender mais acerca de uma área do nosso interesse. As sessões têm sido bastante interessantes; vou para lá com vontade, farto-me de tirar notas e saio de lá satisfeita com aquilo que aprendi. Não senti tudo isto na licenciatura, talvez por a coisa ser muito mais "pesada" em termos de frequência de aulas, tempo dispensado dentro do edifício da faculdade e quantidade exagerada de matéria e de trabalhos, coisas que deixavam uma pessoa muito mais exausta e sem paciência para nada. Já as sessões deste pequeno curso são apenas uma vez por semana e durante pouco tempo. Muito mais suportável e mais "leve", para além de ser tudo muito interessante, pelo menos para mim - se não me interessasse pela área, nunca me teria inscrito.
Os mestrados também são assim, duas vezes por semana, embora mais tempo. Pelo menos, aqueles que estive a ver. Nem sei bem por que estive a ver alguns, uma vez que estou há anos a dizer que não quero meter-me nisso. Talvez por ter visto, realmente, que aprender e estudar algo do nosso interesse acaba por ser bom. 
Seja como for, pensava que seriam como uma licenciatura, com aulas de segunda a sexta. Mas saber o contrário deixou-me algo empolgada. O mais chato é que os mestrados trazem consigo as chatices das teses e das defesas, e eu não tenho a mínima paciência para passar por isso de novo, principalmente porque estas seriam de um nível muito mais exigente e rigoroso do que as de licenciatura. Por isso, as pós-graduações parecem ser o ideal para mim, por não terem estas chatices.
Tem graça que, quando terminei o secundário, não sabia para onde me virar, por achar que nada me interessava. Agora, parece que cada vez encontro mais coisas que me despertam interesse. Haja tempo e possibilidade para aprender acerca de todas...
Por isso, de momento, não excluí completamente a possibilidade de continuar a estudar, ainda que os mestrados continuem de parte. Parece que continuo a gostar de aprender. Só não gosto de ser forçada a decorar tudo aquilo que aprendo para que avaliem os meus conhecimentos depois, mas isto parece ser algo ao qual não se pode fugir. Pois, continuo a gostar de aprender, mas continuo a não gostar de estudar, no verdadeiro sentido da palavra - isto é, marrar e decorar. Apercebi-me, até, que já não tenho grande cabeça para isso. Isto porque no tal curso vamos ser submetidos a um pequeno teste, e eu canso-me rapidamente de ler as apresentações de Powerpoint das sessões. Os professores universitários deviam tirar um curso de "como fazer uma apresentação sucinta e apelativa sem repetir informações que nos obriguem a andar para trás e para a frente e com esquemas simples e bonitos que nos expliquem tudo de uma vez".

12/10/2015

Do fim-de-semana

Foi este fim-de-semana que começou o tal curso em que me inscrevi. Estava entusiasmada, porque, recentemente, comecei a adquirir gosto por esta área, e isto graças ao tema da minha tese, que vem a ser relacionado com isso. E, de facto, o primeiro dia do curso foi muito bom e gostei bastante. Falaram, inclusive, acerca de conceitos que eu abordei na minha tese, pelo que não era algo totalmente novo para mim e senti-me inteligente naquela sala por causa disso.
Foi, no entanto, estranho despedir-me da minha mãe na noite de quinta-feira. Comecei a sentir-me um pouco mal por ir passar aquele e os próximos fins-de-semana longe dela, logo nos dias em que ela não trabalha e em que podíamos passar mais tempo juntas. Mas depois pensei que teremos imensos fins-de-semana para estarmos juntas, não só quando o curso acabar, mas também quando eu própria trabalhar também. Senti-me igualmente mal por fazê-la gastar tanto dinheiro comigo por causa de tudo isto - o curso, o alojamento e etc. Ela diz que isto é para a minha formação e não para estar a brincar e que, por isso mesmo, não devia sentir-me mal. Eu cá continuo a achar que lhe vou "oferecer" o meu primeiro ordenado, só para ajustarmos contas. Falei-lhe sobre isso. Ela disse que eu não estava boa da cabeça.
Houve outras coisas estranhas neste fim-de-semana. Regressar à faculdade, por exemplo, depois de ter terminado a licenciatura. Voltar a ter uma espécie de aulas. Nunca pensei que tais coisas viessem a acontecer. Estava quase a chegar à faculdade e a pensar Quem diria que ia voltar cá. E quem diria que ia encontrar áreas de interesse e que me entusiasmassem dentro da nutrição. Quem diria que acabaria por ganhar gosto por isto.
Durante a viagem de regresso a casa, ouvi música e senti-me feliz. Feliz por ter tido esta oportunidade, feliz com as escolhas que fiz, feliz com a vida que levo, feliz por ter novos planos, feliz com a pessoa que sou. Foi algo que também não deixou de ser estranho.

11/09/2015

Onze de Setembro: o dia D

A data de hoje remete, imediatamente, para o acontecimento trágico de há catorze anos atrás. No entanto, para mim, o onze de Setembro sempre teve mais um significado: o aniversário de casamento dos meus avós. Por isso, quando marcaram a minha defesa para o onze de Setembro, não pensei no facto de ser uma data que marca um terrível acontecimento. Pensei, pelo contrário, que tinha tudo para correr bem. Mesmo que a minha avó já não esteja entre nós, por vezes continuo a referir-me a ela no presente, e disse mesmo que o onze de Setembro é o dia em que fazem anos de casados, e não era. Para além disso, uma vez que Setembro é o nono mês do ano, a soma de onze com nove é vinte - vinte valores. Por isso, sim, achei que tinham escolhido uma boa data.
Não terminei com vinte valores, até porque isto seria pedir muito, mas sim com dois valores a menos. De hoje em diante, esta data passará, ainda, a ter um terceiro significado: o dia em que me licenciei em Ciências da Nutrição pela mui nobre Universidade do Porto, com dezoito valores. Parece que foi ontem que entrei naquela faculdade pela primeira vez, e é tão estranho constatar como estes quatro anos passaram tão rápido.
Sempre pensei que, quando este dia chegasse, iria telefonar à minha avó logo depois de saber a nota, com a certeza de que ela faria uma festa ainda maior do que aquela que fazia habitualmente quando sabia alguma nota de um exame meu. Feliz ou infelizmente - neste caso é um claro infelizmente -, o futuro nunca é como esperamos.
Ainda há pouco tempo, a minha mãe reparou numa pulseira vermelha que eu estava a usar, e disse-me que a minha avó costumava dizer que devíamos, todos os dias, usar qualquer coisa vermelha. Não me soube dizer o porquê; talvez nem a minha avó lho tivesse dito. Mas lembrei-me disso e usei essa mesma pulseira hoje durante a defesa. Não sei bem se acredito em amuletos da sorte, mas que deu sorte, deu. E tenho a certeza de que a minha avó passou toda a minha defesa a olhar por mim.
Não, não me esqueci de falar da viagem a Amesterdão! Farei isso quando puder.

28/08/2015

Só um pequeno update...

Já falta pouco menos de duas semanas para estar despachada da defesa. Se, por um lado, o aproximar da data me deixa nervosa, estou, por outro, inquieta para ter isto feito e pelas férias que vou ter depois.
No que diz respeito à defesa, só treinei a apresentação completa apenas uma vez. Terminei com dez segundos a mais do tempo limite, e acho que vinte minutos é muito pouco tempo para uma apresentação deste tipo, pois acho que vai obrigar-me a falar depressa demais, e eu, quando apresento trabalhos depressa demais, fico com a sensação de que ninguém está a perceber o que estou a dizer. Fiquei com menos receio da minha arguente quando soube através de um colega que ela preocupa-se mais com a estrutura do trabalho do que com o próprio conteúdo, se bem que isto pode não acontecer com toda a gente. Uma colega perguntou-me se podia assistir à minha defesa, porque tem a mesma arguente do que eu e quer ver ao certo como é que ela é. Eu preferia não ter assistência, mas penso que não me importaria se alguém da minha família ou se o meu namorado assistisse. Mas lá tive que dizer à rapariga que não havia problema.
Na semana que vem, já vou estar em Amesterdão. Por enquanto, e curiosamente, não estou assim tãããoo ansiosa, talvez porque o Verão está a acabar de uma forma demasiado deprimente, com chuva e céu cinzento, e quero poder dar pelo menos mais um mergulho no mar antes de me ir embora. Ou talvez por causa da aproximação do dia D. A verdade é que esta última semana passou rápido demais, o que não devia ter acontecido, pois esta tem sido, de facto, a semana mais deprimente das minhas férias. Por causa do tempo, pois.
No entanto, pareço estar mais preocupada com a viagem do que com a defesa, pois até já andei a fazer uma listinha de coisas a fazer antes de ir e de coisas que não me posso esquecer de levar, ao passo que não voltei a treinar a apresentação completa da tese, por falta de paciência.
Mas estou particularmente ansiosa pelos dias que se seguirão à defesa. É que parece-me que vou ter umas férias bastante prolongadas, durante as quais há muita coisa que quero fazer - e espero conseguir fazê-las todas.

16/08/2015

Inveja...

...é aquilo que sinto quando sei que mais um colega defendeu a sua tese e já se licenciou.
Quem me dera ter também já tudo despachado...

03/08/2015

O dia D (de defesa)

Já está marcado. A poucos dias do regresso da viagem a Amesterdão, mas não há-de ser nada. Pelo menos não é logo no dia a seguir ao regresso, pelo que vou ter uns diazinhos pelo meio para descansar e rever todo o meu discurso de apresentação. Há que ver este lado positivo. Este, e o facto de que, depois da defesa, vou ficar no Porto durante uns diazinhos. E vai ser tão bom, já que estes dias vão ser como que umas férias merecidas em que não vou fazer mais nada para além de passear e de comer coisas boas.
Hoje comecei a fazer o PowerPoint, e acho que durante esta semana consigo terminá-lo. Depois, vai ser só treinar a apresentação. E vou treinar tanto, a ponto de já saber tudinho de cor e salteado antes de ir para Amesterdão. Só não gostei de quem escolheram para minha arguente, mas isso também não há-de ser nada.

27/07/2015

Mais leve

Uns dois dias depois de me ter vindo queixar da espera pela resposta da orientadora relativamente aos trabalhos, eis que me envia um e-mail com meia dúzia de sugestões de melhoria, que me apressei a escrever. Depois de mais algumas trocas de e-mails, finalmente as coisas ficaram perfeitas. Deu-me os parabéns e disse que tinha ficado tudo muito bem. Hoje já tratei de ir ao centro de cópias mandar imprimir e encadernar tudo, pelo que ainda esta semana as coisas já vão ser postas no correio. E sinto-me tão bem por ter menos uma coisa em que pensar! A época normal de entrega acaba hoje, pelo que só vou entregar os trabalhos na época de recurso, o que implicará defender mais tarde, mas até prefiro assim. Isto porque a orientadora vai estar de férias no final de Agosto, pelo que seria impossível defender nessa altura, que seria a altura ideal para mim, de forma a seguir para a viagem a Amesterdão completamente descansada. Por isso, agora vou fazer figas para que a defesa calhe só no final de Setembro ou lá para Outubro, para que tenha algum descanso entre isto e a viagem.
E eu bem queria dizer que agora sim, estou de férias, mas já me apercebi de que férias, no sentido de estar completamente relaxada e sem nada para fazer ou nada em que pensar, é algo que dificilmente vou ter este ano. Isto porque a próxima coisa a fazer é preparar o PowerPoint da defesa. Mas, chiu, vou deixar passar uns diazinhos e depois é que hei-de pensar nisso.

20/07/2015

Esperar é só das piores coisas...

A espera pela resposta da orientadora, no que diz respeito à tese e ao relatório de estágio, está a matar-me. Por este andar, estou a ver que já não entrego as coisas na época normal e que vou ter que entregá-las na de recurso, tal como quase toda a gente. O que não deixa de ser triste, por ter feito as coisas de maneira a ter tudo pronto o quanto antes. E agora, em vez de estar a stressar com a tese em si e com os retoques finais, como vejo que está a acontecer com alguns colegas - que parecem ter estado a dormir durante todo este tempo, mas isso já é problema deles -, estou a stressar à espera de uma resposta. O que também não deixa de ser triste. 
Estou a ver que, da maneira como a professora é picuinhas - razão pela qual a escolhi como orientadora -, é quase certo que vai mandar-me alterar ou corrigir coisas, e lá irei eu corrigir, e lá irei enviar os trabalhos outra vez, e lá irei desesperar pela resposta definitiva para, finalmente, imprimir as coisas e pô-las no correio. Por tudo isto, nunca na vida dará tempo de pôr os trabalhos no correio esta semana. Enfim. Ainda bem que existe uma época de recurso, porque, caso contrário, aí é que estaria a stressar, e bem. Resta-me continuar a esperar - e rezar para que não me peça para modificar muita coisa, porque, sinceramente, já ando um bocadinho cansada de estar constantemente a mexer numa coisa que, a meu ver e na opinião da orientadora de estágio, está óptima.
Entretanto, lá vou enchendo a cabeça com outras coisas e agindo como se estivesse realmente de férias, claro, mas, volta e meia, lá penso nisto.

17/07/2015

Estágio: a retrospectiva

Comecei o estágio sem grandes expectativas. Não sabia o que ia fazer, quanto mais o que queria fazer. Mas foi sempre assim ao longo do curso. Tantas possibilidades, algumas das quais descartei logo à partida por não me despertarem interesse...e eu sempre sem saber o que fazer. Isto é, para que área me debruçar; que área escolher para estagiar e para trabalhar no futuro. Em termos de local de estágio, um hospital era das últimas opções. Passei o curso quase todo a fugir da área clínica, não só por ser aquela a que todos associam um nutricionista e por ser a mais concorrida, mas também porque os meus professores assustavam-me com aquilo que diziam em relação à clínica. Que as pessoas podiam ter várias doenças ao mesmo tempo, que podiam tomar imensa medicação que influenciasse a alimentação de alguma forma, que podiam mentir em relação ao que andavam a comer, e por aí fora. E tudo isto fazia-me pensar: Isto deve ser horrível. Nunca vou conseguir fazer isto. De tal forma que comecei a fugir desta área. Mas depois veio a cadeira de dietoterapia, e eu achei piada à coisa. Ah, olha, afinal a clínica não parece ser assim tão má. Mas continuei sem saber para onde ir, até meter na cabeça que um hospital seria, realmente, a melhor opção. E isto porque dar-me-ia a oportunidade de contactar com diversas áreas. Só assim poderia saber aquilo de que gostava.
Mas não foi muito bom, no início. Nos primeiros dias, sim, pois tinha acabado de chegar e estava ainda a entrar no ritmo e a perceber como as coisas funcionavam, pelo que não era exigido muito de mim. Mas, depois, houve algumas fases menos boas, porque não estava com grande motivação por não perceber o que podia fazer ou o que queriam que fizesse, e elas perceberam-no, perceberam que eu não sabia o que queria e tive alturas em que me passei um bocado, inclusive um dia em que saí de lá com imensa vontade de chorar. Contudo, e por incrível que pareça, uma vez que achei que todo o estágio seria um sacrifício e que não ia correr nada bem, a coisa melhorou. Consideravelmente. E que ninguém me pergunte como, porque nem eu sei responder. Não sei mesmo que raio aconteceu, mas que tudo melhorou, melhorou.
Aprendi imenso, e ganhei conhecimentos que certamente serão bastante úteis no futuro. Compreendi, finalmente, como as coisas funcionam, acabando por perceber que a clínica, afinal, não é tão assustadora como os meus professores pintavam. As coisas são feitas de uma forma extremamente prática, embora um pouco diferente daquilo que aprendi na faculdade, mas é (quase) sempre certo que a prática nada tem a ver com a teoria, o que não quer dizer que, quando trabalhar a sério, não venha a fazer as coisas da forma mais "certinha", ou seja, como aprendi na faculdade. Sim, as pessoas podem mentir e podem desleixar-se completamente, deixando uma pessoa a sentir-se um tanto ou quanto impotente por não saber de que outra forma poderá ajudá-las. Mas, lá está, o nutricionista não faz milagres, estando o sucesso dependente da pessoa. E, se ela mente e se se desleixa, o problema é dela. Vi imensos casos perdidos, em que, de facto, o melhor a fazer era "deixar andar", porque, quero dizer, não vale a pena ser de outra forma. Mas vi, também, vários casos de sucesso. E, ainda, casos chocantes. 
Mas, para além de ter sido um período de crescimento a nível académico, o estágio foi, também, um período de crescimento a nível pessoal. Era impensável para mim chegar junto de uma pessoa desconhecida e começar a falar com ela do nada; era algo que me aterrorizava, acreditem ou não. Contudo, tive que o fazer ao longo do estágio, com os doentes internados, e estava mesmo nervosa da primeira vez que tive que falar com um, mas, depois, a coisa tornou-se tão banal, que, enfim. Ainda para mais, a primeira doente com quem falei só falava inglês (não me perguntem como veio ela parar aqui), por isso comecei mesmo em grande. Consegui superar-me a mim própria ao superar obstáculos como este.
E, ainda, cumpri o meu maior objectivo: descobrir-me. Descobrir aquilo de que gosto nesta área. E pode parecer algo cliché, mas aquilo de que mais gostei ao longo destes meses foi de ajudar. Ganhei gosto em ajudar, no que toca a isto da alimentação. Esclarecer dúvidas, promover a alimentação saudável, explicar o que comer e o que não comer tendo em conta a doença da pessoa e a intervenção cirúrgica a que foi submetida. E ter falado com tanta gente internada fez-me perceber isso, para além de que me sentia útil e de que o meu dia era capaz de melhorar um bocadinho por tudo isto. A princípio, até me sentia um bocado mal, por achar que estava a incomodar os doentes, mas, com o tempo, vi que eram muito poucos os que não tinham paciência para me aturar. A maioria gostava de falar, a ponto de eu ter que ficar junto deles durante imenso tempo para ouvir uma ou outra história ou um ou outro desabafo. Gostei de conhecer doentes simpáticos e que não paravam de dar conversa, cheios de perguntas sobre a alimentação e sobre a sua situação clínica, muito interessados nestas temáticas e determinados a lutar pela sua saúde. Deu gosto conhecer senhores e senhoras que estavam impecáveis com os seus oitentas e tais, completamente orientados e a andarem de um lado para o outro e a fazerem a sua vidinha como se nada fosse (ainda há esperança num envelhecimento saudável e feliz...se bem que não era completamente saudável, uma vez que estavam num hospital e tiveram que ser operados a qualquer coisa, mas, de qualquer das formas, chegar aos oitentas e tais a falar e a andar correctamente já é uma vitória, eu acho). Achei engraçada toda a familiaridade nas enfermarias: saber o nome dos enfermeiros todos e reconhecer os doentes que ainda se mantinham por lá, de tal maneira que decorava os seus nomes, deixando de ser o doente da cama X para passar a ser o senhor não-sei-das-quantas. Achei estranho que me tratassem por doutora algumas vezes, mas, claro, também houve quem dissesse que eu parecia muito nova. E isto já é típico, mas eu até comecei a esmerar-me um bocado desde o início do estágio, precisamente para não ser confundida com uma estudante do liceu que estava num part-time para ganhar uns trocos. Maquilhar-me era impensável para mim, mas lá comecei por esse mesmo motivo - mas nada de especial, apenas base e risco preto, aos quais acrescentava o batom, que, apesar de ser de cieiro (noutras palavras, necessário), tinha um bocadinho de cor -, acabando por perceber que não servia de muito, já que continuavam a dar-me menos idade.
Em suma, ver as coisas de perto, num contexto mais real, tão diferente daquilo que me era transmitido na faculdade, fez com que me descobrisse e com que ganhasse gosto por esta profissão. Agora, não tenho dúvidas de que a área clínica é a minha área de eleição e de que é aquela onde espero vir a trabalhar.
Por tudo isto, hoje terminei o estágio com satisfação, já que todos os objectivos foram cumpridos - e a orientadora local ficou com uma melhor opinião acerca de mim e escreveu-me um parecer todo jeitoso. Aprendi, cresci, evoluí imenso, descobri-me.
E estou de férias, por fim. Aliás, acho que só me vou sentir verdadeiramente de férias quando tiver os trabalhos impressos, encadernados e prontíssimos a seguir por correio (se bem que, depois, ainda tenho o powerpoint da defesa para fazer, mas, não, não vou pensar nisso agora). Por enquanto, ainda estou à espera que a orientadora me dê luz verde para imprimir, uma vez que já está tudo feito. Mas, de qualquer das formas, deixar de ter hora para acordar e hora para ir para a cama faz com tudo seja mais descontraído, mais feliz. E nada melhor para começar as férias do que ter a casa por minha conta esta noite.

14/07/2015

Ser-se estudante de nutrição é...

-...ver os meus hábitos a irem pelo cano abaixo por causa de uns dias fora de casa, e sentir-me mal com isso. Porque ir de férias implica, sempre, pecar aqui e ali e comer mal. Não só em termos de gordices e em levar uma alimentação baseada em fast-food, mas também porque, enfim, deixo de comer o que já estou habituada. Por exemplo, lá se vai o leite magro ao pequeno-almoço, o iogurte ao lanche e a sopinha ao jantar;

-...entrar em lutas constantes com pessoas conhecidas para que façam melhores escolhas. Como dizer para não se pôr açúcar no café - ou até mesmo num galão ou meia de leite, porque, caraças, aquilo já é doce, leva leite! - ou dizer à mãe, enquanto ela prepara uma refeição, que use natas de soja ou leite evaporado em vez das natas "normais";

-...perder estas mesmas lutas. Pois. Nunca ninguém me ouve;

-...estranhar ter um prato à minha frente sem nada verde. Eu já estou tão habituada a comer salada ou legumes às refeições, que já não os dispenso. E, quando estes não estão disponíveis, é como se, de facto, faltasse alguma coisa;

-...olhar para uma ementa com espírito crítico. Em restaurantes, em cantinas, enfim, onde quer que seja. Pensar logo no tipo de alimentos que constituem determinado prato e no método de confecção de cada um e ver se a coisa está equilibrada. E uma das coisas que rebenta com a escala do desequilíbrio é o bife (frito) com ovo frito e batatas fritas. Ou o peixe frito com batatas fritas. Qualquer um deles, delicioso, mas, enfim...;

-...desprezar os sumos e refrigerantes. Sempre bebi água às refeições desde pequena, a não ser quando ia comer fora. Agora, vendo bem, não percebo por que o fazia. Desde há uns tempos para cá, só peço água quando vou comer fora. As pessoas, muitas das vezes, ficam a olhar para mim e chegam, até, a perguntar Vais beber água?, como se tal fosse crime. Juro que não entendo, até porque é água que bebo às refeições todas. Mas não, parece que beber sumos é que é fixe, especialmente se tiverem gás e se vierem em latas grandes. Já nem me sinto bem a beber sumos, tal é a quantidade de pacotes de açúcar que aquelas porcarias levam lá dentro, a não ser que coma uma pizza ou vá ao McDonald's;

-...andar, feita parva, a comparar rótulos de produtos em pleno supermercado, com vista a escolher o melhor. Já é inevitável, a sério;

-...sentir-me mal por passar um ou mais dias sem comer fruta ou por escolher sobremesas doces em detrimento de fruta. E isto podia vir no seguimento da parte das férias ou das saladas, já que comer fruta, pelo menos a uma refeição, é outro hábito que já está demasiado entranhado em mim;

-...ficar com cara de parva quando as pessoas falam de "truques" (básicos) para perder peso ou para serem mais saudáveis como quem acabou de descobrir a pólvora. Deixei de beber sumos e notei logo diferença! É que fazem tão mal! Não me digas...;

-...fazer um cálculo mental rápido das porções e dos seus equivalentes e da quantidade aproximada de calorias que tem uma dada refeição. Nem sempre acontece, é certo, mas...;

-...ver planos ou regimes alimentares, feitos por nutricionistas, completamente estúpidos e que vão contra tudo aquilo que aprendi, e perguntar-me onde raio é que esta gente iluminada tirou o curso. O meu nutricionista tirou-me os hidratos de carbono do prato. O meu diz que há legumes que não se devem misturar. O meu até me proibiu de comer pão. B*tches, you're doing it wrong...;

-...olhar para o que as outras pessoas comem, e constatar que comem tão mal. Não é por mal e não é para julgar ninguém, mas é quase inevitável olhar para o almoço de alguém e não pensar em pequenos reparos. E isto tanto pode acontecer por haver calorias a mais (do género: ver alguém a espremer o frasco de maionese como se não houvesse amanhã, para que esta cubra grande parte da refeição), como no extremo do espectro (por exemplo: ver alguém a comer uma pratada de verduras. verduras, que não vão dar sustento nenhum);

-...ouvir comentários constantes, faça eu o que fizer. Ultimamente, o meu lanche tem sido uma taça de iogurte, com morangos cortados aos bocadinhos metidos lá dentro e com flocos de aveia a gosto. E as pessoas dizem que é mesmo coisa à nutricionista, toda saudável e toda light. Quando, numa festa, encho um prato com sobremesas, ou quando, num almoço de família, sugiro colocar uma bola de gelado em cima de uma fatia de bolo, dizem que estou a dar um mau exemplo e que isso não é coisa de nutricionista. Epá, decidam-se;

-...adoptar o lema Faz o que eu digo, não faças o que eu faço. Sempre. Porque eu posso ensinar os outros a comer como deve ser e posso ter os conhecimentos sobre alimentação saudável todos consolidados, mas, epá, não sou eu que estou de dieta. Por isso, se eu quiser ir comer um crepe com gelado, mesmo que tenha dito ao fulano que ele não podia comer, eu vou. Porque não sou eu que sou obesa e que estou em risco de desenvolver diabetes;

-...ouvir as pessoas a teimar que têm razão, quando não têm, e não conseguir convencê-las do contrário. Eu, em vez do açúcar branco, uso o amarelo/uso mel. Ao que eu respondo: Mas é a mesma coisa. E elas teimam que não é. Pois sim;

-...começar o curso a dizer que as minhas escolhas nunca vão mudar, que nunca irei comprar alimentos com base no seu valor nutricional e que nunca serei influenciada por aquilo que vou aprendendo, e, no fim, acabar por me tornar numa picuinhas. Ou melhor, eu não diria picuinhas, mas antes consciente. Ganhei uma muito melhor noção das coisas, no que diz respeito à alimentação. Sei que todos estes pontos podem não se aplicar a toda a gente, mas, quanto a mim, acho que a minha saúde e o meu corpo ficam a agradecer-me.

26/06/2015

Presa na ilha

As pessoas parecem pensar que estou a gozar quando digo que gostava de ir ao Porto quando acabar o estágio. Dizem que posso enviar a tese e o relatório por correio e perguntam-me onde é que ia passar as noites - e eu digo que fico numa pensão qualquer. Sim, realmente posso enviar as coisas por correio, mas isto de entregar as coisas é apenas um pretexto, porque o que eu preciso mesmo é de sair daqui por um bocadinho. Gosto de aqui estar, como é óbvio, mas passei três anos e meio entre cá e lá. E três anos e meio é algum tempo. Habituei-me a ter o meu espaço e a sair de casa para onde bem me apetecesse, sem dar satisfações a ninguém. É disso que sinto falta. Mudar de ares é quase uma necessidade, devido a ter-me habituado tanto a estar longe. Mas, por outro lado, tenho noção de que a nossa situação financeira não é a melhor, neste momento.
E não vou ao Vagos. Por causa do estúpido casamento. Resta-me rezar para que a próxima edição tenha um melhor cartaz, com mais bandas de que gosto.
Não vou ao Vagos, nem, muito provavelmente, ao Porto. Não vou fazer férias para lado nenhum. Vou passar mais meses aqui, no mesmo pedaço de terra, com o eterno clima incerto, os péssimos festivais de Verão e os lugares que já conheço de trás para a frente e que estou farta de visitar. Salva-se a viagem a Amesterdão no início de Setembro. O que, verdade seja dita, pode vir a ser um grande inconveniente, e isto por causa do exame de licenciatura, também conhecido como dia da defesa. 
A minha data ainda não está marcada, mas nem sei o que seria pior: se defender só para finais de Setembro ou inícios de Outubro, deixando-me algum tempinho para descansar, ou se logo no final de Agosto, de forma a seguir para os Países Baixos completamente descansadinha da vida e felicíssima por ter terminado o curso. Nem sequer sei se o final de Agosto é uma altura possível, uma vez que corresponde a férias para muita gente, embora a orientadora tenha dito que sim, que era possível, caso entregasse os trabalhos na época normal, em vez de na de recurso. Mas o meu primeiro pensamento teve a ver com o facto de finais de Agosto ser demasiado cedo, o que obrigar-me-ia a pôr mãos à obra o quanto antes. Ainda assim, a ideia de ir viajar sem aquela preocupação é demasiado tentadora. Estou a contar entregar tudo na época normal, uma vez que as coisas estão praticamente prontas. E, independentemente da minha data de defesa, o certo é que terei mesmo que ir ao Porto por causa disso, e aí sim, poderei aproveitar para passar lá uns dias. Aí, já ninguém me poderá impedir, porque terá mesmo que ser. Que chatice.
Mas, até lá, ficarei prisioneira da ilha. Acho que vou reservar a praia e os banhos de mar para manhãs esporádicas em que o tempo esteja óptimo, já que passei a preferir ir à praia de manhã, de modo a aproveitar as tardes para outras coisas. Acho que vou voltar a sair de casa só para ler debaixo das árvores num jardim ou para ir comer um gelado a uma esplanada. Espero fazer muitos piqueniques e churrascadas em família. Vou apostar em passeios pela natureza, não com o intuito estúpido de fazer exercício e andar rapidamente, mas sim para demorar-me a apreciar a paisagem, mesmo que isso implique ficar para trás. E deliciar-me com longas sessões de escrita debaixo do guarda-sol. Se vierem dias maus, nem vou reclamar, pois até no Verão sabe bem um dia no sofá com um filme giro ou com um bom livro como companhia. Posso ficar prisioneira da ilha, mas não vou deixar que isto me estrague as férias. Até porque tenho que passar parte delas a trabalhar na maldita defesa...

17/06/2015

Quase que me sinto de férias

A tese está pronta! E cumprir o limite de páginas não foi uma dor de cabeça assim tão grande, apesar de tudo, embora continue a achar que aquele número de páginas é bastante reduzido e que podia ter feito algo muito melhor e mais aprofundado se me deixassem escrever à vontade. Agora só tenho que esperar pelo "veredicto" da orientadora e rezar para que não me bata e não me obrigue a modificar muita coisa, de tal modo que ultrapasse o limite de páginas e me veja novamente grega para pôr a coisa dentro do limite. Mas ela tem gostado bastante do trabalho, por isso não acredito que me vá bater muito. A não ser na parte das conclusões, que resultaram de uma mistura entre coisas tiradas da minha cabeça e partes de artigos científicos. Mas, enfim, tendo só uma página e meia para as escrever, não podia ter feito algo muito melhor (deviam acabar com estes limites de páginas, a sério).
Agora, fica só a faltar acabar o relatório de estágio, mas escrever relatórios é mesmo chato, ainda para mais quando me pedem para descrever as coisas com algum detalhe. Tirando estes pequenos reparos, também está praticamente pronto, excepto no que toca à introdução e conclusão, que são, para mim, as piores partes, e nem sei que raio irei escrever (palavras bonitas, talvez, só mesmo "para a graxa").
Falta exactamente um mês - finalmente! - para o estágio terminar, mas quase que me sinto de férias. Já nem trabalhei nos últimos dois fins-de-semana, uma vez que há sempre tempos mortos nos dias de estágio em que, aí sim, aproveito para trabalhar. Por isso, sim, lá se vai o stress, os trabalhos para casa e a obrigação de ter tudo pronto antes do final do estágio. Tenho andado completamente relaxada; foi mesmo bom terem-me obrigado a trabalhar desde o início e a ter tudo pronto bem cedo.
E não vejo a hora de isto acabar. Não é que não esteja a gostar, mas é que faço quase sempre a mesma coisa todos os dias, o que acaba por cansar, e há dias que são melhores do que outros, mas tudo isto deve acontecer em qualquer trabalho, seja ele qual for. E também estou especialmente ansiosa pelos dias em que não terei hora para acordar e por poder planeá-los da melhor forma.

08/06/2015

Vantagens de se estar em nutrição em vez de em medicina

Medicina foi a minha primeira opção quando ingressei no ensino superior, e várias foram as vezes em que esta me vinha à cabeça ao longo de todo o curso. Mas, agora que estou a estagiar num hospital e estou a ter uma maior noção do trabalho de cada um e a conhecer melhor a realidade do mundo do trabalho, não deixo de reconhecer algumas vantagens de estar em nutrição em vez de em medicina.

- Não terei que trabalhar por turnos.
Não conseguia imaginar isto de não ter um horário de trabalho fixo e de, por vezes, não ter fins-de-semana nem feriados. Acho que ia dar em maluca com tanta incerteza. E ter que ficar de urgência durante vinte e quatro horas? Impensável. Nem sei como aguentam.

- Não terei que decorar aquelas coisas chatas como os sintomas e os critérios de diagnóstico de todas as doenças possíveis e imaginárias ou os procedimentos cirúrgicos.
Avisem-me se houver algo mais chato do que isto para se decorar.

- Não terei responsabilidades tão grandes. Do género: diagnosticar uma doença (e rezar para que não esteja errada), prescrever os medicamentos adequados ou as doses de insulina correctas ou tentar não matar uma pessoa em plena cirurgia. O que remete para o próximo ponto:

- Menos pressão.
Quando vejo as cenas na Anatomia de Grey em que as máquinas começam a apitar e toda a gente começa a levantar a voz porque a pessoa vai morrer, costumo pensar que, se ali estivesse, daria asneira. Nunca trabalhei bem sob pressão, e ter pessoas a gritar à minha volta só me deixa mais nervosa. Se bem que eu queria a medicina legal e a pessoa já estaria morta e eu não teria que ouvir gritos de pânico, mas, de qualquer das formas, teria que passar por isto.

- Os problemas das pessoas são tratados por meio de alimentos, e não de medicamentos.
Isto é algo que gosto de defender, para além de ser muito mais fascinante tratar de um problema através da comida do que através de químicos, que, a longo prazo, só trazem mais problemas.

- E, por último, uma vantagem também em relação aos outros cursos: sei o que é uma alimentação saudável. E isto, hoje em dia, é uma coisa tão in, que até me sinto importante (e que, muitas das vezes, faz com que tenha uma vontade tão grande de comentar posts do Facebook, de blogs ou do que quer que seja, em que alguém acha estar a promover algo saudável quando, na verdade, não está).

Posto isto, e apesar de não saber o que o futuro me reserva, considero-me de consciência tranquila. Mas é claro que também existem desvantagens. Nunca irei dissecar um cadáver, por exemplo...

27/04/2015

Deixem-me em paz. É pelo melhor

Tenho um relatório e uma tese para escrever. Bem que podia ser só um relatório, já que uma tese de licenciatura é algo um bocado estúpido. Estúpido e trabalhoso. É algo que me tem dado imenso trabalho - nunca pensei que desse tanto -, e o pior é que demoro sempre muito tempo a fazer qualquer coisa. Melhor dizendo, passam-se duas, três horas e não fiz lá grande coisa. Mas está a avançar, como é óbvio (que remédio). Ainda este sábado passei todo o dia à volta dela, pois queria mesmo enviar algo de novo à orientadora. Tenho uma reunião com ela na próxima semana, para além de que já não lhe enviava nada há quase um mês, por culpa da preguiça, por um lado, e de ter pensado que teria muito tempo para trabalhar nisso. O relatório, pelo contrário, é algo muito mais simples, que até pode ser feito num dia. Daí não andar muito preocupada com ele.
Tinha acabado de enviar a tese para as orientadoras, quando a orientadora de estágio me responde ao e-mail a dizer para não me esquecer do relatório. E eu detesto quando este tipo de coisas acontece. Detesto que me digam que não me esqueça disto ou daquilo, pensando que não me lembro das coisas ou que estou nas tintas. O que acontece é que eu lembro-me daquilo que tenho que fazer, e, se ainda não fiz alguma coisa, foi porque tive uma boa razão para não o fazer. Mas sei o que tenho que fazer, e, se é para ser feito, vai ser feito; se é para cumprir determinado prazo, esse prazo vai ser cumprido, garantidamente. Não é preciso andarem sempre em cima de mim; aliás, detesto que andem sempre em cima de mim. Sinto demasiada pressão, e nunca trabalhei bem sob pressão.
Não lhe respondi. Ainda não tinha feito nada do relatório, para além da estrutura. E isto porque andei a trabalhar na tese; não posso fazer duas coisas ao mesmo tempo. Mas é óbvio que me lembro que tenho um relatório para fazer; não preciso que me digam, constantemente, para não me esquecer. Mas, lá está, é algo tão rápido de se fazer e tenho até ao fim de Junho para o entregar, e é por isso que não estou lá muito preocupada. E que não percebo o motivo de tantos stresses por causa de ambos os trabalhos. Porque é garantido que vão ficar ambos feitos até ao final de Junho, pensem elas o que quiserem - sim, porque, com este tipo de conversa, parece que pensam que não ando a fazer nada.
Hoje de manhã, no estágio, estava sem nada para fazer e resolvi, então, começar o relatório. Em menos de duas horas, fiz o que me foi possível fazer - é claro que não consigo escrever um relatório completo quando o estágio ainda vai a meio, não é? -, e, à tarde, mostrei-o à orientadora. Sem nunca mencionar o facto de ter feito aquilo tudo naquele mesmo dia, claro. Corrigiu o que tinha a corrigir e depois disse algo do tipo Muito bem. Está avançado. Ora toma. Espero que agora acredite que, quando for para fazer alguma coisa, eu faço mesmo. Rápida e eficientemente.

17/04/2015

Nota mental: não stressar

O estágio termina a dezassete de Julho. Toda a gente fica admirada por ser tão tarde, até eu. Podia dar-me por satisfeita por terminar uma semana antes daquilo que é suposto, mas não deixa de ser demasiado mau saber que vou ter que lá passar uma parte do Verão. Amanhã faz dois meses desde que comecei, e parece que já lá estou há uma eternidade.
Seja como for, terminando a dezassete de Julho e tendo em conta que tenho até início de Agosto para entregar o relatório e o trabalho final - que mal me atrevo a chamar de tese, porque, enfim, isto é uma licenciatura -, estava a contar ter muito tempo para trabalhar nisso, relaxada, sem ter o estágio a chatear-me e a ocupar a maior parte do meu dia. No entanto, já me trocaram as voltas. As orientadoras querem que esteja tudo pronto no final de Junho.
Já comecei a trabalhar, mas ainda me falta muita coisa, e, ultimamente, o trabalho anda a arrastar-se. Anda a ser difícil aproveitar os buraquinhos no estágio para adiantar qualquer coisa, e, quanto aos fins-de-semana, os últimos que se passaram não foram dedicados a isso. E eu até gosto do tema do trabalho, mas a preguiça tem levado sempre a melhor, e, claro, apetece-me sempre fazer outra coisa qualquer. Para além disso, estava certa de que ia ter muito tempo, mais para a frente, para me preocupar com isso.
Agora, com esta pressa em ter as coisas prontas tão cedo, estou a ver que tenho que mudar e passar os fins-de-semana à volta disto, como se estivesse novamente em aulas e tivesse a obrigação de ocupar o tempo livre com este tipo de coisas. Obviamente, continuo a ser estudante, mas o facto de não ter aulas, não ter matéria para estudar e entrar e sair todos os dias à mesma hora faz com que me esqueça disso. E tem sabido tão bem aproveitar o tempo livre...
Seja como for, vou ter que me organizar e tentar não stressar. E não pensar nisso por hoje. Porque hoje é sexta, e as noites de sexta pedem sempre uma maratona de episódios.

28/02/2015

Sobre o meu mês de Fevereiro

A perda da minha avó, uma das pessoas que mais adorava na família, deixou-me devastada. Tive que voltar a casa. Foram dias negros, pesados e de muitas lágrimas, em que as horas passaram mais devagar do que nunca. Mas a vida teve que continuar.
Mesmo depois de o choque passar e de as coisas acalmarem, continuei a deixar o blog em suspenso. Andei cheia de coisas para fazer, para além de que, sinceramente, nem sequer senti vontade de cá vir. Até nestes últimos dias nem tenho tido grande vontade para cá vir. Tenho optado por gastar o meu tempo noutras coisas para além de ler blogs, e, nos últimos dias, senti isto um pouco morto e foram raros os posts em que me apeteceu deixar um comentário. Há alturas em que isto consegue cansar-me. Acho que não virei cá com tanta frequência tão cedo, até porque vou ter outras coisas para fazer e outras nas quais prefiro focar-me.
De qualquer maneira, e continuando o meu relato... Tive que regressar ao Porto para encaixotar toda a minha tralha e devolver a chave do apartamento. A minha mãe foi comigo, o que foi uma grande ajuda. Arrumámos tudo num instante e ainda tivemos tempo de dar uma volta no centro comercial. Mas foi só. Dois dias depois, teve que se ir embora para não continuar a faltar ao trabalho, e eu também tive que me ir embora, uma vez que já estava tudo arrumado. Tive pena de não ter conseguido despedir-me do Porto como devia ser: dar uma volta pela baixa, ir a mais um ou outro sítio, comer um lanchinho gostoso no Moustache... Espero voltar lá um dia. Já soube que não tenho necessariamente que ir ao Porto para entregar o trabalho final do curso e que o posso enviar por correio, mas, aqui entre nós, preferia que me tivessem dito que era obrigatório entregá-lo presencialmente...porque ao menos tinha uma desculpa para lá voltar. Mas talvez vá mesmo lá entregá-lo...quem sabe.
Tinha pensado passar uns dias em Lisboa antes de voltar de vez para casa, mas, com tudo o que aconteceu, fiquei um bocado reticente. Mas a minha mãe disse que era algo que me faria bem, pelo que acabei por ir.
Fiquei em casa da minha irmã, e depois em casa do meu namorado. Dias de descanso, finalmente, depois de tantos dias enfiada em casa a estudar. Soube que passei a todos os exames na época normal - e com as melhores notas de sempre - e escolhi o tema do trabalho final do curso. E é muito giro. Uma das coisas que mais me fascina na área da nutrição é a possibilidade de se reverter uma doença ou de proteger o organismo de uma doença através dos alimentos, sem necessidade de se recorrer a fármacos. Mas, mais do que saber que determinado alimento pode combater determinada doença, gosto de saber o porquê ou o como de isto acontecer. Isto é, o que é que determinado alimento tem e de que forma é que aqueles compostos interagem com o nosso corpo de forma a combater uma doença. A minha orientadora disse-me que o mais importante era que eu escrevesse sobre algo de que gostasse, pelo que estou mesmo contente com o meu tema (que, para já, não vou revelar). Perdi um dia de férias a pesquisar artigos para o trabalho, e, quanto mais pesquisava, para além de mais coisas encontrar, mais entusiasmada ficava com o assunto. Olhando para trás, ainda bem que perdi esse dia, pois, se ainda não tivesse feito a pesquisa por esta altura, estávamos mal.
As férias não foram nada de extraordinário, exceptuando os dias que eu e o namorado fomos passar a Coimbra. Foi muito bom mudar de ares, desanuviar e conhecer um lugar novo. Só tenho pena que não tivéssemos feito isto mais vezes.
Depois, foi altura de voltar a casa. Já comecei o estágio, e, até agora, até estou a gostar. Tenho alguns tempos mortos que são um bocado aborrecidos, mas aproveito-os para ler alguns artigos que encontrei para o trabalho final, para tentar adiantar alguma coisa. Mas o estágio em si está a correr bem; não sei porquê, tinha uma ideia diferente daquilo que iria fazer, pelo que está a superar as minhas expectativas (pelo menos por agora; esperemos que não piore). E como é bom não ter aulas nem coisas para estudar! O problema é que tenho chegado a casa sempre um bocado cansada e sem vontade de fazer nada, até porque chego a uma hora à qual a minha cabeça já não funciona (perto das cinco da tarde), pelo que trabalhar na tese depois de chegar a casa é algo no qual nem sequer penso. E eu que queria voltar a praticar natação...estou a ver que não vai ser desta, até porque os horários das piscinas no que toca a natação livre são péssimos.
E fico por aqui no que toca a actualizações. Acho que vou passar a levar este blog mais na desportiva, sem dar grande importância ao facto de receber ou não receber comentários e a passar a vir cá somente quando me apetecer - tal como fazia nos meus primeiros tempos como blogger. Não que isto fosse uma obrigação, mas costumava cá vir todos os dias, nem que fosse só para ler o que se andasse a passar. Agora, bem, isto ficará lá para segundo ou terceiro ou quarto plano.

23/01/2015

Acabou

Acabou hoje a época de exames, a última do curso. Até custa a acreditar que vou poder dormir mais um pouco durante a manhã e que não vou acordar a pensar no que tenho para estudar. 
E devia estar aqui aos pulos de contentamento por, finalmente, vir a ter algum descanso, mas, em vez disso, recebi uma notícia tão, tão má, que não me dá vontade de fazer o que quer que seja.

19/12/2014

O penúltimo semestre


Hoje tive a minha última aula. Não digo que tenha sido a última aula da minha vida, porque não sei o que o futuro me reserva. Mas foi a última aula do curso, e a última aula que tive nesta faculdade, na qual entrei pela primeira vez há quatro anos, num dia de Verão anormalmente fresco e cinzento que parece ter sido ontem. Não deixa de ser uma sensação estranha, isto de saber que não vou ter mais aulas depois de tantos anos de vida a fazer precisamente isto: ter aulas. Estranha, mas boa.
Este foi, portanto, o último semestre de aulas que tive - o próximo é estágio, apenas -, e devo dizer que foi o semestre em que tudo foi mais fácil. Não falo em termos de cadeiras, como é evidente. Tive trabalhos que me ocuparam tempo e que me encheram de stresses - nenhum deles foi fácil - e tenho imensa matéria para ver para os exames, parte dela complicada, outra parte dela mais acessível e uma última parte demasiado abstracta para o meu gosto. Em termos de cadeiras, não foi propriamente fácil e continuará a não ser, mas tenho conseguido organizar-me razoavelmente bem e, de qualquer das formas, estou minimamente confiante em relação aos exames, já que passar nos ditos cujos é uma questão de estudo e de força de vontade.
Foi o semestre mais fácil por ter sido aquele em que, finalmente, levei tudo na desportiva do princípio ao fim e em que me deixei embalar pela rotina. Graças a isto, tive o primeiro semestre em quatro anos em que nunca chorei por qualquer motivo, em que nunca pensei que teria um mau e infeliz futuro por não estar onde realmente queria, em que não pensei em desistir de tudo, em que não morri de saudades de casa. Foi o semestre em que ganhei o hábito de acordar bem mais cedo do que o normal e de não me queixar de ter que o fazer, acabando mesmo por preferir sair de casa bem cedo para ir estudar para a biblioteca, em vez de apenas sair pela hora do almoço - principalmente porque sair bem cedo faz com que não comece a ficar cheia de calor pelo caminho. E o semestre em que ganhei algo próximo a uma amizade, o que vai fazer com que o facto de me ir embora custe ainda mais, tenho a certeza. A parte má no meio disto é que foi preciso chegar ao último ano para conseguir ganhar este algo próximo a uma amizade. Talvez tenha sido por isso que este foi também o semestre em que me senti menos sozinha.
Tomara que todos os meus semestres tivessem sido assim, tão fáceis. Teria encarado a faculdade de uma perspectiva bem diferente.
Tão depressa passou este semestre, que hoje já é dia de voltar a casa. É a primeira vez que regresso a casa tão perto do Natal. Uma pessoa anda tão atarefada com os estudos e tudo o mais, que nem tem um tempinho para relaxar e absorver algum espírito natalício antes do dia chegar. É precisamente por isso que mal consigo acreditar que o Natal está mesmo à porta. Mesmo quando vejo anúncios ou decorações de Natal, tenho tendência a pensar que o dia ainda está longe. Por causa dos estudos, de ter sempre coisas para fazer e de não estar numa casa decorada a rigor, nem parece que é Natal. Daí não estar propriamente empolgada com o regresso, mas antes cansada.
Contudo, sei que isto muda sempre que volto a casa, de tal forma que, depois, não me quero ir embora. Mesmo que o espírito natalício não chegue em pleno, não há nada como estar em casa. 

25/11/2014

As semanas de doidos continuam...

O final do semestre é sempre aquela altura em que há diversos trabalhos para entregar - e, alguns deles, ainda para fazer - e exames para preparar. O calendário já saiu, e, desta vez, é bastante decente: são três semanas, cada uma com dois exames, sendo um deles sempre no início da semana e o outro no fim. Até as cadeiras estão bem distribuídas; quer dizer, foi preciso chegar ao último ano para, finalmente, ter um calendário de exames decente. Em contrapartida, a minha secretária nunca esteve tão cheia de folhas e tão desarrumada. Hoje, já tive que gastar mais dinheiro em fotocópias, se bem que acho que poupei bastante em ter ido a um centro de cópias mais barato que umas colegas descobriram. A tarde livre foi passada à volta do estudo, e o fim-de-semana que passou foi um bocado desgastante também por causa disso, por ter ido estudar com uma colega durante a tarde dos dois dias. O dia de amanhã também irá pelo mesmo caminho, já que só tenho uma aula a seguir ao almoço. Devo ir para a biblioteca; é sempre melhor do que estar em casa com os pés e mãos gelados.
Acho que me estou a organizar razoavelmente bem, e isto aliado ao facto de ter três semanas de exames deve permitir-me relaxar um pouco nas "férias" de Natal. No ano passado, a época de exames teve apenas duas semanas, o que tornou as minhas semanas em casa nas piores de sempre. Foi um autêntico inferno, e espero que, este ano, consiga estar mais livre.
Até lá, há que ir aproveitando o tempo para avançar o máximo que puder e, claro, fazer os trabalhos todos que ainda tenho pela frente, cujas datas de entrega são umas atrás das outras. Só que, enfim, tenho andado cheia de vontade para escrever - estive a fazê-lo há uns dias, e deixei o documento do livro aberto, pelo que, sempre que venho ao computador, lá está ele a chamar por mim, mas a ser sistematicamente ignorado -, mas estou mesmo a ver que isto vai ter que esperar, até porque há dias em que fico tão cansada de estudar, que nem me apetece pensar, ou mesmo ligar o computador.
Nem para cá vir tenho tido grande vontade, e a minha actividade por estas bandas continuará reduzida nos próximos dias. Não só por causa dos estudos. Daqui a pouco tempo, sigo para a capital, coisa que pode parecer uma maluquice nesta altura do campeonato, mas tenho andado a organizar-me precisamente para não stressar demasiado enquanto aqui não estiver. É sempre óptima aquela sensação de chegar à Campanhã, meter-me no comboio e poder dar-me ao luxo de esquecer todos os problemas e stresses que a faculdade acarreta. Depois de um fim-de-semana desgastante, acho que mereço algum descanso. Embora tenha um trabalho para entregar - está quase feito -, ainda tenho algumas saudades por matar.