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20/10/2015

"Refill grátis"

Já algumas cadeias de fast-food estão a adaptar, em Portugal, a política do refill, ou seja, permitir que se volte a encher o copo de refrigerante. Lembro-me que isto já existia nos Estados Unidos quando lá estive, em 2009. Demorou a chegar cá, mas chegou. E, ao que parece, vai espalhar-se. O que eu não percebo é qual o sentido que isto faz. Porque aquilo é grátis. Ou seja, os restaurantes não ganham nada com isso.
As pessoas também não ganham. "Ganham" um novo copo de sumo, que seria perfeitamente dispensável. "Ganham" mais porcarias para o seu organismo, o que, no final de contas, não lhes dá nada; pelo contrário, tira-lhes. As pessoas acabam por perder saúde e anos de vida, a longo prazo.
Depois admiram-se de ver cada vez mais gente gorda, de a obesidade infantil aumentar mais a cada ano que passa e de as doenças aparecerem cada vez mais cedo. Infelizmente, ainda há muita gente que não tem noção do mal que fazem os sumos e refrigerantes - ou do quanto estes podem contribuir para o aumento de peso. É claro que as cadeias de fast-food se estão a marimbar para a saúde dos consumidores, mas, se isto de voltar a encher o copo não lhes dá lucro nenhum e se não contribui para a felicidade deles, então qual é o propósito? Chateia-me, isto. Isto e o facto de ver as pessoas tão cegas, tão contentes por poderem ir buscar mais sumo sem pagarem mais por ele. Que vontade de lhes abrir os olhos...

14/07/2015

Ser-se estudante de nutrição é...

-...ver os meus hábitos a irem pelo cano abaixo por causa de uns dias fora de casa, e sentir-me mal com isso. Porque ir de férias implica, sempre, pecar aqui e ali e comer mal. Não só em termos de gordices e em levar uma alimentação baseada em fast-food, mas também porque, enfim, deixo de comer o que já estou habituada. Por exemplo, lá se vai o leite magro ao pequeno-almoço, o iogurte ao lanche e a sopinha ao jantar;

-...entrar em lutas constantes com pessoas conhecidas para que façam melhores escolhas. Como dizer para não se pôr açúcar no café - ou até mesmo num galão ou meia de leite, porque, caraças, aquilo já é doce, leva leite! - ou dizer à mãe, enquanto ela prepara uma refeição, que use natas de soja ou leite evaporado em vez das natas "normais";

-...perder estas mesmas lutas. Pois. Nunca ninguém me ouve;

-...estranhar ter um prato à minha frente sem nada verde. Eu já estou tão habituada a comer salada ou legumes às refeições, que já não os dispenso. E, quando estes não estão disponíveis, é como se, de facto, faltasse alguma coisa;

-...olhar para uma ementa com espírito crítico. Em restaurantes, em cantinas, enfim, onde quer que seja. Pensar logo no tipo de alimentos que constituem determinado prato e no método de confecção de cada um e ver se a coisa está equilibrada. E uma das coisas que rebenta com a escala do desequilíbrio é o bife (frito) com ovo frito e batatas fritas. Ou o peixe frito com batatas fritas. Qualquer um deles, delicioso, mas, enfim...;

-...desprezar os sumos e refrigerantes. Sempre bebi água às refeições desde pequena, a não ser quando ia comer fora. Agora, vendo bem, não percebo por que o fazia. Desde há uns tempos para cá, só peço água quando vou comer fora. As pessoas, muitas das vezes, ficam a olhar para mim e chegam, até, a perguntar Vais beber água?, como se tal fosse crime. Juro que não entendo, até porque é água que bebo às refeições todas. Mas não, parece que beber sumos é que é fixe, especialmente se tiverem gás e se vierem em latas grandes. Já nem me sinto bem a beber sumos, tal é a quantidade de pacotes de açúcar que aquelas porcarias levam lá dentro, a não ser que coma uma pizza ou vá ao McDonald's;

-...andar, feita parva, a comparar rótulos de produtos em pleno supermercado, com vista a escolher o melhor. Já é inevitável, a sério;

-...sentir-me mal por passar um ou mais dias sem comer fruta ou por escolher sobremesas doces em detrimento de fruta. E isto podia vir no seguimento da parte das férias ou das saladas, já que comer fruta, pelo menos a uma refeição, é outro hábito que já está demasiado entranhado em mim;

-...ficar com cara de parva quando as pessoas falam de "truques" (básicos) para perder peso ou para serem mais saudáveis como quem acabou de descobrir a pólvora. Deixei de beber sumos e notei logo diferença! É que fazem tão mal! Não me digas...;

-...fazer um cálculo mental rápido das porções e dos seus equivalentes e da quantidade aproximada de calorias que tem uma dada refeição. Nem sempre acontece, é certo, mas...;

-...ver planos ou regimes alimentares, feitos por nutricionistas, completamente estúpidos e que vão contra tudo aquilo que aprendi, e perguntar-me onde raio é que esta gente iluminada tirou o curso. O meu nutricionista tirou-me os hidratos de carbono do prato. O meu diz que há legumes que não se devem misturar. O meu até me proibiu de comer pão. B*tches, you're doing it wrong...;

-...olhar para o que as outras pessoas comem, e constatar que comem tão mal. Não é por mal e não é para julgar ninguém, mas é quase inevitável olhar para o almoço de alguém e não pensar em pequenos reparos. E isto tanto pode acontecer por haver calorias a mais (do género: ver alguém a espremer o frasco de maionese como se não houvesse amanhã, para que esta cubra grande parte da refeição), como no extremo do espectro (por exemplo: ver alguém a comer uma pratada de verduras. verduras, que não vão dar sustento nenhum);

-...ouvir comentários constantes, faça eu o que fizer. Ultimamente, o meu lanche tem sido uma taça de iogurte, com morangos cortados aos bocadinhos metidos lá dentro e com flocos de aveia a gosto. E as pessoas dizem que é mesmo coisa à nutricionista, toda saudável e toda light. Quando, numa festa, encho um prato com sobremesas, ou quando, num almoço de família, sugiro colocar uma bola de gelado em cima de uma fatia de bolo, dizem que estou a dar um mau exemplo e que isso não é coisa de nutricionista. Epá, decidam-se;

-...adoptar o lema Faz o que eu digo, não faças o que eu faço. Sempre. Porque eu posso ensinar os outros a comer como deve ser e posso ter os conhecimentos sobre alimentação saudável todos consolidados, mas, epá, não sou eu que estou de dieta. Por isso, se eu quiser ir comer um crepe com gelado, mesmo que tenha dito ao fulano que ele não podia comer, eu vou. Porque não sou eu que sou obesa e que estou em risco de desenvolver diabetes;

-...ouvir as pessoas a teimar que têm razão, quando não têm, e não conseguir convencê-las do contrário. Eu, em vez do açúcar branco, uso o amarelo/uso mel. Ao que eu respondo: Mas é a mesma coisa. E elas teimam que não é. Pois sim;

-...começar o curso a dizer que as minhas escolhas nunca vão mudar, que nunca irei comprar alimentos com base no seu valor nutricional e que nunca serei influenciada por aquilo que vou aprendendo, e, no fim, acabar por me tornar numa picuinhas. Ou melhor, eu não diria picuinhas, mas antes consciente. Ganhei uma muito melhor noção das coisas, no que diz respeito à alimentação. Sei que todos estes pontos podem não se aplicar a toda a gente, mas, quanto a mim, acho que a minha saúde e o meu corpo ficam a agradecer-me.

08/06/2015

Vantagens de se estar em nutrição em vez de em medicina

Medicina foi a minha primeira opção quando ingressei no ensino superior, e várias foram as vezes em que esta me vinha à cabeça ao longo de todo o curso. Mas, agora que estou a estagiar num hospital e estou a ter uma maior noção do trabalho de cada um e a conhecer melhor a realidade do mundo do trabalho, não deixo de reconhecer algumas vantagens de estar em nutrição em vez de em medicina.

- Não terei que trabalhar por turnos.
Não conseguia imaginar isto de não ter um horário de trabalho fixo e de, por vezes, não ter fins-de-semana nem feriados. Acho que ia dar em maluca com tanta incerteza. E ter que ficar de urgência durante vinte e quatro horas? Impensável. Nem sei como aguentam.

- Não terei que decorar aquelas coisas chatas como os sintomas e os critérios de diagnóstico de todas as doenças possíveis e imaginárias ou os procedimentos cirúrgicos.
Avisem-me se houver algo mais chato do que isto para se decorar.

- Não terei responsabilidades tão grandes. Do género: diagnosticar uma doença (e rezar para que não esteja errada), prescrever os medicamentos adequados ou as doses de insulina correctas ou tentar não matar uma pessoa em plena cirurgia. O que remete para o próximo ponto:

- Menos pressão.
Quando vejo as cenas na Anatomia de Grey em que as máquinas começam a apitar e toda a gente começa a levantar a voz porque a pessoa vai morrer, costumo pensar que, se ali estivesse, daria asneira. Nunca trabalhei bem sob pressão, e ter pessoas a gritar à minha volta só me deixa mais nervosa. Se bem que eu queria a medicina legal e a pessoa já estaria morta e eu não teria que ouvir gritos de pânico, mas, de qualquer das formas, teria que passar por isto.

- Os problemas das pessoas são tratados por meio de alimentos, e não de medicamentos.
Isto é algo que gosto de defender, para além de ser muito mais fascinante tratar de um problema através da comida do que através de químicos, que, a longo prazo, só trazem mais problemas.

- E, por último, uma vantagem também em relação aos outros cursos: sei o que é uma alimentação saudável. E isto, hoje em dia, é uma coisa tão in, que até me sinto importante (e que, muitas das vezes, faz com que tenha uma vontade tão grande de comentar posts do Facebook, de blogs ou do que quer que seja, em que alguém acha estar a promover algo saudável quando, na verdade, não está).

Posto isto, e apesar de não saber o que o futuro me reserva, considero-me de consciência tranquila. Mas é claro que também existem desvantagens. Nunca irei dissecar um cadáver, por exemplo...

03/11/2014

Das asneiras sobre alimentação que vejo por aí

Como disse há uns posts atrás, se há algo que o meu curso me tem ensinado e que me sabe bem, este algo é o ser capaz de corrigir aqueles que acham que sabem tudo, os que fazem más escolhas, os que dizem coisas que vão contra aquilo que aprendi, entre outros que tais. A pedido de algumas famílias, serve este post para dar a minha opinião acerca de algumas das asneiras que vejo, ouço ou leio pela internet - blogosfera incluída - e nas revistas. Apenas peço que não me ataquem com conversas do género Mas o meu nutricionista disse-me que devia fazer isto e aquilo! - porque é claro que toda a gente acredita mais no nutricionista, e não na simples estudante que para lá caminha, coisa que me deixou de pé atrás em relação à escrita deste post; mas, ao mesmo tempo, vi-me cada vez mais na necessidade de o escrever. Há quem tenha uma opinião diferente e, portanto, métodos diferentes, os quais ainda não consegui entender, uma vez que vão contra tudo aquilo que tenho aprendido. Isto, reforço, é a minha opinião pessoal, tendo em conta aquilo que tenho aprendido ao longo do curso. 

04/10/2014

Uma pessoa não sabe se há-de rir ou chorar

O meu curso está continuamente a ensinar-me a ter mais cuidado com aquilo que como, a planear melhor as minhas refeições, a detectar diversos erros alimentares. Está, constantemente, a ajudar-me a desenvolver um sentido crítico no que diz respeito à temática da alimentação, especialmente no que diz respeito àquilo que leio ou ouço sobre o assunto - mesmo quando as coisas são ditas ou escritas por profissionais de saúde. Acontece que já vi tanta asneira em revistas e por essa internet fora, que fico sem saber se hei-de rir ou chorar. Costumo sempre rir-me, é certo.
Foi como aconteceu no outro dia. Uma professora minha leu um plano alimentar que um antigo colega nosso elaborou - ela disse "colega", mas ficámos sem perceber se, de facto, tinha tirado o curso na nossa faculdade -, e eu, assim como toda a gente, só me ri, tal eram as asneiras que lá estavam. A professora, porém, disse que teve vontade de chorar quando o viu pela primeira vez. Pudera; anda a ensinar-nos as coisas de determinada maneira para, no fim, as pessoas lá fora armarem-se em espertas e só dizerem asneiras. É precisamente isto que acho estranho. Até porque eu sei, uma vez que já assisti a consultas, que tanto esta professora como outras elaboram os planos da mesma maneira como nos ensinam a fazê-los. Como é que se sai daqui e se passa a fazer as coisas de uma forma tão diferente, tão...estúpida?
Mas, lá está, eu rio-me das coisas - ou fico chocada, por vezes - precisamente por estar dentro do assunto. Já as pessoas que estão fora do assunto têm a tendência de acreditar em tudo, é um facto. Às vezes armo-me em chica-esperta e corrijo as pessoas, e isto até sabe-me bem porque, sei lá, é sinal de que aprendi alguma coisa, que sei alguma coisa. Mas é algo que nem sempre dá resultado, uma vez que a televisão, a internet e as revistas têm, ainda, um poder enorme sobre a cabeça das pessoas.
Isto, no entanto, costuma acontecer com pessoas que conheço há muito tempo e com as quais tenho um certo à-vontade e uma certa confiança. Na internet - até mesmo no mundo dos blogs -, costumo ficar caladinha face às asneiras que leio, e isto porque não passo de uma estudante, na qual ninguém vai acreditar. Porém, quando chegar a altura do estágio, não me vou calar, se assim tiver que ser.