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23/09/2017

"I'm just a kid and life is a nightmare"

Desenho da minha autoria.

Nunca quis tanto que um Verão acabasse. Este foi o pior que alguma vez tive.
Desde que assinei contrato de trabalho, no início do Verão, deixei de ter fins-de-semana, passando a ter apenas direito a um dia e meio de descanso por semana, tal como os restantes funcionários da maldita empresa onde trabalho. Passou a ser um só dia a acordar sem o despertador, um só dia completamente livre e uma só noite em que não tenho que me preocupar com a hora a que me vou deitar. Para além disso, andei a fazer horas extra todos os dias. Sair depois das cinco ou das seis - quando o meu horário seria, supostamente, até às quatro - acabou por se tornar normal. Conto pelos dedos as vezes em que fui à praia, e os dedos de uma mão são suficientes - e ainda sobram - para contar as vezes em que saí à noite com amigos; não dei um único passeio digno de Verão nem fiz outras quantas coisas que tinha planeado; e, claro, não tive férias. Estas, aliás, nem vê-las até ao próximo ano. Cheguei a casa cansada, todos os dias. E, em muitos deles, também irritada. A ponto de não ter vontade de fazer nada. Por vezes, nem no meu dia de folga me apeteceu fazer alguma coisa; parecia que o cansaço da semana toda estava acumulado, pelo que nem sair de casa me apetecia. Continua a acontecer, aliás. E toda esta irritação e este cansaço não têm apenas a ver com isso e com o facto de eu achar que isto - não ter fins-de-semana, ter apenas um dia e meio de descanso e não ser permitido tirar férias no Verão - não é vida para ninguém. Tem a ver, também, com o trabalho em si.
Cada vez mais, detesto o meu trabalho e detesto aquele lugar. Fico irritada, respondo mal, isolo-me, fico com vontade de chorar e de mandar tudo para outro lado. Há dias em que conseguem fazer-me rir e em que consigo conversar como uma pessoa normal e brincar com as pessoas, mas acho que isso não passa de um disfarce. E existem outros dias em que tudo vem ao de cima e tudo transborda. Dias em que chego mesmo a chorar no meu local de trabalho. E não só por causa do trabalho em si.
Com a irritação no trabalho, tudo o resto vem por acréscimo. Penso no quanto estou arrependida por ter tirado este curso; pergunto a mim própria por que raio o tirei e não desisti logo. Penso no quanto não quero trabalhar nesta área. Penso no maldito exame à Ordem e em como não quero passar por isso outra vez. Com isto, começo a pensar que só andei a perder tempo, que fiz tudo isto e passei por tanto para nada, que ando a desperdiçar a minha vida toda. De facto, os dias passam por mim e eu nem dou por eles; os meses passam, as estações passam, as festividades passam, e eu nem dou por nada disso e não tiro proveito de nada disso. Penso em como quero mudar de vida e no quanto quero deixar de trabalhar ali, mas depois a ansiedade apodera-se de mim com toda a força e sinto-me sufocada e pressionada por ter que pensar naquilo que irei fazer depois. Porque não tenho nenhum plano; só sei que não quero esta vida para mim e que quero sair daquele lugar. Mas, ir para onde? Fazer o quê? São perguntas às quais não sei responder, e isso deixa-me mais ansiosa e irritada do que o que gostaria. E penso que não há nada que queira fazer. Que não há nada de que goste. Que não tenho jeito para nada. E que, portanto, não valho nada. Que ando a viver sem rumo, sem um sonho, sem nada pelo qual lutar. Que só ando a desperdiçar tempo, e que, assim, a vida não faz qualquer sentido.
Muitas das vezes, consigo chorar sem ninguém se aperceber. Mas já fui apanhada. E, mesmo que não chegue ao ponto de chorar, há quem note as minhas diferenças de comportamento. Em ambos os casos, as pessoas perguntam-me o que se passa. Pedem-me para falar. Mas não falo. Não serve de nada falar com pessoas que nunca irão compreender, para além de ser um tipo de conversa que dispenso ter no meu local de trabalho. Mas, apesar de achar que ninguém compreende, há alturas em que gostava de poder falar. Pois ando angustiada há semanas, sem poder falar com ninguém e sempre à espera da próxima consulta com a psicóloga - que, por acaso, acho que também não compreenderá.
Parece-me, no entanto, que toda a gente me vira as costas. Dirijo-me subtilmente àqueles que considero amigos, perguntando se querem ir dar uma volta, se querem sair, se querem ir tomar um café. Não entro à força toda, dizendo que preciso de desabafar, porque...bem, porque não. Porque é parvo. Porque acho que assusta as pessoas, afasta-as ainda mais porque têm mais com que se preocupar do que com os problemas dos outros. E dão-me respostas vagas, como Depois combinamos, ou não respondem de todo. E eu continuo angustiada. Mais angustiada ainda, achando que, afinal, não são assim tão meus amigos ou que eu apenas pensava que o eram. Mas já devia saber que seria assim. Por alguma razão, nunca ninguém quer a minha companhia. Já estou habituada a isso. No entanto, não deixa de ser doloroso estarem sempre a relembrar-mo.
E aí vêm novos pensamentos. Achar que não tenho ninguém com quem contar. Que nunca terei amigos a sério. Que nunca vou encontrar alguém que goste de mim. Em relação a este último ponto, já me mentalizei. E pensar nisso só me leva a crer que nunca mais serei feliz.
Acho uma estupidez pensar que só se é realmente feliz com outra pessoa, e não queria nada ser daquelas tristes que só se sente feliz assim, com alguém. Mas, vendo bem, parece que é esta a verdade. Parece que toda a gente é irritantemente feliz por ter alguém, e que a vida só faz sentido e é bonita desta maneira. Olhando para trás, apercebo-me de que a última vez que me senti feliz foi quando estava com alguém. Portanto, aí está. Por causa disto, ver casais apaixonados irrita-me. Ouvir músicas que falam de amor irrita-me. Ouvir os meus colegas de trabalho falar das suas vidas de casados ou de quase casados irrita-me. Já nem consigo ver filmes românticos que terminem num "felizes para sempre".
Ainda com todos estes pensamentos na cabeça, chego a casa. E, mais uma vez, tudo se abate sobre mim. Não sei o que fazer quando estou em casa; não há nada para fazer. E, muitas das vezes, o cansaço e o desinteresse são tão grandes, que dou por mim a desperdiçar tempo outra vez. A não fazer literalmente nada. Ou a chorar, sem ninguém se aperceber. Por detestar a minha vida, por achar que fiz tudo errado até então, por desejar voltar atrás no tempo, por só ver um negrume à minha frente.
Pode haver quem diga que não passa de uma fase, mas não acho normal que uma "fase" dure praticamente um ano. Pode haver quem diga que todos temos dias assim, os chamados "dias maus", mas não acho normal esse desequilíbrio tão grande entre "dias maus" e dias normais. Não acho normal uma pessoa não conseguir passar dois ou três dias seguidos sem chorar, sem achar que cada novo dia é um sacrifício, sem se perguntar a si própria que raio está a fazer aqui.
Às vezes, pergunto-me se não seria melhor se desaparecesse.

30/05/2017

"You were gone so fast, I want you back"

Desenho da minha autoria.
Ele dizia-me que eu era uma pessoa fantástica. Dizia-me que era bonita, linda tanto por dentro, como por fora. Chamava-me tantos nomes carinhosos. Dizia que adorava conversar comigo. E que adorava estar comigo. Dizia-me que se sentia tão feliz quando estava comigo, mas que, mais do que isso, se sentia de uma maneira como não se sentia há tanto tempo. E que, quando estava comigo, se esquecia de tudo, não se lembrava dos seus problemas e não pensava em mais nada. Dizia que tivera saudades minhas, mesmo quando tínhamos estado juntos há pouco tempo. Mesmo que tivesse sido no dia anterior. Mesmo que só se tivessem passado umas horas. Perguntava-me por que não me tinha conhecido há uns anos atrás. Dizia-me Adoro-te imensas vezes. E que eu fora a melhor coisa que lhe acontecera nos últimos tempos. Fez coisas por mim que nunca esperei e que nunca imaginei que fizesse. Olhava para mim de uma maneira como nunca ninguém me olhou. Como se estivesse perante algo fascinante. Como se eu fosse algo fascinante, algo fora de série. Perguntou-me diversas vezes se gostaria que ele fosse meu namorado e deu-me a entender que gostaria mesmo de o ser. Disse-me, até, que eu seria a melhor namorada do mundo. E que ele faria de mim a pessoa mais feliz do mundo. Fez-me sentir especial, amada, incrível, bonita e tão, mas tão feliz. Chegou a dizer que me amava. E que estava apaixonado. Disse-me que não me queria deixar e que adoraria ficar comigo. Disse-me que eu seria a pessoa certa para ele e que, agora, estaríamos juntos...se ele não tivesse namorada.

02/04/2017

"Do we need somebody just to feel like we're alright?"

Há alturas em que gosto de estar solteira. Pode parecer um tanto ou quanto egoísta e/ou insensível da minha parte, mas sinto-me livre. Gosto de fazer o que me apetece sem ter que dar satisfações a alguém e sem ter que me sentir como que "obrigada" a estar com alguém.
Mas também há alturas em que me sinto demasiado sozinha. Alturas em que sinto falta de uma companhia, de alguém com quem conversar e com quem passear, mesmo que sem destino. Alturas em que sinto falta de afecto e em que me sinto ridiculamente carente. E, nessas alturas, sim, gostava de ter alguém. Até porque parece que a vida não tem graça e que não faz qualquer sentido sem amor. Pelo menos, é essa a ideia transmitida em todo o lado.
Talvez tenha ficado habituada a ter sempre uma pessoa por perto quando precisava. E, de repente, fiquei sem ela. Deve ser por isso que me sinto tão só. Por isso e por me ver, agora, sem ninguém do meu lado, sem ninguém que se importe minimamente e que se lembre de mim de vez em quando.
Durante uns tempos, tentei colmatar esta solidão e esta "falta de alguém" saindo de casa e tentando fazer qualquer coisa de diferente com a minha mãe ou com um e outro amigo, de vez em quando. No entanto, apesar de a minha mãe também estar sempre disponível quando preciso, não foi necessário muito tempo para perceber que sair com ela só me fazia sentir pior. Mais sozinha e mais triste, como se tal fosse possível. Com amigos, é o oposto: sinto-me animada, acho que os meus problemas são pequenos e sem sentido, que estou a ser ridícula por estar triste e que posso fazer qualquer coisa. Mas cada um tem a sua vida e é sempre tão difícil encontrar-me nem que seja apenas com um deles. Acabo por me sentir irritada - e triste, também - quando levo uma resposta negativa a algum convite que faça e devido ao facto de, na grande maioria das vezes, ser eu a lembrar-me deles. Ao ponto de, durante uns tempos, desistir de convidá-los para o que quer que seja e deixar a minha tentativa de vida social de parte.
Tudo isto para dizer o quanto as pessoas começam a cansar-me. Por me desiludirem, por me magoarem, por me deitarem abaixo e por alimentarem os horríveis pensamentos negros causados pela depressão, ainda que não tenham consciência de que o façam.
Ainda há uns dias atrás, achei que seria bom conhecer outras pessoas. Mas, agora, já não o quero fazer. Só trariam mais desilusões.
Assim que o pus na cabeça, e assim que me apercebi que colmatar a solidão com outras pessoas também não era tão benéfico assim, achei por bem começar a sair sozinha. A ir para onde bem me apetecesse, sem dar satisfações, sem ter que me esforçar por manter uma conversa e sem ter que suportar aquelas irritantes conversas de circunstância. Achei que teria que aprender a desfrutar da minha própria companhia, e foi o que fiz durante uns dias. Surpreendentemente, não me senti sozinha. Senti-me livre.
E, com isto, veio uma dúvida. Será que precisamos realmente de alguém para sermos felizes?

16/03/2017

"Where did I go wrong? I lost a friend"

Talvez tenha sido estúpida por pensar que ex-namorados podiam ser amigos.
Pensava que, passado um tempo, pudéssemos voltar a falar. Que pudéssemos voltar a encontrar-nos e conversar sobre como estávamos, o que andávamos a fazer e quais eram os planos para o futuro.
Como sempre, fui ingénua. Sempre a tentar ver o melhor nas pessoas. Sempre a desiludir-me.
Custa. Porque, no fim de contas, acabei por perder um amigo. E custa saber que nunca falaremos de novo, que não suportarias estar no mesmo espaço que eu e que, muito provavelmente, me virarias a cara se passasses por mim na rua e fingirias não me conhecer se me visses em qualquer lado.
Sei que te magoei. Mas uma coisa é estar-se magoado, e, isso, o tempo acaba por curar, ou assim eu espero acreditar. Outra coisa é ignorar, ser-se parvo e mal-educado, agir como se eu não fosse nada. No fim de contas, parece que é mesmo isto...acabei por não ser nada. Depois de tanto tempo, parece que te foi passada uma esponja pela cabeça que te levou todas as memórias, como se nem sequer me tivesses conhecido.
Pensava mesmo que seríamos amigos. Enganei-me, como sempre. As minhas esperanças morreram com as atitudes que tiveste numa única semana.
Seja. Não vou gastar mais palavras.

19/02/2017

About Valentine's

Este ano, por muito que tivesse dito a mim mesma que este dia passar-me-ia ao lado, dei por mim a lembrar-me do dia dos namorados do ano passado. Talvez por ter feito um dia de sol maravilhoso, tal como no ano passado. Lembro-me perfeitamente de como foi. E, consequentemente, lembrei-me dos anteriores. Dos filmes, dos jantares, de um em que recebi um presente-surpresa através do correio, de um outro que se resumiu a uma viagem de comboio e a um singelo jantar de pizza, do primeiro a sério e do outro antes, em que recebi duas cartinhas parvas e engraçadas. Costumava detestar este dia; depois, passei a gostar; e, passados uns aninhos, achei-o desnecessário e começou a ser-me indiferente.
Este ano, foi um dia normal. As memórias vieram à tona, mas não deixou de ser um dia normal. Não houve cartinhas, nem presentes, quanto mais um programa especial. Um dia normal, mas que não me deixou tão indiferente assim. Já me cansam as exibições de felicidade de todos os casais e mais alguns num dia normal, quanto mais no dia dos namorados. É ver toda a gente a vomitar amor e felicidade através de fotografias nesse dia em especial. Completamente desnecessário, na minha opinião. E completamente irritante, também.
Estou sozinha por opção. Foi das poucas vezes na minha vida em que tomei uma decisão a pensar em mim mesma, e não nos outros - naquilo que os outros iriam pensar, mais concretamente. Fiz o que achei que seria melhor para mim, até porque continuar a arrastar algo que, para mim, perdera o sentido não seria justo para ninguém e traria tudo excepto felicidade. Na grande maioria dos dias, sinto-me bem, de facto. Mas há dias em que me sinto sozinha. Demasiado sozinha.
Não digo que me arrependo da decisão que tomei. É apenas isso, o sentir-me sozinha. Parece que nunca estamos satisfeitos. E, com todos estes pensamentos que surgiram neste dia, dei-me conta das voltas que a vida pode dar...

26/01/2017

Facto #47

É incrível como falar com alguém sobre aquilo que nos preocupa faz-nos ver o problema de outra perspectiva. Mesmo que esse alguém não compreenda, de todo, a situação. É incrível como falar e ver o problema de outra perspectiva faz-nos perceber que, afinal, o problema não era assim tão grande. E é incrível como, depois de nos apercebermos disso e de encontrarmos formas de contornar o problema, tudo parece voltar ao normal. Aos poucos, vou voltando a reencontrar-me e vou vendo pequenas luzinhas na escuridão. Luzinhas que começaram a acender-se - e que continuam a acender-se - graças às pessoas que me ouviram, que me deram conselhos, que me fizeram ver que o problema não era assim tão grande. Se as coisas têm solução, então têm tudo para dar certo. Basta querermos. 

27/12/2016

I think I've found a special friend

Quis desejar-lhe um bom Natal decentemente. Com direito a um daqueles abraços apertados e reconfortantes que tanto eu como ele adoramos. Mas não houve oportunidade para isso; as circunstâncias não o permitiram. Seria constrangedor, no mínimo, se o tivéssemos feito em frente a toda a gente. Há que manter uma certa imagem, por assim dizer. Por isso, apenas dissemos Bom Natal um ao outro. Tal como fiz com toda a gente.
Recebi uma chamada dele pouco depois de chegar a casa. E estranhei. Perguntou-me se podia descer, pois estava à minha porta. Quando lhe perguntei o que estava ele ali a fazer, disse-me que só queria vir desejar um bom Natal.
Desci. Falámos por uns cinco minutinhos, se tanto. Deu-me um presente. E um daqueles abraços. Enquanto isso, disse-lhe Agora sinto-me mal por não ter nada para te dar. Ao que ele respondeu Não vim cá com a intenção de receber alguma coisa. Sabes com que intenção vim cá, não sabes? Para receber um abraço destes. E isto, para mim, valeu mais do que todos os presentes de Natal possíveis e imagináveis.

13/11/2016

Em sequência do post anterior...

Resolvi deixar de pensar tanto no futuro quando isso só me deita abaixo. Afinal de contas, é sempre quando decido levar as coisas na desportiva e viver um dia de cada vez que tudo começa a melhorar e que a vida me surpreende. Posso vir a desiludir-me, no final. Mas, enquanto o "final" não chega, mais vale não pensar nisso. Mais vale deixar as coisas fluir e viver o presente. Se o presente me deixa feliz, mais vale ser feliz. Ser feliz agora. Sem pensar no futuro, mas manter, no fundo, uma leve centelha de esperança de que tudo irá correr bem. 
Só espero conseguir manter esse pensamento. Mas, mais do que isso, espero que não venha a dar-me mal.
Em todo o caso, ainda bem que existem pessoas que me fazem pensar assim e que me fazem tão bem. Se bem que, contudo, isto não deixe de ter a sua ironia...mas mais não posso dizer.

06/11/2016

Facto #45

Sinto-me completamente estúpida e ridícula por ficar tão em baixo e chorar que me farto por algo que ainda nem sequer aconteceu e que pode até nem vir a acontecer. Mas, neste caso em concreto, a probabilidade de esse "algo" acontecer é tão grande, que é como se eu já me estivesse a preparar para isso.
Tornei-me numa pessoa mais positiva, que, para além de tentar ver sempre um lado positivo em tudo, costuma pensar positivo, pensar que as coisas vão correr bem. No entanto, há certos casos - como este caso em concreto - em que parece não valer a pena pensar positivo. Porque, de tanto se pensar positivo, podemos vir a iludir-nos. E, depois, se acontece aquilo que mais temíamos, a decepção é ainda maior.

30/10/2016

Facto #44


Não sou uma pessoa expressiva. Daquele tipo de pessoa que expressa aquilo que sente - leia-se: sentimentos - como se falasse do estado do tempo. Já aqui, há uns anos atrás, falei sobre isso. No entanto, acho que acabo por perder por ser assim. Por não dizer as coisas. Por preferir não falar, achando que as pessoas sabem aquilo que sinto. Um pensamento errado, eu acho. Que comecei a achar errado, aliás, ultimamente. Primeiro, porque as pessoas não estão dentro da nossa cabeça e não vão adivinhar o que sentimos. E, segundo, porque nós próprios podemos não passar a ideia correcta. Podemos, involuntariamente, ter certas atitudes ou dizer certas coisas sem controlarmos, que levam os outros a achar que nos sentimos de determinada maneira em relação a eles. Que nos sentimos de uma maneira que não corresponde à verdade.
Já perdi uma pessoa por não ter dito o que sentia. Ou melhor, por não ter sido capaz de admitir o que sentia em relação a essa pessoa e por só me ter apercebido disso quando já foi tarde. Ando a lembrar-me disso constantemente e a dizer a mim mesma que não quero cometer o mesmo erro.
Mas é-me demasiado difícil expressar-me. Enquanto para algumas pessoas é algo completamente natural, para mim é demasiado assustador. Ando a trabalhar nisso, mas, mesmo assim, fica sempre algo por dizer. Acabo sempre por pensar que podia ter dito mais.
Apesar de tudo, estou mesmo disposta a ultrapassar isto. A expressar-me e a não deixar nada por dizer, apesar de todos os medos. Antes que seja tarde.

29/10/2016

Just friends

Ele (depois de debitar uma lista de coisas de que gosta acerca dela): Gosto dos teus abraços. São tão apertados e quase fico sem respirar, mas pronto...
Ela: Ups. Desculpa.
Ele: Não; eu gosto. São tão gostosos. Tão bons.
Ela: Aww...
E limitou-se a continuar a olhar para ele e a sorrir feita parva. Enquanto ele continuava a debitar a lista de coisas de que gosta acerca dela. 

22/10/2016

A felicidade consegue ser tão simples

Perguntaram-me o que era preciso para me fazerem feliz. Respondi que basta mostrar-se que se importam. Que se preocupem, que demonstrem que gostam de mim e que querem estar comigo. Não sei como me saiu esta resposta, mas é mesmo assim. Vindo dos outros, não preciso de muito para me sentir feliz. Porque, vendo bem, passar um bom bocado com alguém de quem gosto - seja a tomar um café e a conversar, seja a dar um passeio, ou qualquer outra coisa - faz-me sentir feliz. Sinto-me feliz quando isso acontece; sinto-me feliz quando recebo um convite ou quando se programa qualquer coisa; sinto-me feliz no momento em que estou com essas pessoas e sinto-me feliz quando as deixo e quando regresso a casa. Não deixa de ser estranho este sentimento. Isto é, de existirem pessoas que nos fazem tão bem. Que nos fazem sentir bem, valorizadas, especiais, felizes - em separado ou tudo isto ao mesmo tempo.

18/10/2016

Quando a música fala por nós


Há umas semanas atrás, estes versos adequaram-se:

We had fire in our eyes
In the beginning I
Never felt so alive
(...)
I swear, I never meant to let it die
(...)
It's not fair when you say that I didn't try
Three Days Grace - Let It Die

(...)should have last forever
But now it's time to sail on 
So take this anchor from my heart
So we can finally drift apart 
Before we drown in sorrow

Hoje, o verso que se adequa e que nunca fez tanto sentido como agora é este:

I am scared to death to fall in love with you.

09/10/2016

Descompliquem

Eu sou assim. Geralmente, quando me propõem um programa, alinho. Pode não ser logo na hora, mas alinho. Porque estar com pessoas de quem gosto sabe-me sempre bem. E, como nem sempre isso é possível, aproveito estas raras oportunidades. Estes raros Vamos?. Mesmo que já tenha planeado outra coisa qualquer, mesmo que não seja fim-de-semana, mesmo que a minha vontade seja ficar em casa durante o que resta do dia...é com um Vamos! que eu respondo. Porque sei que são coisas que me vão fazer bem e que podem não se vir a repetir tão cedo.
Não sei por que não existem mais pessoas assim. Podem até existir mais pessoas assim do que eu sequer imagino, mas, infelizmente, ainda não as encontrei para poder rodear-me por elas. As pessoas, regra geral, são tão complicadas. Tão pouco espontâneas. Que, quando ouvem um Vamos?, parecem não ficar minimamente felizes por nos termos lembrado delas. Não respondem com um Vamos!, não tomam a iniciativa. Dizem, antes, um vago Depois combinamos. Complicam.
Preciso mesmo de pessoas assim, descomplicadas e espontâneas. Como eu acabei por me tornar.

06/10/2016

Ao meu primeiro namorado - que eu achei que seria o único

Não vou escrever um texto sobre como nos conhecemos. Nem sobre tudo o que vivemos durante estes sete anos e meio, sobre as prespectivas de futuro que tínhamos e que não se realizaram ou sobre o modo como as coisas poderiam ter sido. Nem sequer vou escrever sobre os motivos que me levaram a achar que este seria o melhor desfecho, tanto para mim, como para ti também. Não, não vou escrever sobre nada disto. Só te quero dizer Obrigada.
Obrigada por teres gostado de mim como sou. Obrigada por me teres feito sentir amada e especial. Obrigada por teres sido o meu primeiro melhor amigo, o meu primeiro beijo e o meu primeiro namorado. Obrigada por todo o apoio que me deste ao longo deste tempo, por toda a paciência que tiveste para mim, por toda a compreensão que revelaste. Obrigada por todos os mimos e pela melhor surpresa que me fizeste - apareceres à porta do meu apartamento no Porto sem avisar. Obrigada por todos os lanches e todos os jantares que tivemos juntos. Obrigada por todos os passeios que demos, aos mais diversos sítios. Obrigada por me teres dado a conhecer os Porcupine Tree - e outras bandas, mas principalmente esta - e por me teres apresentado ao universo do Senhor dos Anéis. Obrigada pelas maratonas de episódios de True Blood, pelos serões de filmes e de jogos na Wii e pelos momentos em que apenas nos aninhávamos um no outro, mesmo que não disséssemos nada. Obrigada por todas as conversas que tivemos. Obrigada por todos os outros programas que tivemos juntos. Obrigada por teres tido fé em mim e por me teres levantado nas piores alturas. Obrigada por me teres feito sentir a pessoa mais feliz e sortuda do mundo. Obrigada por todos os momentos, por todas as memórias que vou conservar para sempre. Obrigada pelo amigo que foste, pelo namorado que foste e pela pessoa que foste. E por aquilo que nós, juntos, fomos. Em suma, obrigada por tudo.
Infelizmente, o futuro nunca é como imaginamos. E, se há coisa que não conseguimos controlar, é o nosso coração. Mais concretamente, aquilo que sentimos.
Não penses que não me custou olhar para ti e ver a tua dor enquanto te dizia que o melhor seria seguirmos caminhos diferentes. Sabia que estava a partir-te o coração; não penses que isso não me custou. Não penses que também não sofri e que não me senti uma pessoa horrível ao dar-me conta do que estava a acontecer connosco. E, por favor, não penses que me vou esquecer de tudo o que vivemos durante todo este tempo e de todas as memórias que me proporcionaste.
Só espero, quando todo o teu sofrimento passar, que possamos ser os mesmos amigos que sempre fomos. Até lá, só quero que fiques bem. E que sejas feliz. Eu sei que vais conseguir.

26/05/2016

"Grandes amigas que vocês me saíram"

É o que me apetece dizer, às vezes. Pergunto-me o que devo ter feito numa vida passada para ser tão ignorada agora.

30/03/2016

Mais de 1000 razões para ser feliz #20


Fotografias minhas.

A minha tal amiga de escola, da qual falei aqui, já cá esteve e já se foi embora. Tinha dito que, se só nos encontrássemos uma vez, já me dava por contente, mas acabámos por nos encontrar três vezes. Eu, ela e outros amigos de escola, pessoas que já não via e com quem não estava há imenso tempo. Num dos dias, saímos para ir jantar uma pizza deliciosa; noutro, fomos passear até às Sete Cidades (na primeira foto) e desfrutar do ar livre enquanto fazíamos um piquenique improvisado; e, noutro, ficámos pelo bar de uma praia com um sol tão bom. Foram reencontros com boas conversas e gargalhadas, passados em boa companhia, que me fizeram tão bem e que me souberam pela vida. Adorava poder ter mais momentos destes, pequenos, simples e felizes, como um escape à rotina e com pessoas de quem gosto e que sei que gostam de mim. Fazem-me sempre tão bem, fico feliz comigo mesma e tornam um dia muito mais radiante. Espero que as coisas se mantenham sempre assim dentro do nosso pequeno grupinho. Já tenho saudades.

09/03/2016

Deixou-me contente

Uma das minhas amigas de escola mudou-se para Évora no início do secundário. Mas, apesar disso, mantivemos o contacto. Apesar de não falarmos com frequência - estamos longe disso, até -, tentámos encontrar-nos sempre que fosse possível, embora raramente tivéssemos essa oportunidade. Acho que a última vez que a vi foi há quase dois anos, quando nos encontrámos por mero acaso em Lisboa, sem sequer termos combinado nada.
Ela já tinha dito que, este ano, vinha passar uns dias aqui à ilha. Mas não fiquei com grandes esperanças, pois só acreditaria que ela viesse mesmo quando tivesse o bilhete de avião comprado. No outro dia, ela surpreendeu-me ao dizer que já o tinha - ou melhor, ao enviar-me um printscreen do bilhete. Fiquei mesmo contente. Não só por saber que ela sempre vem e que vou voltar a vê-la passado tanto tempo, mas também por ela me ter dito que vinha e quando vinha. É sinal de que, apesar da distância, de raramente nos vermos e de não falarmos com frequência continuamos a ter a mesma importância uma para a outra. É sinal de que nada mudou, já que ela podia vir cá e nem me dizer nada. Mesmo que só nos encontremos uma vez durante o período que ela cá estiver, estou já a contar os dias.

28/02/2016

Mais de 1000 razões para ser feliz #19


Ontem, dia vinte e sete, celebrámos sete anos desde que estamos juntos. Não passávamos este dia juntos há anos, pelo que decidimos fazer algo diferente. Foi dia de sair da cidade, de comer aquelas que considero as melhores hamburguers da ilha, de passear no parque de mãos dadas, de namorar nas piscinas termais e de terminar o dia com algo doce e com um chocolate quente delicioso. Foi dia de ser feliz.
Quanto a nós, bem, já deixei tantas palavras a respeito dele por aqui, que pouco ou nada tenho para acrescentar. Aliás, acho que nem sequer são precisas palavras. Ele sabe o que eu sinto e o que ele significa para mim. E já passámos por tanto e já vivemos tanto... mas sei que ainda temos muito mais para viver, e tenho a certeza de que mais anos virão. Obrigada por tudo 

26/02/2016

Facto #39





Podia ter sido eu a escrever isto. Enfim...