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31/12/2017

Coisas boas de 2017


2017 foi o pior ano que já tive até agora. Creio que deve ter dado para perceber através daquilo que escrevi no blog durante este ano. Escrevi tão pouco, mas tudo o que escrevi foi negativo. Tudo o que escrevi foi devido à necessidade de vir aqui despejar os meus sentimentos e os meus desabafos mais sombrios. E, com isto, parece que me esqueci de me focar nas coisas boas. Que, na verdade, foram tão poucas. E que achei não serem merecedoras de destaque. Principalmente porque, como já deve ter dado para ver, já não sou a blogger que costumava ser.
No entanto, quis deixar registadas as coisas boas deste ano, ainda que poucas. Apenas porque me apetece. Apenas para recordar mais tarde. Para me lembrar que, por mais horrível, negro e depressivo que um ano inteiro seja, há sempre algo que nos faz levantar um pouco a cabeça e subir do fundo do poço. Mesmo que sejam só uns meros centímetros, antes de voltarmos a escorregar e batermos lá em baixo outra vez.

31/12/2016

Sobre 2016

Este ano trouxe o começo de uma nova etapa. Comecei a trabalhar - pronto, é um estágio, mas, mesmo assim, foi o meu primeiro contacto com o mundo do trabalho - e deixei a vida de estudante para trás, da qual tenho tantas saudades. Pois é. Estava eu ansiosa por deixar de estudar e começar a trabalhar, mas não foi preciso passar muito tempo para me aperceber de que a vida enquanto estudante é que era boa. Adoro receber o meu próprio dinheiro e poder gastá-lo no que quiser sem ter que o pedir a ninguém. E, inicialmente, achava fantástica a sensação de chegar a casa depois de um dia de trabalho e não ter que voltar a pensar nisso até ao dia seguinte. Ou seja, de não ter que estar a estudar ou a fazer trabalhos. Mas, ultimamente, isto de andar mais desocupada está a cansar-me. Ando cansada de descansar, e nunca pensei vir a sentir isso. Este ano trouxe-me, assim, uma nova experiência, e, com ela, uma nova perspectiva em relação à vida, mas, também, algumas dúvidas e incertezas quanto ao futuro, em termos profissionais. Termino o ano sem saber bem se é isto que quero fazer e com o desejo de voltar a estudar em breve.
A par disso, 2016 foi um ano peculiar. E isto porque teve diversos altos e baixos. Dias demasiado bons e momentos fantásticos; dias péssimos e momentos terríveis. Especialmente nestas últimas semanas. O stress em relação ao trabalho aumentou, havendo dias em que isso me deitou abaixo. Reprovei num dos exames da Ordem e comecei a perguntar-me se valerá a pena continuar a insistir em algo só por ter que ser, e não porque me faz feliz. Apercebi-me de que os meus sentimentos em relação ao meu actual ex-namorado estavam a morrer e senti-me a pessoa mais horrível à face da Terra por causa disso. Algumas pessoas desiludiram-me, mas perdoei-as. E deixei de me reconhecer a mim própria. Perdi a vontade para tudo aquilo de que gosto de fazer e caí num estado depressivo e de tristeza que me trouxe os piores dias de que tenho memória. Esses dias ainda persistem, contudo, intercalados com dias melhores. Tenho tido altos e baixos, dias em que estou perfeitamente bem e em que sou eu própria outra vez e dias assim, em que me sinto completamente perdida, triste e sozinha e a achar que a vida não faz qualquer sentido por eu não estar feliz. Não é normal, e eu própria reconheço que não estou bem. Termino o ano assim, neste estado.
Mas o ano também me trouxe momentos maravilhosos, e é neles que prefiro focar-me. Apesar de ter reprovado num dos exames da Ordem, o outro correu super bem. Fui aprovada com distinção, o que me fez pensar que, afinal, fiz qualquer coisa bem ao longo do estágio. Que, afinal, até sou capaz de fazer alguma coisa de jeito no que toca ao trabalho. O estágio em si correu muito bem. Aliás, bem melhor do que estava à espera. Posso não morrer de amores por aquilo que faço e podem haver dias em que não gosto mesmo nada daquilo que faço, mas gosto muito do lugar em que estou e do ambiente. Deve ser a primeira vez na vida em que não me sinto tão deslocada e em que sinto que faço parte de alguma coisa. Mas já chega de falar sobre trabalho. Fiz novos amigos e reencontrei-me com antigos. Dei passeios fantásticos durante o Verão e descobri recantos tão bonitos que desconhecia por completo. Vi os Iron Maiden e os Nightwish, e foram das melhores noites da minha vida. Visitei Sintra pela primeira vez e adorei. Fui tantas - demasiadas, até - vezes a Lisboa e senti-me livre a cada momento. Posso ter chorado como nunca durante este ano, mas também sorri e ri tanto, mas tanto, e consegui sentir-me feliz durante algum tempo.
Para além disso, sinto que mudei. Não sei se para melhor ou para pior; só sei que, definitivamente, não sou a mesma pessoa que era no início do ano, nem tão-pouco a mesma pessoa que era há uns anos atrás. Sinto-me mais espontânea, com maior vontade de viver e de arriscar. Mais sarcástica também, e com menos medo de dizer o que penso. Mais verdadeira, talvez. Começo a expressar-me mais e a desabafar mais, e eu não fazia ideia do quanto isso era libertador. Acho que uma das melhores coisas que me disseram este ano foi que eu sou exactamente aquilo que demonstro ser. Ou seja, que não finjo ser alguém que não sou; que não finjo ser uma pessoa e, no fim, sou outra totalmente diferente. Foi algo mesmo bom de se ouvir.
Para 2017, o meu maior objectivo é pôr a cabeça em ordem. Pensar realmente - e pensar bem - naquilo que quero, sair deste estado negro e depressivo em que tudo parece tão triste e sem sentido e reencontrar-me novamente, voltar a ser feliz, a adorar a vida, a ver algo bonito e positivo em tudo. Espero voltar a estudar. Não sei se será um mestrado ou uma nova licenciatura - se bem que, se assim for, vou sentir que andei a desperdiçar estes anos todos e que tudo o que fiz foi em vão, apesar de, no fundo, não ser bem assim -; essa é uma das coisas na qual tenho que pensar muito bem. Mas vou voltar a estudar, isso é certo. Ando a pensar em começar a ter aulas de guitarra, algo que já quis há uns anos atrás, mas de que, entretanto, acabei por desistir. Voltei a lembrar-me disso, até porque tenho tempo livre de sobra, mas, para já, é apenas uma ideia e pode nem vir a concretizar-se devido à minha actual pouca vontade de fazer o que quer que seja. Vou continuar a tentar publicar o meu livro e espero que a vontade e a paixão por escrever regressem em breve. Quero muito ir ao concerto dos HIM em Junho. E vou passar quase duas semanas em Toronto, algo pelo qual estou muito ansiosa. Vou ter com uma amiga que lá está a viver de momento, e nessa altura os Delain vão lá estar e já começamos a planear ir juntas ao concerto. Vai ser tão espectacular, e eu mal posso esperar por essa viagem.
Acima de tudo, e isto vem na sequência do meu principal objectivo para o ano que se inicia, espero fervorosamente que 2017 me dê a oportunidade de ser feliz de novo.

20/09/2016

Sobre o estágio

Voltou a correr bem. Depois daquela fase em que me senti triste e desmotivada, ansiosa para que aquilo acabasse, voltou a correr bem assim de repente. Não sei porquê, mas ainda bem que assim foi. Acho que é o facto de ter mais coisas ou coisas novas para fazer que me dá outro ânimo - porque não suporto estar num suposto local de trabalho parada, a sentir-me uma inútil. Para além disso, o meu relatório para a Ordem está pronto e entregue - foi o relatório mais rápido que já fiz na vida -, e graças a ele tive maior noção daquilo que fiz ao longo destes meses. Notei que fiz alguma coisa, que contribuí com alguma coisa. Mais do que o próprio relatório, foi o parecer da minha orientadora que mais me ajudou a ver precisamente isso. Não estava nada à espera de um parecer daquele género e confesso que fiquei babada, com a sensação de dever cumprido - embora ainda haja muito trabalho pela frente - e de que, afinal, valho alguma coisa e fui capaz de alguma coisa.
Penso que foi por aí que as coisas voltaram a melhorar. Deixei de me arrastar para o trabalho; deixei de achar que ir para lá todos os dias era um enorme sacrifício. Até os dias e as semanas têm passado a voar. Já estou tão acostumada àquele ambiente e àquelas pessoas que vai ser tão estranho ir-me embora dali. Especialmente por causa das pessoas. Afinal, se não tivessem sido tão simpáticas, tão prestáveis e brincalhonas desde o início, a coisa não teria corrido tão bem. Fizeram sempre os possíveis para que me sentisse integrada, e isso ajudou bastante.
O meu contrato como estagiária termina no final deste mês. Há a possibilidade de ser prolongado por mais nove meses, mas nunca tive grande esperança que tal acontecesse. Tive sempre a sensação, desde o início do estágio, que só estaria ali por nove meses e que não haveria mais do que isso. Olhando para trás, acho que foram os nove meses mais rápidos da minha vida.
Sempre tive essa sensação, porque era isso que me davam a entender. Nos últimos dias, tem surgido, inesperadamente, mais trabalho para mim, da minha área, pelo que pode, até, haver uma pequena hipótese de prolongarem o meu contrato. Mas tenho quase a certeza de que vou ficar por aqui, e acho que vou manter esse pensamento para não me (des)iludir. Quase toda a gente é da opinião de que devia continuar na empresa e alguns até têm um feeling de que tal pode acontecer - não só pessoal da empresa, como também da minha família -, mas eu duvido muito. Até porque tal decisão tem que passar pelo director da dita cuja. É ele quem dá a palavra final, mesmo que a opinião geral seja manterem-me lá. E é por isso que não tenho grande esperança, porque parece que, desde o início, só precisariam de mim por nove meses e depois acabava. Como se o meu trabalho pudesse ser feito por outra pessoa qualquer, quando isso não é verdade. Ou, então, acabarão por arranjar outra estagiária para o meu lugar. Nunca se sabe.
Houve uma altura em que isso me preocupou. O sair de lá no final de Setembro e ficar desamparada de novo. Depois, houve a altura em que não queria saber, que até preferia ir-me embora no final de Setembro porque estava fartinha daquilo tudo. Agora, para ser sincera, estou preparada para o que vier. Se quiserem que continue lá, não vou dizer que não; acho que seria uma estupidez recusar trabalho, sobretudo quando não tenho um plano B. Se não quiserem, está tudo bem na mesma. Costumava dizer que ia deprimir em casa e desesperar à procura de trabalho, ao que os meus colegas diziam que ao menos podia descansar a cabeça por uns tempos e ficar como que de férias. Dito assim, até não é uma má ideia, uma vez que nem tive férias durante este Verão. E aproveitarei para me focar no exame da Ordem. E, depois disso, logo verei o que fazer. Já não temo nada. As coisas acontecerão.
O certo é que é já esta semana que vou saber "o meu destino na empresa" e já ando a ficar ansiosa.
Seja como for, e como não podia deixar de ser, aprendi muito e cresci muito neste estágio. Foi numa área da nutrição tão diferente, tão fora da minha zona de conforto que, muitas vezes, receei não estar à altura das tarefas. Mas fui-me surpreendendo a mim mesma e superando obstáculos, para, agora, sentir-me muito mais confiante e tornar-me noutra pessoa que não a miúda assustada que entrou na empresa nos primeiros dias. Levo coisas boas daqui, sim. E a melhor - que não deixa de ser a mais inesperada também - é uma amizade. Que eu tenho a certeza que durará muito tempo.

24/02/2016

Cinco anos de blog

Foi há precisamente cinco anos que resolvi criar este blog. Este blog que surgiu por impulso, apenas por ter sentido saudades deste mundo, se bem que, na altura, não havia toda esta interacção que hoje existe. E que, por ter surgido por impulso, não fazia ideia daquilo que iria publicar, muito menos que iria mantê-lo durante todo este tempo. De início, achei que queria isto apenas para poder desabafar através de um teclado quando as coisas não estivessem muito bem. Mas rapidamente vim a descobrir que há muito mais do que escrever para além de desabafos, e, com isto, ganhei o gosto pela partilha de tudo e mais alguma coisa: de sonhos, de gostos, de experiências, de coisas sobre mim mesma. Quando pensava que iria fartar-me disto e que só ia escrever umas poucas dezenas de publicações por não acontecer nada de interessante no meu dia-a-dia, eis que me mantive minimamente activa por estas bandas durante os últimos cinco anos e que publiquei mais de mil mensagens acerca de temas tão diversos. Tive a minha dose de comentários nojentos por parte de anónimos e tive alturas em que me senti perseguida por determinadas pessoas, mas sem dúvida que os aspectos positivos de tudo isto de ser blogger se sobrepõem aos negativos. A partilha, a interacção, o encontrar pessoas parecidas connosco, o apoio, o sentimento de que não somos os únicos, enfim, tudo o que a blogosfera tem de bom é indescritível e impagável. Obrigada a quem me lê e a quem aqui deixa as suas palavras, pois, se não fosse isso, provavelmente não teria permanecido aqui durante muito tempo - embora me pareça que isto está a ficar demasiado morto para meu gosto e que estou a voltar à fase de "escrever para o boneco", mas pronto. Apesar disso, já registei tanto de mim aqui, que deixar de escrever neste espaço de um momento para o outro é algo que, a meu ver, não faz sentido. Não me imagino sem isto; imagino-me, antes, a continuar a registar momentos, ideias, sonhos, opiniões e pensamentos ao longo dos próximos anos, e vir aqui recordá-los no futuro.
Um dos meus próximos "projectos" a nível do blog, para além da publicação de todos os outros posts que tenho em mente, passa por dar-lhe um novo visual, já que não altero este design há anos - sim, não é um exagero, é mesmo no sentido literal. Gostava de conseguir fazer um desenho giro para pôr no cabeçalho. Hei-de tratar disso.

30/12/2015

Memórias de 2015

2015 foi um ano que começou da pior forma possível, e, por causa disso, achei que tinha tudo para ser um péssimo ano. Também graças a isso, tive que aprender - ou habituar-me - a viver sem a presença de uma das pessoas mais importantes da minha vida. No entanto, o ano acabou por me surpreender pela positiva, e, apesar de ter começado tão mal, deu-me vários motivos para sorrir.
2015 foi o ano de deixar a "casa de estudante" e a faculdade, para regressar a casa. Com isto, também deixei o Porto, a cidade que tão bem me acolheu e que se tornou na minha segunda casa, mas tive várias oportunidades de lá regressar, com as quais matei todas as saudades e me apaixonei ainda mais pela cidade. Algumas destas oportunidades foram inesperadas, com as quais fiz uma formação na faculdade - onde nunca pensei voltar a entrar - que me fez aprender imenso. Por falar na faculdade, 2015 foi o ano em que me licenciei e passei pelo stress de escrever e de defender uma tese. Foi o ano em que fiz um estágio pela primeira vez, o que me fez ganhar gosto pela minha futura profissão, descobrir áreas de interesse e crescer a nível pessoal.
2015 foi o ano em que risquei mais desejos da minha wishlist. Conheci Coimbra e Amesterdão. Regressei à prática do melhor desporto do mundo. Assisti a um dos melhores concertos da minha vida. Ganhei gosto pelos passeios na natureza, armada em turista. Entrei tanto na água fresca de uma cascata, como nas águas quentes de uma piscina termal. Li, finalmente, a trilogia d'O Senhor dos Anéis, bem como outras que queria ler ou terminar há já algum tempo. Continuei a dedicar-me aos meus hobbies de alma e coração, acabando por encontrar o meu estilo no que toca ao desenho - em relação à escrita, ainda me falta um bom bocado para acabar o segundo volume da minha trilogia sem nome...e acho que, afinal, não vou chegar às duzentas e cinquenta páginas antes do ano terminar, como tinha proposto a mim mesma. E continuei a apreciar as coisas simples e a ver a vida com positivismo; continuei a gostar de passear e de explorar uma cidade, mesmo sozinha e na minha própria companhia, a adorar os cafés e as esplanadas, as gordices, a água do mar no calor do Verão. Voltei a ter um sorriso metálico, o que não é propriamente bom, mas ao menos sei que estou a "caminhar" para cumprir mais um desejo que tenho. Ouvi álbuns de tirar o fôlego, lançados este ano e não só. Comprei o meu primeiro carro e voltei a conduzir passado tanto tempo. Conheci uma blogger pessoalmente, e foi incrível a empatia que sentimos uma pela outra logo no primeiro instante, como se já nos conhecêssemos - e, apesar dos quilómetros que nos separam, espero que voltemos a encontrar-nos e que possamos manter esta amizade inesperada.
Em 2016, espera-me uma nova etapa. Finalmente, a expressão Ano novo, vida nova vai fazer algum sentido. Espero que traga tudo de bom e mais razões para sorrir, não só a mim, mas também a vocês.

17/07/2015

Estágio: a retrospectiva

Comecei o estágio sem grandes expectativas. Não sabia o que ia fazer, quanto mais o que queria fazer. Mas foi sempre assim ao longo do curso. Tantas possibilidades, algumas das quais descartei logo à partida por não me despertarem interesse...e eu sempre sem saber o que fazer. Isto é, para que área me debruçar; que área escolher para estagiar e para trabalhar no futuro. Em termos de local de estágio, um hospital era das últimas opções. Passei o curso quase todo a fugir da área clínica, não só por ser aquela a que todos associam um nutricionista e por ser a mais concorrida, mas também porque os meus professores assustavam-me com aquilo que diziam em relação à clínica. Que as pessoas podiam ter várias doenças ao mesmo tempo, que podiam tomar imensa medicação que influenciasse a alimentação de alguma forma, que podiam mentir em relação ao que andavam a comer, e por aí fora. E tudo isto fazia-me pensar: Isto deve ser horrível. Nunca vou conseguir fazer isto. De tal forma que comecei a fugir desta área. Mas depois veio a cadeira de dietoterapia, e eu achei piada à coisa. Ah, olha, afinal a clínica não parece ser assim tão má. Mas continuei sem saber para onde ir, até meter na cabeça que um hospital seria, realmente, a melhor opção. E isto porque dar-me-ia a oportunidade de contactar com diversas áreas. Só assim poderia saber aquilo de que gostava.
Mas não foi muito bom, no início. Nos primeiros dias, sim, pois tinha acabado de chegar e estava ainda a entrar no ritmo e a perceber como as coisas funcionavam, pelo que não era exigido muito de mim. Mas, depois, houve algumas fases menos boas, porque não estava com grande motivação por não perceber o que podia fazer ou o que queriam que fizesse, e elas perceberam-no, perceberam que eu não sabia o que queria e tive alturas em que me passei um bocado, inclusive um dia em que saí de lá com imensa vontade de chorar. Contudo, e por incrível que pareça, uma vez que achei que todo o estágio seria um sacrifício e que não ia correr nada bem, a coisa melhorou. Consideravelmente. E que ninguém me pergunte como, porque nem eu sei responder. Não sei mesmo que raio aconteceu, mas que tudo melhorou, melhorou.
Aprendi imenso, e ganhei conhecimentos que certamente serão bastante úteis no futuro. Compreendi, finalmente, como as coisas funcionam, acabando por perceber que a clínica, afinal, não é tão assustadora como os meus professores pintavam. As coisas são feitas de uma forma extremamente prática, embora um pouco diferente daquilo que aprendi na faculdade, mas é (quase) sempre certo que a prática nada tem a ver com a teoria, o que não quer dizer que, quando trabalhar a sério, não venha a fazer as coisas da forma mais "certinha", ou seja, como aprendi na faculdade. Sim, as pessoas podem mentir e podem desleixar-se completamente, deixando uma pessoa a sentir-se um tanto ou quanto impotente por não saber de que outra forma poderá ajudá-las. Mas, lá está, o nutricionista não faz milagres, estando o sucesso dependente da pessoa. E, se ela mente e se se desleixa, o problema é dela. Vi imensos casos perdidos, em que, de facto, o melhor a fazer era "deixar andar", porque, quero dizer, não vale a pena ser de outra forma. Mas vi, também, vários casos de sucesso. E, ainda, casos chocantes. 
Mas, para além de ter sido um período de crescimento a nível académico, o estágio foi, também, um período de crescimento a nível pessoal. Era impensável para mim chegar junto de uma pessoa desconhecida e começar a falar com ela do nada; era algo que me aterrorizava, acreditem ou não. Contudo, tive que o fazer ao longo do estágio, com os doentes internados, e estava mesmo nervosa da primeira vez que tive que falar com um, mas, depois, a coisa tornou-se tão banal, que, enfim. Ainda para mais, a primeira doente com quem falei só falava inglês (não me perguntem como veio ela parar aqui), por isso comecei mesmo em grande. Consegui superar-me a mim própria ao superar obstáculos como este.
E, ainda, cumpri o meu maior objectivo: descobrir-me. Descobrir aquilo de que gosto nesta área. E pode parecer algo cliché, mas aquilo de que mais gostei ao longo destes meses foi de ajudar. Ganhei gosto em ajudar, no que toca a isto da alimentação. Esclarecer dúvidas, promover a alimentação saudável, explicar o que comer e o que não comer tendo em conta a doença da pessoa e a intervenção cirúrgica a que foi submetida. E ter falado com tanta gente internada fez-me perceber isso, para além de que me sentia útil e de que o meu dia era capaz de melhorar um bocadinho por tudo isto. A princípio, até me sentia um bocado mal, por achar que estava a incomodar os doentes, mas, com o tempo, vi que eram muito poucos os que não tinham paciência para me aturar. A maioria gostava de falar, a ponto de eu ter que ficar junto deles durante imenso tempo para ouvir uma ou outra história ou um ou outro desabafo. Gostei de conhecer doentes simpáticos e que não paravam de dar conversa, cheios de perguntas sobre a alimentação e sobre a sua situação clínica, muito interessados nestas temáticas e determinados a lutar pela sua saúde. Deu gosto conhecer senhores e senhoras que estavam impecáveis com os seus oitentas e tais, completamente orientados e a andarem de um lado para o outro e a fazerem a sua vidinha como se nada fosse (ainda há esperança num envelhecimento saudável e feliz...se bem que não era completamente saudável, uma vez que estavam num hospital e tiveram que ser operados a qualquer coisa, mas, de qualquer das formas, chegar aos oitentas e tais a falar e a andar correctamente já é uma vitória, eu acho). Achei engraçada toda a familiaridade nas enfermarias: saber o nome dos enfermeiros todos e reconhecer os doentes que ainda se mantinham por lá, de tal maneira que decorava os seus nomes, deixando de ser o doente da cama X para passar a ser o senhor não-sei-das-quantas. Achei estranho que me tratassem por doutora algumas vezes, mas, claro, também houve quem dissesse que eu parecia muito nova. E isto já é típico, mas eu até comecei a esmerar-me um bocado desde o início do estágio, precisamente para não ser confundida com uma estudante do liceu que estava num part-time para ganhar uns trocos. Maquilhar-me era impensável para mim, mas lá comecei por esse mesmo motivo - mas nada de especial, apenas base e risco preto, aos quais acrescentava o batom, que, apesar de ser de cieiro (noutras palavras, necessário), tinha um bocadinho de cor -, acabando por perceber que não servia de muito, já que continuavam a dar-me menos idade.
Em suma, ver as coisas de perto, num contexto mais real, tão diferente daquilo que me era transmitido na faculdade, fez com que me descobrisse e com que ganhasse gosto por esta profissão. Agora, não tenho dúvidas de que a área clínica é a minha área de eleição e de que é aquela onde espero vir a trabalhar.
Por tudo isto, hoje terminei o estágio com satisfação, já que todos os objectivos foram cumpridos - e a orientadora local ficou com uma melhor opinião acerca de mim e escreveu-me um parecer todo jeitoso. Aprendi, cresci, evoluí imenso, descobri-me.
E estou de férias, por fim. Aliás, acho que só me vou sentir verdadeiramente de férias quando tiver os trabalhos impressos, encadernados e prontíssimos a seguir por correio (se bem que, depois, ainda tenho o powerpoint da defesa para fazer, mas, não, não vou pensar nisso agora). Por enquanto, ainda estou à espera que a orientadora me dê luz verde para imprimir, uma vez que já está tudo feito. Mas, de qualquer das formas, deixar de ter hora para acordar e hora para ir para a cama faz com tudo seja mais descontraído, mais feliz. E nada melhor para começar as férias do que ter a casa por minha conta esta noite.

31/12/2013

Memórias de 2013

Nota: as fotos foram tiradas ou por mim, ou pelo meu namorado ou pela minha irmã. Apenas as imagens 2 e 5 foram retiradas da internet.

Em 2013 eu:
1 - visitei Barcelona
2 - participei pela segunda vez num concurso literário;
 não ganhei, mas continuo sem desistir de publicar os meus livros
3 - tive umas férias de Páscoa diferentes - fora de casa -, durante as quais voltei ao zoo de Lisboa passados mais de dez anos
4 - apaixonei-me ainda mais e contei quatro anos junto dele
5 - provei sushi pela primeira vez e tornei-me imediatamente sua fã
6 - passei uns óptimos e relaxados dias de Verão na ilha vizinha da minha, à qual também não ia há uns bons anos
7 - fui ao melhor concerto de sempre até agora (MAIDEN!!)
8 - pintei o cabelo pela primeira vez (embora tenham sido só as pontas)
9 - passados uns dez anos, voltei a descer a Lagoa do Fogo
 (quem já esteve aqui nos Açores deve saber do que falo)
10 - dei um passeio fantástico num barco com um fundo de vidro, a partir do qual pude ver a ilha de outra perspectiva
11 - retomei o gosto pelo desenho digital e fiz o meu melhor trabalho até agora
(apesar de saber que ainda tenho muito para melhorar)

Conclusão: as melhores memórias que tenho deste ano que agora chega ao fim aconteceram em tempos de férias ou em que interrompi as aulas. Os tempos de aulas, em contrapartida, foram maus e difíceis; conseguiram pôr-me muito em baixo, a chorar muito e a deixarem-me com uma certa vontade de desistir de tudo, para além de me terem feito queixar-me imenso por não ter tempo livre, por estar cansada e por achar que nada disto vale a pena e que não me sinto no caminho certo. Para além disto, foi mais um ano em que me senti extremamente sozinha em termos de amizades. Creio que 2014 será mais do mesmo no que diz respeito a estes aspectos.
 Quanto ao tempo sem aulas - os meus dias felizes -, espero que o novo ano me traga memórias e momentos tão bons ou melhores que os deste ano, que me permita cumprir objectivos e realizar alguns sonhos, que venha cheio de boas surpresas. Só assim para variar.