22/03/2015

Deixar os sonhos em segundo plano?

Há dias melhores que outros. Sem dúvida que o que mais me continua a aborrecer são os tempos mortos em que não há nada para se fazer. Quanto mais tempo passo sem fazer nada, pior é o dia. E, pelo contrário, os melhores dias são aqueles em que fico menos tempo parada e em que sinto minimamente útil. Só é pena que isto não aconteça sempre.
Seja como for, independentemente de o dia ser uma correria de um lado para o outro ou de ser um dia para se cortar os pulsos por não haver absolutamente nada a fazer, continuo cansada, com saudades de ter um horário que não seja das nove às quatro todos os dias e sem tempo para nada. Chego a casa e faço as coisas chatas do costume; depois, só quero descansar, mas mal o consigo fazer. Não consigo fazer noitadas a ver episódios, a escrever ou a ler um livro, não só porque começo a ficar com sono muito cedo, mas também porque não me sinto completamente relaxada e à vontade para fazer uma noitada, porque sei que tenho que ir trabalhar e acordar cedo no dia seguinte. E, quando chega a sexta-feira à noite, a única coisa que me apetece é, de facto, ver episódios, já que não consigo ter cabeça para mais nada.
Tenho saudades de ter tempo, mas, mais do que isso, tenho saudades de fazer algo produtivo. Como é que posso lutar pelo sonho de publicar um livro, se nem tenho tempo para isso? E se, mesmo tendo algum tempo, não tenho cabeça para escrever por estar tão cansada devido ao estágio? O estágio integrado num curso em que só entrei "porque sim", para depois vir a ter um emprego e a vidinha orientada. Coisa que, às vezes, me faz perguntar o que andei a fazer durante todo este tempo e como seriam as coisas se eu, aos dezoito anos, tivesse a mentalidade que tenho hoje.
É muito bonito dizer-se que devemos lutar pelos nossos sonhos. Muito bonito, mas completamente utópico. Até as supostas frases de motivação, como esta que coloquei aqui, são utópicas. Nem as noites me servem de alguma coisa; só mesmo para descansar a cabeça. O tempo não rende, talvez porque, aqui, sinto que tenho menos privacidade do que aquela que tinha na cidade académica, para além de sentir sempre aquela obrigação de ter que ajudar a minha mãe em tudo e mais alguma coisa só para não lhe ouvir dizer que ela é que faz tudo sozinha. Com tudo isto, é-me impossível pensar em mais qualquer coisa para além do estágio e das pequenas, chatas e rotineiras coisinhas do dia-a-dia.
The child is grown, the dream is gone, já diziam os Pink Floyd. E parece que é mesmo assim: que crescer é conformar-se com o que se tem, viver-se ao sabor da rotina e aproveitar os tempos livres para descansar, pensar noutras coisas, fazer algo de que se goste. Não se perder tempo a pensar em sonhos, porque a altura de se perseguirem sonhos já se foi - supostamente, esteve-se a persegui-los até agora, ou, então, a deixá-los um pouquinho para trás por serem mais difíceis de se concretizar e por se achar que haveria tempo para isso, depois - e há outras preocupações agora, outras coisas em que se pensar. De facto, não conheço nenhum adulto que, hoje, lute por um sonho. Talvez por já o ter realizado, ou talvez por não ter nenhum. Ou, talvez ainda, por nem sequer pensar nisso. Seja por falta de tempo ou de forças para continuar atrás dele, seja por achar que nem vale a pena ou que já é tarde para isso. Porque já está habituado ao que tem; já se conformou com a vida que leva. E isto é triste. Tão triste.

10/03/2015

Um misto de emoções

Após praticamente três semanas de estágio - amanhã faz três semanas que comecei -, já me sinto cansada.
Ando cansada de entrar e sair todos os dias à mesma hora. Parece que pouco ou nada descanso durante a noite, e até os fins-de-semana não chegam para descansar. Quando é domingo à noite, penso que o dia seguinte é que devia ser domingo; e, à segunda-feira, já estou a dizer que nunca mais é sexta. Os dias são sempre muito repetitivos, o que também me cansa. Cansam-me igualmente os tempos mortos em que não há mesmo nada para fazer e em que me limito a esperar pela hora de sair. Até já andei fisicamente cansada, já que, na semana passada - em que fiz umas coisinhas diferentes por lá -, passei todo o dia em pé ou a andar de um lado para o outro e só me sentei para almoçar. E, todos os dias, chego cansada a casa. Fico sempre contente quando chega a hora de sair, mas sei que não vou fazer nada quando chegar a casa. Quer dizer, há sempre as coisas chatas do costume para fazer: fazer a cama, lavar a loiça do pequeno-almoço, limpar a areia do gato, ir comprar o pão para o dia seguinte, e etc. E é por causa destas coisas chatas que fico sem tempo para nada. As horas passam a voar e não consigo descansar nem pensar em nada nem aproveitar o tempo para fazer algo de que goste.
É verdade que tinha dito que preferia trabalhar a estudar por mais um ano que fosse, mas, se é para ser sempre assim, já nem sei o que é melhor. Não queria que isto fosse assim; aliás, não fazia ideia de que seria tão cansativo. Tenho saudades de ter tempo livre e de ter um horário em que num dia entrava e saía a determinada hora e noutro dia entrava e saía a outra hora qualquer. Pelo menos era mais variado e dava para se estabelecer um certo equilíbrio. Claro que era péssimo passar um fim-de-semana a estudar, por exemplo - disso não tenho saudades nenhumas -, mas, de qualquer das formas, pesando agora os prós e os contras, é o que digo: nem sei o que é melhor.
Está a ser cansativo também na medida em que já começa a fartar por ser tudo mais do mesmo todos os dias - pois, eu farto-me das coisas rapidamente. No início estava a achar uma certa piada porque era algo novo, e na semana passada também achei uma certa piada porque fiz coisas diferentes, mas agora voltei ao mesmo que no início. Isto e os tempos mortos matam-me, e é isto que faz com que esteja a ficar um pouco desiludida em relação ao estágio. Pensei que houvesse mais "acção", que não parasse quieta de um lado para o outro, que estivesse tão cheia de coisas para fazer que nem conseguisse respirar... Claro que não queria tanto trabalho até este ponto...mas, bem, sempre seria uma forma de passar os tempos mortos.
Uma das coisas que me desilude é precisamente a falta de trabalho. É que ainda por cima parece que estão à espera que eu e a minha colega peçamos coisas para fazer ou façamos sugestões de coisas que pudéssemos fazer. E eu acho que, a partir do momento em que uma instituição resolve aceitar estagiários, tem que saber o que fazer com eles. Não vamos ser nós - não devíamos, pelo menos - a dizer que queremos fazer isto ou aquilo. Nesse caso, então dizia que queria ir para casa, em vez de estar a olhar para as paredes à espera da hora de sair.
E, depois, ainda tenho que ouvir determinadas coisas. Por exemplo:
  • como estou no último ano, devia saber o que queria fazer - não necessariamente. Primeiro, nem sequer entrei na minha primeira opção, pelo que não estou propriamente a perseguir um objectivo; segundo, não posso saber o que quero ou não fazer sem nunca ter experimentado;
  • não estou a tirar partido do local de estágio porque não estou a fazer um trabalho de investigação e o local tem muitas oportunidades para isso e blablabla - bem, quando escolhi o local, a última coisa em que estava a pensar era na porcaria do trabalho do fim do curso. Para além disso, a partir do momento em que a faculdade nos dá a escolher entre um trabalho de investigação ou uma monografia, uma pessoa tem a hipótese de optar por aquilo com o qual se sente mais confortável. E eu, após pesar os prós e os contras de ambos os tipos de trabalho, optei, realmente, por aquele com que me sinto mais à vontade;
  • muita gente queria estar ali - pois que tivessem mexido os cordelinhos para irem lá parar. É caso para dizer: temos pena. O curso tem um estágio integrado e eu não tenho outro remédio a não ser fazê-lo. Que culpa tenho eu se não me dão coisas para fazer, se não tenho grande motivação e se não tenho interesse em trabalhos de investigação? Quero é acabar isto de uma vez.
Só não sei por que é que não me vêm à cabeça as coisas certas no momento certo. Quando ouvi aquilo, engoli e não soube o que responder, e só mais tarde pensei no que poderia ter dito para me tentar defender. É algo que me acontece tantas vezes.
Seja como for, não falei com ninguém acerca disto. Sinto uma certa vergonha. Porque tudo me parece uma maneira indirecta de dizer que não sei aproveitar as coisas, que vou ser péssima e que não mereço o canudo.
Por tudo isto, não sei se não voltarei a estudar quando tudo terminar. E, se assim for, que seja algo cujas perspectivas de futuro me seduzam.

28/02/2015

Sobre o meu mês de Fevereiro

A perda da minha avó, uma das pessoas que mais adorava na família, deixou-me devastada. Tive que voltar a casa. Foram dias negros, pesados e de muitas lágrimas, em que as horas passaram mais devagar do que nunca. Mas a vida teve que continuar.
Mesmo depois de o choque passar e de as coisas acalmarem, continuei a deixar o blog em suspenso. Andei cheia de coisas para fazer, para além de que, sinceramente, nem sequer senti vontade de cá vir. Até nestes últimos dias nem tenho tido grande vontade para cá vir. Tenho optado por gastar o meu tempo noutras coisas para além de ler blogs, e, nos últimos dias, senti isto um pouco morto e foram raros os posts em que me apeteceu deixar um comentário. Há alturas em que isto consegue cansar-me. Acho que não virei cá com tanta frequência tão cedo, até porque vou ter outras coisas para fazer e outras nas quais prefiro focar-me.
De qualquer maneira, e continuando o meu relato... Tive que regressar ao Porto para encaixotar toda a minha tralha e devolver a chave do apartamento. A minha mãe foi comigo, o que foi uma grande ajuda. Arrumámos tudo num instante e ainda tivemos tempo de dar uma volta no centro comercial. Mas foi só. Dois dias depois, teve que se ir embora para não continuar a faltar ao trabalho, e eu também tive que me ir embora, uma vez que já estava tudo arrumado. Tive pena de não ter conseguido despedir-me do Porto como devia ser: dar uma volta pela baixa, ir a mais um ou outro sítio, comer um lanchinho gostoso no Moustache... Espero voltar lá um dia. Já soube que não tenho necessariamente que ir ao Porto para entregar o trabalho final do curso e que o posso enviar por correio, mas, aqui entre nós, preferia que me tivessem dito que era obrigatório entregá-lo presencialmente...porque ao menos tinha uma desculpa para lá voltar. Mas talvez vá mesmo lá entregá-lo...quem sabe.
Tinha pensado passar uns dias em Lisboa antes de voltar de vez para casa, mas, com tudo o que aconteceu, fiquei um bocado reticente. Mas a minha mãe disse que era algo que me faria bem, pelo que acabei por ir.
Fiquei em casa da minha irmã, e depois em casa do meu namorado. Dias de descanso, finalmente, depois de tantos dias enfiada em casa a estudar. Soube que passei a todos os exames na época normal - e com as melhores notas de sempre - e escolhi o tema do trabalho final do curso. E é muito giro. Uma das coisas que mais me fascina na área da nutrição é a possibilidade de se reverter uma doença ou de proteger o organismo de uma doença através dos alimentos, sem necessidade de se recorrer a fármacos. Mas, mais do que saber que determinado alimento pode combater determinada doença, gosto de saber o porquê ou o como de isto acontecer. Isto é, o que é que determinado alimento tem e de que forma é que aqueles compostos interagem com o nosso corpo de forma a combater uma doença. A minha orientadora disse-me que o mais importante era que eu escrevesse sobre algo de que gostasse, pelo que estou mesmo contente com o meu tema (que, para já, não vou revelar). Perdi um dia de férias a pesquisar artigos para o trabalho, e, quanto mais pesquisava, para além de mais coisas encontrar, mais entusiasmada ficava com o assunto. Olhando para trás, ainda bem que perdi esse dia, pois, se ainda não tivesse feito a pesquisa por esta altura, estávamos mal.
As férias não foram nada de extraordinário, exceptuando os dias que eu e o namorado fomos passar a Coimbra. Foi muito bom mudar de ares, desanuviar e conhecer um lugar novo. Só tenho pena que não tivéssemos feito isto mais vezes.
Depois, foi altura de voltar a casa. Já comecei o estágio, e, até agora, até estou a gostar. Tenho alguns tempos mortos que são um bocado aborrecidos, mas aproveito-os para ler alguns artigos que encontrei para o trabalho final, para tentar adiantar alguma coisa. Mas o estágio em si está a correr bem; não sei porquê, tinha uma ideia diferente daquilo que iria fazer, pelo que está a superar as minhas expectativas (pelo menos por agora; esperemos que não piore). E como é bom não ter aulas nem coisas para estudar! O problema é que tenho chegado a casa sempre um bocado cansada e sem vontade de fazer nada, até porque chego a uma hora à qual a minha cabeça já não funciona (perto das cinco da tarde), pelo que trabalhar na tese depois de chegar a casa é algo no qual nem sequer penso. E eu que queria voltar a praticar natação...estou a ver que não vai ser desta, até porque os horários das piscinas no que toca a natação livre são péssimos.
E fico por aqui no que toca a actualizações. Acho que vou passar a levar este blog mais na desportiva, sem dar grande importância ao facto de receber ou não receber comentários e a passar a vir cá somente quando me apetecer - tal como fazia nos meus primeiros tempos como blogger. Não que isto fosse uma obrigação, mas costumava cá vir todos os dias, nem que fosse só para ler o que se andasse a passar. Agora, bem, isto ficará lá para segundo ou terceiro ou quarto plano.

27/02/2015

Seis

Acho que posso dizer que a minha vida deu uma certa reviravolta há seis anos atrás. Uma boa reviravolta. Nem sei como estaria se não tivesse acontecido.
Por um lado, ganhei um melhor amigo, um confidente, alguém com quem posso contar seja para o que for e a quem não tenho receio de dizer o que penso. Por outro, tornei-me capaz de me importar realmente com alguém, de ser carinhosa e de imaginar um futuro em que não me visse sozinha. Ainda por outro lado, vivi dezenas de bons momentos. E, ainda por outro lado, descobri o que é o amor, o que é a felicidade, o que é ultrapassar obstáculos em conjunto e crescer em conjunto.
É incrível como uma pessoa que, a princípio, não passa de um completo desconhecido consegue ter tão grande impacto na vida de outra com o passar do tempo.
Mais um ano. Seis anos a conhecermo-nos, a evoluirmos, a aturarmo-nos nos bons e nos maus momentos, a partilharmos tudo e mais alguma coisa, a criar bonitas memórias. E que se mantenha sempre assim, ou que seja ainda melhor nos próximos anos que virão, se tal for possível