Esta semana já acabou; a próxima é também curtinha, e, na outra a seguir, posso dizer que estou novamente de férias - não há aulas por causa da Queima das Fitas, evento de cujo género não sou propriamente fã. Como tal, tinha pensado em ir a casa nessa semana, já que, nas férias da Páscoa, não fui para lá para poder ir a Lisboa. E ainda bem que o fiz, porque ir a casa é sempre mais do mesmo.
Sim, é verdade. Voltar a casa é algo que já perdeu a piada toda. Apenas na altura do Natal fico com maior vontade de regressar, uma vez que o primeiro semestre é sempre muito comprido e sem interrupções, e também porque é Natal, ou seja, tempo em que as saudades da família apertam mais. Fora isso, o desejo de voltar já não é tão forte - okay, não é nada forte. Aqui, tenho a minha rotina e o meu espaço, enquanto, lá, sinto-me, às vezes, um bocado a leste. A minha mãe e irmã passam os dias nas suas próprias rotinas, enquanto eu sinto que estou ali a mais, por já não estar habituada àquele tipo de rotina. Por exemplo, por causa do nosso gato, tanto uma como a outra ficaram com o hábito de limpar a casa-de-banho - que o gato faz questão de sujar todos os santos dias - assim que chegam a casa. Depois, lá ouço a minha irmã dizer que limpou isto, isto e aquilo, enquanto eu não fiz nada o dia todo. Se eu aqui só limpo a casa-de-banho de duas em duas semanas, como é que vou mudar este hábito tão drasticamente a ponto de começar a limpar uma casa-de-banho todos os dias? T-o-d-o-s os dias? Não estou habituada a fazer isso; é normal que não o faça quando regresso a casa. Também estou habituada, por exemplo, a estender a roupa dentro de casa, enquanto, lá na minha terra natal, esta é estendida lá fora...e, quando chove e eu estou em casa completamente na boa, a minha mãe manda a boca de eu não ter ido buscar a roupa. Como é que é suposto lembrar-me que havia roupa estendida lá fora, quando eu, aqui, deixo a minha roupa estendida faça chuva ou faça sol?
É esse género de coisas que torna o regresso a casa tão estranho; é como se já não encaixasse ali, por ter acabado por criar outros hábitos. Para além de que parece que há uma certa "obrigação" de ter que rever algumas das pessoas que deixei para trás, embora nem sempre me apeteça. A isto, acresce ainda o facto de aquele lugar não passar do mesmo. Há pouquíssima escolha em termos de programas e de sítios para onde ir. E eu habituei-me a uma cidade onde há muito por onde escolher. De tal forma que fico espantada com as pessoas que vivem naquela ilha há décadas e décadas, algumas delas a sair apenas para umas férias...e dou por mim a perguntar: Como é que aguentam?.
Por outro lado, não conseguiria ficar aqui naquela semana. Ando mais farta das minhas colegas de casa a cada dia que passa, e delas só quero distância. Desde que todos os quartos ficaram ocupados, têm sido só chatices. Se tivesse um apartamento só para mim (quem me dera), penso que ficaria aqui na boa.
Portanto, não me apetece ficar aqui, mas também não tenho grande vontade de ir para casa. Sinceramente, não me importava de ir a Lisboa de novo, mas tenho que descartar essa hipótese. Irei a casa, nem que seja para mudar de ares novamente. Só não estou aos saltinhos de alegria. E nem sei o que vou fazer para lá. Mas pronto. Pode ser que, nos próximos dias, comece a ganhar algum entusiasmo. Nem que seja apenas no dia da partida. O aeroporto tem qualquer coisa de mágico lá dentro, pois só o facto de passar por aquelas portas faz com que me sinta instantaneamente contente.