22/10/2016

A felicidade consegue ser tão simples

Perguntaram-me o que era preciso para me fazerem feliz. Respondi que basta mostrar-se que se importam. Que se preocupem, que demonstrem que gostam de mim e que querem estar comigo. Não sei como me saiu esta resposta, mas é mesmo assim. Vindo dos outros, não preciso de muito para me sentir feliz. Porque, vendo bem, passar um bom bocado com alguém de quem gosto - seja a tomar um café e a conversar, seja a dar um passeio, ou qualquer outra coisa - faz-me sentir feliz. Sinto-me feliz quando isso acontece; sinto-me feliz quando recebo um convite ou quando se programa qualquer coisa; sinto-me feliz no momento em que estou com essas pessoas e sinto-me feliz quando as deixo e quando regresso a casa. Não deixa de ser estranho este sentimento. Isto é, de existirem pessoas que nos fazem tão bem. Que nos fazem sentir bem, valorizadas, especiais, felizes - em separado ou tudo isto ao mesmo tempo.

18/10/2016

Quando a música fala por nós


Há umas semanas atrás, estes versos adequaram-se:

We had fire in our eyes
In the beginning I
Never felt so alive
(...)
I swear, I never meant to let it die
(...)
It's not fair when you say that I didn't try
Three Days Grace - Let It Die

(...)should have last forever
But now it's time to sail on 
So take this anchor from my heart
So we can finally drift apart 
Before we drown in sorrow

Hoje, o verso que se adequa e que nunca fez tanto sentido como agora é este:

I am scared to death to fall in love with you.

14/10/2016

Mais de 1000 razões para ser feliz #23

Depois de ter estado tanto tempo - semanas, meses - parada no que toca à escrita do meu livro, voltei a fazê-lo. E voltei em força. Estou novamente tão entusiasmada em relação a isto. Senti tanto a falta de escrever.

13/10/2016

Halo, Hades e Céu - Alexandra Adornetto


Sinopse (Halo): Três anjos - Gabriel, o guerreiro; Ivy, a curandeira; e Bethany, a mais jovem e humana de todos - são enviados para levar o Bem a um mundo que sucumbe ao poder das trevas.
Esforçam-se por esconder o brilho luminoso que os envolve, os poderes sobre-humanos que detêm e, representando o maior dos perigos, as asas, ao mesmo tempo que evitam qualquer tipo de relação com os humanos. 

Mas Bethany conhece Xavier Woods e ambos se revelam incapazes de resistir à atração que sentem um pelo outro. Gabriel e Ivy tentam tudo para impedir aquela relação, mas o sentimento que une Xavier e Bethany é demasiado forte. 
A missão dos anjos é urgente e as forças das trevas são ameaçadoras. Irá o amor lançar Bethany na perdição ou salvá-la?

O que mais me levou a querer ler esta história foi o facto de se tratarem de anjos enviados à Terra. Porque achei diferente. Apesar de saber que estava perante (mais) um típico Young Adult em que o final da história parece previsível, chamou-me à atenção a questão dos anjos. Por nenhum motivo em especial; apenas por ser algo diferente do que era habitual. Para ser honesta, considero-me ateia, pelo que nem sequer pus a hipótese de a questão da religião católica estar implícita nestes livros. Bem, enganei-me.
É um romance, sim, mas é uma história que também fala do Céu e do Inferno, de Deus e de Lúcifer. E, sinceramente, isto foi algo que nem sequer me fez comichão. Pelo contrário. E não fez porque, bem, estava a ler um livro. E, num livro, pode acontecer qualquer coisa. Pode-se falar sobre tudo e mais alguma coisa, que nada me faz espécie. Para dizer a verdade, gostei bastante da forma como a autora abordou estes temas. Da sua visão do Céu, tão estranha, bizarra e "vazia", mas tão gira ao mesmo tempo, e até da forma como os três anjos que protagonizam a história falam de Deus - nota-se algo como amor genuíno, como se fosse realmente pai (de sangue) dos três. São referidas histórias e passagens da Bíblia que se enquadraram muito bem na história, e, nisto, nota-se estudo e pesquisa por parte da autora, que é algo que eu admiro quando leio um livro. Dá-nos, ainda, a conhecer a forma como o Céu está organizado; que existem vários tipos de anjos - os Arcanjos, os Serafins, os anjos "mais baixos", por assim dizer -, cada um com a sua função, e que os comuns mortais que lá vão parar não passam, bem, de almas que por lá andam.
No que toca ao lado oposto, o Inferno, lá chegarei.
O primeiro livro da trilogia, Halo, apresenta-nos, como não podia deixar de ser, as personagens e toda a hierarquia celeste. Logo nas primeiras páginas, é quase impossível não se ficar rendido à escrita da autora. Era ainda muito nova quando escreveu o livro - não sei dizer a idade ao certo, porque, ao fazer uma pesquisa, cada site indicava uma data de nascimento da autora diferente -, mas isso nem sequer se nota. Tem uma escrita muito rica, cheia de detalhes, com muitas comparações pelo meio, tal como eu gosto. É facílimo imaginarmos um espaço ou uma personagem através das suas descrições. Não são descrições exaustivas; antes, cada frase vem cheia de detalhes que nos faz logo imaginar tudo, sem sequer nos apercebermos. Apenas não gostei das constantes interrogações ao longo da escrita - Será que...? e outras coisas que tais apareciam com frequência durante a narração, e isso é algo que, pessoalmente, não aprecio. Para além disso, as personagens são muito bem caracterizadas. Têm uma personalidade bem vincada, e apercebemo-nos mais disso quanto mais lemos e quanto mais vamos avançado na história. Às tantas, já conseguimos adivinhar as reacções de determinadas personagens aos acontecimentos, tendo em conta as suas características - mas não tenho a certeza se isso é algo bom ou mau.
No primeiro livro, Beth, o anjo mais jovem, conhece Xavier e vamos acompanhando a evolução da sua relação. Que não deixa de ser um bocadinho rápida e um tanto um quanto cliché: o rapaz giro do liceu apaixona-se pela rapariga nova. Típico dos YA, mas voltarei a abordar esta questão mais abaixo. A certo ponto, a relação de ambos tornou-se demasiado melosa e pirosa para meu gosto e achei que as coisas eram um bocado exageradas. Mas é muito giro ver os anjos - principalmente a Beth - num mundo que não é o deles, a tentarem adaptar-se a coisas tão básicas e tão banais para nós como o facto de terem que comer ou dormir, a tentarem esconder a sua identidade e a não saberem o significado de determinadas coisas, como certas expressões, por exemplo.
O segundo livro começa bem, na minha opinião, e isto porque a Beth é chamada à razão pelas amigas, no que toca ao facto de a sua relação com o Xavier se ter tornado...bem, demasiado peganhenta. Falam em como é saudável não se estar sempre juntos, algo que eu concordo. E gostei que a autora falasse nisso; acho que não tinha visto esta questão a ser abordada noutros YA. Para além disso, há uma reviravolta, e é aí que passamos a conhecer o chamado Inferno. Tal como aconteceu com o Céu, a descrição da autora deste lugar surpreendeu-me. Conhecemos um mundo diferente, com lugares que nada têm a ver uns com os outros, e personagens diferentes. É um lugar bizarro, também, mas desengane-se quem pensa que não é o típico Inferno de angústia e sofrimento do qual se ouve falar. E é quase impossível não nutrir uma certa "simpatia", digamos assim, pelo vilão da história, que já surgira no volume anterior. Pelo menos eu falo por mim; parece que tenho sempre uma queda pelos bad boys das histórias, e este não foi excepção.
No terceiro livro, há novas reviravoltas e novas peripécias, e está sempre no ar e a cada virar de página a dúvida se Beth e Xavier conseguirão, realmente, ficar juntos. Não apenas por ela ser um anjo e ele um humano, mas também porque a sua estadia na Terra é temporária, tendo ela e os outros dois, Gabriel e Ivy, sido enviados apenas com uma missão - em que, no entanto, têm que se misturar e viver como humanos para não darem nas vistas. Mas, para além disso, travarem qualquer tipo de relação com humanos não fazia parte dos planos, pelo que as autoridades celestes vêem-se obrigadas a intervir quando se apercebem que as coisas foram demasiado longe. E é por isso que há sempre aquela dúvida se vão ficar juntos ou não.
Este último volume surpreendeu-me. E isto porque, afinal, o famoso cliché dos YA tem uma razão de ser. Ou seja, há uma explicação para Xavier se ter apaixonado por Beth - uma explicação para ter sido ele, e não outra pessoa qualquer -; não foi uma simples obra do acaso. Foi algo que me surpreendeu e algo que gostei de ver num livro deste género. E a dita explicação seria perfeita e tinha tudo para dar certo...se não fosse um pormenor, referido no primeiro volume, que fez com que as coisas não fizessem sentido. Ou seja; gostei que houvesse uma explicação, estava mesmo surpreendida e entusiasmada com isso, mas, depois, fiquei frustrada. Porque a explicação não fazia sentido, e não fazia por causa de algo referido no primeiro livro! Em suma, passei o que restava deste terceiro livro à espera que me explicassem isso melhor e que houvesse uma resposta ou uma explicação para isso...e nada! Francamente, isso irritou-me. Como é que nem a autora, nem os revisores, nem ninguém reparou nesse deslize? Não percebo. Desde aí, ando a pensar seriamente em mandar um e-mail à autora a pedir-me que me explique tudo isso. É que não faz sentido!
Mas enfim. Não deixa de ser uma boa história. Bonita, diferente, engraçada, muito cativante, não só em termos de enredo, mas também no que toca à escrita em si, que é igualmente bonita e torna os livros em algo leve e fácil de ler. Devorei estes três livros e gostei mesmo muito deles. Tive imensa pena que a suposta explicação não fizesse sentido por me lembrar do raio de um pormenor - que muda tudo, se virmos bem - e gostava que o final tivesse sido mais desenvolvido. Mas, tirando isso, gostei bastante.

09/10/2016

Descompliquem

Eu sou assim. Geralmente, quando me propõem um programa, alinho. Pode não ser logo na hora, mas alinho. Porque estar com pessoas de quem gosto sabe-me sempre bem. E, como nem sempre isso é possível, aproveito estas raras oportunidades. Estes raros Vamos?. Mesmo que já tenha planeado outra coisa qualquer, mesmo que não seja fim-de-semana, mesmo que a minha vontade seja ficar em casa durante o que resta do dia...é com um Vamos! que eu respondo. Porque sei que são coisas que me vão fazer bem e que podem não se vir a repetir tão cedo.
Não sei por que não existem mais pessoas assim. Podem até existir mais pessoas assim do que eu sequer imagino, mas, infelizmente, ainda não as encontrei para poder rodear-me por elas. As pessoas, regra geral, são tão complicadas. Tão pouco espontâneas. Que, quando ouvem um Vamos?, parecem não ficar minimamente felizes por nos termos lembrado delas. Não respondem com um Vamos!, não tomam a iniciativa. Dizem, antes, um vago Depois combinamos. Complicam.
Preciso mesmo de pessoas assim, descomplicadas e espontâneas. Como eu acabei por me tornar.