Por amanhã. Por ir apanhar um avião e passar uns dias fora. Pelo concerto dos Iron Maiden e pelo dos Nightwish. Por voltar a ver uma amiga de há anos e uma pessoa que conheço há menos de um ano e que já considero uma amiga. Por me sentir livre para passear e para conhecer coisas novas. Por ir ao Starbucks tomar um Frappuccino. Pela semana que vem, que parece vir recheada de planos que envolvem passeios e convívios. Pelo filme Fantastic Beasts and Where to Find Them. Pelo novo álbum dos Epica, à volta do qual há tanta expectativa, e pelo novo dos Delain. Por ir à praia, nem que seja apenas para estar deitada na areia a ler. Por estar suficientemente desocupada para poder escrever um pouco. Por ter tudo prontinho e direitinho para começar a contactar editoras com vista à eventual publicação do meu "pequenino". Por ter o exame da Ordem despachado.
Enfim. Algumas coisas mais do que outras, é certo, mas mal posso esperar por elas.
Há sempre dias maus. Dias em que ficamos descontentes com o que estamos a fazer actualmente e em que achamos que estaríamos melhor noutro lugar, a fazer outras coisas, devido ao facto de o presente não ser bem aquilo que tínhamos imaginado. Mas - e felizmente - também existem colegas de trabalho que se apercebem de que estamos mal e que não descansam enquanto não nos sentirmos melhor. Que nos aconselham a ir espairecer depois de um dia de trabalho aborrecido. Que nos dizem que não vale a pena ficarmos assim por causa desta coisa tão "parva" que é o trabalho. Realmente, era algo que eu já tinha posto na cabeça há muito tempo: não vale a pena stressar nem desanimar por causa do trabalho. Mas há dias assim, dias em que o descontentamento em relação ao presente e em que o desejo de fugir dali e ir para outro lugar e fazer algo diferente nos atingem com toda a força.
E também me disseram precisamente isso. Há sempre dias maus. E todas aquelas palavras foram fundamentais.
A semana que passou foi particularmente longa, e assim continuarão a ser os próximos dias. Pedir uns dias de folga levou-me a fazer horas extra para compensar os ditos dias. Resolvi fazê-lo por iniciativa própria, até porque não ficaria bem com a minha consciência. Continuam a dizer-me que sou livre para fazer o horário que quiser, mas não me sinto bem se entrar e sair às horas que quiser. Nunca o fiz, e acho que nunca o farei. Mas, e tendo em conta que até me dou bem com os chefes, resolvi arriscar pedir uns diazinhos. Não houve problema, e voltaram a dizer-me que posso fazer o horário que quiser, desde que apresente trabalho feito. Seja como for, achei por bem compensar as horas que ficarão em falta. Não só para ficar com a consciência tranquila, mas, também, para não ficar mal vista.
Ando a trabalhar mais uma hora por dia e reduzi a minha hora de almoço para não ter que sair tão tarde. Estou a conseguir avançar imenso trabalho, mas está a ser um bocado cansativo. Os dias estão a ser longos e nem consigo descansar nada ou ficar um pouco no convívio devido à redução da hora de almoço. Mas prefiro fazer as coisas assim. Ninguém me pediu para compensar os dias que estarão em falta e voltaram a dizer-me que estou por minha conta, mas vai ser melhor assim, pois será como se não tivesse faltado, no fim de contas. É mais cansativo, mas é por uma boa causa. E vai valer a pena. Oh, se não vai!
Em inglês, A Sombre Dance. É o nome do meu álbum favorito. Posso delirar com Nightwish, ser uma doidinha por Porcupine Tree, adorar Epica cada vez mais, ter considerado Evanescence a minha banda favorita durante alguns anos, ter devorado álbuns de outras quantas bandas vezes sem conta. Mas não há, para mim, álbum melhor do que este.
A banda que criou esta obra de arte chama-se Estatic Fear. Uma banda tão pouco conhecida que, infelizmente, não lança material novo desde então. É classificada como uma banda de doom metal, e isto foi algo que me deixou de pé atrás quanto a ouvi-la. Para mim, doom metal significa deprimência. Significa música arrastada; aqueles instrumentais super pesados e tão arrastados, e as vozes igualmente arrastadas, como se tudo estivesse em sofrimento.
Conheci a banda através de um fórum (tenho quase a certeza de que foi o Logan quem a deu a conhecer...obrigada, Logan! Acho que nunca te agradeci por isto :P). E ver um dos membros do fórum, que era bastante culto em termos musicais, dizer algo do género Isto é muito bom! Como é que eu não conhecia isto?, foi algo que me levou a ouvir o álbum. Não ter julgado a banda por causa do seu género ou o próprio álbum por causa da sua capa - que eu acho feia, mesmo - foi a melhor coisa que fiz.
Não é doom, para mim. Ou seja, não é deprimente. Pelo contrário, foi das coisas mais bonitas que já ouvi até hoje. Daí ser o meu álbum favorito de sempre.
Há uma atmosfera dark e algo gótica neste álbum, mas também há uns toques de folk e de medieval que eu tanto gosto. Há os elementos típicos do doom metal, os instrumentos característicos e, por vezes, algo arrastados, bem como a típica voz gutural deste subgénero. Há a combinação entre isto e algo que torna este álbum tão bonito e tão diferente dos demais. Com o "algo", refiro-me a outros instrumentos. Alaúde, flauta, violoncelo, órgão. E sons. O som da chuva e de trovoadas, por exemplo. Estas misturas resultam numa combinação tão única. As próprias melodias são deliciosas. Mágicas talvez seja a melhor palavra.
Não me canso deste álbum. Já o ouvi tantas vezes e, de todas as vezes, admiro-o e apaixono-me como se estivesse a ouvi-lo pela primeira vez. Seja a que hora do dia for e seja qual for o meu estado de espírito, ouvir qualquer uma das músicas deste álbum faz-me sorrir. Os primeiros acordes de uma canção são suficientes para me porem um sorriso no rosto. E fazem-me fechar os olhos e sonhar. Ouvir este álbum remete-me logo para uma história de fantasia. Faz-me imaginar magia e florestas e viajantes com mantos a percorrer um mundo imaginário com cenários místicos. Para mim, é uma tremenda fonte de inspiração. Só tenho mesmo pena que este projecto não tenha continuado. Acho que tinham um enorme potencial.
Não espero que alguém que me leia conheça a banda ou que goste, até porque não foi com este propósito que vim escrever esta publicação. Eu, simplesmente, tive que escrever sobre isto.
Acho que não há uma só música que demonstre o quanto adoro este álbum e acho que todo ele merece ser ouvido - para quem gostar, como é óbvio. Por isso, e como não consigo decidir-me em relação a que música publicar aqui, deixo a introdução e o "primeiro capítulo" do álbum - não fosse a música chamar-se Chapter I -, para quem quiser um cheirinho.
Já há muito que tinha constatado que viver numa ilha é sinónimo de isolamento. Mas acho que nunca me senti tão isolada como agora.
Há tanta coisa em Portugal continental, tanta coisa que me faz sentir, de facto, isolada e que me deixa triste por não poder aproveitá-las. Pode parecer ridículo por não deixar de ser o mesmo país e por ser um sítio tão próximo. Mas continente e ilhas são tão diferentes...
Há imensas formações e cursos que não me importava de fazer. Há concertos a que gostava de ir. Há pessoas que gostava de ver mais vezes. Há a possibilidade de escapadinhas de fim-de-semana para outras cidades, ou mesmo para outros países. Há a hipótese de viajar directamente para outro lugar, sem haver aquela dependência dos voos entre as ilhas e o continente. E tenho a certeza de que há muitas mais coisas.
Cada vez mais tenho a sensação de que não pertenço aqui.