Já disse que não sou pessoa de pensar no futuro e de fazer grandes planos a longo prazo. É por isso que não sei o que vou fazer depois do estágio, quando este chegar ao fim. Pensando bem, nunca soube o que fazer depois do que quer que fosse. Por mais que pensasse, nunca chegava a nenhuma conclusão. Pelo contrário, pensar demais deixava-me chateada e deprimida. Nunca soube que curso queria tirar e só decidi candidatar-me ao meu curso na noite anterior ao final do prazo das candidaturas. Não sabia o que iria fazer depois da licenciatura, mas não passei o Verão inteiro a procurar estágios, como me haviam sugerido, pois tinha sempre o pensamento de que havia de acabar por encontrar alguma coisa. Entre outras coisas. Deixei de pensar muito e de remoer neste tipo de assuntos por achar que não valia a pena e que tudo havia de se resolver naturalmente. Tornei-me apologista do Depois logo se vê em vez do planeamento bastante antecipado, pois acho que as coisas correm melhor assim.
É por isso que me chateia o facto de me perguntarem constantemente pelo depois. O depois do estágio. Não faço ideia do que vai acontecer ou daquilo que vou fazer, mas isso é algo que não me assusta e sobre o qual não faço questão de pensar. Talvez por ainda estar tão distante, tão longe de ser real. Perguntarem-me sobre o futuro e dizer-me o que devia e não devia fazer, tanto agora, como mais daqui para a frente, deixa-me pressionada e sufocada. Acho que é impossível manter uma atitude positiva em relação ao trabalho e ao momento presente se me tentam empurrar com toda a força em direcção ao futuro.
Sei que fazem isso para meu bem. Mas isso não me ajuda. Não sou de apressar as coisas ou de pensar no amanhã, e, se esta fase chegar ao fim e eu ainda não souber o que vou fazer ou para onde vou, há-de chegar ao dia em que acabarei por descobrir. Acho que não precisamos de estar sempre em movimento, de começar de imediato outra coisa quando uma fase chega ao fim - isto pode acabar por dar asneira, às vezes. Acho que, por vezes, entre uma coisa e outra, precisamos de parar um pouco para reflectir e para nos encontrarmos. Pena que nem toda a gente pense assim. Mas, mesmo que não pensem, o mínimo que deviam fazer era respeitar. Até porque não é o percurso delas que está em causa.




