11/02/2016

Vida de estagiária

Não tenho dado pelos dias a passar, e até me custa a crer que já passou pouco mais de um mês desde o início do estágio. Os próprios funcionários chamam a empresa de casa de doidos e fartam-se de me dizer que vou sair de lá maluquinha. E, realmente, acontece lá cada coisa e é raríssimo o dia em que não me parto a rir por algum motivo. Se houve dias em que me queixei por falta de trabalho, rapidamente me apercebi de que há sempre qualquer coisinha que pode ser feita. Nem que seja ler artigos científicos ou documentos para me actualizar. Um dos trabalhos que estou a desenvolver agora obriga-me a levantar-me mais cedo para chegar lá mais cedo, mas isso não me custa nada. Até sabe bem conduzir numa altura em que o trânsito é pouco e em que o dia ainda mal começou. E, no fim, acabo por chegar a casa mais cedo. Uma das minhas alturas favoritas do dia é aquela a que chamam de "hora do café", em que nos juntamos todos a meio da manhã para comer qualquer coisa. Acho uma óptima iniciativa, e sabe-me bem tomar um café com leite quentinho nessa altura. Gosto quando me dão alguma coisa que estão a preparar na cozinha para provar; ainda hoje deram-me um bocadinho de um queque de chocolate e de uma panqueca. Até acabo por aprender qualquer coisa e por ter ideias para novos pratos só de andar pela cozinha. Claro que, quando chego a casa, nem quero ouvir falar em fazer comida, mas enfim.
No entanto, passar a semana toda a trabalhar, o que implica ter que me arranjar, sair de casa e passar várias horas fora, faz com que queira passar os fins-de-semana no extremo oposto: em casa, de pijamas, a fazer o que me apetece. Mas nem toda a gente o compreende, e nem consigo ter muito tempo livre. Parece que ficar em casa dá-me a volta à cabeça, principalmente porque os fins-de-semana acabaram por cair numa espécie de rotina. Já sei que os sábados são dias de pôr a roupa a lavar e há sempre almoço de família aos domingos; há sempre qualquer coisa a acontecer e pessoas à minha volta que não páram quietas um segundo. Por tudo isto, mal consigo aproveitar os fins-de-semana, e a rotina dos mesmos anda a cansar-me. O meu escasso tempo livre é aproveitado para ler um pouco ou para continuar a rever o meu livro. No que respeita a esta última, nem sequer considero uma obrigação ou uma chatice; tenho gostado de o fazer, mas ainda nem vou a meio do livro.
A rotina da casa parece deixar-me com uma tensão e um stress acumulados, e, às vezes, dou por mim de mau humor por causa disso. Por vezes, penso em como gostaria de ter uma casa só para mim, para poder criar a minha própria rotina e conseguir, assim, ter mais tempo livre, tal como tinha durante a faculdade. Mas, neste sentido, a natação tem sido uma terapia fantástica. Parece que liberto toda a tensão na piscina, e volto para casa muito mais relaxada e bem-disposta, mesmo que o dia a seguir seja novamente de trabalho e mesmo sabendo que as únicas coisas que vou fazer quando chegar a casa são jantar, secar o cabelo e ir dormir. Tem sabido mesmo bem, e fico contente por ter conseguido conciliar esta actividade com a minha "nova vida".
Apesar de tudo - de ter pouco tempo livre e de andar chateada com a rotina daqui de casa -, não tenho saudades de ser estudante. A sensação de chegar a casa, pôr o trabalho para trás das costas e só voltar a pensar nele no dia seguinte é impagável e libertadora.

05/02/2016

Acerca de prendas de anos...

O meu aniversário é daqui a exactamente um mês. Já disse à minha mãe que estava farta de roupa; acho que tenho mais roupa do que o suficiente e até já nem tenho grande paciência para ir a lojas de roupa. Assim sendo, ela perguntou-me o que gostava de receber pelos meus anos. E eu resolvi aproveitar e dizer-lhe que não me importava de receber um bilhete para Iron Maiden, mesmo tendo a certeza quase absoluta de que não o vou receber - já sei que, vai-se lá saber porquê, nunca ninguém me oferece coisas desse género. A minha mãe ficou a olhar para mim como que abismada e disse-me que daquela não estava à espera, mas, enfim, ao menos tentei. Nem quero imaginar a reacção dela se lhe dissesse que também podia dar-me uma mega caixa de lápis de cor dos bons e com imeeensas cores. Ando a precisar de lápis novos, mas penso que a minha mãe iria rir-se na minha cara, no mínimo. Também pensei em começar a apostar em CDs, principalmente para ouvir no carro - a rádio anda a enervar-me -, mas também duvido que me ofereçam algum, até porque os que mais quero teriam que ser encomendados pela Internet. Não me lembrei, na altura, de dizer que também podia oferecer-me livros. Acho que vou fazer-lhe uma listinha e entregá-la. Mas, por falar em livros, descobri que a minha irmã está a pensar em oferecer-me um que eu quero ler, e fiquei toda contente. Agora, espero mesmo que me ofereça o livro e que não se esqueça da ideia e acabe por trocá-lo por outra coisa, porque eu vou matá-la se ela o fizer.

02/02/2016

Facto #38

Acho que, quando começar a ver o dinheiro a entrar na minha conta - à custa do estágio, que é remunerado -, das duas, uma: ou continua tudo na mesma, ou vai ser o desastre. Pode manter-se tudo na mesma, porque sempre fui muito poupadinha e sempre ponderei muito bem todas as compras que fiz, de maneira que acho que ia continuar a pensar que não tinha dinheiro suficiente para comprar ou fazer coisas que quisesse. Por outro lado, pode acontecer o contrário, até porque há bem pouco tempo comecei a ficar tentada a investir numa PS4, quando já tenho idade para começar a ter juízo - ou assim mo dizem...
Mas, caramba, eu vou ter que jogar Kingdom Hearts III quando este sair!

31/01/2016

Escrito por mim #7

Ele não sabia ao certo por que ali estava, nem tão-pouco como ali tinha ido parar. Reconhecera o lugar desde que o avistara, ao longe, mas tal não o instigara a mover-se noutra direcção. Pelo contrário. Parecia que uma brisa, gerada no coração daquela selva, se movia por entre as árvores para ir ao seu encontro, para o chamar e atrair assim que lhe bafejasse o rosto. E ele, inebriado por uma voz imaginária que o convidava a percorrer, uma vez mais, os caminhos que conhecia tão bem, decidira-se por aquele percurso.
Ele não sabia ao certo por que ali estava, mas, agora que pensava no assunto, nunca sabia por que estava em determinado sítio. Era um pensamento que lhe ocorria sempre. Não tinha um destino, ou um lugar específico para encontrar. Tinha, apenas, que seguir pistas, comprovar teorias, procurar novas hipóteses, e tudo o mais que o ajudasse a cumprir a missão para que tinha sido destacado. Eram tarefas que o conduziam aos mais variados e inesperados lugares, mesmo àqueles que adorava e que já lhe eram demasiado familiares.
E isto teria respondido à sua pergunta interior, à pergunta que o acompanhava e assaltava a sua mente sempre que se via envolvido por um novo ambiente. Teria respondido, se ele, de facto, estivesse a meio de alguma tarefa importante que não pudesse esperar. Mas, na realidade, já não sabia há quanto tempo não tinha algo assim, que o movesse enérgica e incansavelmente de lugar em lugar, em perseguição de uma resposta. Por isso, já há algum tempo que se limitava a deambular pelo mundo, à espera que as tão esperadas respostas que procurava se atravessassem no seu caminho.
Talvez precisasse de fazer uma pausa. De descansar, de encontrar um amigo. A baía proporcionava-lhe aquilo e muito mais. Provavelmente, fora esta a razão que o levara até lá. A selva atraíra-o e encantara-o assim que ele a avistara, porque era capaz de lhe oferecer aquilo de que ele precisava no momento. Não uma resposta, uma pista ou uma teoria, mas antes o extremo do espectro. Embora fosse destemido ao ponto de viajar sozinho, numa louca demanda sem destino em que lhe parecia tão improvável encontrar o que quer que fosse, sabia que não era feito de ferro e que precisava de se render e de cair por momentos, antes de se reerguer com a mesma força e persistência – reservas limitadas que tinham que ser repostas de tempos a tempos – que o acompanhavam desde o início.

30/01/2016

Em modo repeat #29

Há umas semanas atrás, lembrei-me de ouvir HIM enquanto desenhava - quis desenhar uma boneca com uma t-shirt com o heartagram, é claro que tive que ouvir HIM. Era uma banda que já não ouvia há bastante tempo. Escolhi uma das suas compilações, a  XX – Two Decades of Love Metal. Foi a banda sonora perfeita. Ouvir aquilo fez-me regressar à adolescência, mas, mais do que isso, soube-me tão bem e pôs-me o ânimo bem lá para cima. Havia duas músicas no álbum que não conhecia: Heartkiller e Scared To Death. No outro dia, especialmente devido ao post da White Raven, lembrei-me de ir ao YouTube para voltar a ouvir a Heartkiller. Nas sugestões, apareceu a outra, Scared To Death, que agora partilho por não sair da minha cabeça. Tenho-a ouvido não sei quantas vezes nestes últimos dias. Pode não ter nada a ver com o restante repertório da banda, mas eu adoro-a; anima-me tanto. Retomei o gosto por esta banda, e estou agora a sacar o álbum onde estas duas músicas estão incluídas. Algo me diz que vou adorar ouvi-lo.