28/09/2015

Facto #32

Eu devia deixar de entrar em livrarias, já que, sempre que o faço, encontro coisas interessantes e acrescento novos títulos à minha lista mental de livros para ler. O que é mau, por duas razões: os livros não são propriamente baratos e aqueles que me cativam fazem quase sempre parte de uma trilogia, o que quer dizer que, para além do investimento inicial, ainda tenho que investir nos volumes seguintes.
E os que entraram recentemente na minha lista mental foram:
O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss;
O Império Final, de Brandon Sanderson;
Mago - Aprendiz, de Raymond E. Feist;
A Espada de Shannara, de Terry Brooks.
Vai-se lá saber porquê, voltei a virar-me para a fantasia.
Da última vez em que estive na Fnac, ainda pensei em pegar num deles e sentar-me num dos banquinhos a ler as primeiras páginas, mas depois achei que tal não seria muito boa ideia, pois poderia ficar com o livro na cabeça e não iria descansar enquanto não o comprasse.
Mas o que é certo é que não vou deixar de entrar em livrarias. Se calhar devia, mas não vou. Nada consegue substituir aquele ambiente. A minha lista mental de livros para ler é que vai continuar a crescer com isso, mas enfim.

26/09/2015

Escrito por mim #5

Ephice perdera-o de vista, mas considerava que o perigo já tinha passado. Ainda com o bastão na mão, correu a toda a velocidade para Daron e agachou-se ao seu lado. Não estava inconsciente, nem dava mostras de ter sido atingido pelo feitiço mortal que lhe roubaria a vida aos poucos.
- Estás bem? – perguntou-lhe ela.
- Sim – Daron sentou-se lentamente, com algum esforço. – Foram feitiços inofensivos. Não fui atingido.
Agora que estava ao nível dos seus olhos, Ephice pôde reparar no seu rosto. Por baixo do seu farto cabelo castanho e desgrenhado, que quase lhe alcançava os ombros, viu um longo corte, que começava na sua sobrancelha esquerda, passava-lhe sobre a pálpebra e descia na diagonal até terminar no canto da boca.
- Estás ferido – observou, com a preocupação patente na voz.
Daron encolheu os ombros, sem dar importância ao assunto.
- É só um arranhão.
- Não é – discordou Ephice. – Fica quieto; eu trato disso.
- Não te preocupes com isso; vai ajudar os outros – pediu Daron.
- É rápido – insistiu ela, aproximando os dedos da ferida.
- Ephice…
Mas dos seus dedos já emergia a ténue luz curativa, um brilho esverdeado que funcionava como um suave e refrescante bálsamo em quem o recebia. Foi devido a esta sensação de conforto que Daron deixou a frase no ar, como que hipnotizado pelo tratamento. Enquanto percorria o corte com os dedos, sem sequer lhe tocar, Ephice elevou ligeiramente o olhar, encontrando os olhos quase negros de Daron.
Não deixou de experienciar a sensação de estranheza que Daron passara a despertar nela desde há poucos meses atrás. Eram grandes amigos desde que se haviam conhecido e nunca lhe acontecera algo semelhante. Era por isso que a sensação estranha conseguia ser ainda mais estranha. Por um lado, sentiu-se intimidada por vê-lo a olhar para si tão fixamente, como se, de certo modo, estivesse fascinado. Mas, por outro, Ephice só desejava poder olhar para aqueles olhos para sempre, àquela distância e com aquele sentimento de amizade e de companheirismo que se estabelecia entre eles, ligando-os como se de um fio invisível se tratasse. Porque aquele instante pareceu-lhe congelado no tempo; um momento em que Ephice se esqueceu de quem era, do que estava a fazer e do porquê de estar naquele lugar. As suas preocupações e pensamentos desapareceram da sua mente, e ela gostou de se sentir assim. Era como se, de repente, aquele se tivesse transformado no mundo maravilhoso pelo qual ela, Daron e todos os outros lutavam – o mundo em que não havia trevas, nem batalhas, nem morte.
De súbito, o olhar de Daron desviou-se para se fixar num ponto para além dela, e toda a magia do momento foi quebrada. O tempo retomou a sua passada, os sons em redor tornaram-se novamente audíveis e Ephice voltou a concentrar-se em sarar a ferida do companheiro. A pele de cada um dos lados do corte continuou a aproximar-se lentamente, até formar uma linha rosada.
- Ephice – chamou Daron, em tom de aviso, mantendo o olhar no mesmo ponto.
Ela deixou o feitiço a meio para rodar a cabeça.


Queria partilhar mais, mas assim daria muitas informações sobre o enredo, personagens e etc. E já disse por aqui que tenho medo de partilhar demasiado, não vá alguém aproveitar-se das minhas ideias.

24/09/2015

"Procura activa de emprego"

Agora que terminei o curso, preciso de arranjar um estágio para poder pertencer à Ordem da minha futura profissão. Porque, se não fizer parte da (mal)dita Ordem, nunca poderei exercer.
É estúpido uma pessoa ser mesmo obrigada a pertencer a uma Ordem para poder trabalhar, especialmente tendo em conta que, em algumas profissões, fazer ou não parte da respectiva Ordem é algo facultativo. Aliás, é estúpido que existam Ordens. E é estúpido ter que fazer outro estágio para isto, e que o estágio que fiz durante este ano, integrado no curso, não sirva para isto. Devia bastar fazer um exame e pronto.
Aqui nos Açores existe um programa de estágios remunerados para recém-licenciados. Basta que a pessoa se inscreva no site, insira tudo o que é necessário e apresente uma candidatura, online, à entidade que lhe interessa e que está a aceitar estagiários. O que eu queria mesmo era "usar" um estágio destes para poder pertencer à Ordem, ficando, assim, com um estágio "dois em um": por um lado, fazia o estágio necessário para fazer parte da Ordem e, depois, já podia trabalhar, e, por outro, ganhava dinheiro com isso, por ser remunerado.
No entanto, a próxima fase de candidaturas aos estágios desse programa é só em Novembro, e só em Novembro é que posso saber quais são as entidades que estão a pedir estagiários. Corro, por isso, o risco de chegar a Novembro, ir à página ver quais são as entidades que aceitam estagiários e não encontrar nada da minha área. Como tal, ontem e hoje andei por aí a saltitar de sítio em sítio, a perguntar se iriam abrir vagas para estagiários no âmbito do tal programa, de maneira a saberem que existe por aí uma recém-licenciada à procura de um estágio numa determinada área. Considerei-me uma pedinte de esmola por causa disso, ao passo que o meu namorado denominou a coisa de "procura activa de emprego".
Foram só dois dias, mas senti-me esgotada. Só ouvi nãos e não sei. Ninguém parecia reconsiderar, nem mesmo sabendo que eu estava ali, feita desesperada, a pedir uma oportunidade de estágio. Nem sequer era de emprego, era só de um estúpido estágio. Um estágio com o qual as entidades não têm nada a perder, pois o salário para os estagiários nem sequer sai dos seus bolsos. Não sei o que é que lhes custa.
Não estou a ver-me com muitas mais hipóteses. Nem nunca pensei que isto fosse fácil. Estou apenas cheia de medo de, em Novembro, aceder ao site e não ver um único estágio na minha área. Estes dois dias cansaram-me; senti que estava a fazer figura de parva e a desperdiçar o meu tempo. Lá terei que continuar, embora a vontade seja pouca e não veja a que outros locais me possa dirigir. E não gosto nada deste método de procura, muito menos do facto de ninguém reconsiderar abrir uma mísera vaga para uma estagiária. Tudo isto deprime-me, mas, apesar disso, também me sinto uma completa inútil se passar o dia enfiada em casa como se estivesse de férias.

22/09/2015

4 dias em Amesterdão

Esta é uma cidade que tinha interesse em visitar já há algum tempo. Não pelo facto de ser muito liberal e tal, mas sim por me parecer bonita. Uma viagem é sempre uma viagem, mas torna-se ainda melhor quando o destino nos fascina. E quando este não nos desilude. Passei lá quatro dias e adorei. É um lugar fantástico, diferente. Deixo aqui um relato de tudo aquilo que fiz durante os dias em que lá estive. Aviso, desde já, que este é um post excessivamente longo e que todas as fotografias são da minha autoria.

20/09/2015

"Deprimência"

Gosto muito mais do Porto do que de Lisboa. Acho que é normal, tendo em conta que o Porto foi a cidade que me acolheu durante três anos e meio. É lá que me sinto em casa. Em Lisboa, sentir-me em casa é a última coisa que pode acontecer. Acho tudo muito confuso e as pessoas parecem-me muito mais stressadas. Em Lisboa, pelo contrário, sinto-me um bocado perdida.
Nunca tinha saído em Lisboa sozinha, ao passo que, no Porto, já o fiz vezes sem conta. Em Lisboa, saía sempre com o meu namorado ou com a minha irmã. Até ontem. Ontem, a minha irmã resolveu passar o dia - que, por sinal, estava fantástico, cheio de sol - a dormir depois de ter vindo de uma festa da faculdade dela, e eu, que não queria nem por nada desperdiçar o dia fechada em sua casa, resolvi ir dar uma volta sozinha.
Mas o grande problema em estar-se sozinha é que faz-nos pensar em triliões de coisas ao mesmo tempo.
Sentei-me num banco do Parque das Nações, à sombra, a olhar para o rio. Nos primeiros instantes, apreciei, de facto, a vista, mas, depois, os meus pensamentos voaram para longe. Pensei no quanto os últimos dias me tinham feito bem e no quanto me fizeram feliz. Em Amesterdão, no Porto e, até, na própria Lisboa, que, apesar de me fazer sentir confusa e perdida, consegue sempre proporcionar-me boas recordações, especialmente a partir da MEO Arena. Comecei a deprimir por estar quase a regressar aos Açores. Adoro alguns aspectos daquela terra, entre os quais o facto de tudo ser relativamente perto e de não perder demasiado tempo em transportes, coisa que não acontece aqui. Mas detesto o facto de ser tão limitada. Gosto de ir para sítios que não conheço, só mesmo para andar a pé, a passear, e para tirar fotografias; gosto dos centros comerciais enormes; gosto das feiras do livro e dos concertos; gosto do facto de ninguém me conhecer e de, por isso, ser capaz de fazer o que quiser sem ser julgada. E este tipo de coisas não acontece lá. Este tipo de coisas fez-me feliz nestes últimos dias, e acho que comecei a deprimir precisamente por causa disso: por não saber quando voltarei a encontrar este tipo de felicidade.
Não sei, contudo, se seria realmente feliz se vivesse por aqui, na parte continental. Acho que tudo isto me fez tão feliz porque não faz parte da minha rotina habitual, e foi por isso que quis aproveitar todos estes dias ao máximo. Se aqui vivesse, estas coisas já fariam parte da minha rotina, e, talvez, deixassem de ter o mesmo sabor quando se tornassem tão banais.
Acho que nunca saberei. As pessoas continuam a perguntar-me onde vou querer viver, e eu continuo sem saber responder. Claro que também encontro pedacinhos de felicidade na minha terra, isto nem se questiona. Mas são outro tipo de pedacinhos. Pedacinhos que se complementam com estes que encontro aqui.
E acho que, no fundo, o que eu gostava era mesmo disto: de continuar a complementá-los. De ser capaz de, vivendo nos Açores, escapar à rotina de vez em quando e dar aqui um saltinho, só mesmo para reencontrar estes pedacinhos felizes.
Felizmente, apareceu, depois, uma rapariga a vender marcadores de livros, que me impediu de pensar mais e de, consequentemente, deprimir mais. Os meus pensamentos foram interrompidos e ainda ganhei um marcador novo.
Não tenho grande vontade de regressar. Mas sei que o vou fazer com uma bagagem repleta de recordações e com o coração cheio.