16/08/2015

Inveja...

...é aquilo que sinto quando sei que mais um colega defendeu a sua tese e já se licenciou.
Quem me dera ter também já tudo despachado...

15/08/2015

So there's this bitch...

Ainda há pouco tempo vi uma fotografia antiga dos meus pais. Achei que estavam tão giros naquela foto. E felizes. Pensei em como teria sido bom se as coisas se tivessem mantido assim. Isto é, se não tivesse aparecido uma cabra para estragar tudo. Já lá vão uns dez anos, talvez, mas é-me praticamente impossível não pensar nisto - em como tudo seria melhor se ela não existisse - de vez em quando.
A parte boa é que é raríssimo o dia em que a vejo, tanto que, às vezes, chego a esquecer-me de que existe. No entanto, quando acontece encontrá-la, ver a sua cara de sonsa é suficiente para me estragar o dia. E pior do que ver a sua cara de sonsa é ter que a aturar quando decide abrir a boca. É que a cabra não tem moral alguma para falar, e muito menos tem o direito de falar daquilo que não sabe ou como se fosse a dona de tudo. Eu ignoro-a sempre, e a atitude dela costuma ser tão baixa e tão reles, que nem me dou ao trabalho de lhe responder, já que isso seria descer ao seu nível. Nunca tive qualquer interesse em conhecê-la, e não é agora que o vou ter, até porque, quanto mais tempo passa, mais a detesto. Porque, quer dizer, ela destruiu a minha família. Vou ser simpática com esse tipo de gente? Só para agradar ao meu pai? Nunca. Eu nunca o consegui perdoar até hoje - é claro que ele continua a ser meu pai e que continuamos a falar um com o outro e a fazer coisas juntos, mas nunca lhe perdoarei o facto de ter deixado a minha mãe por causa de uma cabra reles -, daí que nunca simpatizarei com a causadora de tudo isto. Ela pode chamar-nos, a mim e à minha irmã, de tudo o que quiser e dizer, nas nossas costas ou mesmo à nossa frente, tudo o que quiser, que nós estamos a borrifar-nos completamente.
Nunca irei perceber que raio passou pela cabeça do meu pai para trair-nos desta maneira. Nem consigo perceber como é que o amor entre duas pessoas pode desaparecer assim de repente. Compreendo que a rotina pode ser capaz de "apagar a chama", mas essas duas pessoas, ao verem que tal está a acontecer, não deviam fazer alguma coisa para dar a volta à situação e voltar a "reacender a chama"? E a amizade entre elas não devia permanecer, mantê-las unidas e manter as coisas minimamente estáveis?
Não percebo. E tudo isto revolta-me. 
Tenho tentado manter as energias negativas longe daqui, mas, ontem, passei-me um pouco e tive que vir aqui despejar.

11/08/2015

"Lá fora é que é"

O meu pai adora empurrar-nos para o estrangeiro. Enquanto estive na faculdade, falou várias vezes sobre o Eramus, mas isso foi algo no qual nunca tive grande interesse. Quer dizer, mais ou menos. Quando ouvia as pessoas a falarem sobre a sua experiência, ficava, às vezes, com um certo bichinho. Mas, passado um bocado, já tinha esquecido o assunto e pensava Nah, deixa-me estar aqui quietinha. É que uma das coisas que fez com que não quisesse fazer Erasmus foi o facto de ir para outro país por minha conta, sozinha. Nunca me senti completamente integrada num sítio, e pensava que, se não me integrara na minha faculdade, também não me iria integrar noutro país, ainda para mais tendo em conta que o pessoal de Erasmus parece viver para as festas e para a bebedeira, coisa que faria com que me sentisse uma outsider, como habitualmente. Depois ainda havia a questão do procurar casa, da língua e das despesas - nunca percebi se davam bolsa, mas, mesmo que o fizessem, a bolsa não dura para sempre, e eu já estava a dar demasiada despesa à minha mãe (especialmente) por estar longe de casa. Para além disso, eu até considerava que estava a fazer uma espécie de Erasmus, já que saíra de uma ilha para ir para o Porto e só ia a casa e via a família quando estava de férias.
Hoje, o meu pai voltou a puxar o assunto Erasmus, desta vez direccionado à minha irmã, já que agora foi ela começou a faculdade e é agora ela que o pode fazer. Lá mandou a boquinha de me ter dito isso imensas vezes e de que eu nunca tinha concorrido, como se tal fosse uma experiência imperdível que certamente me enriqueceria enquanto estudante, mas a verdade é que, se fosse algo que eu quisesse mesmo ter feito, então teria feito, e não deixaria que a barreira do ir-sozinha-e-não-me-integrar me travasse.
Mas lá por eu estar prestes a acabar a licenciatura e a deixar de ser estudante, não quer dizer que ele não possa continuar a empurrar-me. O facto de eu ter dupla nacionalidade faz com que ele insista imenso nesse assunto: que vá para fora, que faça uma especialização ou pós-graduação ou lá como se chama, ou mesmo que faça um estágio. É claro que eu, quando começar a trabalhar, quero marcar pela diferença e destacar-me dos meus colegas de profissão por fazer algo inovador. Acho que é o que qualquer um quer, aliás. O meu pai falou-me, hoje, sobre isso, tal como outras pessoas já mo disseram. De tal maneira que a coisa já me entrou na cabeça. A questão é sempre como o hei-de conseguir.
Pois o meu pai lá me deu uma boa ideia - e ele raramente tem boas ideias. Mas só o facto de ir para fora completamente sozinha - aproveitando a dupla nacionalidade, claro, que ele tanto gosta - é demasiado assustador para mim.
Não deixo de reconhecer que poderia ser uma experiência fantástica, tal como foi a minha experiência enquanto estudante deslocada no Porto, para o qual também fui sozinha e no qual não precisei de me sentir integrada para o adorar. Mas, mesmo assim, não deixa de ser assustador. Seria como ir para outro mundo. Dar-me-ia conhecimentos tão diferentes e regressaria com uma nova visão acerca das coisas, mas não deixa de ser assustador.
Seja como for, por enquanto só consigo pensar em ter a minha licenciatura e em fazer parte da Ordem. As pessoas adoram pôr as carroças à frente dos bois, mas eu nunca gostei de pensar no futuro mais distante, nem nunca fui boa a fazer planos a longo prazo.

10/08/2015

Mais de 1000 razões para ser feliz #4

Via We Heart It.
Ficar a escrever até às duas da manhã, no silêncio do meu quarto, sem incómodos e sem grandes bloqueios.

07/08/2015

Escrito por mim #3 - parte 5 (última)

 Parte 4 AQUI.

Dez aflitivos minutos mais tarde, Lu entrou no seu prédio e lançou-se pelas escadas acima até ao segundo andar. Entrou no seu apartamento, e só se sentiu absolutamente aliviada quando acendeu a luz, fechou a porta atrás de si e viu tudo tal como havia deixado. Aquele pequeno cantinho tornara-se no seu porto seguro, um lugar onde sentia que nada nem ninguém a podia magoar, nem mesmo os perigos que chegavam com a noite.
Lu pousou a mala no sofá, e, imediatamente, todo o seu receio se dissipou, dando, de novo, lugar às memórias daquela que se tornara numa das melhores noites da sua vida. Sentindo uma ligeira pontinha de fome – e nem uma de cansaço –, dirigiu-se à cozinha. Preparou uma taça de cereais e sentou-se descontraidamente numa das cadeiras, com os joelhos contra o peito e a tigela entre as mãos. Demorou-se a comer, apreciando cada colherada até ao último floco de cereal. E, a cada nova colherada, ao mesmo tempo que o delicioso sabor do chocolate se instalava lentamente, Lu dava por si a sorrir de um modo sonhador assim que as lembranças voltavam à tona. Sentiu-se como uma adolescente apaixonada, a reviver o mesmo momento na sua cabeça vezes sem conta com sorrisos parvos que surgiam inesperadamente, porque o rapaz por quem tinha uma paixoneta secreta reparara nela por fim. Mas Lu tinha perfeita noção de que já não era uma adolescente, e de que aquela era apenas uma paixoneta platónica e inocente que toda e qualquer pessoa podia ter por uma celebridade. E, também, de que nunca mais voltaria a ver Spencer, ainda que a canção que ambos haviam partilhado dissesse o contrário – uma promessa de que voltariam a encontrar-se, algum dia.
Lu perdeu a noção do tempo, mas, fosse como fosse, não tinha nada para fazer e, no dia seguinte, não tinha uma hora exacta para acordar. Ainda com a tigela de cereais entre as mãos, bocejou depois de engolir a última colherada, sinal de que o seu corpo esperava por algum descanso. Levantou-se, colocou a tigela no lava-loiça e encaminhou-se para o quarto.
Ao abrir a porta, deparou-se com o quarto escuro e com o namorado já deitado, a dormir tão profundamente, que nem reagiu à sua presença. A sua primeira reacção foi de um leve sobressalto, que, depois de passar e de Lu se lembrar a si mesma que não viva naquele apartamento sozinha, fez com que ela suspirasse e fechasse a porta com todo o cuidado atrás de si. Devido ao facto de estar tão habituada a viver a sua vida sem lhe dar grandes satisfações e sem ter a sua companhia muitas das vezes, Lu esquecera-se completamente de Diogo. Contudo, não sentia qualquer vestígio de arrependimento daquilo que fizera – ou mesmo pensara –, e estava determinada a não deixar que ele, alguém que parecia já não lhe dar o devido valor, estragasse o que lhe restava da noite e apagasse as maravilhosas recordações que esta lhe proporcionara. Como tal, Lu optou por ignorá-lo, e contornou a cama para se deitar no lado que lhe estava reservado, agindo como se Diogo não estivesse ali. Pousou o telemóvel na sua mesa-de-cabeceira e usou-o para servir de lanterna enquanto vestia os pijamas. Depois, deitou-se, dando-se por satisfeita por Diogo não estar a ocupar mais de metade da cama e por ela conseguir ter algum espaço.
Para sua felicidade, Diogo não acordou. Aquilo que Lu menos queria naquele momento era sentir os seus braços à sua volta ou responder a perguntas. Naquela noite, Lu só queria adormecer a pensar em Spencer.

Assim termino o texto que, há uns meses atrás, me senti tão inspirada a escrever. O texto que servirá como prólogo ou como primeiro capítulo de algo maior, se resolver andar com esta história para a frente. Apesar de a ter delineado totalmente na minha cabeça - como faço sempre, antes de começar a escrever qualquer coisa -, ainda não sei se, de facto, irei continuar com ela ou não. Seja como for, tenho outra pendente.
Queria agradecer a todas as meninas que leram e comentaram as diferentes partes deste pequeno texto. Não estava nada à espera de um feedback tão positivo e que me pedissem para publicar mais. Significou muito para mim.
Novos textos irão surgir ocasionalmente. Não acerca da Lu e do Spencer, porque disto não tenho mais nada para mostrar, mas sim passagens de histórias que já tenha terminado ou que ainda estão a ser escritas.