30/06/2015

Deste ano, não passa

Uma das coisas que quero fazer estas férias é reunir contactos de editoras, fazer uma boa pesquisa acerca daquilo que devo dizer e que devo enviar para tentar cativá-las para a leitura do meu livro, escrever um e-mail todo janota baseado na informação que recolhi, enviá-lo e (des)esperar que alguma me responda. Enquanto isso, terei ainda que "descobrir" qual o género literário do meu próprio livro, e, talvez, fazer uma nova revisão ao mesmo.
Talvez esta não seja a melhor altura para pensar nestas coisas, mas, se for a ver bem, nunca vai existir uma boa altura, já que vão sempre existir outras coisas, prioridades que merecem logo a minha atenção e que estão mesmo à minha frente. Mas eu quero tanto isto...

27/06/2015

Em modo repeat #25

Os Bullet vão lançar um novo álbum este ano, o que me deixou de pé atrás e sem grande vontade de ouvir os novos singles, dada a desilusão que foi o trabalho anterior. Mas lá os ouvi, gostei, e, agora, aguardo este novo álbum com alguma expectativa. E ouvi-los fez-me retomar o gosto por esta banda, tanto que me deu vontade de voltar a ouvir álbuns antigos. Acabei por "tropeçar" nesta música no YouTube, que já não ouvia há anos e que, agora, não me sai da cabeça. Apesar de ter uma letra triste, e embora a Hearts Burst Into Fire vá ser sempre a minha favorita, esta é mesmo qualquer coisa.

26/06/2015

Presa na ilha

As pessoas parecem pensar que estou a gozar quando digo que gostava de ir ao Porto quando acabar o estágio. Dizem que posso enviar a tese e o relatório por correio e perguntam-me onde é que ia passar as noites - e eu digo que fico numa pensão qualquer. Sim, realmente posso enviar as coisas por correio, mas isto de entregar as coisas é apenas um pretexto, porque o que eu preciso mesmo é de sair daqui por um bocadinho. Gosto de aqui estar, como é óbvio, mas passei três anos e meio entre cá e lá. E três anos e meio é algum tempo. Habituei-me a ter o meu espaço e a sair de casa para onde bem me apetecesse, sem dar satisfações a ninguém. É disso que sinto falta. Mudar de ares é quase uma necessidade, devido a ter-me habituado tanto a estar longe. Mas, por outro lado, tenho noção de que a nossa situação financeira não é a melhor, neste momento.
E não vou ao Vagos. Por causa do estúpido casamento. Resta-me rezar para que a próxima edição tenha um melhor cartaz, com mais bandas de que gosto.
Não vou ao Vagos, nem, muito provavelmente, ao Porto. Não vou fazer férias para lado nenhum. Vou passar mais meses aqui, no mesmo pedaço de terra, com o eterno clima incerto, os péssimos festivais de Verão e os lugares que já conheço de trás para a frente e que estou farta de visitar. Salva-se a viagem a Amesterdão no início de Setembro. O que, verdade seja dita, pode vir a ser um grande inconveniente, e isto por causa do exame de licenciatura, também conhecido como dia da defesa. 
A minha data ainda não está marcada, mas nem sei o que seria pior: se defender só para finais de Setembro ou inícios de Outubro, deixando-me algum tempinho para descansar, ou se logo no final de Agosto, de forma a seguir para os Países Baixos completamente descansadinha da vida e felicíssima por ter terminado o curso. Nem sequer sei se o final de Agosto é uma altura possível, uma vez que corresponde a férias para muita gente, embora a orientadora tenha dito que sim, que era possível, caso entregasse os trabalhos na época normal, em vez de na de recurso. Mas o meu primeiro pensamento teve a ver com o facto de finais de Agosto ser demasiado cedo, o que obrigar-me-ia a pôr mãos à obra o quanto antes. Ainda assim, a ideia de ir viajar sem aquela preocupação é demasiado tentadora. Estou a contar entregar tudo na época normal, uma vez que as coisas estão praticamente prontas. E, independentemente da minha data de defesa, o certo é que terei mesmo que ir ao Porto por causa disso, e aí sim, poderei aproveitar para passar lá uns dias. Aí, já ninguém me poderá impedir, porque terá mesmo que ser. Que chatice.
Mas, até lá, ficarei prisioneira da ilha. Acho que vou reservar a praia e os banhos de mar para manhãs esporádicas em que o tempo esteja óptimo, já que passei a preferir ir à praia de manhã, de modo a aproveitar as tardes para outras coisas. Acho que vou voltar a sair de casa só para ler debaixo das árvores num jardim ou para ir comer um gelado a uma esplanada. Espero fazer muitos piqueniques e churrascadas em família. Vou apostar em passeios pela natureza, não com o intuito estúpido de fazer exercício e andar rapidamente, mas sim para demorar-me a apreciar a paisagem, mesmo que isso implique ficar para trás. E deliciar-me com longas sessões de escrita debaixo do guarda-sol. Se vierem dias maus, nem vou reclamar, pois até no Verão sabe bem um dia no sofá com um filme giro ou com um bom livro como companhia. Posso ficar prisioneira da ilha, mas não vou deixar que isto me estrague as férias. Até porque tenho que passar parte delas a trabalhar na maldita defesa...

24/06/2015

Escrito por mim #3 - parte 2

Parte 1 AQUI.

- Tu – disse, a apontar para ela.
Acto contínuo, Lu virou-se para trás, juntamente com as desconhecidas que se encontravam à sua volta, para tentar perceber quem fora a feliz contemplada.
- Não, tu – ouviu Spencer dizer, mas só pensou que, daquela forma, seria complicado tentar perceber a quem se referia.
Até que uma das adolescentes que a cercava falou directamente para ela:
- Acho que és tu!
Lu franziu o sobrolho e virou-se, dando de caras com um Spencer imóvel, a sorrir para ela a poucos metros de distância.
- Tu aí – voltou a apontar para Lu.
Ela, por sua vez, apontou para si própria, só para se certificar que era mesmo consigo.
- Sim, tu! – exclamou Spencer, ansioso por se rir com a situação. – Anda daí.
Lu não se conseguiu mexer. O seu ritmo cardíaco disparou, e as pernas, embora trémulas, pareciam feitas de chumbo, prendendo-lhe ao chão.
- Se não subires, vou aí buscar-te – ameaçou Spencer, num tom afável e divertido ao mesmo tempo.
Ouviu as desconhecidas, atrás de si, a encorajá-la, ao passo que outras gritavam que podiam ir no seu lugar. No palco, Spencer continuava a aguardá-la, estático, com o seu sorriso magnífico. Nos poucos segundos em que se manteve paralisada, Lu não conseguiu deixar de achar incrível – de uma forma estranha – que, no meio de tanta rapariga histérica e extravagante, que combinava melhor com Spencer do que ela própria, ele a tivesse escolhido a si. Ou, até, que tivesse reparado nela, na rapariga que, embora se sentisse invisível e vulgar, estava a divertir-se como se o amanhã nunca fosse chegar. Instigada pelo encorajamento das fãs desconhecidas e pela expressão de Spencer, Lu pôs de lado a (bastante provável) hipótese de vir a ser um completo desastre em palco e de assassinar uma das suas canções favoritas. Qualquer fã que ali se encontrava desejaria estar no seu lugar naquele momento, e Lu agarrou-se àquela sorte e à oportunidade que lhe fora dada para caminhar em direcção ao palco. O ruído da multidão tornou-se mais vibrante, e o sorriso do vocalista abriu-se mais.
Spencer ajudou-a a subir e encaminhou-a para um dos bancos que ali haviam sido colocados. As pernas de Lu tremeram demasiado ao longo daquela meia dúzia de passos. Não conseguiu olhar para o público durante as passadas, e achou que teria desmaiado se não se tivesse sentado. Spencer sentou-se no banco ao lado – demasiado próximo do seu –, e encaixou o microfone no suporte que se encontrava à sua frente. Naquele curto instante, Lu olhou-o discretamente, apanhando alguns pormenores das tatuagens que lhe cobriam os braços e notando com maior clareza a argola que usava no lábio inferior. Depois, Spencer passou-lhe um microfone, que Lu nem soube de onde tinha vindo.
- Nervosa? – perguntou-lhe Spencer amavelmente. Falara para o microfone, para que ela própria o ouvisse melhor, mas não desviara os olhos azuis dos dela.
- Muito! – respondeu Lu, de um modo instantâneo.
O público riu-se, assim como Spencer. Lu sentiu-se corar. Não conseguia acreditar que estava ali, tão perto de Spencer Anderson, a ver os seus olhos e o seu sorriso em grande plano, a ser alvo da sua atenção.
- Não estejas. Vamos só divertir-nos – disse ele, numa tentativa quase vã de a acalmar e de a fazer ver que ninguém a julgaria caso fizesse a figura de parva que ela sabia estar para vir. – Como te chamas?
- Lu.
Desde que passara a viver fora do seu país de origem, Lu deixara de se apresentar como Luana. Aquele era um nome fácil de ser compreendido à primeira onde quer que estivesse. Além disso, Lu achava que um diminutivo era capaz de criar uma certa empatia e proximidade, e ela nunca fora boa a criar aquele tipo de laços.
- Muito bem, Lu – Spencer pegou numa guitarra acústica. – Espero que conheças esta canção, ou vou arrepender-me de te ter escolhido! – brincou, fazendo-a rir-se, juntamente com o público.
As luzes do palco apagaram-se por um breve instante, para darem lugar a uma iluminação mais suave e intimista, propícia à canção iminente. Naquele mísero segundo de escuridão, Lu ouviu a voz de Spencer ao seu ouvido. Segredou-lhe o nome da canção que se seguiria, e um arrepio percorreu-lhe a espinha.
- É uma das minhas favoritas – comentou ela, sem sequer pensar, precisamente no momento em que se acenderam as novas luzes. Spencer ainda teve tempo de lhe presentear com um sorriso rápido, antes de dedilhar os primeiros acordes.
Continua...

23/06/2015

Facto #29

Um dos lados negativos de se usar um computador que não o meu é o facto de não ter a minha vasta biblioteca musical ao meu dispor. Agora, sempre que quero ouvir alguma coisa, tenho que ir ao YouTube - de pouco ou nada me servirá sacar álbuns, já que ainda existe a possibilidade de o meu portátil ter solução e de eu poder voltar a usá-lo -, o que é sempre um problema, por nunca saber o que hei-de pesquisar ou o que ouvir. Às vezes, tenho saudades de viver sozinha. De escolher um álbum aleatoriamente e pô-lo a tocar alto e bom som enquanto faço qualquer coisa que não exija concentração ou enquanto janto. E de ouvir música sem auriculares. Estou farta dos auriculares. Mas também não quero dar numa de anti-social e fechar-me no quarto com música alta, até porque raramente estou no meu quarto, ora por ser demasiado quente, ora por preferir fazer companhia à minha mãe na sala, ainda que estejamos a fazer coisas diferentes.
Acho que, quando tiver a minha própria casa, vai estar quase sempre música a tocar.