20/04/2015

Escrito por mim #1

O lápis deslizava sobre o papel como se tivesse vida própria. Fugindo ao meu controlo, dava forma ao que se escondia nas profundezas do meu subconsciente, libertando-o, trazendo-o para a realidade. Com ele, vinha um misto de sentimentos, que me fazia sempre questionar se tudo não teria passado de um sonho ou se acontecera de facto. Dada a criatividade que começara a adquirir, não me admirava se tudo tivesse sido produto da imaginação.
Dava agora os retoques finais, indício de que o meu momento de prazer e diversão estava a chegar ao fim. Mas não os sentimentos e as perguntas. Estes surgiriam de todas as vezes que olhasse para aquele desenho. Para aquele e para outros.
Relaxei o braço e admirei o resultado final, ignorando as constantes sombras dos miúdos que por ali passavam. Não me importava que olhassem ou tecessem comentários, até porque nem os estava a ouvir. Importava-me, sim, que me interrompessem o estado de transe provocado pelo simples acto de pegar num lápis e de o usar para sujar uma folha imaculadamente nova com um único ponto. O que, felizmente, não era algo que acontecesse. Continuava protegida pela armadura que tinha vindo a construir com o passar das vidas, a armadura que nunca me deixava ficar mal. Parecia irradiar uma energia tão forte, que repelia quem ousasse aproximar-se. E parecia que essa energia se propagava, formando um círculo à minha volta que incluía também a árvore à qual estava encostada, fechando-me num mundo à parte, povoado pela música que me ecoava nos ouvidos.
Estava, então, sentada na base de uma árvore, contra o seu tronco, acolhida pela sombra fresca que me proporcionava e que me conferia uma estranha sensação de paz. Sem me importar se as minhas calças de ganga estreitas ficassem verdes devido à relva, ou se a minha mochila e roupa fossem invadidas por insectos. Tinha as pernas flectidas, e, sobre elas, o meu bloco de desenho, um dos meus companheiros do dia-a-dia. O outro era o leitor mp3 completamente ultrapassado – mas do qual não me iria livrar tão cedo –, recheado de canções que me faziam relaxar, esquecer os problemas, fugir à realidade ou inspirar-me para um novo desenho. Algumas delas eram capazes de me fornecer tudo isto ao mesmo tempo.
E, na página onde o bloco estava aberto, aquilo que acabara de desenhar. O retrato de Mormak, mais um entre tantos. Mas um retrato pouco realista. Mais virado para uma versão cartoon. Um retrato negro e sedutor com um toque de arrogância e mistério, o seu rosto ligeiramente de lado e com um olhar extraordinariamente atraente pelo canto do olho, que me dava a sensação de me estar a chamar para descobrir outra realidade; a sua realidade. Um olhar que dizia que ir com ele era perigoso e podia ser a minha sentença de morte, mas que era quase impossível de resistir. A sua boca não sorria, e os seus cabelos, finos e tornados mais compridos do que aquilo que eram, caíam-lhe pelo rosto como fios de prata e agitavam-se com uma leve brisa. Um rosto duro, algo tenso, pele lisa e sem a característica barba. Talvez aquele não fosse Mormak, como o meu subconsciente quisera transmitir. Parecia, antes, uma personagem de uma série de animação não dirigida a crianças, o vilão encantador que arrebata os corações das rapariguinhas puras e inocentes.

19/04/2015

Perguntinhas #12 - Hábitos Literários


1. Tens o hábito de comer enquanto lês? Se sim, qual a tua comida favorita?
Só chocolates ou amêndoas, embora nem sempre o faça.

2. Qual a tua bebida favorita para acompanhar a leitura?
Chá. Mas também nem sempre bebo.

3. Costumas sublinhar uma ou outra passagem enquanto estás a ler um livro, ou achas que escrever nos livros é uma ideia abominável?
Não, nunca. Só sublinho e escrevo nos livros de estudo. Nos livros de leitura, é impensável; gosto de os manter direitinhos, e não vejo necessidade em rabiscá-los. Se gosto de alguma frase ou passagem que queira partilhar mais tarde, normalmente decoro o número da página em que está, para depois ir lá buscá-la.

4. Como marcas os livros quando interrompes a leitura? Tens um marcador especial, ou usas o que estiver à mão (um papel dobrado, etc)? Ou dobras o canto da folha?
Costumo usar o meu marcador favorito, que comprei em 2007 numa feira ao estilo medieval que aqui fizeram e que tem o meu nome lá escrito, num tipo de letra também ao estilo medieval. Isso de dobrar o canto da folha não fica nada bem.

5. Qual o teu género literário favorito: ficção, não-ficção, ou ambos?
Ficção, sem dúvida. E, quanto mais fictícia a história (mundos imaginários, criaturas que não existem, magia, etc), melhor.

6. Gostas de ler até ao fim do capítulo, ou interrompes a leitura em qualquer parte do livro?
Prefiro ler até ao fim, mas há alturas em que tenho que parar a meio. Normalmente escolho parar quando aparece um espaço em branco, no caso de um capítulo ser muito longo e eu já não conseguir ler mais nada.

7. Tens o costume de procurar o significado de palavras que desconheces quando as encontras no decorrer da leitura?
Encontrar uma palavra que desconheça é algo que raramente acontece, na verdade. Mas penso que já procurei o significado de alguma, uma vez ou outra.

8. O que estás a ler neste momento?
Neste momento, nada. Acabei, esta semana, o segundo volume d'O Senhor dos Anéis, e, quando puder, vou pegar no terceiro.

9. Qual foi o último livro que compraste?
A última vez que comprei livros foi em Setembro. Comprei O Voo do Corvo, que já li, e o Delirium. Depois, recebi uns quantos no Natal e um no meu aniversário, que ainda estão em lista de espera.

10. Costumas ler um livro de cada vez, ou tens o hábito de ler vários livros ao mesmo tempo?
Só um de cada vez. Acho estranho ler mais do que um ao mesmo tempo.

11. Tens um local favorito ou uma hora específica do dia para ler?
Os meus lugares favoritos são: um dos sofás da minha casa (no Inverno ou quando o tempo está pior) e um jardim qualquer, deitada na relva debaixo de uma árvore (no Verão). Quanto à altura do dia, não tenho preferência. Leio quando me apetece, desde que possa.

12. Preferes séries ou histórias únicas?
Gosto de ambos. Aliás, quando um livro me interessa, a última coisa com que me preocupo é se se trata de uma série ou de um livro único. Aquilo que mais tenho na minha estante são séries - algumas das quais nem sabia que seriam séries, uma vez que comprei o livro sem saber que teria continuação. Se, por um lado, gosto do facto de a história não acabar ali e de saber que ainda não vou ter que me despedir daquelas personagens, por outro é um bocado chata a obrigação de ter que comprar os livros posteriores.

13. Tens algum livro ou autor preferido que não te cansas de recomendar aos outros?
Siiiim, A Passagem, de Justin Cronin. Provavelmente o melhor livro que já li até hoje 

14. Como organizas a sua biblioteca/estante? Por género, por título, pelo nome do autor ou pela editora?
Só há bem pouco tempo, quando remodelei o meu quarto, é que consegui organizar os meus livros numa estante. E organizei-os sem uma ordem específica. Claro que os livros da mesma série ficaram juntos, e aqueles que não pertencem a nenhuma série (ou que pertencem, mas que só tenho o primeiro volume) ficaram juntos também. Mas distribuí-os pelas prateleiras de uma forma aleatória.


Desafio retirado do blog Doce Sonhadora.

17/04/2015

Nota mental: não stressar

O estágio termina a dezassete de Julho. Toda a gente fica admirada por ser tão tarde, até eu. Podia dar-me por satisfeita por terminar uma semana antes daquilo que é suposto, mas não deixa de ser demasiado mau saber que vou ter que lá passar uma parte do Verão. Amanhã faz dois meses desde que comecei, e parece que já lá estou há uma eternidade.
Seja como for, terminando a dezassete de Julho e tendo em conta que tenho até início de Agosto para entregar o relatório e o trabalho final - que mal me atrevo a chamar de tese, porque, enfim, isto é uma licenciatura -, estava a contar ter muito tempo para trabalhar nisso, relaxada, sem ter o estágio a chatear-me e a ocupar a maior parte do meu dia. No entanto, já me trocaram as voltas. As orientadoras querem que esteja tudo pronto no final de Junho.
Já comecei a trabalhar, mas ainda me falta muita coisa, e, ultimamente, o trabalho anda a arrastar-se. Anda a ser difícil aproveitar os buraquinhos no estágio para adiantar qualquer coisa, e, quanto aos fins-de-semana, os últimos que se passaram não foram dedicados a isso. E eu até gosto do tema do trabalho, mas a preguiça tem levado sempre a melhor, e, claro, apetece-me sempre fazer outra coisa qualquer. Para além disso, estava certa de que ia ter muito tempo, mais para a frente, para me preocupar com isso.
Agora, com esta pressa em ter as coisas prontas tão cedo, estou a ver que tenho que mudar e passar os fins-de-semana à volta disto, como se estivesse novamente em aulas e tivesse a obrigação de ocupar o tempo livre com este tipo de coisas. Obviamente, continuo a ser estudante, mas o facto de não ter aulas, não ter matéria para estudar e entrar e sair todos os dias à mesma hora faz com que me esqueça disso. E tem sabido tão bem aproveitar o tempo livre...
Seja como for, vou ter que me organizar e tentar não stressar. E não pensar nisso por hoje. Porque hoje é sexta, e as noites de sexta pedem sempre uma maratona de episódios.

15/04/2015

Dentes, aparelhos e afins #3

Já há algum tempo que digo que quero endireitar os dentes. Mesmo sabendo que isso poderia implicar voltar a usar aparelho nos dentes superiores. Tenho notado que estes benditos estão cada vez mais tortos desde o nascimento dos sisos, e, para além disso, tive que deixar o aparelho de contenção, porque, da última vez que o pus, nem sequer consegui dormir devido a dores nos dentes. Para além disso, outra grande razão para marcar consulta no dentista teve a ver com uma estranha situação - que eu nem sei descrever - relacionada com os dentes inferiores. Que, como se isso não bastasse, são horríveis, pois, ao contrário dos superiores, nunca tiveram ferrinhos.
Fui hoje saber o meu plano de tratamento. Não foi surpresa alguma saber que vou ter que usar aparelho tanto nos inferiores, como, novamente, nos superiores. Surpreendeu-me, antes, o facto de não ser necessário arrancar os sisos de cima. Menos mal. O caso dos inferiores é que me assustou. Vou ter que fazer uma simples extracção de um dente, mas não é isso que me assusta, uma vez que já tive que tirar quatro. O que me assusta é a cirurgia - foi mesmo esta a palavra - para resolver a tal situação que não consigo descrever. Na consulta, não o demonstrei, mas, realmente, fiquei com medo. Da próxima vez que lá for, já vou pôr os ferrinhos nos superiores, enquanto a situação dos inferiores vai ser resolvida mais para a frente.
O que me chateia no meio de tudo isto é não perceber por que é que o totó do meu dentista anterior fez o que fez. Primeiro, retirou-me o aparelho passado apenas um ano. Depois, nunca sugeriu corrigir os dentes inferiores e não previu esta situação, mesmo com as minhas radiografias na sua frente. Nunca soube responder ao certo às minhas perguntas sobre o aparelho de contenção, nomeadamente à mais importante de todas: Durante quanto tempo mais vou ter que dormir com isto?. É que foram quase sete anos a dormir com aquela porcaria, e para nada, visto que, agora, é como se voltasse ao início. Por último, da última vez que lá fui, há uns dois anos, pedir uma opinião sobre o que se podia fazer, já que via a coisa a ficar cada vez pior, não soube dizer nada, como se estivesse à espera que eu sugerisse o que poderia ser feito. Basicamente, estava apenas a pensar na parte estética da coisa, e, por isso, como não se via que estava torto, não servia de muito estar a endireitar. Ora, e eu não os sinto todos tortos! Depois desta última consulta, que foi uma autêntica perda de tempo - e de dinheiro! -, decidi nunca mais lá voltar. Agora, estando noutra dentista, fiquei assustada com parte daquilo que me espera, sim, mas ao menos sei - ou, pelo menos, cheira-me - que, desta vez, vai dar certo.

13/04/2015

Bons momentos

Não há nada melhor do que, ao sair do trabalho, em vez de ir para casa como em todos os outros dias, passar o que resta da tarde em boa companhia, seja numa esplanada, seja a correr as lojas da baixa, seja a passear à beira-mar, sempre com um céu limpo e convidativo como pano de fundo e com a luz do sol a alegrar-me a alma e a impedir-me de pensar em preocupações. É libertador, tudo isto. Sabe tão bem deixar o trabalho para trás das costas, não pensar em nada e não ter aquele peso dos estudos sobre os ombros. E um dia solarengo parece tornar tudo mais feliz, como se me fizesse ver a vida com outros olhos.
Só é pena que os dias de sol não tenham durado muito por estas bandas e que o mau tempo de Inverno tenha decidido voltar. Espero que isto seja breve.