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31/12/2017

Coisas boas de 2017


2017 foi o pior ano que já tive até agora. Creio que deve ter dado para perceber através daquilo que escrevi no blog durante este ano. Escrevi tão pouco, mas tudo o que escrevi foi negativo. Tudo o que escrevi foi devido à necessidade de vir aqui despejar os meus sentimentos e os meus desabafos mais sombrios. E, com isto, parece que me esqueci de me focar nas coisas boas. Que, na verdade, foram tão poucas. E que achei não serem merecedoras de destaque. Principalmente porque, como já deve ter dado para ver, já não sou a blogger que costumava ser.
No entanto, quis deixar registadas as coisas boas deste ano, ainda que poucas. Apenas porque me apetece. Apenas para recordar mais tarde. Para me lembrar que, por mais horrível, negro e depressivo que um ano inteiro seja, há sempre algo que nos faz levantar um pouco a cabeça e subir do fundo do poço. Mesmo que sejam só uns meros centímetros, antes de voltarmos a escorregar e batermos lá em baixo outra vez.

15/11/2016

O Nome do Vento - Patrick Rothfuss

Sinopse: Da infância como membro de uma família unida de nómadas Edema Ruh até à provação dos primeiros dias como aluno de magia numa universidade prestigiada, o humilde estalajadeiro Kvothe relata a história de como um rapaz desfavorecido pelo destino se torna um herói, um bardo, um mago e uma lenda. O primeiro romance de Rothfuss lança uma trilogia relatando não apenas a história da Humanidade, mas também a história de um mundo ameaçado por um mal cuja existência nega de forma desesperada. O autor explora o desenvolvimento de uma personalidade enquanto examina a relação entre a lenda e a sua verdade, a verdade que reside no coração das histórias. Contada de forma elegante e enriquecida com vislumbres de histórias futuras, esta "autobiografia" de um herói rica em detalhes é altamente recomendada para bibliotecas de qualquer tamanho.

Este livro foi das melhores coisas que me veio parar às mãos. Foi uma supresa fantástica e um verdadeiro deleite, que me proporcionou horas muito, mas muito bem passadas. É um livro brilhante, maravilhoso e tão cativante, que me deixou completamente rendida.
Na minha opinião, prima pela originalidade, não só pela história, mas, também, pela forma como está escrito. O livro - ou melhor, a trilogia - é a história do protagonista, Kvothe. Portanto, lemos o protagonista a contar a sua história. Kvothe conta-a a um cronista, com a condição de que precisará de três dias para tal. Este primeiro livro é o primeiro dia em que Kvothe conta a sua história. Cada livro é um dia, portanto - três dias, três livros. Um dia em que é contada uma história cheia de aventuras, de peripécias, de magia, de música, de conquistas e de perdas, de amor e de amizade, de aprendizagens e de fracassos; uma história em que nos são apresentadas variadíssimas personagens e locais; e tudo descrito de uma forma tão rica que só nos faz ansiar por mais e que nos maravilha por completo. Bem, pelo menos comigo foi assim.
Pode parecer estranho que a história de um livro inteiro se desenrole num só dia. Mas, na verdade, não é necessariamente assim.
Começámos com uma narrativa escrita na terceira pessoa, em que nos é apresentado um estalajadeiro misterioso e algo melancólico em relação à vida, que dá pelo falso nome de Kote. Experienciámos um pouco o seu quotidiano e conhecemos algumas coisas daquele mundo. Entretanto, conhecemos também o Cronista, até que, um dia, ambas as personagens se encontram. E é aí que a história do protagonista nos começa a ser contada. E, aí, a narrativa altera-se, passando para primeira pessoa. A partir daí, o livro desenrola-se tão naturalmente, que quase nos esquecemos que aquela é uma história dentro de uma história. Como que um livro dentro de outro livro. E, de vez em quando, a história que Kvothe nos conta é interrompida para regressarmos ao presente: ao mesmo dia em que esta começou a ser contada, e ao mesmo local - a estalagem -, onde Kvothe e o Cronista se encontram. Num momento podemos estar a ler a história de Kvothe, e, no outro, podemos, de repente, regressar ao momento presente. Podemos estar tão embrenhados na história, que é como se precisássemos de um momento para retomar o fôlego. Esses interlúdios funcionavam mesmo assim, como uma espécie de "abanão mental" para regressarmos à realidade - não à nossa realidade, como é óbvio, mas à "realidade" do mundo do livro - ou como uma tomada de fôlego; como se ler a história de Kvothe nos fizesse mergulhar literalmente e fossem necessários esses interlúdios para virmos à superfície e recuperarmos, pararmos um pouco. Foi esta a sensação que tive.
Depois, para além desta forma tão brutal como o livro está organizado, temos a história em si. E que história. Kvothe, para começar, é um artista. Faz parte de uma trupe que corre o mundo para entreter as povoações através do teatro e da música, e isto, no início, foi suficiente para me conquistar, porque gostei imenso da ideia. Para além disso, é uma personagem super curiosa e inteligente. E tão querida - entrou no meu top de personagens favoritas, definitavamente. Adorei mesmo este personagem. Isto porque adoro este tipo de livro em que conhecemos o protagonista desde criança e vamos seguindo a sua vida. Porque passámos a conhecê-lo tão bem, demasiado bem, que é como se, de certa forma, "crescêssemos juntos". Já me tinha acontecido isto com outra trilogia - a Trilogia do Elfo Negro -, e também o protagonista desta é uma das minhas personagens favoritas da literatura.
Mas, adiante. Não quero, de forma alguma, contar a história. Apenas dizer que começámos com uma vida de nómada e de artista numa famosa trupe e passámos para uma outra completamente diferente, de fugitivo, ladrão e sem-abrigo numa cidade que o despreza. E isto por causa da reviravolta que muda a vida do protagonista por completo, bem como a sua visão do mundo, algo que o assombrará para sempre, conduzindo-o a uma busca incessante por respostas que se mantém ao longo de todo o livro. Disto, passámos para uma outra vida, de um estudante numa universidade, e, depois, de um aventureiro que resolveu seguir uma pista sobre o acontecimento que marcou a sua infância e mudou a sua vida. Ao longo do caminho, cruzámo-nos com as mais variadas personagens, umas que podemos vir a adorar, mas outras que nem tanto, e explorámos diversos lugares. Mas, em todo o caso, há sempre dois grandes elementos em comum: magia e música. A magia pode estar presente em muitos livros do género, mas nunca da forma como nos é apresentada neste em específico. Porque a magia até tem outro nome neste mundo: simpatia. Completamente engraçado. E, quanto à música, bem, foi uma surpresa e tanto. Acho que nunca tinha lido um livro em que a música estivesse tão presente, especialmente num livro de fantasia. Podem haver livros de fantasia com canções e afins - Senhor dos Anéis, por exemplo -, mas nada quando comparado com este aqui. Até a forma como o autor fala sobre música é...diferente. Nota-se o quanto é importante para o protagonista. É-nos descrita como se fosse algo quase palpável. Algo imprescindível na sua vida. E Kvothe toca alaúde...o que poderia ser mais fofo? E um dos locais que mais adorei no livro - que foi onde se desenrolaram algumas das cenas de que mais gostei também - foi um bar, próximo da universidade, onde se juntavam artistas que partilhavam a sua música. Acho que foi uma ideia que resultou espantosamente bem. Porque este não é o típico livro de fantasia em que o protagonista parte numa demanda e percorre o mundo. Embora também percorra parte do mundo, existem estes aspectos - a universidade, as noites num bar - tão próprios da nossa realidade. E eu adorei esta espécie de junção dos dois mundos.
E, como não podia deixar de ser, há que destacar a escrita do autor, que é sublime. Para além de o livro ser super bem escrito e tão rico em detalhes, Rothfuss escreve coisas que só consigo classificar como lindas. Deixo-vos, aqui, os meus trechos favoritos:

Quando somos crianças, raramente pensamos no futuro. Esta inocência deixa-nos livres para nos divertirmos como poucos adultos conseguirão. O dia em que nos preocupamos com o futuro é também o dia em que deixamos a infância para trás.

(...) o Outono é a melhor altura para arrancar as raízes de qualquer coisa de que nos queiramos livrar de vez. (...) "Nos meses de Primavera, as coisas estão demasiado cheias de vida. No Verão, estão demasiado fortes e não se deixam ir. Já no Outono..." (...) O Outono é a altura certa. No Outono, tudo está cansado e pronto para morrer.

Saiam nos primeiros dias de Inverno, depois da primeira queda de temperatura da estação. Encontrem uma poça de água coberta por uma camada de gelo, fresco e recente, transparente como vidro. Perto do limiar da poça, o gelo conseguirá suportar o vosso peso. Deslizem para o interior. Mais ainda. Eventualmente, encontrarão um local onde a superfície não consegue suportar-vos. Aí, sentirão o que eu senti. O gelo fractura-se sob os vossos pés. Olhem para baixo e vejam as linhas brancas espalhando-se sobre o gelo como teias de aranha loucas e elaboradas. O silêncio é perfeito, mas conseguem sentir as súbitas vibrações agudas que se erguem a partir das plantas dos pés.
Foi isto que aconteceu quando Denna me sorriu. Não pretendo dizer que me senti como se o gelo estivesse prestes a ceder sob os meus pés. Não. Senti-me como o próprio gelo, fracturado, com rachas estendendo-se desde o local onde tocou o meu peito. Apenas me mantive inteiro porque os meus mil pedaços se ajustavam uns aos outros. Se me movesse, receava desfazer-me.
(Kvothe é um romântico e também o adorei por isso.)

Rendi-me completamente a esta história e fiquei mesmo apaixonada por ela. Considero este livro uma leitura obrigatória para fãs de fantasia. Foi dos melhores que já li até hoje e estou mesmo ansiosa por viver o segundo dia na estalagem, para ouvir Kvothe a contar novas histórias sobre si próprio. Um livro maravilhoso, não apenas pela história por si só, mas também pela forma como está escrito, em termos de organização e em termos da escrita em si. Recomendo vivamente.

13/10/2016

Halo, Hades e Céu - Alexandra Adornetto


Sinopse (Halo): Três anjos - Gabriel, o guerreiro; Ivy, a curandeira; e Bethany, a mais jovem e humana de todos - são enviados para levar o Bem a um mundo que sucumbe ao poder das trevas.
Esforçam-se por esconder o brilho luminoso que os envolve, os poderes sobre-humanos que detêm e, representando o maior dos perigos, as asas, ao mesmo tempo que evitam qualquer tipo de relação com os humanos. 

Mas Bethany conhece Xavier Woods e ambos se revelam incapazes de resistir à atração que sentem um pelo outro. Gabriel e Ivy tentam tudo para impedir aquela relação, mas o sentimento que une Xavier e Bethany é demasiado forte. 
A missão dos anjos é urgente e as forças das trevas são ameaçadoras. Irá o amor lançar Bethany na perdição ou salvá-la?

O que mais me levou a querer ler esta história foi o facto de se tratarem de anjos enviados à Terra. Porque achei diferente. Apesar de saber que estava perante (mais) um típico Young Adult em que o final da história parece previsível, chamou-me à atenção a questão dos anjos. Por nenhum motivo em especial; apenas por ser algo diferente do que era habitual. Para ser honesta, considero-me ateia, pelo que nem sequer pus a hipótese de a questão da religião católica estar implícita nestes livros. Bem, enganei-me.
É um romance, sim, mas é uma história que também fala do Céu e do Inferno, de Deus e de Lúcifer. E, sinceramente, isto foi algo que nem sequer me fez comichão. Pelo contrário. E não fez porque, bem, estava a ler um livro. E, num livro, pode acontecer qualquer coisa. Pode-se falar sobre tudo e mais alguma coisa, que nada me faz espécie. Para dizer a verdade, gostei bastante da forma como a autora abordou estes temas. Da sua visão do Céu, tão estranha, bizarra e "vazia", mas tão gira ao mesmo tempo, e até da forma como os três anjos que protagonizam a história falam de Deus - nota-se algo como amor genuíno, como se fosse realmente pai (de sangue) dos três. São referidas histórias e passagens da Bíblia que se enquadraram muito bem na história, e, nisto, nota-se estudo e pesquisa por parte da autora, que é algo que eu admiro quando leio um livro. Dá-nos, ainda, a conhecer a forma como o Céu está organizado; que existem vários tipos de anjos - os Arcanjos, os Serafins, os anjos "mais baixos", por assim dizer -, cada um com a sua função, e que os comuns mortais que lá vão parar não passam, bem, de almas que por lá andam.
No que toca ao lado oposto, o Inferno, lá chegarei.
O primeiro livro da trilogia, Halo, apresenta-nos, como não podia deixar de ser, as personagens e toda a hierarquia celeste. Logo nas primeiras páginas, é quase impossível não se ficar rendido à escrita da autora. Era ainda muito nova quando escreveu o livro - não sei dizer a idade ao certo, porque, ao fazer uma pesquisa, cada site indicava uma data de nascimento da autora diferente -, mas isso nem sequer se nota. Tem uma escrita muito rica, cheia de detalhes, com muitas comparações pelo meio, tal como eu gosto. É facílimo imaginarmos um espaço ou uma personagem através das suas descrições. Não são descrições exaustivas; antes, cada frase vem cheia de detalhes que nos faz logo imaginar tudo, sem sequer nos apercebermos. Apenas não gostei das constantes interrogações ao longo da escrita - Será que...? e outras coisas que tais apareciam com frequência durante a narração, e isso é algo que, pessoalmente, não aprecio. Para além disso, as personagens são muito bem caracterizadas. Têm uma personalidade bem vincada, e apercebemo-nos mais disso quanto mais lemos e quanto mais vamos avançado na história. Às tantas, já conseguimos adivinhar as reacções de determinadas personagens aos acontecimentos, tendo em conta as suas características - mas não tenho a certeza se isso é algo bom ou mau.
No primeiro livro, Beth, o anjo mais jovem, conhece Xavier e vamos acompanhando a evolução da sua relação. Que não deixa de ser um bocadinho rápida e um tanto um quanto cliché: o rapaz giro do liceu apaixona-se pela rapariga nova. Típico dos YA, mas voltarei a abordar esta questão mais abaixo. A certo ponto, a relação de ambos tornou-se demasiado melosa e pirosa para meu gosto e achei que as coisas eram um bocado exageradas. Mas é muito giro ver os anjos - principalmente a Beth - num mundo que não é o deles, a tentarem adaptar-se a coisas tão básicas e tão banais para nós como o facto de terem que comer ou dormir, a tentarem esconder a sua identidade e a não saberem o significado de determinadas coisas, como certas expressões, por exemplo.
O segundo livro começa bem, na minha opinião, e isto porque a Beth é chamada à razão pelas amigas, no que toca ao facto de a sua relação com o Xavier se ter tornado...bem, demasiado peganhenta. Falam em como é saudável não se estar sempre juntos, algo que eu concordo. E gostei que a autora falasse nisso; acho que não tinha visto esta questão a ser abordada noutros YA. Para além disso, há uma reviravolta, e é aí que passamos a conhecer o chamado Inferno. Tal como aconteceu com o Céu, a descrição da autora deste lugar surpreendeu-me. Conhecemos um mundo diferente, com lugares que nada têm a ver uns com os outros, e personagens diferentes. É um lugar bizarro, também, mas desengane-se quem pensa que não é o típico Inferno de angústia e sofrimento do qual se ouve falar. E é quase impossível não nutrir uma certa "simpatia", digamos assim, pelo vilão da história, que já surgira no volume anterior. Pelo menos eu falo por mim; parece que tenho sempre uma queda pelos bad boys das histórias, e este não foi excepção.
No terceiro livro, há novas reviravoltas e novas peripécias, e está sempre no ar e a cada virar de página a dúvida se Beth e Xavier conseguirão, realmente, ficar juntos. Não apenas por ela ser um anjo e ele um humano, mas também porque a sua estadia na Terra é temporária, tendo ela e os outros dois, Gabriel e Ivy, sido enviados apenas com uma missão - em que, no entanto, têm que se misturar e viver como humanos para não darem nas vistas. Mas, para além disso, travarem qualquer tipo de relação com humanos não fazia parte dos planos, pelo que as autoridades celestes vêem-se obrigadas a intervir quando se apercebem que as coisas foram demasiado longe. E é por isso que há sempre aquela dúvida se vão ficar juntos ou não.
Este último volume surpreendeu-me. E isto porque, afinal, o famoso cliché dos YA tem uma razão de ser. Ou seja, há uma explicação para Xavier se ter apaixonado por Beth - uma explicação para ter sido ele, e não outra pessoa qualquer -; não foi uma simples obra do acaso. Foi algo que me surpreendeu e algo que gostei de ver num livro deste género. E a dita explicação seria perfeita e tinha tudo para dar certo...se não fosse um pormenor, referido no primeiro volume, que fez com que as coisas não fizessem sentido. Ou seja; gostei que houvesse uma explicação, estava mesmo surpreendida e entusiasmada com isso, mas, depois, fiquei frustrada. Porque a explicação não fazia sentido, e não fazia por causa de algo referido no primeiro livro! Em suma, passei o que restava deste terceiro livro à espera que me explicassem isso melhor e que houvesse uma resposta ou uma explicação para isso...e nada! Francamente, isso irritou-me. Como é que nem a autora, nem os revisores, nem ninguém reparou nesse deslize? Não percebo. Desde aí, ando a pensar seriamente em mandar um e-mail à autora a pedir-me que me explique tudo isso. É que não faz sentido!
Mas enfim. Não deixa de ser uma boa história. Bonita, diferente, engraçada, muito cativante, não só em termos de enredo, mas também no que toca à escrita em si, que é igualmente bonita e torna os livros em algo leve e fácil de ler. Devorei estes três livros e gostei mesmo muito deles. Tive imensa pena que a suposta explicação não fizesse sentido por me lembrar do raio de um pormenor - que muda tudo, se virmos bem - e gostava que o final tivesse sido mais desenvolvido. Mas, tirando isso, gostei bastante.

08/06/2016

De volta

Já voltei de Lisboa, e, portanto, voltei ao blog, embora o que me apetecesse realmente era ter ficado por lá mais uns dias. De qualquer forma, voltar ao trabalho não custou tanto como pensei que custasse. E, agora, cá venho contar as novidades. Vou dividir isto por tópicos para ser mais fácil para mim e para quem me lê. Aviso, desde já, que todas as fotografias desta publicação são da minha autoria, pelo que não devem ser usadas sem permissão.

06/03/2016

24

Fiz anos ontem. Não fiz nenhum post do género Parabéns a mim porque não sou pessoa de chamar a atenção para os meus anos - nem sei que raio me deu no ano passado para fazer isso - e tenho a minha data de nascimento oculta no Facebook - só mesmo para "testar" as pessoas e ver quem sabe quando é que faço anos -, por isso, sim, é normal que ninguém o soubesse. Mas agora estou aqui para vir falar do meu dia. Que foi óptimo!

03/03/2016

Continuando a falar de prendas de anos...

Acabei por dar à minha mãe uma lista com os livros que gostava de ler. Mas só o fiz há uns dias atrás, por nunca mais me ter lembrado disso. E lembrei-me de o fazer depois de termos passado uma tarde nas lojas, à procura de uma prenda de aniversário para uma tia minha. Não sei bem porquê, mas aquelas duas ou três horas a andar pelas lojas deixaram-me completamente cansada. Acho que já perdi a paciência para andar nas compras, ou então tomei finalmente consciência de que não preciso de mais roupa e, por isso, não tenho nada para fazer nas lojas. A certa altura, só me arrastava de um lado para o outro e já nem prestava atenção às peças de roupa pelas quais passava, até porque acabavam por se tornar irritantemente repetitivas. Vi uma ou outra peça que até me agradou, mas não quis voltar a acordar o meu lado mais fútil e nem me dei ao trabalho de experimentá-las - e, verdade seja dita, nem tinha paciência para isso. Mas dei a entender à minha mãe que gostava das ditas peças, já que, ao que parece, continua sem saber o que me oferecer nos meus anos...quando eu pedi coisas tão simples de se encontrar! Um bilhete para Iron Maiden - ou seja, como aqui não existe Fnac, é só chegar à Internet e comprar, se bem que os bilhetes electrónicos são horríveis e não têm piadinha nenhuma - ou livros - que também é só chegar a uma livraria e comprar, sabendo quais são os que quero.
Precisamente para realçar essa ideia dos livros, lembrei-me de fazer a tal lista e entreguei-a. Agora, é só esperar que receba pelo menos um. Não coloquei os livros por ordem de preferência, até porque não tinha qualquer preferência e contentava-me com qualquer um deles, mas caí na asneira de ler uma crítica sobre O Nome do Vento - um dos livros que coloquei na lista - que me deixou cheia, cheiinha de vontade de ler o livro. De qualquer forma, uma coisa é certa: se não receber nenhum livro no meu aniversário - ou se não receber O Nome do Vento -, vou deixar parte do meu ordenado numa livraria.

19/12/2015

Série Shadowfell - Juliet Marillier

Sinopse (Shadowfell): Na terra de Alban, onde o jugo tirânico de Keldec reduziu o mundo a cinzas e terror, a esperança tem um nome que só os mais corajosos se atrevem a murmurar: Shadowfell. Diz a lenda que aí se refugia uma força rebelde que lutará para libertar o povo das trevas e da opressão. E é para lá que se dirige Neryn, uma jovem de dezasseis anos que detém um perigoso Dom Iluminado: o poder de comunicar com os Boa Gente e com as criaturas que vivem nas profundezas do Outro Mundo. Será Neryn forçada a fazer esta perigosa viagem sozinha? Ou deverá antes confiar na ajuda de um misterioso desconhecido cujos verdadeiros desígnios permanecem por esclarecer? Perseguida por um império decidido a esmagá-la e sem saber em quem pode confiar, Neryn acabará por descobrir que a sua viagem é um teste e que a chave para a salvação do reino de Alban pode estar nas suas próprias mãos.

Foi a primeira vez que li algo desta autora, e tornei-me sua fã logo após o primeiro volume da trilogia. Quem já leu outros livros dela costuma dizer que esta série não é grande coisa. Mas eu, que nunca tinha lido nada dela antes, fiquei completamente encantada, tanto com a história, como com a forma como está escrita.
Quando se abrem os livros, deparamo-nos com um mapa. Regra geral, fico sempre ansiosa por ler um livro que tenha um mapa, pois significa que a história tratar-se-á de uma viagem ao longo de um mundo novo, que com certeza nos dará a conhecer lugares tão diferentes e durante a qual surgirão diversos obstáculos a superar. E costumam ser histórias com magia. Este é um dos meus tipos favoritos de livros. Neste caso, há uma viagem num mundo perigoso. Alban é um reino onde cada palavra tem que ser cuidadosamente pensada antes de ser proferida, onde muito dificilmente se pode confiar em alguém, onde os inimigos são muitos e os amigos são escassos, onde as pessoas com dons são forçadas a escondê-los. À primeira vista, a viagem da protagonista em busca de Shadowfell pode parecer monótona e solitária, mas revela-se o contrário, graças às diversas personagens - humanas e não só - que cruzam o seu caminho e que a obrigam a dar o melhor de si para superar os variados obstáculos e desafios.
A escrita de Juliet Marillier é rica, mágica e encantadora. Tem muitos aspectos positivos a salientar. Em primeiro lugar, apesar de os livros estarem escritos na primeira pessoa e de a protagonista ser uma adolescente, a linguagem não é nada acriançada, como tantas vezes acontece. Todos os diálogos, aliás, são bastante maduros e bem construídos, remetendo-nos para épocas mais antigas em que se utilizava um outro tipo de discurso. A forma como tudo estava escrito fez com que me transportasse directamente para o mundo da história, como se eu fosse uma espécie de fantasma a perseguir a protagonista para todo o lado. É tão fácil imaginar, na nossa cabeça, tudo quanto lemos, como se de um filme se tratasse, com esta autora. É como se, até, conseguíssemos "sentir" os próprios ambientes - a chuva, o cheiro a papas de aveia, o calor de uma fogueira -, de tão bem que tudo estava descrito. E, para além de tudo isto, os nomes de alguns dos personagens são bastante característicos e cheios de personalidade. Tanto de personagens humanas - gostei, especialmente, dos nomes Rohan Death-Blade e Tallis Pathfinder -, como de, e principalmente, Boa Gente, seres mágicos, dignos de contos de fadas, que adquirem as mais variadas formas, com os quais quem tem um dom especial pode comunicar e fazer proezas ainda mais espantosas. Os nomes destes últimos foram traduzidos para português, e achei que foi uma decisão que fez todo o sentido, pois assim o leitor apercebe-se melhor do facto de os seus nomes serem tão característicos - felizmente, não traduziram os nomes dos lugares, bem como Death-Blade e Pathfinder, pois isso seria realmente estúpido e ficaria muito mal.
Outros aspectos que também adorei, e que têm agora a ver com o enredo em si, foram as diversas situações que me fizeram pensar em coisas do tipo Oh não, e agora?, que me aguçavam sempre mais o apetite para a leitura; o facto de os romances se desenvolverem de forma tímida, cautelosa e um tanto ou quanto secreta, o que tornava tudo muito mais fofinho, na minha opinião; e, ainda, o modo como Neryn, a protagonista, usava o seu dom. Uma das suas demandas tem a ver com a procura dos chamados Guardiães de Alban, com o objectivo de lhe ensinarem mais sobre o seu dom. São seres representativos dos quatro elementos: água, terra, ar e fogo. Neryn não possui magia própria, mas os ensinamentos dos Guardiães ajudam-na a usar o seu dom através da magia dos elementos. E a autora descreveu esta questão de uma forma verdadeiramente fantástica. 
Adorei, ainda, aquele que se tornou no meu personagem favorito, Flint. É difícil gostar, ou, pelo menos, sentir empatia por um personagem logo no momento em que aparece, mas foi o que aconteceu com Flint. Muito misterioso e de poucas palavras no início; quis tanto saber mais sobre ele e fiquei logo triste por ter desaparecido tão depressa quanto apareceu, o que me fez desejar que voltasse a surgir mais à frente ou que tivesse ficado por mais algum tempo. Ao longo dos livros, surgem passagens que são narradas do seu ponto de vista, em vez do de Neryn, e em terceira pessoa, tal qual como eu tanto gosto. E estas passagens fizeram-me gostar ainda mais desta personagem, pois finalmente entramos na sua cabeça, percebemos o que está a pensar e conhecemo-lo melhor. Até agora, foi uma das minhas personagens favoritas de todos os livros que já li.
Os únicos pontos negativos que tenho a apontar são: o facto de os capítulos serem grandes demais - alguns deles com mais de trinta páginas, que podiam perfeitamente ter sido divididos - e o facto de me sentir algo desiludida com o final. Não, não foi só porque a série acabou - ainda sinto esse "vazio" e mal me sinto "preparada" para iniciar uma nova leitura. Foi o facto de não se ter sabido o que aconteceu a determinadas personagens. Cheguei a pensar que faltavam páginas ao meu exemplar. Gostava mesmo de saber o que teria acontecido, mas pronto.
Recordarei esta série com imenso carinho, uma vez que foi uma das melhores que já li até hoje. Adorei o enredo, a história está escrita de uma forma, a meu ver, espectacular e a autora é uma enorme inspiração. Para mim, uma leitura obrigatória para amantes do romance fantástico.

04/12/2015

Mais de 1000 razões para ser feliz #16

É sempre bom receber livros novos. E isto torna-se ainda melhor quando são adquiridos em promoções que fazem com que compremos dois livros pelo preço de um (obrigada, Wook!). Já tenho mais uma trilogia completa...apesar de o primeiro volume da mesma ainda estar em lista de espera para ser lido. Não me faltam livros para ler, portanto. 

16/11/2015

Série Divergente - Veronica Roth

Sinopse (Divergente): Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família... e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.
Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se enamora por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo, que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama... ou acabar por destruí-la.

Estava ansiosa por ler esta trilogia, em especial devido à história das fações em que a sociedade está dividida. Pareceu-me algo diferente, e, de facto, gostei bastante da ideia. Achei muito interessante a ideia, ou melhor, o facto de se cultivar uma virtude específica, cada uma delas oposta aos "defeitos" da humanidade. Foi igualmente interessante ver que as pessoas de cada fação são treinadas a cultivar a sua virtude, e que esses treinos são específicos e diferentes consoante as fações. No entanto, as pessoas pertencentes a cada uma eram demasiado estereotipadas, não sei se por vontade da autora ou não. De qualquer forma, a verdade é que, na realidade, as pessoas têm, de facto, a tendência de rotular e de estereotipar toda a gente que pensa ou que age de determinada maneira. Talvez a autora tenha querido criticar a sociedade actual, não só neste sentido, mas também no que diz respeito a determinadas atitudes e práticas, que são feitas ou para alcançar um objectivo maior, ou apenas porque assim é exigido, porque é o que é certo e o que tem que ser feito.
Houve várias coisas que gostei nestes livros. Gostei do facto de acontecerem muitas coisas num só, em vez de todo o livro se focar apenas num único acontecimento. Tornou tudo muito mais empolgante e entusiasmante. Gostei dos finais em aberto, que pediam logo a leitura do próximo livro, como se fossem os finais de temporada das séries. Gostei que, a cada livro e quanto mais se avançava na história, se descobria mais acerca do que significava ser-se Divergente. Foi muito interessante verificar que tal era muito mais do que a breve definição que surgia no primeiro livro, e o facto de a autora meter a genética ao barulho tornou tudo mais delicioso. Gostei que a história não se focasse assim tanto no romance entre os protagonistas, como acontece em vários livros do género, e que tivesse mais cenas de acção e mais mistérios do que partes melosas e lamechas - embora existam, mas em quantidade q.b.. Houve cenas muito giras, como as paisagens dos medos e as brincadeiras dos membros da fação que Tris escolhe, com especial destaque para a descida, através de um cabo, do alto de um edifício. Algumas destas "cenas giras" parecem não ter o seu propósito ou servir apenas "para encher", mas, depois, à medida que se avança na história, acabámos por perceber que incluí-las fez todo o sentido. E gostei da Tris logo no início, por não ser a típica protagonista desajeitada e com medo de tudo, que, só mais tarde, se torna forte e corajosa. Ela é corajosa desde o princípio, e isso agradou-me.
Em relação à escrita, não a achei nada de extraordinário, sem nada que diferenciasse a autora de outros nomes do género. Aliás, no que diz respeito a isto, estes livros têm uma coisa muito má: estão escritos no presente. É certo que uma pessoa acaba por se habituar, mas eu detesto livros escritos no presente; mesmo passado algum tempo, volta a fazer um bocadinho de confusão.
Gostei que, no terceiro livro, a autora alternasse o narrador. A história é contada ora do ponto de vista de Tris, ora no de Quatro, o protagonista masculino (não vou dizer o seu nome verdadeiro, porque isto tira a piada toda a quem não leu os livros). Já estou habituada a ler livros em que as perspectivas são alternadas, de tal maneira que, agora, prefiro ler livros assim, que me ofereçam diferentes pontos de vista, de forma a conhecer melhor as personagens e para que a própria leitura não se torne aborrecida por estarmos a seguir sempre a mesma personagem. No entanto, desagradou-me que as partes narradas por Quatro fossem escritas igualmente na primeira pessoa. Na minha opinião, teria tido mais lógica se tivessem sido escritas na terceira. A certas alturas, eu já não sabia se estava a ler algo visto da perspectiva de Tris ou de Quatro. Se um estivesse escrito na primeira pessoa e o outro na terceira, aí já não teria tido dúvidas. Pareceu-me, até, que os próprios tradutores se confundiram de vez em quando, pois surgiram alguns erros de tradução no que diz respeito a adjectivos, que deviam estar no masculino, em vez de no feminino.
Outra coisa que me desiludiu foi a previsibilidade. Há cenas muito, muito previsíveis. Especialmente porque a autora acaba por nos habituar a tal, dada a quantidade de acontecimentos tristes com as mais diversas personagens, que nos levam, automaticamente, a adivinhar o seu desfecho. Em contrapartida, surgiram cenas das quais não estava nada à espera. E tem graça constatar que estas cenas acontecem em momentos opostos da história: logo no princípio, quando Caleb, o irmão de Tris, escolhe a sua fação - nunca desconfiei - e no final. O final surpreendeu-me.
Na minha opinião, algumas cenas necessitavam de mais alguns detalhes, para que o leitor percebesse melhor o que se estava a passar. Para a autora, faziam sentido, pois ela é que sabe o que se passa e o que quer que se passe. Mas os leitores não estão dentro da sua cabeça. Enfim, é só um pormenor, e, obviamente, não se aplica à história toda.
Em suma, estava ansiosa por ler e não fiquei desiludida. Gostei muito, e, agora, resta-me ver os filmes.

01/10/2015

Perguntinhas #13 - Certified Bookaholics

*Nightwish* nomeou-me para esta TAG, que foi criada por ela e em conjunto com a C. e o Tio. Como bookaholic que sou, fiquei toda contente por ter sido nomeada, se bem que, mesmo que não fosse, tê-la-ia "roubado" de qualquer maneira, pois achei-a muito gira e muito interessante. Basicamente, e como qualquer outra TAG, as regras consistem em responder às perguntas. Aos bookaholics que por aqui passarem, dou permissão de a levarem para os vossos blogs e de responderem ao desafio, já que é sempre interessante ler sobre os gostos literários dos outros.

28/09/2015

Facto #32

Eu devia deixar de entrar em livrarias, já que, sempre que o faço, encontro coisas interessantes e acrescento novos títulos à minha lista mental de livros para ler. O que é mau, por duas razões: os livros não são propriamente baratos e aqueles que me cativam fazem quase sempre parte de uma trilogia, o que quer dizer que, para além do investimento inicial, ainda tenho que investir nos volumes seguintes.
E os que entraram recentemente na minha lista mental foram:
O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss;
O Império Final, de Brandon Sanderson;
Mago - Aprendiz, de Raymond E. Feist;
A Espada de Shannara, de Terry Brooks.
Vai-se lá saber porquê, voltei a virar-me para a fantasia.
Da última vez em que estive na Fnac, ainda pensei em pegar num deles e sentar-me num dos banquinhos a ler as primeiras páginas, mas depois achei que tal não seria muito boa ideia, pois poderia ficar com o livro na cabeça e não iria descansar enquanto não o comprasse.
Mas o que é certo é que não vou deixar de entrar em livrarias. Se calhar devia, mas não vou. Nada consegue substituir aquele ambiente. A minha lista mental de livros para ler é que vai continuar a crescer com isso, mas enfim.

24/07/2015

Facto #30

Fotografia da minha autoria.
Pior do que ter vários livros em lista de espera, é decidir por qual deles começar.

21/07/2015

Trilogia do Senhor dos Anéis - J. R. R. Tolkien

Esta é uma história que dispensa apresentações, embora, no meu caso, que nunca tinha visto sequer os filmes antes de resolver pegar nos livros, tivesse necessitado delas. Juro que não sabia do que a história tratava, tirando a parte de envolver uns anéis quaisquer, e que era uma perfeita naba no que dizia respeito ao universo onde se desenrolava. E foi precisamente o facto de ouvir falar tanto nela e de me sentir uma completa ignorante sempre que ouvia falar sobre ela - nem que fosse só uma pequena referência - que me fez ter uma enorme vontade de ler estes livros.
Antes de ler esta trilogia, contudo, li O Hobbit, e acho que fiz bem. Fez todo o sentido lê-lo em primeiro lugar, uma vez que se trata da história que antecede O Senhor dos Anéis. Para além de ter ficado familiarizada com as personagens que surgem na trilogia, de ter percebido como o anel foi parar às mãos de Bilbo e de ter tido um pequeno vislumbre da Terra Média, ter lido O Hobbit fez com que entendesse as diversas referências que a esta história são feitas na trilogia. De outro modo, ter-me-iam passado ao lado, e até se tornou engraçado notá-las. No entanto, notei, n'O Hobbit, uma escrita um bocado estranha e à qual não estava habituada, e isto deixou-me um pouco de pé atrás quanto ao facto de me querer embrenhar n'O Senhor dos Anéis. Mas, assim que comecei a ler as primeiras páginas do primeiro volume da trilogia, fui agradavelmente surpreendida pelo modo como estavam escritas. Foi como se Tolkien tivesse crescido em termos de escrita, mas quem sou eu para o afirmar. Na verdade, acabei por saber que O Hobbit tinha sido escrito especialmente para crianças, e esta deve ser a razão pela qual o modo como está escrito ser diferente do d'O Senhor dos Anéis, que já não era dirigido a um público tão jovem. Também por esta razão, foi bom ter começado a ler os livros por esta ordem, porque, se fosse ao contrário, estaria, agora, chocada.
Se havia outra coisa que me deixava de pé atrás, essa "outra coisa" prende-se com o facto de se tratarem de livros que já contam com umas boas décadas, e, portanto, estava com algum receio do tipo de linguagem que neles estaria empregue. No entanto, fui, mais uma vez, surpreendida pela positiva. A linguagem é completamente acessível, e o modo como está escrito não é nada de outro mundo; aliás, à medida que me embrenhava na história, esquecia por completo a idade dos livros e sentia-me como se estivesse a ler um livro que tinha sido escrito há pouco tempo. Por vezes, os poemas e as canções, que surgiam aqui e ali, eram capazes de me irritar um bocadinho, não só por não gostar de poesia, mas por se ter perdido muito com a tradução (as rimas, por exemplo, deixaram de existir devido à tradução), o que tornava a leitura mais aborrecida, pelo menos para mim. Optava por ler aquilo mais ou menos na diagonal, para não "sofrer" tanto e uma vez que não se perdia grande coisa se não entendesse os poemas - e eu sou péssima a entender e a interpretar poemas. Mas, de um modo geral, estava tudo muito bem escrito e fácil de entender. Alguns diálogos remetiam mais para épocas passadas, mas não tropecei em palavras complicadas, e, tirando isso, foi como se, tal como já disse, estivesse a ler um livro actual.
E uma das coisas que mais gostava de ler eram as descrições dos lugares. As descrições são maravilhosas; fizeram-me imaginar lugares mesmo bonitos. Mesmo que não fossem bonitos, o modo como eram descritos era, por si só, bonito, e isto porque eram, frequentemente, usadas comparações e metáforas nas descrições, que são o suficiente para embelezar um texto.
No que diz respeito à história em si, adorei o primeiro livro. Acho que já disse por aqui no blog que o meu género de livros favorito é precisamente este, em que as personagens têm como missão chegar a determinado lugar mas que, para isso, têm que fazer uma longa viagem, previamente planeada, durante a qual passam por imensos lugares, tão diferentes entre si, conhecem outras personagens e são forçados a superar obstáculos que surgem no caminho. O primeiro volume é aquele que mais aventura traz, e mais aventura significa mais lugares fantásticos e mais peripécias, daí que o tenha adorado completamente. Fiquei fascinada pela história, pelas personagens e pela própria Terra Média, e acho que a coisa terminou mesmo bem, porque o facto de as personagens se terem separado aguçou-me a curiosidade para o que se iria passar com cada uma. 
O segundo volume começou bem por causa disso, pois seguiam-se umas e outras e via-se os seus caminhos a cruzarem-se e descruzarem-se, e dei por mim ansiosa pelo momento em que se reencontrariam. No entanto, a segunda parte deste livro tornou-se aborrecida, uma vez que se concentrava apenas na viagem de Frodo e Sam, não havendo, por isso, mudanças em termos de personagens, de rumos e de objectivos. Esta segunda parte arrastou-se durante algum tempo, e mais aborrecida teria sido se não fosse Gollum, com o qual ainda dava para rir um bocadinho. Contudo, perto do final, a coisa volta a tornar-se interessante. Apesar de tudo, o segundo volume foi o de que menos gostei.
Já o terceiro voltou a ser fantástico. A história desenrolou-se a um ritmo semelhante ao do volume anterior, em que cada capítulo seguia personagens diferentes, uma vez que se haviam separado novamente. Mas foi muito mais entusiasmante do que dantes - ou então era eu que estava mais entusiasmada -, talvez devido à guerra iminente e àquela coisa do E agora? Será que vão mesmo chegar a tempo?. E ler sobre a guerra em si não foi tão monótono e confuso como estava à espera, muito pelo contrário: foi algo dinâmico, uma vez que os pontos de vista mudavam constantemente, e deu para perceber tudo na perfeição. Gostei especialmente dos saltos no tempo, do facto de se voltar ao passado para se perceber como uma outra personagem viveu um mesmo acontecimento já descrito. Até o final foi interessante, porque eu pensava que, depois de cumprida a missão, não aconteceria mais nada, mas eis que fui surpreendida. Fui capaz de prever o derradeiro final através do título do último capítulo; no entanto, gostava de ter sabido mais a respeito do destino de cada personagem. A história mostrou como uma viagem e o acto de se sair da nossa zona de conforto podem mudar uma pessoa para melhor, coisa que já não é novidade nenhuma, por, hoje em dia, se ouvir falar tanto acerca disto, de que a magia acontece fora da nossa zona de conforto. Também este pensamento tão actual fez com que sentisse que estava a ler um livro relativamente recente.
De um modo geral, fiquei encantada. Já há muito que queria ler esta trilogia, e todas as minhas expectativas foram superadas. Adorei, e mal posso esperar por ver, finalmente, os filmes - se bem que já sei que vou chorar por dentro quando acabar o último, por já não ter mais para ver, tal como aconteceu com O Hobbit e com o Harry Potter.
E não posso deixar de terminar este post sem mencionar algo engraçado com o qual me deparei ao longo dos livros. Há uma banda chamada Battlelore - que eu costumava ouvir, mas que, agora, só ouço uma música ou outra -, cujas letras são inspiradas nos livros de Tolkien e fazem, portanto, referências à Terra Média. E foi super engraçado ler determinadas coisas e lembrar-me das músicas deles. Do género: ler Torre da Lua e lembrar-me da música Moontower ou ler Última Aliança e lembrar-me de que têm um álbum chamado The Last Alliance. Mas a melhor teve a ver com: Na Terra de Mordor onde moram as Sombras. Em que a minha reacção foi mesmo esta: Isto em inglês fica "In the land of Mordor where the Shadows lie"... Where the Shadows lie! É o nome de um álbum de Battlelore!. Enfim, só mesmo comigo.

19/04/2015

Perguntinhas #12 - Hábitos Literários


1. Tens o hábito de comer enquanto lês? Se sim, qual a tua comida favorita?
Só chocolates ou amêndoas, embora nem sempre o faça.

2. Qual a tua bebida favorita para acompanhar a leitura?
Chá. Mas também nem sempre bebo.

3. Costumas sublinhar uma ou outra passagem enquanto estás a ler um livro, ou achas que escrever nos livros é uma ideia abominável?
Não, nunca. Só sublinho e escrevo nos livros de estudo. Nos livros de leitura, é impensável; gosto de os manter direitinhos, e não vejo necessidade em rabiscá-los. Se gosto de alguma frase ou passagem que queira partilhar mais tarde, normalmente decoro o número da página em que está, para depois ir lá buscá-la.

4. Como marcas os livros quando interrompes a leitura? Tens um marcador especial, ou usas o que estiver à mão (um papel dobrado, etc)? Ou dobras o canto da folha?
Costumo usar o meu marcador favorito, que comprei em 2007 numa feira ao estilo medieval que aqui fizeram e que tem o meu nome lá escrito, num tipo de letra também ao estilo medieval. Isso de dobrar o canto da folha não fica nada bem.

5. Qual o teu género literário favorito: ficção, não-ficção, ou ambos?
Ficção, sem dúvida. E, quanto mais fictícia a história (mundos imaginários, criaturas que não existem, magia, etc), melhor.

6. Gostas de ler até ao fim do capítulo, ou interrompes a leitura em qualquer parte do livro?
Prefiro ler até ao fim, mas há alturas em que tenho que parar a meio. Normalmente escolho parar quando aparece um espaço em branco, no caso de um capítulo ser muito longo e eu já não conseguir ler mais nada.

7. Tens o costume de procurar o significado de palavras que desconheces quando as encontras no decorrer da leitura?
Encontrar uma palavra que desconheça é algo que raramente acontece, na verdade. Mas penso que já procurei o significado de alguma, uma vez ou outra.

8. O que estás a ler neste momento?
Neste momento, nada. Acabei, esta semana, o segundo volume d'O Senhor dos Anéis, e, quando puder, vou pegar no terceiro.

9. Qual foi o último livro que compraste?
A última vez que comprei livros foi em Setembro. Comprei O Voo do Corvo, que já li, e o Delirium. Depois, recebi uns quantos no Natal e um no meu aniversário, que ainda estão em lista de espera.

10. Costumas ler um livro de cada vez, ou tens o hábito de ler vários livros ao mesmo tempo?
Só um de cada vez. Acho estranho ler mais do que um ao mesmo tempo.

11. Tens um local favorito ou uma hora específica do dia para ler?
Os meus lugares favoritos são: um dos sofás da minha casa (no Inverno ou quando o tempo está pior) e um jardim qualquer, deitada na relva debaixo de uma árvore (no Verão). Quanto à altura do dia, não tenho preferência. Leio quando me apetece, desde que possa.

12. Preferes séries ou histórias únicas?
Gosto de ambos. Aliás, quando um livro me interessa, a última coisa com que me preocupo é se se trata de uma série ou de um livro único. Aquilo que mais tenho na minha estante são séries - algumas das quais nem sabia que seriam séries, uma vez que comprei o livro sem saber que teria continuação. Se, por um lado, gosto do facto de a história não acabar ali e de saber que ainda não vou ter que me despedir daquelas personagens, por outro é um bocado chata a obrigação de ter que comprar os livros posteriores.

13. Tens algum livro ou autor preferido que não te cansas de recomendar aos outros?
Siiiim, A Passagem, de Justin Cronin. Provavelmente o melhor livro que já li até hoje 

14. Como organizas a sua biblioteca/estante? Por género, por título, pelo nome do autor ou pela editora?
Só há bem pouco tempo, quando remodelei o meu quarto, é que consegui organizar os meus livros numa estante. E organizei-os sem uma ordem específica. Claro que os livros da mesma série ficaram juntos, e aqueles que não pertencem a nenhuma série (ou que pertencem, mas que só tenho o primeiro volume) ficaram juntos também. Mas distribuí-os pelas prateleiras de uma forma aleatória.


Desafio retirado do blog Doce Sonhadora.

07/04/2015

Filmes baseados em livros

Gosto de ver filmes que tenham sido baseados num livro que tenha lido. Nunca gosto quando transformam, num filme, um livro que já tenha lido, pois é como se nos "roubassem" alguma coisa: uma coisa que parecia ser só nossa passa, de repente, a ser conhecida por toda a gente, a ser "banalizada". E, claro, a ser falada e/ou criticada por pessoas que nem sequer se deram ao trabalho de ler o livro que deu origem ao filme. Como não se pode fazer nada contra isso, costumo, depois, ver os filmes que foram baseados nalgum livro que já tenha lido - nalgum daqueles "pequenos tesouros" que, antes, não eram conhecidos por ninguém. Só mesmo para ver se foi feito um bom trabalho.
Escusado será dizer que os livros são sempre melhores do que os filmes. Alguns filmes foram, para mim, uma autêntica desilusão, como o Twilight e afins ou o Eragon, mas outros, pelos contrário, surpreenderam-me pela positiva, por serem tão fiéis ao livro de origem. Dois destes casos, que dizem respeito a filmes que vi recentemente, são The Fault In Our Stars e Gone Girl.

01/11/2014

Coisas boas do mês #10

Eu bem disse que Outubro ia voar. Nem dei por este mês a passar, o que não quer dizer que tenha sido maravilhoso. Apenas me deixei levar pela rotina; havia sempre qualquer coisa para fazer, o que não me deixou aproveitar os dias da melhor forma nem passear muito.
Avancei um bocado no meu livro, se bem que agora retornei à fase da falta de vontade, mas penso que não durará muito mais. Vi uns filmes mesmo giros nos últimos fins-de-semana, todos dentro do mesmo género mas que, de qualquer maneira, serviram de companhia e alegraram um pouco as minhas noites. Ainda não voltei a seguir as minhas "séries de Inverno", uma vez que estou à espera de mais episódios para poder devorá-los em pouco tempo, pelo que tenho andado numa de filmes. Apenas vi Under the Dome - já foi há tanto tempo, que nem me lembrava -, na qual comecei a ficar mesmo viciada e, caraças, adorei a série; mal posso esperar por novos episódios - sim, sei que tenho que esperar imenso tempo. Acabei de ler A Revelação, que achei melhor que o seu antecessor, com muito mais acção e com uma adrenalina da primeira à última página, mas que me deixou sem perceber se terá, ou não, uma continuação - na minha opinião, tem mesmo que ter! Depois, disse a mim mesma que o melhor era deixar as leituras de parte, por enquanto, por ter tanto para fazer, mas não resisti em começar a ler O voo do corvo, que está a ser lindo como o primeiro volume da trilogia - nem eu esperava outra coisa. Tive uns domingos diferentes, em que me reuni com uma colega que se mudou para um apartamento aqui perto para "estudarmos" um bocado. Passei pouquíssimas tardes fora de casa, mas estas foram produtivas: encontrei umas calças de ganga fantásticas - a sério! -, umas pantufas fofinhas e as galochas perfeitas; comi coisas boas na Leitaria da Quinta do Paço e na Spirito. Gostei que o calor tivesse voltado, uma vez que gosto de andar na rua sem casaco e gosto de não ter aquela preocupação de É melhor levar mais isto e aquilo, ou vou morrer de frio passado um bocado. Passei uma tarde a estudar numa esplanada, e soube-me tão bem, principalmente por não estar calor nem frio. Estava com bastante receio da sessão de educação alimentar que tive que fazer numa escola primária, mas esta correu mesmo bem, o que só me deixa mais motivada para as próximas.
Não teve nada de especial, este mês. Mas, pelo contrário, estou a prever um bom mês de Novembro. Tenho alguns planos, e sim, outra coisa boa de Outubro foi mesmo esta: fazer planos. Vou ver Epica com o namorado, com a F e com o namorado dela também - em princípio, pois já aprendi a não contar muito com os outros; só acredito que vão quando ela me disser que já tem os bilhetes. Mas, com ele, é certo que vou mesmo; apenas falta comprar os bilhetes, e já sei que vou ficar toda contente quando souber que os temos! E isto vai implicar uma ida a Lisboa, já que um de nós terá que se sujeitar a deslocar-se se queremos ir juntos, mas pronto, gosto sempre de ir a Lisboa (embora prefire aqui o norte). Já estou ansiosa! Mas alguém vai morrer se não tocarem a Natural Corruption, a Omen ou a Canvas of Life.

30/09/2014

Coisas boas do mês #9

Setembro deve ser o mês do qual menos gosto. É o mês das despedidas - da família, do namorado, do Verão, das férias - e o dos recomeços - aulas, estudos, rotina -, e sim, é precisamente por isso que não gosto dele. Assim sendo, é bom vê-lo chegar ao fim. Até porque os primeiros dias de aulas, aqueles primeiros dias de habituação à rotina e ao facto de estar novamente por minha conta, bem, esses dias são sempre os piores. Com o final de Setembro, dou por mim a entrar sempre num novo ritmo, um ritmo que parece fazer o tempo voar e fazer com que leve as coisas menos a sério. Tal como mostra a imagem que escolhi para ilustrar o post, é como se saltasse para um comboio mais veloz, que não me deixa outro remédio a não ser o de aproveitar a viagem pela rotina e pelas responsabilidades, até chegar ao destino mágico do Natal.

Mas, por muito que deteste um mês, há sempre coisas boas que acontecem. Estas foram as minhas:
- Os últimos mergulhos no mar deste ano
- Os filmes giros do final das férias - em especial o Frankenweenie
- As horas passadas na Wii
- Ir à Feira do Livro do Porto e trazer para casa dois livrinhos que estou ansiosa por ler
- Ver a primeira temporada de Under the Dome para combater os meus serões solitários - hoje começo a segunda; aquilo é demasiado bom
- Passar uma tarde a desenhar e ficar muito feliz com o resultado
- Os bocadinhos fora de aulas com colegas, seja na esplanada da pizzaria, no café tipo Starbucks daqui de perto ou mesmo no bar da faculdade
- O pequeno cruzeiro no Douro, da Régua ao Pinhão, com a irmã e o pai
- Começar a escrever um novo livro e ficar entusiasmada com o mesmo
- Saber que já tenho local de estágio e que este é mesmo o que queria
- E, como não podia deixar de ser, as leituras. Terminei A Passagem - fiquei triste quando acabou - e agora estou a meio d'A Revelação, que está a ser óptimo.

19/09/2014

A Passagem - Justin Cronin

Sinopse: A Passagem é o primeiro livro de uma grandiosa epopeia pós-apocalíptica. Uma experiência científica a que o exército dos Estados Unidos submete vários homens e uma menina, para os tornar invencíveis, resulta numa catástrofe cujos efeitos têm consequências inimagináveis. Os homens submetidos àquela experiência tornam-se detentores de extraordinários poderes, mas são monstros assassinos sedentos de sangue. No primeiro volume do livro acompanhamos a sangrenta destruição que se segue à invasão dos mutantes, bem como a penosa reorganização dos sobreviventes em pequenas comunidades precárias, onde a gestão dos escassos recursos é uma prioridade. Neste cenário de devastação instala-se uma dinâmica que vai modificando as personagens e as relações que se estabelecem entre elas.

Não tenho palavras para dizer o quanto adorei estes livros. E, como gosto sempre de falar muito, mas muito sobre aquilo de que mais gosto, aviso, desde já, que este é um post longo.

A Passagem é um livro complexo, e é mesmo assim que gosto deles. Quando se lê este livro, parece que se está a ver uma série, tal é a quantidade de personagens, de enredos, de ambientes e de saltos temporais. Tal como uma série que nos é querida, quando começamos a ler o livro e a embrenharmo-nos na história, não queremos que ele acabe. E, tal como acontece com uma série, é como se estabelecêssemos uma ligação especial com as personagens, por passarmos a conhecê-las tão bem; é como se elas já fizessem parte do nosso dia-a-dia, tornando-se difícil abandoná-las quando fechamos o livro pela última vez.

Para ser sincera, só comecei a ficar completamente viciada a partir da terceira parte, quando, como se lê na sinopse, os sobreviventes à invasão dos mutantes se organizam em comunidades. Foi muito interessante ver a forma como a dita comunidade estava organizada, toda ela pensada ao mais pequeno pormenor, e foi aí que conheci personagens que me cativaram e me marcaram, para além de ter vindo a descobrir diversos enredos entre elas. Mas isto não quer dizer que as partes um e dois não tivessem sido igualmente interessantes. Muito pelo contrário.

Tudo começa com a descoberta de um vírus capaz de curar o cancro. Mas parece fazer mais do que isso: consegue proporcionar um envelhecimento extremamente lento, levando os infectados a viver durante anos e anos num corpo jovem, quase como se fossem imortais. É então que decidem testá-lo, e fazem-no em condenados à morte, uma vez que, se a coisa correr mal e os cobaias acabarem por morrer, lá está, não se perde nada. Até ao dia em que decidem testá-lo numa menina de seis anos chamada Amy - que é um mistério desde que a conhecemos. E fazem isto porquê: porque o vírus actua no timo, uma glândula situada no nosso tórax que diminui de tamanho ao longo da vida. Como Amy tem apenas seis anos, o seu timo terá um tamanho superior, pelo que o exército quer ver que efeito terá o vírus sobre ela - já que, nos condenados, não houve o efeito que se esperava, como se lê na sinopse: tornam-se numa espécie de vampiros fabricados pela ciência. Toda esta exaustiva primeira parte pode ser, assim, considerada um prólogo do livro. Digo exaustiva porque é gigantesca, mas achei-a bastante interessante. Porque gostei da ideia e porque envolve ciência. E eu gosto de ler coisas sobre ciência que não estejam em notícias, em livros de estudo ou em artigos científicos. Não sei porquê. Talvez por perceber que houve algum trabalho, em termos de pesquisa e afins, por parte de um autor. Ou talvez por eu ser da área das ciências. Enfim.

Cronin escreve muito bem, e as suas personagens estão muitíssimo bem feitas e caracterizadas. O modo como o livro está escrito faz com que a leitura seja bastante viciante, interessante e nada monótona: a narrativa não é sempre vista do ângulo do mesmo personagem e, por vezes, a história é-nos contada através de e-mails ou de excertos de livros, o que permite desanuviar um pouco da narrativa "normal". Usa, ainda, muitas analepses. Muitas, mesmo: de repente, damos por nós a visitar o passado de uma personagem, a conhecer a sua história de vida. Coisa que pode parecer palha, mas que não o é, de todo. Porque, ao conhecermos o passado de uma personagem, é como se nos tornássemos mais próximos dela, como se conseguíssemos, por fim, compreender porque age ou porque pensa da forma como faz no presente. Fez-me lembrar o Once Upon a Time, com todas estas viagens no tempo. Como se tudo isto não bastasse, Cronin sabe mexer com a nossa cabeça: faz-nos pensar que aconteceu ou vai acontecer determinada coisa - os capítulos são sempre muito bem terminados, dando-nos logo vontade de ler mais -, mas, mais tarde, revela-nos que aquilo que pensámos - ou que, em alguns casos, chegámos mesmo a acreditar - que tinha acontecido, afinal, não ocorreu de todo. E, aí, lá aparece mais um flashback para nos explicar como é que se passaram as coisas.

Achei engraçado ter descoberto, quase no fim do livro e quando não parava de me perguntar por que se chamava A Passagem, o porquê do título. Mais engraçado ainda foi ter descoberto que este significado estava próximo daquilo que eu suspeitara. Outras situações engraçadas incluem o facto de os sobreviventes à invasão não perceberem, por exemplo, o que faz uma Torre Eiffel em Las Vegas, não saberem o que é uma Coca-Cola e ficarem totalmente espantados quando assistem a um filme. E isto para não falar das analogias que o autor usou para descrever a situação daquele mundo - as histórias de Drácula e da arca de Noé, que se encaixavam perfeitamente no contexto.

O facto de existirem muitas personagens, especialmente a partir da terceira parte, pode confundir um bocado o leitor, é certo. No início, torna-se difícil lembrarmo-nos de quem é quem, mas o autor faz questão de nos relembrar isso mesmo, dizendo, por exemplo, o sobrenome do personagem sobre o qual se está a focar no momento, a sua ocupação ou um detalhe seu ou do seu passado. Podem ser igualmente confusos os precursos que os personagens fazem entre diversas cidades e estados dos Estados Unidos, uma vez que não nos sabemos situar e não sabemos - eu, pelo menos, não sei - o que é que faz fronteira com o quê.

Aquilo de que menos gostei tem somente a ver com a tradução. Por exemplo, o facto de terem usado a expressão, um tanto ou quanto ridícula, fisga-se - para traduzir os damn's do original, talvez -, e de terem usado o verbo "jogar" em diversas situações que não o pediam - como, por exemplo, jogou a mão ao colete ou devíamos jogar as coisas ao fogo. É muito "abrasileirado", e acho que não caíu bem. E isto para não falar de outros erros de tradução que encontrei ao longo do livro - foram pouquinhos, pelo menos, mas, mesmo assim, eram escusados.

A Passagem é...um misto. É acção, aventura e sobrevivência; é épico, fantástico e viciante; é humanos, mutantes que parecem vampiros e algo entre os dois; é destruição, sangue, tiros e morte; é amor, amizade e companheirismo; é ficção científica, mistério e suspense. É algo como o qual nunca tinha lido antes e que me deixou completamente rendida e sem vontade de me despedir do seu mundo catastrófico e das incríveis personagens que conheci. Aguardo o próximo volume com enorme ansiedade e grandes expectativas. Façam um favor a vocês próprios e...leiam isto.

01/08/2014

Coisas boas do mês #7


- Finalmente enviei o meu manuscrito para o concurso da Saída de Emergência. Foi muito bom trabalhar com uma beta-reader. Sem ela, acho que muitos pormenores ter-me-iam passado ao lado. E claro que fiquei um bocadinho babada com os seus elogios.

- Passei a todos os exames à primeira. Inclusive consegui melhorar a nota de estatística. Passei de um dez para um catorze.

- Arranjei um biquíni novo e o tal "par de sandálias ideal" que andava à procura.

- Tive uns óptimos dias em Lisboa, e ainda visitei Cascais e Óbidos.

- Regressei a casa. Finalmente tomei o primeiro banho de mar do ano. A praia estava mesmo excelente; um daqueles raros dias em que o céu está completamente limpo durante horas e horas e o mar está calmíssimo como um lago e com a água transparente (sim, dias destes são raros numa ilha em que rapidamente fazem as quatro estações num dia só).

- Li Shadowfell, que adorei. Tenho mesmo que arranjar os restantes volumes da trilogia, pois apaixonei-me pela história. Depois, comecei a ler A Passagem, que está a ser espectacular. Nunca tinha lido nada assim.

- A última semana do mês foi passada em Gran Canaria (daí ter estado ausente).
Já tinha estado em melhores hotéis - este deixou um bocado a desejar em termos de animação e de comida -, mas foi tão bom. Sabe tão bem não nos preocuparmos com limpezas, com comida...enfim, com nada! Foi mesmo relaxante - mesmo férias -, e não me importava de ter ficado mais uns dias por lá. A maior parte do tempo foi passada à beira da piscina, mas também fui à praia - que era mesmo boa - e fiz hidroginástica todos os dias e ainda uma aulinha de pilates, da qual gostei bastante - e que me convenceu a fazer este tipo de exercícios durante o próximo ano. Para além de que fomos com um grupo de conhecidos, pelo que foram dias bastante divertidos.

Portanto, até agora, posso dizer que estou a adorar o meu Verão.

24/07/2014

Citação #3

Tu és forte, Neryn. És tão forte como as rochas e as montanhas. Tão forte como os carvalhos, com as suas raízes bem enterradas na terra. Pareces tão frágil como uma flor de montanha, mas as aparências enganam.
- Shadowfell (Juliet Marillier)
Sou assim.